sábado, 21 de janeiro de 2017

Vulneráveis e sem voz

“Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz”: esse o título da Mensagem do Papa Francisco para o 103º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2017, que nós celebramos no último dia 15 de janeiro. O Papa Francisco nos chama mais uma vez a atenção para o destino das crianças e adolescentes migrantes que estão entre os mais vulneráveis. Os pequenos padecem hoje as novas formas de escravidão como a prostituição, a chaga da pornografia, a exploração no trabalho e o tráfico de droga.

Diante da contínua violação dos direitos das crianças, Francisco opõe um ponto de vista ético muito claro: “encontramos Jesus Cristo nos pequenos e vulneráveis”, e devemos fazer de tudo para proteger a sua dignidade.
Os bispos europeus nos dias passados recordaram que em 2015 mais de 65 milhões de pessoas deixaram suas casas por causa de guerras, perseguições e violências. A metade deste povo de refugiados é constituída de menores. Em particular, o número elevado na Europa de menores refugiados não acompanhados apresenta desafios imensos, especialmente porque muitas crianças e jovens não fazem pedido de asilo. O número real, portanto, é muito mais alto em relação ao indicado pelos dados oficiais. Em 2015 eram mais de 100 mil.
Diante do drama dos refugiados, que já quase estamos acostumados a ver nos telejornais, não podemos permanecer indiferentes. Por traz das pessoas que de barco cruzam o Mediterrâneo, ou a pé pelas fronteiras do leste europeu tentando chegar a Europa, temos histórias de imenso sofrimento: famílias que são separadas, menores que sofreram violências e várias formas de exploração que causam graves feridas no corpo e na alma. Essa realidade não pode deixar o homem moderno, as chamadas sociedades civilizadas, estáticas. É mais do que nunca necessário adotar ações concretas para defender seus direitos e dignidade e ser voz daqueles que não tem voz.
O Pontífice pede que cuidemos das crianças, pois elas são três vezes mais vulneráveis – menores de idade, estrangeiras e indefesas – quando, por vários motivos, são forçadas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar. As crianças migrantes, vulneráveis, invisíveis e sem voz, ressalva Francisco, “acabam facilmente nos níveis mais baixos da degradação humana, onde a ilegalidade e a violência queimam o seu futuro”. Como responder a esta realidade?
O Papa responde: “Com a certeza de que ninguém é estrangeiro na comunidade cristã. A Igreja deve reconhecer o desígnio de Deus também neste fenômeno, que faz parte da história da salvação”. Mas como?   
Em primeiro lugar, garantindo proteção e defesa aos menores migrantes; evitando que as crianças se tornem objeto de violência física, moral e sexual, porque “a linha divisória entre migração e tráfico pode tornar-se às vezes muito sutil”. Por outro lado, há de se combater também a demanda, intervindo com maior rigor e eficácia contra os exploradores.  
Em segundo lugar, é preciso trabalhar pela integração das crianças e adolescentes migrantes. O Papa recorda que a condição dos migrantes menores de idade é ainda mais grave quando ficam em situação irregular ou ao serviço da criminalidade organizada e são destinados a centros de detenção. 
Em terceiro lugar, o Papa apela para que se busquem e adotem soluções duradouras e neste sentido, é necessário o esforço de toda a comunidade internacional para extinguir os conflitos e as violências que constringem as pessoas a fugir.  
Uma questão fundamental, do ponto de vista do Papa, é a adoção de procedimentos nacionais adequados e de planos de cooperação concordados entre os países de origem e de acolhimento, tendo em vista a eliminação das causas da emigração forçada dos menores.
É também indispensável que a opinião pública seja informada de modo correto, para que se previnam medos injustificados e especulações sobre a pele daqueles que emigram, principalmente dos menores. É preciso tomar consciência de que a migração está presente na história do homem, e apostar na proteção, na integração e em soluções duradouras.
Devemos garantir um futuro a quem é obrigado a deixar suas terras em busca de uma vida mais digna. Devemos dar novamente a eles a dignidade perdida. 

Papa abençoa cordeiros na festa de Santa Inês

Na celebração litúrgica de Santa Inês, como é tradição, o Papa Francisco abençoou na Sala da Capela de Urbano VIII, no Vaticano, os dois cordeiros cujas lãs darão origem aos pálios.
Na iconografia, Santa Inês é representada frequentemente com um cordeiro nos braços, símbolo de Jesus, o Cordeiro de Deus, e também porque seu nome vem do latim agnus (cordeiro).
Todos os anos, os padres da Basílica de Santa Inês levam dois cordeiros para o Papa abençoar. Com a lã, as monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecilia, em Roma, confeccionam o pálio. Depois de prontos, são abençoados pelo Santo Padre e guardados numa arca junto ao tumulo do Apóstolo São Pedro. Serão entregues pelo próprio Papa no dia 29 de junho, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, aos novos Arcebispos Metropolitanos.
O pálio é uma estola com seis cruzes bordadas em lã preta. Trata-se de um símbolo de unidade com o Santo Padre e de autoridade sobre a própria jurisdição.

Anunciada data da JMJ do Panamá: 22 a 27 de janeiro de 2019

O Arcebispo de Panamá, no Panamá, Dom José Domingo Ulloa Mendieta anunciou em coletiva de imprensa a data da Jornada Mundial da Juventude de 2019, que se realizará no país centro-americano.
Ao anunciar que a data escolhida é de 22 a 27 de janeiro, o prelado ressalta que para estabelecer a data foram consideradas muitas opções, prevalecendo, sem dúvida, as razões climáticas, acrescentando ainda que o período de verão permite garantir as condições climáticas da região para a realização do evento.
A seguir, propomos, na íntegra, o anúncio feito pelo Arcebispo de Panamá:
“Queremos reiterar nossa gratidão a o Papa Francisco por ter escolhido o Panamá como sede da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2019, com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38).
Para estabelecer a data da JMJ foram consideradas muitas opções; sem dúvida prevaleceram as razões climáticas. Temos consciência que em alguns países não é período de férias, mas estamos convencidos que isto não será impedimento para que milhares de jovens dos outros continentes possam vir ao Panamá a encontrar-se com Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a proteção de Nossa Mãe a Virgem Maria, e com o Sucessor de Pedro.
A data escolhida é de 22 a 27 de janeiro de 2019, período de verão que permite garantir as condições climáticas da região para a realização deste evento mundial da juventude.
Jovens de todos os continentes, vós sois os protagonistas desta Jornada Mundial da Juventude. Sabemos que quando se propõem metas, e especialmente se estas têm a ver com sua fé, vós sois criativos e vos adaptais às realidades, para podê-las alcançar.
Nós vos esperamos em nosso país com o coração e os braços abertos para compartilhar a nossa fé, para sentir-nos Igreja, trazendo cada um sua riqueza étnica e cultural nesta grande festa espiritual, onde mostraremos ao mundo o rosto jovem de uma Igreja Católica em saída, disposta a fazer barulho para anunciar a alegria do Evangelho, aos distantes, aos excluídos, aos que se encontram nas periferias existenciais e geográficas.
Rezamos e trabalharemos para que a Jornada Mundial da Juventude seja oportunidade de um renovado envio para a Igreja Católica e o mundo inteiro.”

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diplomacia do Vaticano está mais dinâmica com Francisco

Cidade do Vaticano (RV) – A diplomacia do Vaticano está mais dinâmica: foi o que disse o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, nesta quinta-feira (19/01), durante seu discurso em Davos, no 47º Fórum Mundial da Economia.
“A atividade diplomática da Santa Sé aumentou muito, principalmente em razão da personalidade do Papa Francisco: isso é claro. Ele assumiu um papel de grande líder, de guia para os desafios globais presentes. E é reconhecido como um líder global. Quando recebemos no Vaticano as delegações de diversos Estados ou de diversas organizações, normalmente reconhecem este papel. Isso ficou muito claro, por exemplo, na Conferência de Paris sobre as mudanças climáticas. Esta é, portanto, uma das razões pelas quais a diplomacia do Vaticano hoje está mais dinâmica”, declarou o Cardeal.
O Secretário de Estado recordou que o Pontífice, após a sua eleição, delineou três objetivos para a diplomacia do Vaticano: “O primeiro: lutar contra a pobreza. O segundo: construir pontes. Muitas vezes, quando lhe perguntam o que fazer em situações difíceis, de conflito e confronto, ele responde dizendo: ‘diálogo, diálogo, diálogo!’. O terceiro objetivo – explicou o Cardeal – é aquele de alcançar a paz no mundo. E seguindo estas três linhas, procuramos intervir nas situações onde é possível intervir”.

Papa agradece e aprecia mostra sobre história dos Jubileus

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu na Sala do Consistório, no Vaticano, nesta quinta-feira (19/01), cerca de sessenta organizadores da mostra ‘Antiquorum Habet’ sobre a história dos Jubileus.
Depois de saudar o Presidente do Senado italiano, Pietro Grasso, o Papa manifestou apreço pela mostra sobre a história dos Jubileus, realizada no Senado da República, no ano passado. Este evento “documentou vários aspectos dos Anos Santos, a partir do primeiro, convocado pelo Papa Bonifácio VIII com a Bula Antiquorum habet”. 
“Do ano 1300 em diante, todo Jubileu marcou a história de Roma: da arquitetura ao acolhimento dos peregrinos; da arte às atividades assistenciais e caritativas. Porém, há um elemento essencial, o coração de todo Ano Santo que não deve ser perdido de vista: no Jubileu se encontram a bondade de Deus e a fragilidade do homem, que sempre precisa do amor e do perdão do Pai. É próprio de Deus usar misericórdia e nisso se manifesta a sua onipotência.”
“Em seu discurso, o senhor citou o acolhimento como ponto central de todo Jubileu. Este é o grande acolhimento: Quando Deus nos acolhe, sem perguntar muitas coisas, nos perdoa, nos abraça, nos beija e nos diz carinhosamente: meu filho, minha filha”, disse o Papa ao Presidente Grasso. 
Francisco agradeceu os organizadores, voluntários e o Senado que hospedou a mostra em prol da conscientização histórica e cultural dos visitantes. Pediu a cada um para continuar extraindo da experiência jubilar frutos espirituais abundantes e duradouros.

Francisco: cristãos já estão unidos no serviço aos necessitados

Cidade do Vaticano (RV) – Por ocasião da festa de Santo Henrique, o Papa recebeu no Vaticano uma delegação ecumênica da Finlândia.
Ao agradecer esta tradicional visita, que coincide com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Pontífice renovou seus votos em prol do ecumenismo.

“De fato, afirmou, o verdadeiro ecumenismo se baseia na conversão comum a Jesus Cristo. Se nos aproximamos Dele juntos, também nos aproximaremos uns dos outros.”
Neste caminho ecumênico, Francisco ressaltou um etapa significativa nos campos humano, teológico e espiritual realizada recentemente: sua visita a Lund, na Suécia, em 31 de outubro de 2016, para comemorar o início da Reforma. A intenção de Martinho Lutero 500 anos, ressaltou, era renovar a Igreja e não dividi-la.
Portanto, o encontro em Lund “nos deu a coragem e a força de olhar avante no caminho que somos chamados a percorrer juntos”. Depois de 50 anos de diálogo oficial entre católicos e luteranos, analisou o Papa, “conseguimos expor claramente as perspectivas sobre as quais hoje estamos de acordo. Ao mesmo tempo, mantemos vivo no coração o arrependimento sincero por nossas culpas”.
Para Francisco, este ano comemorativo da Reforma representa para católicos e luteranos uma ocasião privilegiada para viver de maneira mais autêntica a fé, de modo especial reforçando a parceria para amparar os que mais sofrem, quem se encontra em dificuldade e quem está exposto a perseguições e violências. “Ao fazer isto, como cristãos não estamos mais divididos, mas estamos unidos no caminho rumo à plena comunhão.”
Em seu discurso, o Papa mencionou ainda algumas datas significativas para a Finlândia em 2017. Além da Reforma, o país celebra o centenário do Conselho Ecumênico Finlandês e os 100 anos de independência como Estado.
“Que este aniversário possa encorajar todos os cristãos do país a professarem a fé no Senhor Jesus Cristo – como fez com grande zelo Santo Henrique – testemunhando-a hoje diante do mundo e traduzindo-a também em gestos concretos de serviço, de fraternidade e de compartilha”, foram os votos do Pontífice, que concluiu de maneira informal:
“Querido irmão Bispo, gostaria de lhe agradecer pelo bom gosto de ter trazido seus netos. Precisamos da simplicidade das crianças. Elas vão nos ensinar o caminho para Jesus Cristo!” 

Papa: a vida cristã é uma luta contra as tentações

Cidade do Vaticano (RV) - “A vida cristã é uma luta. Deixemo-nos atrair por Jesus”, foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã desta quinta-feira (19/01).  
O Pontífice se deteve na passagem do Evangelho do dia que fala sobre a grande multidão que seguia Jesus com entusiasmo e que vinha de todos os lugares. “Por que vinha essa multidão?”, perguntou o Papa. O Evangelho nos diz que havia “doentes que queriam ser curados”. Mas havia também pessoas que gostavam de “ouvir Jesus, porque falava não como os seus doutores, mas com autoridade” e “isso tocava o coração”. Essa multidão “vinha espontaneamente. Não era levada de ônibus, como vemos muitas vezes quando se organizam manifestações e muitos devem verificar a presença para não perder o trabalho”. 
O Pai atrai as pessoas a Jesus
Essas pessoas iam porque sentiam alguma coisa a ponto de Jesus pedir um barco e ir um pouco distante da margem: 
“Esta multidão ia até Jesus? Sim! Precisava? Sim! Alguns eram curiosos, mas esses eram os céticos, a minoria. Esta multidão era atraída pelo Pai: era o Pai que atraia as pessoas a Jesus a tal ponto que Jesus não ficava indiferente, como um mestre estático que dizia as suas palavras e depois lavava as mãos. Não! Esta multidão tocava o coração de Jesus. O Evangelho nos diz: Jesus se comoveu, porque via essas pessoas como ovelhas sem pastor. O Pai, através do Espírito Santo, atraia as pessoas a Jesus.”
O Papa disse que não sãos os argumentos que movem as pessoas, não são “os assuntos apologéticos”. “Não”, frisou, “é necessário que o Pai nos atraia a Jesus”. 
A vida cristã é uma luta contra as tentações
Por outro lado, é “curioso” que este trecho do Evangelho de Marcos, que “fala de Jesus, da multidão, do entusiasmo” e do amor do Senhor, acabe com os espíritos impuros, que quando O viam, gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”:
“Esta é a verdade; esta é a realidade que cada um de nós sente quando Jesus se aproxima. Os espíritos impuros tentam impedi-lo, nos fazem guerra. ‘Mas, Padre, eu sou muito católico; sempre vou à missa… Mas jamais, jamais tenho essas tentações. Graças a Deus!’ – ‘Não! Reze, porque você está no caminho errado!’. Uma vida cristã sem tentações não é cristã: é ideológica, é gnóstica, mas não é cristã. Quando o Pai atrai as pessoas a Jesus, há outro que atrai de modo contrário e provoca a guerra interior! E por isso Paulo fala da vida cristã como uma luta: uma luta de todos os dias. Uma luta!”
Uma luta, retomou, “para vencer, para destruir o império de satanás, o império do mal”. E por isso, disse, “Jesus veio para destruir, para destruir satanás! Para destruir a sua influência nos nossos corações”. O Pai, retomou, “atrai as pessoas a Jesus”, enquanto “o espírito do mal tenta destruir, sempre!”. 
Estamos lutando contra o mal?
A vida cristã, disse ainda o Papa, “é uma luta assim: ou você se deixa atrair por Jesus, para o Padre, ou pode dizer ‘eu fico tranquilo, em paz’”. Se quiser ir avante, “é preciso lutar!”, exortou o Papa. Sentir o coração que luta, para que Jesus vença”:
“Pensemos em como está o nosso coração: eu sinto esta luta no meu coração? Entre a comodidade ou o serviço aos outros, entre o divertir-me um pouco ou rezar e adorar o Pai, entre uma coisa e outra, sinto a luta? A vontade de fazer o bem ou algo me detém, me torna ascético? Eu acredito que a minha vida comova o coração de Jesus? Se eu não acredito nisto, devo rezar muito para acreditar, para que me seja concedida esta graça. Que cada um de nós busque no seu coração como está esta situação ali. E peçamos ao Senhor para sermos cristãos que saibam discernir o que acontece no próprio coração e escolher bem o caminho pelo qual o Pai nos atrai a Jesus”.