segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Prisioneiro durante 27 anos, Pe. Simoni será um dos 17 novos cardeais

Em 21 de setembro de 2014, por ocasião da visita do Papa à Albânia, o mundo conhecia Pe. Ernest Simoni. Em sua visita a Tirana – capital do país da península Balcânica –, Francisco ouviu comovido o testemunho do sacerdote: encarcerado durante 27 anos, torturado, obrigado a trabalhos forçados, reiteradas vezes condenado à morte.
Pe. Ernest, cuja história foi contada recentemente num livro do vaticanista Mimmo Muolo, sempre confiou em Jesus e, desse modo, venceu o totalitarismo comunista que durante décadas oprimiu a Albânia.
No Angelus deste domingo (09/10), o anúncio do Papa Francisco: Pe. Ernest Simoni – hoje com quase noventa anos – será cardeal. Uma surpresa à qual o sacerdote albanês quase não acredita. Entrevistado pela Rádio Vaticano, o futuro purpurado deixou-nos o seu testemunho:
Pe. Ernest Simoni:- “Quando vi o Angelus pela televisão, o qual costumo recitar com o Santo Padre, ouvi ‘Pe. Ernest’. Foi uma surpresa imensa para mim: jamais poderia pensar! Devo agradecer ao Senhor pela vida que me deu e pelas graças, as muitas graças que alcancei. É obra e mérito somente de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Santíssima Virgem Maria. E assim, como um pobre missionário – um pequeno missionário de Jesus –, todos os dias peço o amor de Jesus no coração de todos os homens.”
RV: O Santo Padre ficou fortemente tocado – e o disse ele mesmo em várias ocasiões – com seu testemunho e com o encontro com o senhor na Albânia. De certo modo, essa púrpura é um reconhecimento ao senhor e a tantos cristãos na Albânia e em muitas outras terras que sofrem perseguições por testemunhar Jesus Cristo...
Pe. Ernest Simoni:- “Certamente! ‘Como perseguiram a mim, perseguirão também a vós que me seguis.’ Mas Jesus sempre foi a imensa esperança que nos consola e nos ajuda, para amar. Encontrei o Santo Padre quando chegou à Albânia: troquei duas palavras com ele. Tudo é Jesus que me salvou; sofri muitas perícias: duas vezes fui condenado à morte... Jesus fez tudo!”
RV: O Papa Francisco sempre fala das “surpresas de Deus”: essa é, realmente, uma surpresa! O senhor esteve perto da morte várias vezes, no cárcere, torturado, e agora prestes a ser incardinado na Igreja de Roma, próximo do Papa...
Pe. Ernest Simoni:- “Esta é uma enorme surpresa! Estive cinco vezes perto da morte; pegaram-me na prisão para eliminar-me, mas Deus me salvou: Jesus me salvou. Somente Jesus, Jesus amor infinito para conosco!” (RL)

Núncio Zenari: esta púrpura é para o povo sírio

Ao anunciar os novos cardeais, o primeiro nome pronunciado por Francisco foi o do Núncio Apostólico em Damasco, Dom Mario Zenari, que permanecerá ao lado da população martirizada pela guerra inclusive depois do Consistório de 19 de novembro. A Rádio Vaticano contatou o Arcebispo italiano após o anúncio feito pelo Papa no Angelus deste domingo (09/10):
Dom Zenari:– Foi para mim uma emoção que efetivamente me turbou … Foi uma surpresa: uma surpresa! Agradeço de coração ao Santo Padre, porque esta púrpura vai à Síria, às vítimas da Síria, a todos aqueles que sofrem com este terrível conflito. Portanto, a púrpura é para esta gente, para as muitas crianças que sofrem, para a pobre gente que paga as consequências deste terrível conflito.
RV: – O Papa destacou que o senhor permanecerá núncio na Síria...
Dom Zenari:– Diria que o Papa usa palavras, palavras muito fortes em suas mensagens, e neste caso usa também um fato: criar cardeal uma pessoa que é núncio na Síria. E aqui diria que é um acontecimento muito, muito eloquente: é algo novo, um núncio cardeal que permanece núncio ali na nação em que trabalha!
RV:– Depois de tanto esforço pela paz nesta terra martirizada, como o agora Cardeal Zenari poderá contribuir ainda mais para a Síria?
Dom Zenari:– Como pessoa humilde, creio não dou muito peso, porém gostaria de que este sinal do Santo Padre fosse utilizado o mais possível. O meu esforço é aquele que é... porém por trás tem este apoio! E sinto a força, sinto o impulso, sinto este sinal forte do Santo Padre por trás da minha pobre pessoa e dos meus limites... Portanto, me sinto encorajado e posso dizer que esta missão como núncio é realmente encorajada e apoiada pelo Santo Padre. E certamente trará algum benefício a mais neste sinal de proximidade, inclusive nesta maneira tão nova que o Papa utilizou.
(bf)

Gendarmaria Vaticana: concerto beneficente para as crianças de Bangui

Realiza-se em 17 de dezembro próximo, na Sala Paulo VI, no Vaticano, o projeto AVRAI do cantor italiano Claudio Baglioni: um concerto beneficente em favor das crianças africanas de Bangui, e das populações italianas do Valle del Tronto atingidas pelo terremoto de 24 de agosto passado.

O evento se realiza no âmbito dos 200 anos da Gendarmaria Vaticana, promotora da iniciativa junto com a Fundação O'Scia'.

Um dos objetivos é ajudar o hospital de Bangui, na República Centro-Africana, afetada há anos por uma guerra civil aplacada com a visita histórica do Papa Francisco, em dezembro do ano passado, que levou à eleição de um presidente e a uma paz que se espera duradoura. As ajudas serão destinadas para a formação de médicos, escola de especialização em Pediatria e a construção de pavilhões através do Hospital Menino Jesus de Roma. 

Solidariedade

Outro destinatário são as populações italianas afetadas pelo último abalo sísmico.  

“Vamos avante, há sempre um futuro. Coragem, olhemos sempre para frente. Ajudemo-nos uns aos outros, pois se caminha melhor juntos", disse o Papa Francisco durante sua visita surpresa, no último dia 4, à cidade italiana de Amatrice, e dali a outras áreas afetadas pelo terremoto a fim de encontrar os habitantes.

O projeto AVRAI parte, seguindo a indicação do Santo Padre, do coração da África e chega ao coração da Itália para construir atividades e trabalhar a favor de todas das crianças. Próximos e distantes, num abraço partícipe e solidário que vai desde quem vive sempre em condições difíceis a quem está vivendo neste momento. 

Aqui informações sobre doações ou pessoalmente junto aos Correios Vaticanos na Praça São Pedro.

(MJ)

(from Vatican Radio)

Papa aos palotinos: conversão profunda para assistir os irmãos

Ao final da manhã desta segunda-feira (10/10), o Papa recebeu no Vaticano cerca de 100 participantes do Capítulo Geral da União do Apostolado Católico, cujos membros são conhecidos como palotinos.

Em seu discurso, o Pontífice ressaltou a herança do fundador, São Vicente Pallotti, que teve o “dom de reconhecer que Jesus é o Apóstolo do Pai, grande no amor e rico de misericórdia”.

“Diante dos nossos olhos, vemos todos os dias cenas de violência, rostos sem piedade, corações endurecidos e desolados. Precisamos nos recordar daquele Pai, cujo coração pensa em todos e quer a salvação de cada homem”, disse Francisco.

Cada membro da Família Palotina, acrescentou o Papa, é chamado a colocar como fundamento da própria existência a pessoa de Cristo e Sua fiel sequela.

Fé viva

“Contemplando a vida de Jesus e olhando a nossa vida de peregrinos neste mundo, com tantos desafios, sentimos a necessidade de uma conversão profunda e a urgência de reavivar a fé Nele. Somente assim poderemos servir o nosso próximo na caridade!”, exortou Francisco.

O Papa os encorajou a prosseguirem com alegria e esperança seu caminho, atuando com ímpeto renovado para despertar a fé e reacender a caridade, especialmente entre as camadas mais frágeis da população, pobres espiritual e materialmente.

“Nisto, são amparados pelo exemplo de tantos coirmãos que dedicaram sua vida a serviço dos outros”, disse ainda Francisco, afirmando que na Argentina conheceu muitos palotinos em seu serviço pastoral.

Zelo apostólico

O Pontífice concluiu confiando os palotinos à proteção de Nossa Senhora, que São Vicente Pallotti venerava de modo especial como Rainha dos Apóstolos.

“Ela, exemplo eficaz de zelo apostólico e perfeita caridade, nos convida à incessante oração para invocar os dons do Espírito Santo sobre os apóstolos de hoje, para que o Evangelho do seu Filho possa ser proclamado em todas as partes do mundo.”

(bf)