“Honduras está doente de ódio”, adverte o Cardeal Rodriguez Maradiaga
Tegucigalpa (Agência Fides) - O Cardeal hondurenho Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, disse durante a missa dominical, que o país está cheio de ódio e que precisa mudar, porque “o futuro do mundo não está numa vida sem Deus e sem a referência aos valores do Evangelho”. “A nossa Honduras está doente, doente de ódio. Não podemos continuar assim. O ódio só produz mais violência e ódio”, disse ainda o cardeal.
Segundo a nota enviada à Fides por uma fonte local, o cardeal estava se referindo ao assassinato, ocorrido na semana passada, de um advogado hondurenho que defendia uma deputada e três de seus familiares envolvidos numa suposta fraude contra o Estado. O Cardeal acrescentou: "Honduras é de todos " e "não há lugar para a ideologia do pensamento único. Pensamos de maneira diferente, mas isso não significa que somos inimigos a eliminar, a vida é sagrada, somente Deus é dono da vida".
Na homilia, o Card. Rodriguez Maradiaga observou ainda que um sistema econômico sem coração é semente de injustiça e de sofrimento para muitos seres humanos, e que à crise econômica em Honduras se acrescenta o drama dos pobres migrantes. Neste século, o mundo não abre os braços aos imigrantes mas, pelo contrário, "constrói muros em todos os lugares", emulando o período medieval, quando se construíam "as cidades circundadas por muros para não receber ninguém". Lamentou também a crise econômica que atinge os jovens migrantes de Honduras, obrigando-os a deixar o país. "Se em Honduras há vontade de mudar para combater a corrupção e ter justiça, isso se pode fazer, mas sem violência nem ódio", advertiu.
(CE) (Agência Fides, 21/09/2015)
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Família, uma resposta para o mundo de amanhã - Papa Francisco
Família, uma resposta para o mundo de amanhã - Papa Francisco
Uma cereja sobre o bolo. Foi assim que o Papa considerou o seu encontro com as famílias na Catedral de cidade de Santiago última etapa da sua visita a Cuba. O Papa agradeceu por lhe terem feito sentir em família, em casa, ao longo destes dias. Agradeceu também ao cardeal, Dionísio Garcia, arcebispo de Santiago e ao casal cubano que disse – teve a coragem de partilhar com todos os seus anseios e esforços de viver o lar como uma igreja doméstica.
Depois referiu-se ao Evangelho de São João que apresenta uma festa em família: as bodas de Caná. As bodas – disse – são um momento especial, em que sempre se une o passado que herdamos e o futuro que nos espera, é uma abertura à esperança. E não é por nada que Jesus começa a sua vida no seio duma família, de um lar; é nos lares que Ele continua a inserir-se, a fazer parte, Ele gosta de se meter na família – disse o Papa. E quando há uma dificuldade, um litígio, Ele está lá para nos mostrar o amor de Deus. Com efeito, é em casa que aprendemos a fraternidade, a solidariedade, a não ser prepotentes, a pedir perdão e a ser perdoados, a nos deixarmos transformar, a procurar, sem máscaras, o melhor para os outros.
É por isso que a comunidade cristã designa a família como “Igrejas domésticas”, porque é nela que a fé permeia, é nela que se começa a descobrir o amor concreto e operante de Deus.
O Papa constatou com amargura, que infelizmente, hoje faltam momentos para estar juntos em família; então não se sabe esperar, pedir licença, desculpa, dizer obrigado, porque a casa vai ficando vazia, vazia não de pessoas, mas de relações, de contactos, de encontros…
“Sem família, sem o calor do lar, a vida torna-se vazia; começam a faltar as redes que nos sustentam na adversidade, alimentam a vida quotidiana e motivam na luta pela prosperidade. A família salva-nos de dois fenómeno actuais: a fragmentação ou seja a divisão e a massificação”
Em ambos estes casos – continuou o Papa – as pessoas transformam-se em indivíduos isolados, fáceis de manipular, de controlar. É como se perdêssemos os fundamentos do nome que temos. E recordou que a família é escola de humanidade, pedindo o favor de não nos esquecermos disto:
“As famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar, quer dizer, são uma bênção”
Hoje discute-se muito sobre que tipo de mundo se quer deixar aos filhos: deixemos-lhes um mundo com famílias – disse o Papa, frisando que não existem famílias perfeitas, mas que nem por isso a família deixa de ser uma resposta para o amanhã. Recomendou, por isso que cuidemos das nossas famílias, verdadeiras escolas do amanhã, pois Deus incentiva-nos ao amor, e quem ama sempre se compromete com as pessoas que ama.
“Cuidemos das nossas famílias, verdadeiras escolas do amanhã. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros espaços de liberdade. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros centros de humanidades”
E aqui o Papa teve um gesto de verdadeira ternura: recordando que nas audiências da quarta-feira, quando circula por entre as pessoas muitas mulheres grávidas lhe mostram a barriga, pedindo-lhe para abençoar o filho que trazem no ventre. Então, disse a todas as “grávidas de esperança” (porque um filho é uma esperança) presentes no encontro e que o escutavam através dos meios de comunicação, para tocarem o ventre e que ele lhes dava a bênção, para que o filho ou filha que trazem nasça são e cresça bem.
Depois de dar a bênção às grávidas, o Papa disse que não queria concluir sem fazer uma menção à Eucaristia, chamando a atenção para o facto de Jesus ter escolhido como lugar para a última ceia um momento vivido por todos, a ceia, precisamente. “A eucaristia é a ceia da família de Jesus. Ele é o pão da vida das nossas famílias”.
Finalmente o Papa conclui recordando que daqui a poucos dias participará no Encontro Mundial das Famílias e que em breve haverá o Sínodo dos Bispos, cujo tema é a família para que - disse – “saibamos todos ajudar-nos a cuidar da família, para que saibamos, cada vez mais, descobrir o Emanuel, o Deus que vive no meio do seu povo, fazendo das famílias a sua morada”
(DA)
(from Vatican Radio)
Uma cereja sobre o bolo. Foi assim que o Papa considerou o seu encontro com as famílias na Catedral de cidade de Santiago última etapa da sua visita a Cuba. O Papa agradeceu por lhe terem feito sentir em família, em casa, ao longo destes dias. Agradeceu também ao cardeal, Dionísio Garcia, arcebispo de Santiago e ao casal cubano que disse – teve a coragem de partilhar com todos os seus anseios e esforços de viver o lar como uma igreja doméstica.
Depois referiu-se ao Evangelho de São João que apresenta uma festa em família: as bodas de Caná. As bodas – disse – são um momento especial, em que sempre se une o passado que herdamos e o futuro que nos espera, é uma abertura à esperança. E não é por nada que Jesus começa a sua vida no seio duma família, de um lar; é nos lares que Ele continua a inserir-se, a fazer parte, Ele gosta de se meter na família – disse o Papa. E quando há uma dificuldade, um litígio, Ele está lá para nos mostrar o amor de Deus. Com efeito, é em casa que aprendemos a fraternidade, a solidariedade, a não ser prepotentes, a pedir perdão e a ser perdoados, a nos deixarmos transformar, a procurar, sem máscaras, o melhor para os outros.
É por isso que a comunidade cristã designa a família como “Igrejas domésticas”, porque é nela que a fé permeia, é nela que se começa a descobrir o amor concreto e operante de Deus.
O Papa constatou com amargura, que infelizmente, hoje faltam momentos para estar juntos em família; então não se sabe esperar, pedir licença, desculpa, dizer obrigado, porque a casa vai ficando vazia, vazia não de pessoas, mas de relações, de contactos, de encontros…
“Sem família, sem o calor do lar, a vida torna-se vazia; começam a faltar as redes que nos sustentam na adversidade, alimentam a vida quotidiana e motivam na luta pela prosperidade. A família salva-nos de dois fenómeno actuais: a fragmentação ou seja a divisão e a massificação”
Em ambos estes casos – continuou o Papa – as pessoas transformam-se em indivíduos isolados, fáceis de manipular, de controlar. É como se perdêssemos os fundamentos do nome que temos. E recordou que a família é escola de humanidade, pedindo o favor de não nos esquecermos disto:
“As famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar, quer dizer, são uma bênção”
Hoje discute-se muito sobre que tipo de mundo se quer deixar aos filhos: deixemos-lhes um mundo com famílias – disse o Papa, frisando que não existem famílias perfeitas, mas que nem por isso a família deixa de ser uma resposta para o amanhã. Recomendou, por isso que cuidemos das nossas famílias, verdadeiras escolas do amanhã, pois Deus incentiva-nos ao amor, e quem ama sempre se compromete com as pessoas que ama.
“Cuidemos das nossas famílias, verdadeiras escolas do amanhã. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros espaços de liberdade. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros centros de humanidades”
E aqui o Papa teve um gesto de verdadeira ternura: recordando que nas audiências da quarta-feira, quando circula por entre as pessoas muitas mulheres grávidas lhe mostram a barriga, pedindo-lhe para abençoar o filho que trazem no ventre. Então, disse a todas as “grávidas de esperança” (porque um filho é uma esperança) presentes no encontro e que o escutavam através dos meios de comunicação, para tocarem o ventre e que ele lhes dava a bênção, para que o filho ou filha que trazem nasça são e cresça bem.
Depois de dar a bênção às grávidas, o Papa disse que não queria concluir sem fazer uma menção à Eucaristia, chamando a atenção para o facto de Jesus ter escolhido como lugar para a última ceia um momento vivido por todos, a ceia, precisamente. “A eucaristia é a ceia da família de Jesus. Ele é o pão da vida das nossas famílias”.
Finalmente o Papa conclui recordando que daqui a poucos dias participará no Encontro Mundial das Famílias e que em breve haverá o Sínodo dos Bispos, cujo tema é a família para que - disse – “saibamos todos ajudar-nos a cuidar da família, para que saibamos, cada vez mais, descobrir o Emanuel, o Deus que vive no meio do seu povo, fazendo das famílias a sua morada”
(DA)
(from Vatican Radio)
Aberto oficialmente o VIII Encontro Mundial das Famílias
Aberto oficialmente o VIII Encontro Mundial das Famílias
Filadélfia (RV) - Com o tema, “O amor é a nossa missão: A família plenamente viva”, inspirado em Santo Irineu, um dos primeiros Padres da Igreja, teve início oficialmente às 13h locais desta terça-feira (22/09) o VIII Encontro Mundial das Famílias.
Durante a manhã, os Arcebispos Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, e o franciscano Chaput, apresentaram o evento aos jornalistas. Segundo o arcebispo da diocese anfitriã, Dom Charles Chaput, o tema teve também no Papa Francisco um inspirador, por este Pontífice encarnar a mensagem de misericórdia, alegria e amor que constitui o coração do Evangelho.
Além das palestras e estandes do Congresso, outra iniciativa que desperta curiosidade é o enorme grafiti - desenhado pelo artista imigrante mexicano César Viveros, que vive na cidade há 15 anos - pintado por cerca de 3 mil cidadãos de Philly.
Em 372 m2, a obra mostra o Papa com uma criança nos braços, rodeado de vários pais e mães com filhos, flores e vinhas. O conjunto de imagens inclui ainda uma pia baptismal, um jovem que abraça uma idosa e duas crianças juntas: uma afroamericana e uma menina com síndrome de Down. Na parte superior, um mosaico de cristais prateados, amarelos e dourados, representa um céu estrelado. Colorido entre maio e agosto, o último toque será dado pelos visitantes que vieram para participar do Encontro.
Para Filadélfia, ‘a ocasião de hospedar o EMF e o Papa é irrepetível’, frisou o arcebispo Chaput. ‘Para todos nós, a ocasião de estar aqui e testemunhar este momento também o é’, reitera Dom Frei João Bosco Barbosa de Sousa, Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, hóspede no estúdio da RV em Filadélfia.
Segundo o assessor da Comissão, Padre Moacir Antunes, o Papa trouxe como novidade para as famílias uma nova linguagem, como a que falamos em nossas casas.
Dos estúdios da RV no Centro de Congressos de Filadélfia, Cristiane Muray
(from Vatican Radio)
Filadélfia (RV) - Com o tema, “O amor é a nossa missão: A família plenamente viva”, inspirado em Santo Irineu, um dos primeiros Padres da Igreja, teve início oficialmente às 13h locais desta terça-feira (22/09) o VIII Encontro Mundial das Famílias.
Durante a manhã, os Arcebispos Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, e o franciscano Chaput, apresentaram o evento aos jornalistas. Segundo o arcebispo da diocese anfitriã, Dom Charles Chaput, o tema teve também no Papa Francisco um inspirador, por este Pontífice encarnar a mensagem de misericórdia, alegria e amor que constitui o coração do Evangelho.
Além das palestras e estandes do Congresso, outra iniciativa que desperta curiosidade é o enorme grafiti - desenhado pelo artista imigrante mexicano César Viveros, que vive na cidade há 15 anos - pintado por cerca de 3 mil cidadãos de Philly.
Em 372 m2, a obra mostra o Papa com uma criança nos braços, rodeado de vários pais e mães com filhos, flores e vinhas. O conjunto de imagens inclui ainda uma pia baptismal, um jovem que abraça uma idosa e duas crianças juntas: uma afroamericana e uma menina com síndrome de Down. Na parte superior, um mosaico de cristais prateados, amarelos e dourados, representa um céu estrelado. Colorido entre maio e agosto, o último toque será dado pelos visitantes que vieram para participar do Encontro.
Para Filadélfia, ‘a ocasião de hospedar o EMF e o Papa é irrepetível’, frisou o arcebispo Chaput. ‘Para todos nós, a ocasião de estar aqui e testemunhar este momento também o é’, reitera Dom Frei João Bosco Barbosa de Sousa, Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, hóspede no estúdio da RV em Filadélfia.
Segundo o assessor da Comissão, Padre Moacir Antunes, o Papa trouxe como novidade para as famílias uma nova linguagem, como a que falamos em nossas casas.
Dos estúdios da RV no Centro de Congressos de Filadélfia, Cristiane Muray
(from Vatican Radio)
O Papa em Holguín: a misericórdia de Jesus transforma a história
O Papa em Holguín: a misericórdia de Jesus transforma a história
Deixemos que o olhar de Cristo “nos devolva a alegria, a esperança”: foi a exortação do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, celebrada em Holguín, terceira cidade de Cuba por número de habitantes, na qual o Pontífice, atendo-se ao Evangelho do dia, reflectiu sobre a conversão do apóstolo e evangelista São Mateus.
Ressaltando que celebramos a história de uma conversão, o Santo Padre evidenciou que é o próprio apóstolo e evangelista a contar-nos o encontro que marcou a sua vida, introduzindo-nos numa “troca de olhares” que pode transformar a história.
Francisco observou que Mateus era um publicano, ou seja, era um cobrador de impostos: cobrava os impostos dos judeus para os entregar aos romanos.
“Os publicanos eram mal vistos e até considerados pecadores, pelo que viviam separados e eram desprezados pelos outros. Com eles, não se podia comer, falar nem rezar. Eram considerados pelo povo como traidores: tiravam da sua gente para dar aos outros. Os publicanos pertenciam a esta categoria social.”
Diversamente, Jesus parou, não passou ao largo acelerando o passo, olhou-o sem pressa, com calma. Olhou-o com olhos de misericórdia; olhou-o como ninguém o fizera antes. “E este olhar abriu o seu coração, fê-lo livre, curou-o, deu-lhe uma esperança, uma nova vida, como a Zaqueu, a Bartimeu, a Maria Madalena, a Pedro e também a cada um de nós”, frisou o Pontífice.
“Ainda que não ousemos levantar os olhos para o Senhor, Ele é o primeiro a olhar-nos. É a nossa história pessoal – continuou –; tal como muitos outros, cada um de nós pode dizer: eu também sou um pecador, sobre quem Jesus pousou o seu olhar.”
“O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Para além de tudo isso, Ele vê a dignidade de filho, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança.”
O olhar de Jesus gera uma actividade missionária, de serviço, de entrega. “O seu amor cura as nossas miopias e incita-nos a olhar mais além, a não nos determos nas aparências ou no politicamente correto”, continuou Francisco.
“Jesus vai à frente, precede-nos, abre o caminho e convida-nos a segui-Lo.” Convida-nos a ir superando lentamente os nossos preconceitos, as nossas resistências à mudança dos outros e até de nós mesmos.
Desafia-nos dia a dia com a pergunta, propôs o Pontífice: “Crês tu? Crês que é possível que um cobrador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus? O seu olhar transforma os nossos olhares, o seu coração transforma o nosso coração. Deus é Pai que procura a salvação de todos os seus filhos.”
Antes de concluir, o Papa fez uma nova exortação: “Aprendamos a olhar como Ele nos olha. Partilhemos a sua ternura e misericórdia pelos doentes, os presos, os idosos e as famílias em dificuldade. Uma vez mais somos chamados a aprender de Jesus, que sempre olha o que há de mais autêntico em cada pessoa, isto é, a imagem de seu Pai”.
Por fim, o Papa voltou o seu olhar para a realidade eclesial na Ilha caribenha dizendo saber do grande esforço e sacrifício com que a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, mesmo nos lugares mais remotos, a Palavra e a presença de Cristo.
Menção especial merecem aqui as chamadas “casas de missão”, acrescentou, “que permitem a muitas pessoas, dada a escassez de templos e sacerdotes, ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária”. São pequenos sinais da presença de Deus nesta terra, conclui o Pontífice. (BS/RL)
(from Vatican Radio)
Deixemos que o olhar de Cristo “nos devolva a alegria, a esperança”: foi a exortação do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, celebrada em Holguín, terceira cidade de Cuba por número de habitantes, na qual o Pontífice, atendo-se ao Evangelho do dia, reflectiu sobre a conversão do apóstolo e evangelista São Mateus.
Ressaltando que celebramos a história de uma conversão, o Santo Padre evidenciou que é o próprio apóstolo e evangelista a contar-nos o encontro que marcou a sua vida, introduzindo-nos numa “troca de olhares” que pode transformar a história.
Francisco observou que Mateus era um publicano, ou seja, era um cobrador de impostos: cobrava os impostos dos judeus para os entregar aos romanos.
“Os publicanos eram mal vistos e até considerados pecadores, pelo que viviam separados e eram desprezados pelos outros. Com eles, não se podia comer, falar nem rezar. Eram considerados pelo povo como traidores: tiravam da sua gente para dar aos outros. Os publicanos pertenciam a esta categoria social.”
Diversamente, Jesus parou, não passou ao largo acelerando o passo, olhou-o sem pressa, com calma. Olhou-o com olhos de misericórdia; olhou-o como ninguém o fizera antes. “E este olhar abriu o seu coração, fê-lo livre, curou-o, deu-lhe uma esperança, uma nova vida, como a Zaqueu, a Bartimeu, a Maria Madalena, a Pedro e também a cada um de nós”, frisou o Pontífice.
“Ainda que não ousemos levantar os olhos para o Senhor, Ele é o primeiro a olhar-nos. É a nossa história pessoal – continuou –; tal como muitos outros, cada um de nós pode dizer: eu também sou um pecador, sobre quem Jesus pousou o seu olhar.”
“O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Para além de tudo isso, Ele vê a dignidade de filho, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança.”
O olhar de Jesus gera uma actividade missionária, de serviço, de entrega. “O seu amor cura as nossas miopias e incita-nos a olhar mais além, a não nos determos nas aparências ou no politicamente correto”, continuou Francisco.
“Jesus vai à frente, precede-nos, abre o caminho e convida-nos a segui-Lo.” Convida-nos a ir superando lentamente os nossos preconceitos, as nossas resistências à mudança dos outros e até de nós mesmos.
Desafia-nos dia a dia com a pergunta, propôs o Pontífice: “Crês tu? Crês que é possível que um cobrador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus? O seu olhar transforma os nossos olhares, o seu coração transforma o nosso coração. Deus é Pai que procura a salvação de todos os seus filhos.”
Antes de concluir, o Papa fez uma nova exortação: “Aprendamos a olhar como Ele nos olha. Partilhemos a sua ternura e misericórdia pelos doentes, os presos, os idosos e as famílias em dificuldade. Uma vez mais somos chamados a aprender de Jesus, que sempre olha o que há de mais autêntico em cada pessoa, isto é, a imagem de seu Pai”.
Por fim, o Papa voltou o seu olhar para a realidade eclesial na Ilha caribenha dizendo saber do grande esforço e sacrifício com que a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, mesmo nos lugares mais remotos, a Palavra e a presença de Cristo.
Menção especial merecem aqui as chamadas “casas de missão”, acrescentou, “que permitem a muitas pessoas, dada a escassez de templos e sacerdotes, ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária”. São pequenos sinais da presença de Deus nesta terra, conclui o Pontífice. (BS/RL)
(from Vatican Radio)
Santuário da Virgem da Caridade, o templo mais venerado em Cuba
Santuário da Virgem da Caridade, o templo mais venerado em Cuba
Santiago de Cuba (RV) - O Santuário da Virgem da Caridade no povoado de El Cobre, que o Papa Francisco visitou nesta segunda-feira, é o templo mais venerado em Cuba, nação de sincretismo religioso e mestiçagem.
Com a visita de Francisco, o Santuário Nacional, a 27 km da cidade de Santiago de Cuba, contabiliza a visita de três Papas, que foram ao local para venerar a Virgem da Caridade, invocação cubana de Maria, a Mãe de Jesus.
Visitado por João Paulo II em 1998, em 2012 foi o centro da motivação da viagem de Bento XVI, que chegou à ilha como “Peregrino da Caridade”, quando se comemoravam os 400 anos do encontro da imagem.
Segundo a tradição, a imagem foi encontrada por três buscadores de sal, dois descendentes de índios e um menino negro, flutuando nas águas da Baía de Nipe, em 1512-13, na atual província de Holguín, nordeste de Cuba, região visitada nesta segunda-feira por Francisco antes de ir a Santiago.
Tempos depois a imagem foi levada ao povoado real de Minas, muito próximo de Santiago de Cuba, nas proximidades de uma mina de cobre, onde foi construído um Santuário.
A Virgem da Caridade, padroeira de Cuba, é considerada mulata, como boa parte dos cubanos que são descendentes de espanhóis e africanos, e seus devotos a chamam de "Cachita", o apelido nacional para quem se chama Caridad (Caridade).
Mas os africanos, que chegaram a Cuba como escravos na colônia, sincretizaram sua imagem de vestes douradas com Oxum, divindade das águas no culto Iorubá.
No século XIX os separatistas cubanos que lutavam contra a coroa espanhola usavam medalhas desta Virgem no pescoço como símbolo nacionalista, assim como Fidel Castro no momento da vitória revolucionária de 1959, segundo fotos da época.
A pedido dos veteranos patriotas da guerra de independência, o Papa Bento XV a declarou Padroeira de Cuba em 1916.
Sua imagem original está na Basílica de El Cobre, inaugurada em 1927, que substituiu um antigo templo que foi destruído em 1906 por explosões de uma mina próxima.
O Santuário se tornou Basílica por uma bula papal de dezembro de 1977.
Local de peregrinação, a Basílica está localizada no Cerro de Maboa, uma suave elevação que permite observá-la a distância. No dia 8 setembro, dia da Virgem da Caridade, o arcebispo de Santiago de Cuba vai ao Santuário para celebrar a Santa Missa. (SP)
Santiago de Cuba (RV) - O Santuário da Virgem da Caridade no povoado de El Cobre, que o Papa Francisco visitou nesta segunda-feira, é o templo mais venerado em Cuba, nação de sincretismo religioso e mestiçagem.
Com a visita de Francisco, o Santuário Nacional, a 27 km da cidade de Santiago de Cuba, contabiliza a visita de três Papas, que foram ao local para venerar a Virgem da Caridade, invocação cubana de Maria, a Mãe de Jesus.
Visitado por João Paulo II em 1998, em 2012 foi o centro da motivação da viagem de Bento XVI, que chegou à ilha como “Peregrino da Caridade”, quando se comemoravam os 400 anos do encontro da imagem.
Segundo a tradição, a imagem foi encontrada por três buscadores de sal, dois descendentes de índios e um menino negro, flutuando nas águas da Baía de Nipe, em 1512-13, na atual província de Holguín, nordeste de Cuba, região visitada nesta segunda-feira por Francisco antes de ir a Santiago.
Tempos depois a imagem foi levada ao povoado real de Minas, muito próximo de Santiago de Cuba, nas proximidades de uma mina de cobre, onde foi construído um Santuário.
A Virgem da Caridade, padroeira de Cuba, é considerada mulata, como boa parte dos cubanos que são descendentes de espanhóis e africanos, e seus devotos a chamam de "Cachita", o apelido nacional para quem se chama Caridad (Caridade).
Mas os africanos, que chegaram a Cuba como escravos na colônia, sincretizaram sua imagem de vestes douradas com Oxum, divindade das águas no culto Iorubá.
No século XIX os separatistas cubanos que lutavam contra a coroa espanhola usavam medalhas desta Virgem no pescoço como símbolo nacionalista, assim como Fidel Castro no momento da vitória revolucionária de 1959, segundo fotos da época.
A pedido dos veteranos patriotas da guerra de independência, o Papa Bento XV a declarou Padroeira de Cuba em 1916.
Sua imagem original está na Basílica de El Cobre, inaugurada em 1927, que substituiu um antigo templo que foi destruído em 1906 por explosões de uma mina próxima.
O Santuário se tornou Basílica por uma bula papal de dezembro de 1977.
Local de peregrinação, a Basílica está localizada no Cerro de Maboa, uma suave elevação que permite observá-la a distância. No dia 8 setembro, dia da Virgem da Caridade, o arcebispo de Santiago de Cuba vai ao Santuário para celebrar a Santa Missa. (SP)
Papa rezou junto da Imagem da Virgem da Caridade
Papa rezou junto da Imagem da Virgem da Caridade
Depois dos encontros e celebrações em Havana e Holguin, o Papa Francisco viajou até Santiago de Cuba. E foi dali, que no entardecer do dia 21 de setembro, o Santo Padre se dirigiu ao Santuário da Virgem da Caridade na localidade de Cobre a cerca de 30 quilómetros de Santiago.
Neste Santuário está conservada a Imagem de Maria com o Menino Jesus encontrada em 1612 na Baía de Nipe por três jovens pescadores: dois índios e um menino negro que viviam em estado de escravidão.
A Virgem do Cobre foi proclamada Padroeira de Cuba por Bento XV em 1916 e é venerada por todos os cubanos. O Santo Padre ofereceu à Virgem da Caridade um vaso com flores de prata e pétalas de cerâmica e dedicou-lhe uma oração que começou desta forma:
“Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba,
O teu nome e a tua imagem estão esculpidos na mente e no coração de todos os cubanos, dentro e fora da pátria, como sinal de esperança e centro de comunhão fraterna…
Santa Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe! Reza por nós a teu Filho Jesus Cristo, Intercede por nós com o teu coração materno, Inundado da caridade do Espírito.
Faz crescer a nossa fé, faz reviver a esperança, aumenta e reforça o amor em nós. Protege as famílias, protege os jovens e as crianças, conforta aqueles que sofrem.”
O Papa Francisco terminou o dia 21 de setembro em oração mariana.
(RS)
(from Vatican Radio)
Depois dos encontros e celebrações em Havana e Holguin, o Papa Francisco viajou até Santiago de Cuba. E foi dali, que no entardecer do dia 21 de setembro, o Santo Padre se dirigiu ao Santuário da Virgem da Caridade na localidade de Cobre a cerca de 30 quilómetros de Santiago.
Neste Santuário está conservada a Imagem de Maria com o Menino Jesus encontrada em 1612 na Baía de Nipe por três jovens pescadores: dois índios e um menino negro que viviam em estado de escravidão.
A Virgem do Cobre foi proclamada Padroeira de Cuba por Bento XV em 1916 e é venerada por todos os cubanos. O Santo Padre ofereceu à Virgem da Caridade um vaso com flores de prata e pétalas de cerâmica e dedicou-lhe uma oração que começou desta forma:
“Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba,
O teu nome e a tua imagem estão esculpidos na mente e no coração de todos os cubanos, dentro e fora da pátria, como sinal de esperança e centro de comunhão fraterna…
Santa Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe! Reza por nós a teu Filho Jesus Cristo, Intercede por nós com o teu coração materno, Inundado da caridade do Espírito.
Faz crescer a nossa fé, faz reviver a esperança, aumenta e reforça o amor em nós. Protege as famílias, protege os jovens e as crianças, conforta aqueles que sofrem.”
O Papa Francisco terminou o dia 21 de setembro em oração mariana.
(RS)
(from Vatican Radio)
Papa Francisco se despede de Cuba
Papa Francisco se despede de Cuba
Santiago de Cuba (RV) - Nesta terça-feira o Papa Francisco se despediu de Cuba, primeira etapa desta sua 10ª viagem apostólica internacional. Ele que foi o terceiro pontífice a visitar a ilha caribenha.
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Na parte da manhã ele celebrou a Santa Missa na Basílica do Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre. Após, com antecipação de uma hora, o encontro com as famílias na Catedral de Santiago.
O último compromisso do Papa foi a cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional “Antonio Macae”, distante 10 km do centro de Santiago, e onde chegou pouco antes das 12 horas, hora local. O Pontífice foi acompanhado desde a chegada no Aeroporto pelo Presidente Raúl Castro. Na área reservada ao cerimonial do Aeroporto, estavam presentes algumas autoridades civis, os bispos cubanos e um grupo de fieis.
Na breve cerimônia foram entoados os hinos dos respectivos Estados, apresentada a Guarda de Honra e a homenagem às bandeiras. Por fim, a saudação das respectivas delegações. Não foram proferidos discursos.
O avião A330 da Alitália decolou às 18h26, hora local, com destino à Washington, onde, após 3h30 previstas de viagem e 2.103km percorridos, será recebido pelo Presidente Barack Obama, esposa e filhas na Base Andrews da Força Aérea.
Da Base Aérea o Pontífice segue diretamente para a Nunciatura Apostólica onde permanecerá até seu primeiro evento oficial nos Estados Unidos. A cerimônia de boas-vindas está marcada para quarta-feira, na Casa Branca, e terá transmissão ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português, a partir das 10h15, horário de Brasília.
Logo após a partida, o Papa lançou um tweet de agradecimento:
“Obrigado a todos os cubanos! De coração, obrigado!”
(from Vatican Radio)
Santiago de Cuba (RV) - Nesta terça-feira o Papa Francisco se despediu de Cuba, primeira etapa desta sua 10ª viagem apostólica internacional. Ele que foi o terceiro pontífice a visitar a ilha caribenha.
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Na parte da manhã ele celebrou a Santa Missa na Basílica do Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre. Após, com antecipação de uma hora, o encontro com as famílias na Catedral de Santiago.
O último compromisso do Papa foi a cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional “Antonio Macae”, distante 10 km do centro de Santiago, e onde chegou pouco antes das 12 horas, hora local. O Pontífice foi acompanhado desde a chegada no Aeroporto pelo Presidente Raúl Castro. Na área reservada ao cerimonial do Aeroporto, estavam presentes algumas autoridades civis, os bispos cubanos e um grupo de fieis.
Na breve cerimônia foram entoados os hinos dos respectivos Estados, apresentada a Guarda de Honra e a homenagem às bandeiras. Por fim, a saudação das respectivas delegações. Não foram proferidos discursos.
O avião A330 da Alitália decolou às 18h26, hora local, com destino à Washington, onde, após 3h30 previstas de viagem e 2.103km percorridos, será recebido pelo Presidente Barack Obama, esposa e filhas na Base Andrews da Força Aérea.
Da Base Aérea o Pontífice segue diretamente para a Nunciatura Apostólica onde permanecerá até seu primeiro evento oficial nos Estados Unidos. A cerimônia de boas-vindas está marcada para quarta-feira, na Casa Branca, e terá transmissão ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português, a partir das 10h15, horário de Brasília.
Logo após a partida, o Papa lançou um tweet de agradecimento:
“Obrigado a todos os cubanos! De coração, obrigado!”
(from Vatican Radio)
Em Holguín o Papa convidou a superar as resistências à mudança e a deixar-se transformar pelo amor de Jesus.
Em Holguín o Papa convidou a superar as resistências à mudança e a deixar-se transformar pelo amor de Jesus.
O quarto e último dia do Papa Francisco em Cuba, terça-feira 22 de Setembro, iniciou na capital mariana do país, conhecida no mundo pelo santuário nacional da Virgem da Caridade do Cobre.
Em Santiago de Cuba o Pontífice – que já está prestes a deixar a ilha rumo aos Estados Unidos da América – celebrou a missa na grande basílica dedicada a Nossa Senhora, recordando como a alma do povo cubano foi forjada por sofrimentos e privações, que contudo não conseguiram apagar a fé. Porque esta última manteve-se viva graças a muitas mulheres, em particular avós e mães, que continuaram a tornar possível a presença viva de Deus no seu dia-a-dia. E desejou «uma revolução da ternura» em que a alegria se faz proximidade e compaixão.
Uma revolução necessária para superar – dissera no dia anterior, segunda-feira 21, em Holguín – os preconceitos e as resistências às mudanças «dos outros e também de nós mesmos». Também no dia da festa da liturgia de são Mateus o Pontífice celebrou a missa com grande participação do povo cubano. Visitando a diocese do sul do país, na qual nenhum dos seus predecessores tinha posto os pés, passou oito horas, concluindo a permanência com uma sugestiva bênção à cidade, concedida do alto da pequena colina que a domina, sobre a qual se eleva uma grande cruz de madeira.
De Holguín Francisco transferiu-se para El Cobre, onde à tarde se encontrou em forma privada com a Conferência episcopal cubana e, em seguida, convidou os irmãos bispos a acompanhá-lo no final da tarde para um momento de recolhimento na basílica menor dedicada à padroeira de Cuba. E renovando a oração de João Paulo II em 1998, implorou a Virgem da caridade a fim de que reúna e reconcilie o povo cubano transformando a ilha numa casa de irmãos
O quarto e último dia do Papa Francisco em Cuba, terça-feira 22 de Setembro, iniciou na capital mariana do país, conhecida no mundo pelo santuário nacional da Virgem da Caridade do Cobre.
Em Santiago de Cuba o Pontífice – que já está prestes a deixar a ilha rumo aos Estados Unidos da América – celebrou a missa na grande basílica dedicada a Nossa Senhora, recordando como a alma do povo cubano foi forjada por sofrimentos e privações, que contudo não conseguiram apagar a fé. Porque esta última manteve-se viva graças a muitas mulheres, em particular avós e mães, que continuaram a tornar possível a presença viva de Deus no seu dia-a-dia. E desejou «uma revolução da ternura» em que a alegria se faz proximidade e compaixão.
Uma revolução necessária para superar – dissera no dia anterior, segunda-feira 21, em Holguín – os preconceitos e as resistências às mudanças «dos outros e também de nós mesmos». Também no dia da festa da liturgia de são Mateus o Pontífice celebrou a missa com grande participação do povo cubano. Visitando a diocese do sul do país, na qual nenhum dos seus predecessores tinha posto os pés, passou oito horas, concluindo a permanência com uma sugestiva bênção à cidade, concedida do alto da pequena colina que a domina, sobre a qual se eleva uma grande cruz de madeira.
De Holguín Francisco transferiu-se para El Cobre, onde à tarde se encontrou em forma privada com a Conferência episcopal cubana e, em seguida, convidou os irmãos bispos a acompanhá-lo no final da tarde para um momento de recolhimento na basílica menor dedicada à padroeira de Cuba. E renovando a oração de João Paulo II em 1998, implorou a Virgem da caridade a fim de que reúna e reconcilie o povo cubano transformando a ilha numa casa de irmãos
Cristo é o primeiro a olhar-nos, seu amor nos precede
Cristo é o primeiro a olhar-nos, seu amor nos precede
Holguín (RV) - Deixemos que o olhar de Cristo “nos devolva a alegria, a esperança”: foi a exortação do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, celebrada em Holguín, terceira cidade de Cuba por número de habitantes, na qual o Pontífice, atendo-se ao Evangelho do dia, refletiu sobre a conversão do apóstolo e evangelista São Mateus.
Ressaltando que celebramos a história de uma conversão, o Santo Padre evidenciou que é o próprio apóstolo e evangelista a contar-nos o encontro que marcou a sua vida, introduzindo-nos numa “troca de olhares” que pode transformar a história.
Francisco observou que Mateus era um publicano, ou seja, era um cobrador de impostos: cobrava os impostos dos judeus para os entregar aos romanos.
“Os publicanos eram malvistos e até considerados pecadores, pelo que viviam separados e eram desprezados pelos outros. Com eles, não se podia comer, falar nem rezar. Eram considerados pelo povo como traidores: tiravam da sua gente para dar aos outros. Os publicanos pertenciam a esta categoria social.”
Diversamente, Jesus parou, não passou ao largo acelerando o passo, olhou-o sem pressa, com calma. Olhou-o com olhos de misericórdia; olhou-o como ninguém o fizera antes. “E este olhar abriu o seu coração, fê-lo livre, curou-o, deu-lhe uma esperança, uma nova vida, como a Zaqueu, a Bartimeu, a Maria Madalena, a Pedro e também a cada um de nós”, frisou o Pontífice.
“Ainda que não ousemos levantar os olhos para o Senhor, Ele é o primeiro a olhar-nos. É a nossa história pessoal – continuou –; tal como muitos outros, cada um de nós pode dizer: eu também sou um pecador, sobre quem Jesus pousou o seu olhar.”
“O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Para além de tudo isso, Ele vê a dignidade de filho, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança.”
O olhar de Jesus gera uma atividade missionária, de serviço, de entrega. “O seu amor cura as nossas miopias e incita-nos a olhar mais além, a não nos determos nas aparências ou no politicamente correto”, continuou Francisco.
“Jesus vai à frente, precede-nos, abre o caminho e convida-nos a segui-Lo.” Convida-nos a ir superando lentamente os nossos preconceitos, as nossas resistências à mudança dos outros e até de nós mesmos.
Desafia-nos dia a dia com a pergunta, propôs o Pontífice:
“Crês tu? Crês que é possível que um arrecadador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus? O seu olhar transforma os nossos olhares, o seu coração transforma o nosso coração. Deus é Pai que procura a salvação de todos os seus filhos.”
Antes de concluir, o Papa fez uma nova exortação: “Aprendamos a olhar como Ele nos olha. Partilhemos a sua ternura e misericórdia pelos doentes, os presos, os idosos e as famílias em dificuldade. Uma vez mais somos chamados a aprender de Jesus, que sempre olha o que há de mais autêntico em cada pessoa, isto é, a imagem de seu Pai”.
Por fim, o Papa voltou seu olhar para a realidade eclesial na Ilha caribenha dizendo saber do grande esforço e sacrifício com que a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, mesmo nos lugares mais remotos, a Palavra e a presença de Cristo.
Menção especial merecem aqui as chamadas “casas de missão”, acrescentou, “que permitem a muitas pessoas, dada a escassez de templos e sacerdotes, ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária”. São pequenos sinais da presença de Deus nesta terra, conclui o Pontífice. (RL)
(from Vatican Radio)
Holguín (RV) - Deixemos que o olhar de Cristo “nos devolva a alegria, a esperança”: foi a exortação do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, celebrada em Holguín, terceira cidade de Cuba por número de habitantes, na qual o Pontífice, atendo-se ao Evangelho do dia, refletiu sobre a conversão do apóstolo e evangelista São Mateus.
Ressaltando que celebramos a história de uma conversão, o Santo Padre evidenciou que é o próprio apóstolo e evangelista a contar-nos o encontro que marcou a sua vida, introduzindo-nos numa “troca de olhares” que pode transformar a história.
Francisco observou que Mateus era um publicano, ou seja, era um cobrador de impostos: cobrava os impostos dos judeus para os entregar aos romanos.
“Os publicanos eram malvistos e até considerados pecadores, pelo que viviam separados e eram desprezados pelos outros. Com eles, não se podia comer, falar nem rezar. Eram considerados pelo povo como traidores: tiravam da sua gente para dar aos outros. Os publicanos pertenciam a esta categoria social.”
Diversamente, Jesus parou, não passou ao largo acelerando o passo, olhou-o sem pressa, com calma. Olhou-o com olhos de misericórdia; olhou-o como ninguém o fizera antes. “E este olhar abriu o seu coração, fê-lo livre, curou-o, deu-lhe uma esperança, uma nova vida, como a Zaqueu, a Bartimeu, a Maria Madalena, a Pedro e também a cada um de nós”, frisou o Pontífice.
“Ainda que não ousemos levantar os olhos para o Senhor, Ele é o primeiro a olhar-nos. É a nossa história pessoal – continuou –; tal como muitos outros, cada um de nós pode dizer: eu também sou um pecador, sobre quem Jesus pousou o seu olhar.”
“O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Para além de tudo isso, Ele vê a dignidade de filho, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança.”
O olhar de Jesus gera uma atividade missionária, de serviço, de entrega. “O seu amor cura as nossas miopias e incita-nos a olhar mais além, a não nos determos nas aparências ou no politicamente correto”, continuou Francisco.
“Jesus vai à frente, precede-nos, abre o caminho e convida-nos a segui-Lo.” Convida-nos a ir superando lentamente os nossos preconceitos, as nossas resistências à mudança dos outros e até de nós mesmos.
Desafia-nos dia a dia com a pergunta, propôs o Pontífice:
“Crês tu? Crês que é possível que um arrecadador de impostos se transforme num servidor? Crês que é possível um traidor transformar-se num amigo? Crês que é possível o filho de um carpinteiro ser o Filho de Deus? O seu olhar transforma os nossos olhares, o seu coração transforma o nosso coração. Deus é Pai que procura a salvação de todos os seus filhos.”
Antes de concluir, o Papa fez uma nova exortação: “Aprendamos a olhar como Ele nos olha. Partilhemos a sua ternura e misericórdia pelos doentes, os presos, os idosos e as famílias em dificuldade. Uma vez mais somos chamados a aprender de Jesus, que sempre olha o que há de mais autêntico em cada pessoa, isto é, a imagem de seu Pai”.
Por fim, o Papa voltou seu olhar para a realidade eclesial na Ilha caribenha dizendo saber do grande esforço e sacrifício com que a Igreja em Cuba trabalha para levar a todos, mesmo nos lugares mais remotos, a Palavra e a presença de Cristo.
Menção especial merecem aqui as chamadas “casas de missão”, acrescentou, “que permitem a muitas pessoas, dada a escassez de templos e sacerdotes, ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária”. São pequenos sinais da presença de Deus nesta terra, conclui o Pontífice. (RL)
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