sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Na ONU, Santa Sé pede mais coragem e menos armas no Oriente Médio

Na ONU, Santa Sé pede mais coragem e menos armas no Oriente Médio

Nova Iorque (RV) – O Observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, Arcebispo Bernardito Auza, se pronunciou nesta quinta-feira (22/10), no Conselho de Segurança da ONU durante um debate aberto sobre a situação no Oriente Médio.

Após ouvir os representantes do Estado da Palestina e de Israel, Dom Auza fez uma exortação ao Conselho: “Em vez de armas e munições, a comunidade internacional precisa imbuir a região com negociações e mediações mais corajosas, imparciais e perseverantes”.

Conflitos

Ao recordar os inúmeros apelos do Papa Francisco pela paz no Oriente Médio e as das denúncias de perseguição a cristão e outras minorias, o Observador lamentou que “o berço de grandes civilizações e lugar de nascimento das três principais religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – está imerso em uma situação que combina todas as formas de conflito e sujeitos possíveis”.

E os descreveu: “Combatentes de um Estado e de um ‘não-Estado’, grupos étnicos e culturais, terroristas fundamentalistas e criminalidade organizada, ódio religioso e étnico, rivalidades geopolíticas regionais e internacionais”.

Perseguição

Por fim, o arcebispo disse ser um dever da Santa Sé recordar a comunidade internacional – mais uma vez – que os extremistas estão tentando erradicar religiões, grupos culturais e étnicos que há milênios vivem no Oriente Médio.

“Minha delegação está profundamente preocupada com a condição dos Cristãos e outros grupos em áreas controladas pelo auto-proclamado estado islâmico, em particular por aqueles que são mantidos reféns para obtenção de resgates e sofrem todas as formas de escravidão”. (RB)

(from Vatican Radio)

Sínodo. Briefing: trabalho intenso para o Relatório Final

Sínodo. Briefing: trabalho intenso para o Relatório Final

No Sínodo dos Bispos sobre a Família, na tarde desta quinta-feira dia 22 de Outubro foi apresentado o Projeto de Relatório Final. Os padres sinodais analisaram o texto e fizeram intervenções e observações. As modificações solicitadas deverão ser feitas até as 14h desta sexta-feira, dia 23, por escrito. O Relatório Final será apresentado na manhã de sábado dia 24 e durante a tarde serão as votações.

No briefing de imprensa no final da manhã de ontem quinta-feira dia 22, o Padre Federico Lombardi recordou que a Comissão de redação do Relatório Final do Sínodo trabalhou em modo “intensíssimo para conseguir completar o trabalho”.

Presente no encontro com os jornalistas o arcebispo de Bombaim na Índia e membro da Comissão de redação do Relatório Final do Sínodo, o Cardeal Oswald Gracias que salientou que o Sínodo foi uma experiência espiritual para entender como ajudar as famílias a tornarem-se melhores e a encontrarem soluções para as suas dificuldades, graças à partilha de opiniões, pontos de vista e diferentes situações culturais.

Nessa ótica, o purpurado indiano deteve-se sobre o tema da “salutar descentralização”, explicando que esta implica que os bispos devem ser formados a nível teológico, moral e canónico, para compreender as diferentes abordagens necessárias para enfrentar os problemas específicos de cada país.

O Cardeal Gracias deteve-se ainda sobre o método de trabalho da Comissão: os especialistas fizeram uma avaliação das mais de 700 emendas apresentadas para o documento final, buscando escolher as mais representativas, e depois a Comissão decidirá quais as que vai inserir no texto final, de modo a que dele possa sair uma mensagem coerente.

Nesta sexta-feira dia 23 a Comissão reelaborará o texto, baseamdo-se nas modificações. No sábado de manhã o texto será lido na Sala do Sínodo no seu formato definitivo; já na parte da tarde o texto será votado parágrafo por parágrafo. Depois, caberá ao Papa decidir se o texto será publicado.

(RS)



(from Vatican Radio)

Silêncio, reflexão e oração para entender os sinais dos tempos

Silêncio, reflexão e oração para entender os sinais dos tempos

Cidade do Vaticano (RV) -  “Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé. Foi o que afirmou o Papa na homilia da missa da manhã, celebrada na Casa Santa Marta. Francisco refletiu sobre o discernimento que a Igreja deve atuar, observando os ‘sinais dos tempos’, sem ceder à comodidade do conformismo, mas deixando-se inspirar pela oração.

Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer aquilo que Cristo quer: avaliar os tempos e mudar com ele, permanecendo ‘firmes da verdade do Evangelho’. O que não se admite é o tranquilo conformismo que, na prática, nos deixa imóveis.

Sabedoria cristã

O Papa se inspira no trecho da Carta aos Romanos de São Paulo, na qual ele prega ‘com muita força a liberdade que nos salvou do pecado’. No Evangelho do dia, Jesus fala ‘do sinal dos tempos’, definindo hipócritas aqueles que sabem compreender o tempo, mas não fazem o mesmo com o tempo do Filho do Homem. Deus nos criou livres e para ter esta liberdade – afirma o Papa – devemos nos abrir à força do Espírito Santo e entender bem o que acontece dentro de nós e fora de nós”, usando o ‘discernimento’.

“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.

Silêncio, reflexão e oração

Francisco reconhece que não é algo “fácil”, são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um mais cômodo não fazer:

“Este é um trabalho que, com frequência, não fazemos: nos conformamos, nos tranquilizamos com ‘me disseram, ouvi, as pessoas dizem, eu li...’. Assim estamos tranquilos... Mas qual é a verdade? Qual é a mensagem que o Senhor que me passar com este sinal dos tempos? Para entender os sinais dos tempos, antes de tudo é preciso o silêncio: silenciar e observar. E, em seguida, refletir dentro de nós. Um exemplo: porque existem tantas guerras hoje? Porque aconteceu algo? E rezar... Silêncio, reflexão e oração. Somente assim poderemos entender os sinais dos tempos, o que quer nos dizer Jesus”.

Livres na verdade do Evangelh

Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural. Jesus, recordar, não diz “vejam como fazem os universitários, como fazem os doutores, os intelectuais...”. Jesus, destaca o Papa, fala aos camponeses que “em sua simplicidade” sabem “distinguir o joio do trigo”:

“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve se mover continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”. (CM/RB)

(from Vatican Radio)