sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Dois presos no Vaticano por divulgação de notícias confidenciais

Dois presos no Vaticano por divulgação de notícias confidenciais

No âmbito das investigações da polícia judiciária realizadas pela Gendarmaria do Vaticano e iniciadas há alguns meses a propósito da subtração e divulgação de notícias e documentos confidenciais, no sábado 31 de Outubro e no domingo 1 de Novembro, foram convocadas duas pessoas para ser interrogadas com base nos elementos recolhidos e nas evidências confirmadas.



Trata-se de um eclesiástico, monsenhor Lucio Angel Vallejo Balda, e de Francesca Chaouqui, que no passado foram respectivamente secretário e membro da Comissão referente de estudo e orientação sobre a organização das estruturas económico-administrativas da Santa Sé (Cosea), instituída pelo Papa em Julho de 2013 e, sucessivamente, dissolvida depois do cumprimento do seu mandato.

Após os resultados dos interrogatórios estas duas pessoas foram presas na expectativa do prosseguimento das investigações.

No dia 2 o departamento do promotor de justiça nas pessoas de Gian Piero Milano, promotor de justiça, e Roberto Zannotti, promotor de justiça adjunto, confirmou a prisão das citadas pessoas, libertando Chaouqui, em relação à qual não há exigência de medidas cautelares, também devido à sua colaboração nas investigações.

A posição de monsenhor Vallejo Balda permanece sob exame do departamento do promotor de justiça.

Deve-se recordar que a divulgação de notícias e documentos confidenciais é crime previsto pela lei n. IX do Estado da Cidade do Vaticano (13 de Julho de 2013), art. 10 (art. 116 bis c.p.).

Quanto aos livros anunciados para os próximos dias, esclarece-se que também desta vez, como já aconteceu no passado, são frutos de uma grave traição da confiança atribuída pelo Papa e, em relação aos autores, de uma acção para obter vantagem de um acto gravemente ilícito de entrega de documentação confidencial, acção cujas consequências jurídicas e eventualmente penais são objecto de reflexão por parte do departamento do promotor na expectativa de eventuais ulteriores medidas, recorrendo, se for o caso, à cooperação internacional.

Publicações deste género não ajudam de modo algum para estabelecer clareza e verdade, mas geraram confusão e interpretações parciais e tendenciosas. É preciso absolutamente evitar o equívoco de pensar que isto seja um modo para ajudar a missão do Papa.

Leigos: Simpósio em Roma celebra 50 anos do decreto conciliar

Leigos: Simpósio em Roma celebra 50 anos do decreto conciliar

Na próxima terça-feira, 10 de novembro vai ter lugar em Roma na Aula Magna “João Paulo II” da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, um dia de estudo intitulado “Vocação e missão dos leigos. À distância de cinquenta anos do decreto Apostolicam actuositatem” de 18 de novembro de 1965.

Com este acontecimento, o Conselho Pontifício para os Leigos quer celebrar o aniversário da promulgação do decreto conciliar que, no contexto do Concílio Vaticano II, relançou a importância da vocação e da missão dos fiéis leigos na Igreja e no mundo. O desejo formulado nesse decreto de ver constituído “na Santa Sé um secretariado especial para o serviço e o impulso do apostolado dos leigos”, esteve depois na origem aquilo que hoje é o Conselho Pontifício para os Leigos, que desenvolve a sua atividade ajudando o Santo Padre na promoção do laicado na Igreja e no mundo contemporâneo.

(RS/RL)

(from Vatican Radio)

50 anos da Gaudium et spes

50 anos da Gaudium et spes

Cidade do Vaticano (RV) - O Pontifício Conselho da Justiça e da Paz celebra nos dias 5 e 6 deste mês, na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, e no Church Palace, em Roma, o 50° aniversário da Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et spes.

Nesta quinta-feira, 5 de novembro, na Sala Nova do Sínodo se realizará uma celebração solene que introduzirá ao contexto histórico em que foi pensada e escrita a Constituição pastoral. Depois haverá o pronunciamento de algumas testemunhas do Concílio Vaticano II.

A sessão inaugural se concluirá com a entrega simbólica da herança da Gaudium et spes a uma delegação de jovens provenientes de vários continentes. Os trabalhos prosseguirão, após o almoço, no  Church Palace, onde se refletirá sobre a atualidade dos conteúdos da Gaudium et spes.

Depois do pronunciamento de alguns especialistas de várias nacionalidades serão feitos comentários dos representantes dos Centros de Doutrina Social da Igreja provenientes de várias regiões do mundo. Os centros foram convidados a apresentar textos sobre o impacto que o documento conciliar teve, nesses cinquenta anos, na vida eclesial e social de seus países.

Nos dois dias de encontros e reflexões serão abordados temas sobre a dignidade do ser humano, a busca de um novo modelo econômico hoje, trabalho digno, desafio das migrações, impacto das novas tecnologias, relação entre Evangelho e cultura, família e  liderança política. (MJ)

(from Vatican Radio)

Papa: somos chamados a servir na Igreja

Papa: somos chamados a servir na Igreja

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou a missa, nesta terça-feira (03/11), na Basílica de São Pedro, em sufrágio dos cardeais e bispos que faleceram durante este ano.

“Nesta terra eles amaram a Igreja, sua esposa. Rezemos para que em Deus possam ter alegria plena, na comunhão dos santos”, disse o Pontífice em sua homilia.

O Papa frisou que a vocação desses ministros sagrados foi a de ministrar, ou seja, servir. “Somos chamados a renovar a escolha de servir na Igreja. É o que o Senhor nos pede. Como um servo Ele lavou os pés de seus discípulos para que façamos o mesmo”, disse Francisco.

Contracorrente

“Quem serve e doa parece um perdedor aos olhos do mundo. Na realidade, perdendo a vida, a reencontra. Uma vida que se despoja de si, perdendo-se no amor, imita Cristo: vence a morte e dá vida ao mundo. Quem serve, salva. Quem não vive para servir, não serve para viver”, sublinhou o Papa.

O Evangelho nos recorda que Deus amou tanto o mundo. “Trata-se de um amor concreto, tão concreto que tomou sobre si a nossa morte. Para nos salvar Ele veio até nós. Este é o abaixamento que o Filho de Deus fez, inclinando-se como um servo, para nos escancarar a porta da vida”.

Amor

“Este estilo de Deus, que nos salva servindo-nos e aniquilando-se tem muito a nos ensinar. Nós esperamos uma vitória divina triunfante, mas Jesus nos mostra uma vitória humilde. Levantado na cruz deixa que o mal e a morte se voltem contra Ele enquanto continua a amar”.

“Para nós é difícil aceitar esta realidade. É um mistério. O sinal deste mistério, desta humildade extraordinária está na força do amor”, frisou o Santo Padre.

Esperança

Na Páscoa de Jesus vemos a morte e o remédio para a morte. “Isto é possível por causa do grande amor com o qual Deus nos amou, do amor humilde que se abaixa, do serviço que sabe assumir a condição de servo. Jesus não somente tirou o mal, mas o transformou em bem. Ele fez da cruz uma ponte para a vida”, sublinhou Francisco.

“Que seja suficiente para a nossa vida a Páscoa do Senhor. Assim, seremos servos segundo o seu coração e não funcionários que prestam serviço, mas filhos amados que doam a vida para o mundo”, concluiu o Papa. (MJ)

(from Vatican Radio)

Audiência: perdoar os pecados na família

Audiência: perdoar os pecados na família

Quarta-feira, 4 de Novembro, audiência geral na Praça de S. Pedro com o Papa Francisco. Tema da catequese: perdoar os pecados na família. O Santo Padre começou por afirmar que durante o Sínodo dos Bispos sobre a Família foi produzido um documento que foi publicado e sobre o qual o Papa assegurou que irá meditar. Entretanto, nesta audiência o Papa falou sobre a “família como um grande ginásio, onde se treina para o dom e o perdão recíproco.”

Desde logo, o Papa Francisco deixou claro que o perdão é uma característica fundamental da vida em família:

“Não se pode viver sem nos perdoarmos, ou pelo menos não se pode viver bem, especialmente em família.“

No dia-a-dia, não faltam ocasiões em que nos portamos mal e somos injustos com os outros. Então o que temos de fazer é procurar imediatamente curar as feridas que causamos. Porque, se adiarmos demasiado, tudo se torna mais difícil – afirmou o Santo Padre que voltou a recordar um conselho essencial para a vida conjugal e familiar:

“E há um segredo simples para curar as feridas e para diluir as acusações: não deixar terminar o dia sem pedir desculpa, sem dar paz entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmão e irmã, entre nora e sogra!”

Se aprendemos a pedir logo desculpa e a darmo-nos reciprocamente o perdão – continuou o Papa – as feridas curam, o matrimónio robustece e a família torna-se uma casa sempre mais sólida, que resiste aos abalos das nossas pequenas e grandes maldades.

Verdadeiramente as famílias cristãs podem ajudar muito a sociedade actual e a própria Igreja – afirmou ainda o Santo Padre que declarou o seu desejo de que no Jubileu da Misericórdia as famílias descubram o tesouro do perdão.

“Por isso desejo que, no Jubileu da Misericórdia, as famílias descubram, de maneira nova e mais profunda, o tesouro do perdão recíproco.”

Na verdade, é recebendo o perdão de Deus que somos capazes de, por nossa vez, perdoarmos aos outros – referiu o Papa Francisco na conclusão da sua homilia sublinhando que foi para sermos capazes de perdoar que Jesus nos faz repetir isso mesmo na oração do Pai-Nosso: “perdoai-nos os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.”

O Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Com cordial afecto, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, em especial o grupo brasileiro de Mogi das Cruzes. O Senhor vos abençoe, para serdes em toda a parte farol de luz do Evangelho para todos. Possa esta peregrinação fortalecer nos vossos corações o sentir e o viver com a Igreja. Nossa Senhora acompanhe e proteja a vós todos e aos vossos entes queridos.”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

(RS)

(from Vatican Radio)

Apresentado o site do dispensário pediátrico no Vaticano - A rede ao serviço dos pequeninos

Apresentado o site do dispensário pediátrico no Vaticano - A rede ao serviço dos pequeninos

Uma família de famílias de todo o mundo, que entre os muros do Vaticano encontram acolhimento e ajuda: é o dispensário pediátrico Santa Marta, que desde há noventa anos oferece assistência, também médica, a crianças e recém-nascidos de famílias em dificuldade. Desde ontem, 14 de Novembro, esta realidade está presente no site www.dispensariosantamarta.va que até ao final do ano estará disponível também em espanhol, inglês e francês, para que um número cada vez maior de pessoas a possa conhecer. Até porque quem bate à porta são sobretudo jovens mães de todos os continentes imigradas em Roma.

Na sede da via “della Stazione Vaticana”, a dois passos da entrada do Perugino e da residência papal da Casa de Santa Marta, a iniciativa informática foi apresentada à imprensa. Depois da saudação da responsável do dispensário, a irmã Antonietta Collacchi, das filhas da caridade, o site foi ilustrado pormonsenhor Lucio Adrian Ruíz, responsável do Serviço internet do Vaticano e secretário da secretaria para a Comunicação, e por Valentina Giacometti, voluntária da estrutura e coordenadora da páginas web. Consultando-as vemos a história do dispensário que surgiu por vontade de Pio XI, a vida que nele se desenrola diariamente, os serviços oferecidos a pelo menos 500 crianças e às suas famílias, graças ao trabalho de uns cinquenta voluntários, entre médicos e colaboradores leigos.

De recente foi inaugurada uma série de novos serviços em apoio à maternidade: das vacinas aos cursos sobre a alimentação. Significativamente denominada «C'è una culla per te» [Há um berço para ti], a iniciativa é hospedada em locais postos à disposição pelo Governatorato.

Segundo monsenhor, apresentar um site deste género significa «dar a conhecer o amor e a ternura que a Igreja neste bocadinho de Vaticano tem em relação aos mais pequeninos e necessitados. Como diz o Papa, internet não é uma rede de fios mas de pessoas e, por conseguinte, pretendemos criar uma rede de pessoas que aumente cada vez mais para poder ajudar mais». Pensa do mesmo modo a responsável do dispensário, que comentou: «Criámos o site para que as pessoas nos conheçam e venham pedir a nossa ajuda».

Site: www.dispensariosantamarta.va

Pe. Lombardi: Vaticano procede no caminho da transparência

Pe. Lombardi: Vaticano procede no caminho da transparência

Cidade do Vaticano (RV) - “O Vaticano está procedendo sem incertezas no caminho da transparência e da boa administração.” Foi o que disse o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, nesta quarta-feira (04/11), em resposta à publicação de dois livros que, baseando-se em documentos vaticanos reservados, queriam mostrar o contrário. 

Atividade ilícita

“A publicação de dois livros que têm por argumento instituições e atividades econômicas e financeiras do Vaticano é objeto de curiosidade e comentários”, escreve Pe. Lombardi numa nota. 

Segundo o jesuíta, “uma boa parte do que foi publicado é o resultado de uma divulgação de informações e documentos reservados. Portanto, uma atividade ilícita que é perseguida penalmente pelas autoridades vaticanas competentes”.

Informações já conhecidas

Sobre o conteúdo da divulgação, Pe. Lombardi ressalta que “em boa parte se trata de informações já conhecidas, mas deve ser ressaltado que a documentação publicada está principalmente relacionada com o compromisso significativo de coleta de dados e informações colocada em ação pelo próprio Santo Padre a fim de realizar um estudo e reflexão de reforma e melhoria da situação administrativa do Vaticano e da Santa Sé”.

Cosea

“Provém do arquivo da Cosea (Comissão referente de Estudo e endereçamento sobre a organização das Estruturas Econômico-Administrativas da Santa Sé) boa parte da informação publicada. O organismo foi instituído pelo Papa Francisco em 18 de julho de 2013 e desfeito após cumprir sua função. Não se trata de informações obtidas na origem contra a vontade do Papa ou dos responsáveis por várias instituições, mas geralmente de informações obtidas ou fornecidas com a colaboração destas instituições para contribuir ao objetivo positivo comum.”

Leituras diferentes

“Naturalmente, uma grande quantidade de informações desse  gênero deve ser estudada, entendida e interpretada com cuidado, equilíbrio e atenção. Muitas vezes são possíveis leituras diferentes a partir dos mesmos dados”, ressalta o jesuíta.

Fundo de Pensão

“Um exemplo é a situação do Fundo de Pensão sobre o qual foram feitas avaliações muito diferentes, desde as que falam com preocupação de um rombo às que fornecem uma leitura reconfortante.”

Bens da Igreja

“Os bens da Igreja, acrescenta Pe. Lombardi, têm como finalidade sustentar grandes atividades de serviço administradas pela Santa Sé ou instituições a ela ligadas, seja em Roma seja em outras partes do mundo”.
  Óbolo de São Pedro

“Sobre o uso do Óbolo de São Pedro é preciso ressaltar que são vários, na opinião do Santo Padre, cujo óbolo é oferecido com confiança pelos fieis a fim de ajudar o seu ministério.” As obras caritativas do Papa em favor dos pobres são certamente uma das finalidades essenciais, mas não é certamente intenção dos fiéis excluir que o Papa possa avaliar ele mesmo as urgências e a maneira de responder a essas urgências à luz de seu serviço para o bem de toda a Igreja. O serviço do Papa incluiu também a Cúria Romana, instrumento de seu serviço, as suas iniciativas fora da Diocese de Roma, a comunicação de seu magistério para os fieis em várias partes do mundo também pobres e distantes, o apoio às 180 representações diplomáticas pontifícias espalhadas pelo mundo que servem as Igrejas locais e intervém como agentes principais para distribuir a caridade do Papa em vários países, além de ser representantes do Papa junto aos governos locais. A história do Óbolo mostra tudo isso com clareza.”

Reconhecimento

“Essas temáticas retornam periodicamente, mas são sempre ocasião de curiosidade ou polêmicas. É necessário ter seriedade para aprofundar as situações e os problemas específicos a fim de reconhecer o muito que é totalmente justificado, normal e bem administrado e distinguir onde se encontram inconvenientes a serem corrigidos, obscuridades a serem iluminadas, mazelas ou ilegalidades a serem eliminadas.”

“A isto é endereçado o trabalho difícil e complexo iniciado pelo estímulo do Papa com a criação da Coşea que concluiu o seu trabalho. A reorganização dos dicastérios econômicos, a nomeação do revisor geral, o bom funcionamento das instituições responsáveis pelo controle das atividades econômicas e financeiras”, afirma Pe. Lombardi, são “uma  realidade objetiva e incontestável”.

Fase de trabalho superada

“A publicação de grande quantidade de informações diferentes, em grande parte ligadas a uma fase de trabalho já superada, sem a necessária possibilidade de aprofundamento e avaliação objetiva, cria impressão contrária, de um reino permanente de confusão, de não transparência ou até mesmo de perseguir interesses particulares ou incorretos.”

Boa administração

“A divulgação ilícita de informações reservadas e em parte ultrapassadas não faz jus à coragem e ao compromisso com o qual  o Papa e seus colaboradores enfrentaram e continuam enfrentando o desafio de um melhoramento do uso dos bens temporais a serviço dos bens espirituais. Isto é o que deveria ser apreciado e incentivado num trabalho correto de informação para responder adequadamente às expectativas do público e às exigências da verdade. O caminho da boa administração, da correção e da transparência, continua e procede sem incertezas. Esta é evidentemente a vontade do Papa Francisco e não falta no Vaticano quem colabora com lealdade plena e com todas as suas forças”, frisa ainda o jesuíta.

Resposta de Pe. Lombardi aos jornalistas a propósito das investigações em andamento no Vaticano

“O Escritório do Promotor de Justiça junto ao Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano, depois de um relatório da Autoridade de Informação Financeira, em fevereiro de 2015, iniciou as investigações relativas a operações de compra e venda de títulos e transações relacionadas ao Sr. Gianpietro Nattino. O mesmo escritório pediu a colaboração das Autoridades judiciárias italiana e suíça através de cartas rogatórias enviadas por vias diplomáticas em 7 de agosto de 2015.” (MJ)

(from Vatican Radio)

Francisco: comunhão dos mártires une todos os cristãos

Francisco: comunhão dos mártires une todos os cristãos


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa enviou uma mensagem ao Fórum Cristão Global, que terminou nesta quarta-feira (4/11), em Tirana, Albânia. O encontro consultivo debateu o tema “Discriminação, perseguição, martírio: seguindo Cristo juntos”, e reuniu representantes católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos e pentecostais.

“A comunhão do mártires é o maior sinal do nosso caminhar juntos”, afirmou o Papa no texto enviado ao Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

“Penso com grande pesar na escalada de discriminação e perseguição contra os cristãos no Oriente Médio, África, Ásia e em outras partes do mundo. Este encontro demostrar que, como cristãos, não estamos indiferentes ao sofrimento de nossos irmãos e irmãs”, continua a mensagem do Pontífice.

Entendimento mútuo

“Em diversas parte do mundo, o testemunho de Cristo, até mesmo o derramamento de sangue, é uma experiência compartilhada por católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos e pentecostais. E isso é mais forte e profundo do que as diferenças que ainda separam as nossas Igrejas e Comunidades Eclesiais”, destacou Francisco.

“Possam os mártires de hoje, das mais várias tradições cristãs, ajudar-nos a entender que todos os batizados são parte do mesmo Corpo de Cristo, sua Igreja” – conclui o Pontífice – convidando a enxergar nesta “profunda verdade o chamado para perseverar em nosso percurso ecumênico em direção à uma completa e visível comunhão, crescendo cada vez mais no amor e no entendimento mútuo”. (RB)

(from Vatican Radio)

Vigário do Papa publica carta aberta à cidade de Roma

Vigário do Papa publica carta aberta à cidade de Roma

Roma (RV) – A “Carta à cidade” foi apresentada pelo Cardeal Vigário Agostino Vallini no início da noite desta quinta-feira (5/11), na Basílica de São João de Latrão – a Catedral de Roma.

Ao nominar uma “profunda e grave crise antropológica e ética” vivida em Roma, o Vigário do Papa afirma que, “em tantos, parecem perdidos o horizonte comum da experiência humana, o consenso sobre a inviolabilidade da pessoa, o tecido das relações interpessoais genuínas que se expressam na responsabilidade para com os outros e que dão sentido ao agir humano”.

Novo compromisso

Diante deste atual panorama de desconfiança, “de luzes e de sombras”, o Cardeal Vallini afirma que a Igreja é chamada a “comprometer-se em uma nova estação de renovação espiritual, de evangelização, de responsabilidade cultural e de empenho social, baseados na força da fé, para chegar às periferias geográficas e existenciais da nossa cidade”.

A “Carta à cidade” elenca, portanto, cinco pontos principais sobre os quais a Igreja pretende atuar com mais ênfase, inspirada no Evangelho, especialmente durante o Jubileu da Misericórdia.  

“O Jubileu é um dom que a Igreja de Roma pretende compartilhar com as mulheres e homens que vivem na cidade. Queremos que seja, sobretudo, um tempo consagrado a Deus para restituir ‘paz aos homens que Deus ama’. Um tempo para reordenar as relações humanas (este é o sentido originário do jubileu bíblico) e dar um novo impulso e paixão às regenerações da vida social. Nos parece uma urgência não mais adiável”.

Os desafios de Roma

O primeiro item fala sobre “antigas e novas pobrezas” no contexto do aumento da pobreza das famílias e da falta de trabalho. O texto cita o trabalho da Caritas diocesana que não pode ser substituto, todavia, das políticas públicas para a promoção da igualdade social e solidariedade.

O segundo aspecto leva em consideração a acolhida e integração dos imigrantes que, neste ano, chegaram em número recorde à Europa – cuja porta de entrada principal foi a Itália. O documento recorda o pedido do Papa Francisco para que todas as organizações religiosas abram as portas aos refugiados.

"Sociedade líquida”

O terceiro ponto desafiador é a educação. O Cardeal Vallini cita o termo “sociedade líquida”, cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, para recordar que “as potencialidades das novas tecnologias são somente um instrumento que não pode expropriar a pessoa da liberdade à autodeterminação”.

E reitera: “a primeira tarefa de uma  comunidade que se preocupa com o futuro é o compromisso à educação cultural e moral”.

Comunicação

O quarto aspecto trata da comunicação que, “nos últimos trintas anos, principalmente por meio da televisão, apresenta um mundo que com frequência é um lugar horrível aonde não se teria vontade de viver”.  Como alternativa, o documento reconhece que “a complexidade atual dos meios de comunicação exige um compromisso compartilhado e orgânico”.

Para isso, o texto “propõe que todos os cristãos ligados, em diversos níveis, ao mundo da informação e da comunicação, comprometam-se em promover conteúdos que deem ênfase à relação mídia-família-cultura-solidariedade-juventude, por meio de escolhas corajosas de liberdade, também neste ambiente, com frequência fortemente condicionado dos interesses econômicos e de partes”.

Nova classe dirigente

O quinto e último ponto indica que é necessária a formação paciente de uma classe dirigente futura. “Muitas vezes, pessoas de valor não têm a força de expressar a própria vocação ao serviço do bem comum ou de incidir beneficamente sobre a sociedade, enquanto outros, por fome de poder e desejo desenfreado de enriquecer, ocupam lugares na direção e gestão das instituições sem o dom, a motivação e a competência necessária para promover programas e políticas de igualdade social em favor de todos os cidadãos”.

Por fim, ao declarar que o Jubileu da Misericórdia em um tempo de mudança de época é “uma graça para a Igreja e para cada cristão”, “todos somos chamados – afirmou o Papa Francisco – “a oferecer com mais força os sinais da presença e da proximidade de Deus. Este não é o tempo para a distração, ao contrário, é tempo para permanecer vigilantes e despertar a capacidade de olhar ao essencial”. (RB)

(from Vatican Radio)

Missa em Santa Marta - Nunca excluir

É com os gestos que Jesus nos pede que incluamos todos, porque como cristãos «não temos o direito» de excluir os outros, de os julgar, de lhes fechar as portas. Também porque «a atitude da exclusão» está na raiz de todas as guerras, grandes e pequenas, afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de 5 de Novembro, na capela da Casa de Santa Marta.

«São Paulo — observou o Pontífice citando o trecho litúrgico tirado da carta aos romanos (14, 7-12) — não se cansa de recordar o dom de Deus, o presente que Deus nos deu recriando-nos, regenerando-nos». E «diz esta palavra tão forte: “Nenhum de nós vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. Foi para isso que Cristo morreu e ressuscitou, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos”». Portanto, reiterou Francisco, «Cristo que une, que faz a unidade, Cristo, que com o seu sacrifício no Calvário incluiu todos os homens na salvação».

«A atitude que Paulo quer frisar é a da inclusão», explicou. Com efeito, o apóstolo «quer que eles sejam inclusivos, que incluam todos como fez o Senhor. E adverte-os: “E tu, não obstante o que o Senhor fez, por que julgas o teu irmão? E tu, por que desprezas o teu irmão?”». Em síntese, o apóstolo «faz-lhes sentir que têm uma atitude que não é a do Senhor». Porque «o Senhor inclui; também Paulo, noutro trecho, dizia: “De dois povos fez um só”». Ao contrário, «eles excluem».

«Quando nós julgamos uma pessoa — prosseguiu Francisco — fazemos exclusão», talvez dizendo: «Com este não, com esta não, com esse não...». Agindo assim, «permanecemos no nosso pequeno grupo, somos selectivos, e isto não é cristão». E dizemos: «Não, este é um pecador, esse fez aquilo...». A questão, insistiu o Papa, è que «nós julgamos os outros». Mas «aconteceu o mesmo com Jesus», como se lê no trecho evangélico de Lucas (15, 1-10) proposto pela liturgia: «Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus todos os publicanos e pecadores — ou seja, os excluídos, todos aqueles que estavam fora — para o ouvir. E os fariseus e escribas murmuravam, dizendo: “Ele acolhe os pecadores e come com eles”».

Inclusive «a atitude dos romanos era de exclusão». Eis por que razão Paulo os «admoesta a não julgarem». Trata-se da «mesma atitude dos escribas e dos fariseus, que dizem: “Nós somos perfeitos, seguimos a lei: eles são pecadores, são publicanos”».

Mas «a atitude de Jesus é de inclusão». Eis que, explicou o Papa, «há dois caminhos possíveis: da exclusão das pessoas da nossa comunidade, e da inclusão». E «o primeiro, embora a nível limitado, é a raiz de todas as guerras: todas as calamidades, todos os conflitos começam com uma exclusão». É assim que «se exclui da comunidade internacional, mas também das famílias: quantas desavenças entre amigos!». Ao contrário, «o caminho que nos faz ver Jesus, que nos ensina Jesus, é totalmente outro, é oposto ao outro: incluir».

No Evangelho «duas parábolas — explicou o Pontífice — levam-nos a entender que não é fácil incluir as pessoas, porque há resistência, há uma atitude selectiva: não é fácil». A primeira fala do «pastor que volta para casa com as ovelhas e dá-se conta que das cem falta uma». Sem dúvida, teria podido dizer: «Encontrá-lá-ei amanhã...». No entanto, «deixa tudo — estava com fome, tinha trabalhado o dia inteiro — e, no final da tarde, talvez na escuridão, sai para a procurar». O mesmo «faz Jesus com aqueles pecadores publicanos: vai comer com eles, para os encontrar».

A outra parábola à qual o Papa se referiu é a «da mulher que perde a moeda: é a mesma coisa; acende uma lâmpada, varre a casa e procura atentamente, até que a encontra». E «talvez leve o dia inteiro, mas encontra-a».

«O que acontece em ambos os casos?», interrogou-se nesta altura Francisco. Acontece que o pastor e a mulher «estão cheios de alegria, porque encontraram o que estava perdido. E vão ter com os vizinhos, com os amigos, porque se sentem muito felizes: “Encontrei, incluí!”». Precisamente «este é o incluir de Deus — realçou o Papa — contra a exclusão daquele que julga, que expulsa o povo, as pessoas», dizendo: «Não, este não, esse não, aquele não...» e criando para si «um pequeno círculo de amigos, que é o seu ambiente».

Esta, acrescentou o Pontífice, «é a dialéctica entre exclusão e inclusão: Deus incluiu-nos todos na salvação, todos!». E «este é o início: nós, com as nossas debilidades, com os nossos pecados, invejas e ciúmes, temos sempre esta atitude de exclusão que, como eu disse, pode acabar em guerra».

Jesus age precisamente como o Pai, «quando o enviou para nos salvar: procura-nos para nos incluir, para entrar em comunidade, para ser uma família». E «a alegria de Paulo é a grande salvação que recebeu do Senhor». Assim, frisou o Papa citando as duas parábolas evangélicas, também a alegria do pastor e da mulher consiste precisamente no facto de «terem encontrado o que julgavam» ter «perdido para sempre».

Convidando à reflexão, Francisco sugeriu que nunca julguemos, «pelo menos um pouco», segundo «as nossas possibilidades». Porque «Deus sabe: é a sua vida. Mas não o excluo do meu coração, da minha oração, do meu sorriso e, se tiver uma ocasião, digo-lhe uma boa palavra». Em síntese, «nunca excluamos, não temos o direito» de o fazer. Na carta aos Romanos, Paulo escreve: «Todos teremos que comparecer perante o tribunal de Deus. Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus». Porque, «se eu excluir, um dia estarei diante do tribunal de Deus e deverei prestar contas de mim mesmo».

O Papa concluiu, pedindo «a graça de sermos homens e mulheres que incluem sempre — sempre! — na medida da sadia prudência, mas sempre». Nunca se pode «fechar as portas a ninguém», ma devemos estar «com o coração sempre aberto». E dizer «gosto, não gosto», mas mantendo «o coração aberto».