O Papa Francisco recebeu em audiência no Palácio Apostólico na manhã desta quinta-feira os principais líderes religiosos do Sudão do Sul: Dom Paulino Lukudu Loro, Arcebispo de Juba, o Rev. Daniel Deng Bul Yak, Arcebispo da Província da Igreja Episcopal do Sudão do Sul e o Rev. Peter Gai Lual Marrow, Moderador da Igreja Presbiteriana do Sudão do Sul.
No contexto das tensões que dividem a população e destroem a convivência no país, foi ressaltada no encontro a boa e profícua colaboração entre as Igrejas cristãs, que desejam dar a própria contribuição para promover o bem comum, tutelar a dignidade da pessoa, proteger os indefesos e realizar iniciativas de diálogo e de reconciliação.
À luz do Ano da Misericórdia, foi sublinhado que a experiência fundamental do perdão e da acolhida do outro é a linha mestra para a construção da paz e do desenvolvimento humano e social.
A este respeito, constatou-se que as várias Igrejas estão empenhadas, em espírito de comunhão e de unidade, no serviço à população, promovendo a difusão de uma cultura do encontro e da partilha.
Por fim, foi reiterada por parte de todos a disponibilidade em caminhar juntos e em trabalhar com renovada esperança e com confiança recíproca, na convicção de que, com base nos valores positivos inerentes às próprias tradições religiosas, se possam mostrar os caminhos para responder de maneira efetiva às aspirações profundas daquela população, que anseia urgentemente a uma vida segura e a um futuro melhor.
(from Vatican Radio)
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Papa: Deus chora pela humanidade que não entende Sua paz-amor
Deus chora hoje diante das calamidades naturais, das guerras que eclodem para “adorar ao deus dinheiro”, das crianças assassinadas.
Esta foi uma das reflexões do Papa na missa da manhã desta quinta-feira (27/10), na Casa Santa Marta.
“Deus chora hoje”, ressaltou Francisco, pela humanidade que não entende “a paz que Ele nos oferece, a paz do amor”.
No Evangelho do dia, Jesus chama Herodes de “raposa”, depois que alguns fariseus disseram que ele o queria matar. E fala aquilo que acontecerá: “se prepara à morte”. Jesus então se dirige à “Jerusalém fechada”, que mata os profetas que a ela foram enviados.
Pranto
A seguir, Jesus muda o tom, destaca o Papa, e “começa a falar com ternura”, a “ternura de Deus”. Jesus “olha para o seu povo, olha para a cidade de Jerusalém”. Naquele dia “chorou sobre Jerusalém”.
“Aquele choro de Jesus – afirma o Papa – não é o choro de um amigo diante da tumba de Lázaro, não: aquele é o choro de um amigo diante da morte de outro. Este é o choro de pai, de um pai que chora: é Deus Pai que chora aqui na pessoa de Jesus.
“Quantas vezes tive que reunir os teus filhos como a galinha acolhe seus pintinhos sob as asas e vocês não quiseram! Alguém disse que Deus se fez homem para poder chorar, chorar aquilo que fizeram a seus filhos”.
Pai que chora
E, enquanto o choro diante da tumba de Lázaro é aquele do amigo, “este é o choro do Pai”, diz Francisco. E o pensamento do Papa vai ao Pai do filho pródigo, quando o filho lhe pede a herança e vai embora.
“Aquele pai está seguro, não procurou os vizinhos para dizer: “Olha o que me aconteceu! O que este pobre desgraçado me fez! Mas eu amaldiçoo este filho...”. Não, não fez isso. Tenho certeza, talvez tenha ido chorar sozinho”.
E o Papa explica.
“Por que o Evangelho não diz isso, diz quando o filho o viu de longe: isto significa que o pai sempre subia até a varanda de onde se via o caminho para ver se o filho retornava. E um pai que faz isso é um pai que vive no pranto, esperando que o filho volte. Este é o choro de Deus Pai. E com este choro, o Pai recria no seu Filho toda a criação”.
Paz do amor
Deste ponto, o Papa refletiu também sobre o momento em que Jesus com a cruz vai ao Calvário: às mulheres que choravam, diz para que não chorem por Ele, mas por seus próprios filhos. Portanto, um “choro de pai e de mãe que Deus também hoje chora”.
“Também hoje diante das calamidades, das guerras que eclodem para ‘adorar ao deus dinheiro’, dos tantos inocentes mortos pelas bombas lançadas pelos adoradores do ídolo dinheiro, também o Pai chora, também hoje diz: ‘Jerusalém, Jerusalém, filhos meus, o que estão fazendo?’ E o diz às pobres vítimas e também aos traficantes de armas e a todos aqueles que vendem a vida das pessoas. Nos fará bem pensar que o nosso Deus Pai se fez homem para poder chorar; e nos fará bem pensar que nosso Deus Pai hoje chora: chora por esta humanidade que não consegue entender a paz que Ele nos oferece, a paz do amor”.
(dd/rb/mj)
(from Vatican Radio)
Papa Francisco: desconcertante cancelar diferenças sexuais
A beleza do plano de Deus para o casamento e a misericórdia para com as famílias feridas, os desafios das novas tecnologias e a desconcertante ideologia de gênero: estes os temas abordados pelo Papa Francisco em seu discurso à Comunidade Acadêmica do Pontifício Instituto “João Paulo II” para os Estudos sobre o Matrimônio e Família por ocasião do início do novo Ano Letivo.
Crise familiar: prevalece cada vez mais o “eu” sobre o “nós”
Hoje “os laços conjugais e familiares são de muitos modos colocados à prova”: o Papa parte de uma reflexão sobre a cultura atual “que exalta o individualismo narcisista, uma concepção da liberdade desligada da responsabilidade pelo outro, o crescimento da indiferença para com o bem comum, o impor-se de ideologias que agridem diretamente o projeto familiar, como também o crescimento da pobreza que ameaça o futuro de tantas famílias”.
“Depois, há as questões abertas pelo desenvolvimento de novas tecnologias - sublinha -, que tornam possíveis práticas, por vezes, em conflito com a verdadeira dignidade da vida humana”. Prevalece cada vez mais o “eu” sobre o “nós”, o indivíduo sobre a sociedade: “É um êxito que contradiz o plano de Deus, que confiou o mundo e a história à aliança do homem e da mulher”.
Ideologia de gênero: desconcertante
Sem mencionar diretamente a ideologia de gênero, o Papa fala da necessidade de “reconhecer a diferença como uma riqueza e uma promessa, não como um motivo de sujeição e de prevaricação. O reconhecimento da dignidade do homem e da mulher leva a uma correta valorização de seu relacionamento recíproco. Como podemos conhecer profundamente a humanidade concreta da qual somos feitos sem aprendê-la através desta diferença?”:
“É impossível negar a contribuição da cultura moderna à redescoberta da dignidade da diferença sexual. Por isso, é muito desconcertante constatar que agora esta cultura apareça como bloqueada por uma tendência a cancelar a diferença, em vez de resolver os problemas que a mortificam”.
Na verdade - continuou o Papa -, “quando as coisas estão indo bem entre homem e mulher, também o mundo e a história vão bem. Caso contrário, o mundo se torna inóspito e a história pára”.
Beleza do casamento e misericórdia para as famílias feridas
O testemunho da “beleza da experiência cristã da família” - destaca Francisco -, deverá inspirar-nos ainda mais profundamente; ao mesmo tempo, é necessário ter “grande compaixão e misericórdia pela vulnerabilidade e falibilidade do amor entre os seres humanos”, mas sem resignar-se à falência humana, para apoiar o resgate do plano de Deus para a família, “ícone da aliança de Deus com toda a família humana”:
De fato, é correto reconhecer que, às vezes, “apresentamos um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são. Esta excessiva idealização, sobretudo quando não despertamos a confiança na graça, não fez com que o matrimônio fosse mais desejável e atraente; muito pelo contrário”.
Proximidade da Igreja
Os dois Sínodos sobre a família – observou ainda o Papa –, “manifestaram a necessidade de ampliar a compreensão e o cuidado da Igreja por este mistério do amor humano no qual o amor de Deus por todos se sedimenta”. Neste sentido, “o tema pastoral de hoje não é apenas o da distância de muitos do ideal e da prática da verdade cristã do matrimônio e da família; mais decisivo ainda se torna o tema da ‘proximidade’ da Igreja”:
“Proximidade às novas gerações de cônjuges, para que a bênção de seu relacionamento os convença sempre mais e os acompanhe, e proximidade às situações de fraqueza humana, para que a graça possa resgatá-los, reanimá-los e curá-los. O indissolúvel vínculo da Igreja com seus filhos é o sinal fiel mais transparente do amor fiel e misericordioso de Deus”.
Teologia e pastoral caminham juntos
O Papa Francisco recorda, por fim, que “a teologia e pastoral caminham juntos”: “Não nos esqueçamos de que também os bons teólogos, como os bons pastores, têm o cheiro do povo e das estradas e, com sua reflexão, derramam óleo e vinho nas feridas dos homens”:
Uma doutrina teológica que não se deixa orientar e plasmar pela finalidade evangelizadora e pelo cuidado pastoral da Igreja é também impensável para uma pastoral da Igreja que não saiba fazer tesouro da revelação e da sua tradição, voltada a uma melhor inteligência e transmissão da fé”. (SP)
(from Vatican Radio)
Papa: reforçar compromisso para eliminar tráfico de pessoas
O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (27/), os membros do “Grupo Santa Marta” que participou do encontro realizado, no Vaticano, sobre o tráfico de pessoas.
“Reforçar o compromisso para eliminar a chaga social do tráfico de pessoas”, disse o Pontífice em seu discurso às autoridades eclesiásticas e civis do Grupo Santa Marta, que dá uma contribuição importante na luta contra esta nova forma de escravidão.
O Papa sublinhou com amargura que as vítimas “são homens e mulheres, muitas vezes menores, explorados, aproveitando de sua pobreza e marginalização”.
“Serve um esforço mirado, eficaz e constante, tanto para eliminar as causas deste fenômeno complexo, quanto para encontrar, assistir e acompanhar as pessoas que caem nas armadilhas do tráfico.”
“O número destas vítimas cresce, infelizmente, a cada ano, afirmam as organizações internacionais. Aos indefesos são roubadas a dignidade, a integridade física e psíquica, e até mesmo a vida”, disse ainda o Pontífice.
“Queridos amigos, lhes agradeço e encorajo a prosseguir neste compromisso. O Senhor recompensará o que for feito a estes pequenos da sociedade de hoje. Ele disse: ‘Estava com fome ... tive sede e você me ajudou; hoje também poderia dizer: "Eu fui abusado, explorado e escravizado, e você me socorreu.”
(MJ)
(from Vatican Radio)
Assinar:
Postagens (Atom)



