terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sínodo. D. Bruno Forte: caminhar em comunhão com o Papa

Sínodo. D. Bruno Forte: caminhar em comunhão com o Papa

O Sínodo dos Bispos está a viver a sua terceira e última semana da XIV Assembleia Geral Ordinária dedicada ao tema “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Para uma síntese dos trabalhos sinodais até ao momento a Rádio Vaticano falou com o secretário especial do Sínodo, D. Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto em Itália, que começou por se referir ao clima de extrema liberdade que se respira no Sínodo:

“O meu parecer é de um clima de grande envolvimento de todos os padres sinodais. O Papa Francisco pediu que se falasse de tudo com extrema liberdade. Deixou claro no início do Sínodo extraordinário: “Não há nada de que não se possa falar”. E isso está sendo feito e creio que seja muito construtivo, porque mostra uma Igreja viva, corresponsável e participante. Traduzir essa participação e esse envolvimento num espírito de complôs ou de divisões, parece-me ser algo forçado de quem olha as coisas somente de fora, sem vivê-las internamente. Não nos esqueçamos que somos todos homens de fé, que têm responsabilidade diante de Deus e diante dos irmãos. E isso nos une mais fortemente do que todas as possíveis e hipotéticas contraposições que gostariam de atribuir-nos.”

“Além de propor o valor e a beleza da família, articulando o seu significado de modo especial em resposta às exigências e aos desafios do nosso tempo, creio que um caminho pastoral muito concreto seja o que se articula, em primeiro lugar, no estilo do acompanhamento, que significa acolhimento de todos, companhia da vida e da fé. Portanto, proximidade, escuta, partilha. Em seguida, empenho de integração para todos, a fim de que os carismas e os ministérios de cada um sejam valorizados. E é na ótica desse caminho de acompanhamento e de integração que deve ser avaliada também a diferente forma e intensidade de participação de todos os batizados – especialmente daqueles que vêm de famílias feridas – também na vida sacramental da Igreja.”

Nas suas declarações à RV, D. Bruno Forte sublinhou ainda a ligação deste Sínodo com o Jubileu da Misericórdia:

“A misericórdia é o coração do Evangelho: uma Igreja que não fosse especialista em misericórdia, que não a vivesse e a anunciasse a todos, sem distinções, não seria fiel nem mesmo ao Evangelho. Quem quer contrapor verdade e misericórdia esquece que a verdade do Deus cristão é o amor do Deus Trino: portanto, a misericórdia como centro, coração, ponto de início e de orientação de tudo aquilo que vivemos. O Papa Francisco recordou-nos isso na Bula ‘Misericordiae Vultus’. Este Sínodo está a procurar entender como este primado da misericórdia pode ser aplicado em todas as formas da vida pastoral em relação à família e, em particular, às famílias feridas.”

“A estrada é caminhar em profunda comunhão com o Papa Francisco, com o primado do Evangelho e da graça, com a gradualidade do acompanhamento e da integração. Creio que se poderá encontrar um amplo consenso sobre isso e depois será o Santo Padre a definir as formas em matéria concreta, porque o presidente do Sínodo é ele, a quem entregaremos o fruto do nosso trabalho.”

Jovens palestinos convocam vigília de oração pela paz

Jovens palestinos convocam vigília de oração pela paz

Jerusalém (RV) – O encontro está marcado para às 18 hs de sábado, 24 de outubro, véspera da Festa de Nossa Senhora da Palestina, em todas as paróquias católicas da Palestina, Israel e Jordânia. Trata-se de uma vigília de oração em que se pedirá ao Senhor o dom da paz, diante da escalada de violência que está, novamente, martirizando a  terra de Jesus. A iniciativa é da Juventude cristã da Palestina.

Iniciativa aberta aos muçulmanos e judeus

“Os jovens querem rezar pela paz em todo o Oriente Médio - explica à Ag. Fides o Padre Bashar Fawadleh, Capelão da juventude cristã da Palestina – mas especialmente pela paz em Jerusalém, que é a nossa cidade, a nossa capital, a Cidade Santa da paz e que nestes dias tornou-se novamente palco de sangue, violência, opressão e morte”. A vigília é aberta a todos os jovens da Terra Santa, não somente cristãos: “Poderão vir também jovens muçulmanos e judeus, pediremos junto a Deus, Onipotente e Misericordioso, de tocar os corações dos homens e de libertá-los do ódio, do medo e da sede de vingança”. (JE)

(from Vatican Radio)

Em Roma a peregrinação mundial do povo cigano - Na recordação de Paulo VI

Em Roma a peregrinação mundial do povo cigano - Na recordação de Paulo VI

Para comemorar o cinquentenário da visita histórica de Paulo VI ao campo de nómades de Pomezia, que teve lugar a 26 de Setembro de 1965, realizar-se-á em Roma, de 23 a 26 de Outubro, a peregrinação mundial do povo cigano, organizada pelo Pontifício conselho para a pastoral dos migrantes e itinerantes. Momento culminante será a audiência com o Papa Francisco na sala Paulo VI na manhã de 26 de Outubro. Espera-se a participação de mais de 5.000 ciganos provenientes de todos os países da Europa, da América e da Ásia.

A peregrinação quer frisar a atitude de abertura da Igreja a quantos vivem às margens da sociedade. Em particular, a intenção é de salientar o gesto profético do Papa Montini e propor um «encontro das culturas», uma ocasião para dar a conhecer à opinião pública a história e as qualidades dos ciganos, muitas vezes vítimas de preconceitos e hostilidades.

O programa prevê a chegada dos participantes a partir de 23 de Outubro. Na manhã do dia seguinte, os peregrinos terão a possibilidade de visitar a cidade e, em especial, as catacumbas de São Calisto, de São Sebastião e de Santa Domitila. Às 18h30 terá início, na área do Coliseu, a celebração da Via-Sacra, presidida pelo cardeal vigário Agostino Vallini.

Para o meio-dia de domingo, 25 de Outubro, no santuário de Nossa Senhora do Amor Divino, está programada a celebração da missa presidida pelo cardeal Antonio Maria Vegliò, presidente do dicastério para os migrantes e itinerantes. A jornada terminará na basílica de Santa Maria «in Trastevere», com um concerto de música cigana. Na manhã do dia seguinte, depois da audiência com o Papa, a peregrinação concluir-se-á com a visita dos peregrinos à basílica de São Pedro.

Jesus não condena a riqueza, mas o apego à riqueza

Jesus não condena a riqueza, mas o apego à riqueza

Cidade do Vaticano (RV) - “Jesus não condena a riqueza, mas o apego à riqueza que divide as famílias e provoca as guerras”. Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta segunda-feira (19/10), na Casa Santa Marta.

“O apego às riquezas é uma idolatria”, disse ainda o Pontífice. O Santo Padre recorda que não é possível “servir a dois senhores”: ou se serve a Deus ou ao dinheiro. Jesus “não é contra as riquezas”, mas adverte contra colocar a própria segurança no dinheiro que pode fazer da religião uma agência de seguros. Além do mais, o apego ao dinheiro divide, como diz o Evangelho que fala de “dois irmãos que brigam por causa da herança”:

“Pensemos nas muitas famílias que conhecemos que brigaram, brigam, não se saúdam, se odeiam por causa de herança. Este é um dos casos. O mais importante não é o amor pela família, o amor pelos filhos, pelos irmãos, pelos pais, não, mais o dinheiro. Isso destrói. Também as guerras, as guerras que vemos hoje destroem. Sim. Existe um ideal, mas por trás está o dinheiro: o dinheiro dos traficantes de armas, o dinheiro daqueles que tiram proveito das guerras. Isso acontece na família. Todos nós conhecemos pelo menos uma família assim. Jesus é claro: Tenham cuidado e fiquem longe de todos os tipos de cobiça: é perigoso. A cobiça nos dá a segurança que não é verdadeira e nos leva sim a rezar - você pode rezar, ir à igreja, mas também ter um coração apegado, e no fim isso termina mal”.

Jesus conta a parábola de um homem rico, “um empresário bom”, cuja “colheita tinha sido abundante” e “estava cheiro de riquezas”...

“... E, em vez de pensar: ‘Mas compartilharei isso com meus trabalhadores, com os meus funcionários, para que eles também tenham um pouco mais para suas famílias’, pensava consigo mesmo: 'O que vou fazer, pois eu não tenho onde colocar a minha colheita? Ah, farei assim: vou demolir os meus celeiros e construirei outros maiores. Cada vez mais. A sede do apego às riquezas nunca termina. Se você tem seu coração ligado à riqueza - quando você tem tanta - você quer mais. E este é o deus da pessoa que está apegada às riquezas”.

O caminho da salvação - disse o Papa - é o das Bem-aventuranças: “o primeiro é a pobreza de espírito”, isto é, não estar apegado às riquezas que - se você possuir - são “para o serviço dos outros, para compartilhar, para fazer ir avante tantas pessoas”.

E o sinal de que não estamos “neste pecado de idolatria” é dar esmolas, é dar “aos necessitados” e dar não o supérfluo, mas o que me custa “algumas privações”, porque talvez “é necessário para mim”. “Este é um bom sinal. Isso significa que é maior o amor por Deus que o apego às riquezas. “Portanto, há três perguntas que podemos fazer:

“Primeira pergunta: ‘Dou?. Segunda: ‘Quanto dou?’. Terceira pergunta: 'Como dou? Como Jesus dá, com a carícia do amor ou como quem paga um imposto? Como dou?'. ‘Mas padre, o que o senhor quer dizer com isso?’. Quando você ajuda alguém, você olha nos olhos? Toca a sua mão? É a carne de Cristo, é o seu irmão, sua irmã. E você naquele momento é como o Pai que não deixa faltar o alimento para as aves do Céu. Com quanto amor o Pai dá. Peçamos a Deus a graça de estar livres desta idolatria, do apego às riquezas; a graça de olhar para Ele, tão rico em seu amor e tão rico em generosidade, na sua misericórdia; e a graça para ajudar os outros com o exercício da caridade, mas como ele faz. ‘Mas, padre, Ele não se privou de nada ...’. Jesus Cristo, sendo igual a Deus, se privou disso, abaixou-se, esmagou-se, e também Ele se privou”. (MJ-SP)

(from Vatican Radio)

Papa: Card. Martini promoveu sinodalidade sem temer diferenças

Papa: Card. Martini promoveu sinodalidade sem temer diferenças

Cidade do Vaticano (RV) – O Cardeal Carlo Maria Martini (1927-2012) era “atento em promover e acompanhar no interno da comunidade eclesial o estilo de sinodalidade tão auspiciado pelo Concilio Vaticano II. Isso requer, de um lado, ouvir e discernir o que o Espírito move na consciência do povo de Deus, na variedade de seus componentes; de outro, o cuidado a fim que as diferenças não enveredem em um conflito destrutivo. Sem ter medo das tensões ou das contestações, que todo impulso profético traz consigo (pro veritate adversa diligere era o seu lema episcopal), o cardeal sempre procurou desarmar a carga explosiva e, com sensibilidade e afeto pela Igreja, transforma-las em ocasiões importantes de um processo de mudança e de crescimento na comunhão”.

Foi o que escreveu o Papa na introdução que o Pontífice quis fazer à Obra Completa do biblista que foi Arcebispo de Milão de 1979 a 2002, cuja apresentação da primeira parte – "Cátedra dos que não crêem" –, foi publicada nesta segunda-feira (19/10) na Itália pelo jornal Corriere della Sera. Trata-se de um documento particularmente significativo uma vez que atesta a estima que o jesuíta Bergoglio tem pelo falecido coirmão jesuíta Martini.

“Também diante de situações contrastantes – escreve o Papa – ele sempre evitou a contraposição, que não conduz a nenhuma solução, pensando, ao invés, de forma criativa em termos de alternativas. Ele não queria fazer concessões a modismos ou a pesquisas sociológicas: no fundo trazia somente uma pergunta: 'De que maneira Jesus Cristo, vivo na Igreja, é hoje fonte de esperança?', assumindo com fidelidade a missão da Igreja de anunciar misericórdia e verdade. Ao mesmo tempo tinha consciência da presença na Igreja de tantas diferentes sensibilidades de acordo com os contextos culturais, que não podem ser integradas sem um debate livre e humilde. Propunha a necessidade de um instrumento de confronto universal e credível para afrontar os temas ‘com liberdade’ no pleno exercício da colegialidade episcopal, escutando o Espírito e olhando ao bem comum da Igreja e de toda a humanidade’. Quando se procura a vontade de Deus existem sempre pontos de vistas diversos e é preciso procurar espaços para escutar o Espírito Santo e permiti-Lo de operar em profundidade, como estamos experimentando em ocasião dos Sínodos sobre a Família. Com este estilo pastoral e espiritual de diálogo, o cardeal Martini não procurou somente envolver os membros da comunidade eclesial”, concluiu assim Francisco o seu prefácio. (aska/RB)

(from Vatican Radio)

Com o Sínodo, família recupera seu espaço na Igreja

Com o Sínodo, família recupera seu espaço na Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – Colocar a família no devido lugar no contexto da ação pastoral da Igreja: para o Arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, este é um dos saldos deste Sínodo sobre a família.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Dom Geraldo falou dos aspectos que se sobressaíram em seu grupo de trabalho:

“Eu gostaria de sublinhar a ênfase que se tem dado à pastoral familiar. E quando falamos de pastoral familiar nós não estamos nos referindo apenas a uma atividade determinada, mas como algo transversal, que deve atingir numa pastoral assumida em conjunto toda a atividade da Igreja. Parece-me que, com o Sínodo, a família recupera um espaço muito importante na vida da Igreja. Não é apenas programar ações a favor da família. É isto e muito mais. É colocarmos a família no devido lugar no contexto da ação pastoral da Igreja. Este parece que é um ganho extraordinário e será um dos grandes saldos deste Sínodo que já está por se encerrar.”

RV:- Há um tema em especial que concentrou os debates no seu círculo menor?

Dom Geraldo:- “Eu diria que o leque se abriu, porque além das questões melindrosas, difíceis, complexas como se tem levantado, a situação dos divorciados e recasados civilmente, debateu-se a questão dos desafios que a família vive hoje nas realidades de violência. Seja a família como vítima de violências, as guerras, os atentados, o problema das drogas, seja também a violência no interior da própria família, que infelizmente em muitas situações acontece. E, em geral, vítimas dessas violências são as mulheres e as crianças. Tudo isso foi muito considerado e o leque foi se abrindo. O Sínodo não se deteve apenas em alguns aspectos, por mais que gerem expectativa na opinião pública, entretanto o tema do Sínodo é muito amplo. Parece-me que o grupo do qual participei esse leque se manteve aberto nessas várias perspectivas.”

(BF)

(from Vatican Radio)

Pedagogia e acolhimento para resolver crise migratória

Pedagogia e acolhimento para resolver crise migratória

Roma (RV) - “Quando formos capazes de abater os últimos muros e sentar-nos à mesa com o pobre, olhando-o face a face e reconhecendo-o como irmão, teremos dado o último passo necessário.”

Foi o que disse à agência missionária AsiaNews o arcebispo de Agrigento e presidente da Caritas Itália, Cardeal Francesco Montenegro.

O purpurado participa estes dias dos trabalhos do Sínodo ordinário sobre a família em andamento no Vaticano. E acrescenta: “Para resolver a crise dos migrantes é necessário um empenho pedagógico que transforme a tolerância em acolhimento”.

O presidente da Cáritas Itália tem ideias claras sobre o “esforço a mais” pedido pelo Papa Francisco à Igreja italiana para o acolhimento aos migrantes, e sobre o papel que a Caritas tem nesse empenho:

“Creio que o papel principal da Caritas seja pedagógico, que jamais se pode esquecer. A Caritas precisa ajudar a comunidade à cultura do acolhimento, porque nem sempre essa cultura é vivida e é visível. E propriamente porque tem um valor pedagógico, precisa dos fatos.”

O fato em questão é simples: “Se a meu lado tenho um irmão que sofre, que precisa, então devo fazer de modo que o amor entre em ação. E esse amor não se mede por aquilo que dou, mas por aquilo de que abro mão. A Caritas convida as comunidades cristãs a dar aquele passo a mais de generosidade e de doação, privando-se de algo para dar lugar ao outro”.

A Itália tem uma história nobre de acolhimento, mas em tempos recentes foram feitas muitas polêmicas sobre o tema: “Creio que os muros sobre a imigração ainda não tenham caído todos. Que a Itália seja acolhedora, demonstrou de muitas maneiras, mas que esse acolhimento possa transformar-se em disponibilidade, ainda deve ser demonstrado”.

“Recordo-me das palavras de Dom Bello, que dizia: ‘A convivência entre os povos não é somente servir ao pobre à mesa, mas sentar-se à mesa com ele’. Talvez esse seja o passo ainda a ser dado”, enfatiza o Cardeal Montenegro.

Na prática, ressalta, trata-se de “descobrir que o outro é um irmão com o qual posso estar. E não se deve pensar que por encontrar alguém que não conheço, esse fato deve necessariamente suscitar sentimentos de medo.

Mesmo porque – explica o arcebispo de Agrigento - como o outro me faz sentir medo, devemos considerar que também eu posso suscitar medo nele. Então creio que devemos fazer ainda esse caminho, no qual o acolhimento seja visível.

“Muitas vezes, mais do que de integração, falamos de tolerância: permito-lhe estar perto de mim e você deve agradecer-me por não rejeitá-lo. Isso não é integração. A integração nasce quando juntos nos olhamos face a face e descobrimos que podemos percorrer o caminho que temos pela frente”, ponderou o cardeal. (RL)

(from Vatican Radio)

Sínodo: família não é somente um desafio, mas oportunidade para ser feliz

Sínodo: família não é somente um desafio, mas oportunidade para ser feliz

Cidade do Vaticano (RV) - Concluiu-se na manhã desta terça-feira, no Sínodo dos Bispos sobre a família, o trabalho dos Círculos menores sobre a terceira e última parte do Instrumentum laboris, dedicado ao tema “A missão da família hoje”.

Na parte da tarde, a apresentação, aos Padres sinodais, dos Relatórios dos 13 grupos linguísticos e, esta quarta-feira, a publicação destes.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, conduziu a coletiva do dia sobre os trabalhos sinodais, tendo três cardeais como convidados: o espanhol Lluís Martínez Sistach (arcebispo de Barcelona); o sul-africano Wilfrid Fox Napier (arcebispo de Durban); e o mexicano Alberto Suárez Inda (arcebispo de Morelia).

A família não é somente um desafio, mas também e, sobretudo, uma oportunidade para ser felizes: disse o Card. Sistach reiterando que a preparação para o matrimônio, quer remota, quer imediata, é fundamental para evitar separações e divórcios.

Em seguida, o purpurado deteve-se sobre o Motu proprio do Papa Francisco acerca da reforma dos processos de nulidade matrimonial e reiterou tratar-se de uma reforma em harmonia com a misericórdia da Igreja, mas à luz da indissolubilidade.

Desse modo, os casais que experimentaram um falimento podem refazer sua vida, de cabeça erguida, diante de Deus e da Igreja.

Daí, o apelo do purpurado espanhol a fim de que seja incrementada a gratuidade de tais processos. Na eventualidade de não ser possível encontrar a verdade objetiva e imediata, observou o Cardeal, o processo breve torna-se ordinário.

“Nem todos os Tribunais eclesiásticos das dioceses do mundo dispõem de pessoas adequadamente preparadas” no setor, concluiu o arcebispo de Barcelona, e, portanto, o desafio se encontra também nesse campo.

A família constitui a base da sociedade, é sua célula fundamental, reiterou, por sua vez, o Cardeal Suárez Inda, fazendo votos de que todas as instituições atuem em defesa da família. Em seguida, o purpurado mexicano deteve-se sobre o drama dos migrantes, cuja situação cria muitas dificuldades às famílias não somente por causa da distância geográfica, mas também pelo aspecto normativo que por vezes impede a reunificação familiar.

A esse propósito, o arcebispo de Morelia agradeceu aos bispos dos EUA pelo grande trabalho de acolhimento que fazem com os migrantes mexicanos.

Outra chaga que atinge as famílias é a da criminalidade organizada e da globalização que muitas vezes deixa os jovens sozinhos, no processo educacional, ressaltou o purpurado.

Em seguida, em relação aos processos de nulidade matrimonial, afirmou: “Nós, bispos, temos agora uma maior responsabilidade, o Papa reconhece-nos como juízes misericordiosos a nível diocesano e, portanto, devemos ser testemunhas da Igreja, mãe de ternura”.

Por fim, respondendo à pergunta de um jornalista a propósito de uma possível viagem do Papa ao México, o Cardeal Suárez afirmou:

“Sem dúvida, a visita do Papa é um motivo de imensa alegria.” As datas ainda não foram estabelecidas, mas certamente será uma viagem centralizada nos temas da reconciliação e da paz.

Seguramente, continuou o purpurado, o Santo Padre irá ao Santuário de Guadalupe e, talvez, tenha a oportunidade de visitar alguma casa de detenção e de encontrar os jovens, para dar esperança ao país.

Depois foi dado espaço à África, com a reflexão do Cardeal Napier:

“Os bispos africanos trouxeram uma lufada de otimismo ao Sínodo”, a exemplo de Deus, mas também do Papa Francisco, afirmou o purpurado, que em seguida voltou seu olhar para os leigos, sobretudo para as famílias felizes.

“São eles – disse – que de certo modo indicam ao Sínodo a direção a ser tomada. É importante, portanto, concentrar-se na vocação e missão da família na Igreja de hoje e acompanhar os cônjuges, tanto antes quanto depois do matrimônio, porque se reforma a Igreja reformando a família, que constitui sua base.

Por fim, interpelado pela imprensa sobre a carta enviada por alguns cardeais ao Papa, o purpurado sul-africano reiterou: era uma missiva reservada ao Pontífice e estava muito no espírito daquilo que ele disse, ou seja, falar com sinceridade e ouvir com humildade.

Em todo caso, concluiu o arcebispo de Durban, trabalhando junto no Sínodo, nós, bispos, reencontramos o espírito de colegialidade, sempre buscando fazer o melhor da Igreja. (RL)

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(from Vatican Radio)

Sínodo: violência doméstica é problema mundial

Sínodo: violência doméstica é problema mundial

Cidade do Vaticano (RV) – A violência doméstica foi um dos temas debatidos pelos padres sinodais, seja em plenário, seja nos círculos menores.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o Arcebispo de Manaus (AM), Dom Sérgio Castriani, conta que ao expor o tema, vários outros bispos expuseram sua realidade, confirmando que a violência doméstica é um problema mundial:

“De fato, é uma realidade o abuso sexual de crianças e adolescentes, a violência contra as mulheres, e também o tráfico de pessoas. Depois, vários outros bispos tocaram no assunto, foi impressionante isto, de como este é problema mundial. Não é um problema só nosso do Brasil nem da Amazônia em particular, mas é um problema no mundo todo. Vários bispos do Oriente Médio, da África, colocaram isso, e também da Europa. Mas o sentido não é só apresentar o lado negativo, mas também o lado positivo, aquilo que a pastoral familiar está fazendo. E aquilo que a Conferência dos Religiosos do Brasil também está fazendo. Em Manaus, nós temos um programa com universidades e poder público de acompanhamento dessas crianças abusadas sexualmente – um trabalho que tem dado bons resultados. É um caminho. E o trabalho da Rede ‘Um grito pela vida’, que é das consagradas. Então meu objetivo era apresentar, de um lado, a situação da violência, que se confirmou. Aliás, há lugares no mundo onde a violência é muito maior. Nós tivemos testemunhos de bispos africanos, Boko Haram, Isis, estupros coletivos na Índia, é uma coisa que espanta muito, como no século 21 ainda tem tanto problema de violência. E a proposta é que a pastoral familiar e que a Igreja estejam atentas a isto. Nós temos os meios, não só sozinha, mas com profissionais qualificados, para atender esses casos na pastoral familiar.”

Na entrevista, Dom Sérgio fala ainda do trabalho da Igreja na prevenção da violência e da miséria, que está na raiz do problema.


(BF)

(from Vatican Radio)

Papa: "Deus não fica parado, Ele sai e nos dá amor desmedido"

Papa: "Deus não fica parado, Ele sai e nos dá amor desmedido"

Cidade do Vaticano (RV) - Deus doa sempre com generosidade a sua graça aos homens, que têm o hábito de “medir as situações”: entender a abundância do amor divino é sempre fruto de uma graça. Este foi o teor da homilia que o Papa desenvolveu durante a Missa da manhã, celebrada, como cotidianamente, na Casa Santa Marta.

Abundante: o amor de Deus pelos homens é assim. Com uma generosidade que o homem desconhece, porque é acostumado a dar migalhas quando decide doar alguma coisa. O Papa Francisco leu o trecho de São Paulo nesta chave. A salvação trazida por Jesus, que supera a queda de Adão, é uma demonstração desta doação com abundância. E a salvação, explica, “é a amizade entre nós e Ele”:

Um Deus que sai

“Como Deus dá, no caso da amizade, a nossa salvação? Dá como diz que dará a nós quando fazemos uma boa ação: nos dará uma medida boa, cheia, transbordante... Mas isto faz pensar na abundância e esta palavra é repetida três vezes neste trecho. Deus dá na abundância até o ponto de dizer a Paulo: ‘onde avultou o pecado, superabundou a graça’. Este é o amor de Deus: sem medida”.

Sem medidas, como o pai da parábola evangélica, que todos os dias observa o horizonte para ver se seu filho decidiu voltar. “O coração de Deus – afirma Francisco – não é fechado, é sempre aberto. E quando nós chegamos, como aquele filho, ele nos abraça e beija. É Deus que festeja”:

“Deus não é mesquinho: Ele não conhece a mesquinhez. Ele dá tudo. Deus não fica parado: Ele olha e espera que nós nos convertamos. Deus é um Deus que sai: sai para procurar, busca cada um de nós. Todos os dias Ele nos procura, está nos procurando. Como já fez e já diz, na Parábola da ovelha perdida ou da dracma perdida: procura. É sempre assim”.

Abraço sem medida

No céu, reitera ainda o Papa, “se faz mais festa” para um pecador que se converte do que para cem que permanecem justos. E todavia não é fácil, com nossos critérios humanos, pequenos e limitados, entender o amor de Deus. Entende-se por uma ‘graça’, como o compreendeu – recorda Francisco – a freira de 84 anos conhecida em sua diocese que andava pelos corredores do hospital falando, com um sorriso, sobre o amor de Deus aos doentes. Ela, conclui o Papa, teve o ‘dom de entender este mistério', esta superabundância do amor de Deus, que muitos não conseguem entender:

“É verdade, nós sempre temos o costume de medir as situações, as coisas, com medidas que possuímos, mas são medidas pequenas. Por isso, nos faria bem pedir ao Espírito Santo a graça de aproximarmo-nos pelo menos um pouco, para entendermos este amor e termos vontade de ser abraçados e beijados com a medida sem limites”.

(CM)



(from Vatican Radio)