sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diplomacia do Vaticano está mais dinâmica com Francisco

Cidade do Vaticano (RV) – A diplomacia do Vaticano está mais dinâmica: foi o que disse o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, nesta quinta-feira (19/01), durante seu discurso em Davos, no 47º Fórum Mundial da Economia.
“A atividade diplomática da Santa Sé aumentou muito, principalmente em razão da personalidade do Papa Francisco: isso é claro. Ele assumiu um papel de grande líder, de guia para os desafios globais presentes. E é reconhecido como um líder global. Quando recebemos no Vaticano as delegações de diversos Estados ou de diversas organizações, normalmente reconhecem este papel. Isso ficou muito claro, por exemplo, na Conferência de Paris sobre as mudanças climáticas. Esta é, portanto, uma das razões pelas quais a diplomacia do Vaticano hoje está mais dinâmica”, declarou o Cardeal.
O Secretário de Estado recordou que o Pontífice, após a sua eleição, delineou três objetivos para a diplomacia do Vaticano: “O primeiro: lutar contra a pobreza. O segundo: construir pontes. Muitas vezes, quando lhe perguntam o que fazer em situações difíceis, de conflito e confronto, ele responde dizendo: ‘diálogo, diálogo, diálogo!’. O terceiro objetivo – explicou o Cardeal – é aquele de alcançar a paz no mundo. E seguindo estas três linhas, procuramos intervir nas situações onde é possível intervir”.

Papa agradece e aprecia mostra sobre história dos Jubileus

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu na Sala do Consistório, no Vaticano, nesta quinta-feira (19/01), cerca de sessenta organizadores da mostra ‘Antiquorum Habet’ sobre a história dos Jubileus.
Depois de saudar o Presidente do Senado italiano, Pietro Grasso, o Papa manifestou apreço pela mostra sobre a história dos Jubileus, realizada no Senado da República, no ano passado. Este evento “documentou vários aspectos dos Anos Santos, a partir do primeiro, convocado pelo Papa Bonifácio VIII com a Bula Antiquorum habet”. 
“Do ano 1300 em diante, todo Jubileu marcou a história de Roma: da arquitetura ao acolhimento dos peregrinos; da arte às atividades assistenciais e caritativas. Porém, há um elemento essencial, o coração de todo Ano Santo que não deve ser perdido de vista: no Jubileu se encontram a bondade de Deus e a fragilidade do homem, que sempre precisa do amor e do perdão do Pai. É próprio de Deus usar misericórdia e nisso se manifesta a sua onipotência.”
“Em seu discurso, o senhor citou o acolhimento como ponto central de todo Jubileu. Este é o grande acolhimento: Quando Deus nos acolhe, sem perguntar muitas coisas, nos perdoa, nos abraça, nos beija e nos diz carinhosamente: meu filho, minha filha”, disse o Papa ao Presidente Grasso. 
Francisco agradeceu os organizadores, voluntários e o Senado que hospedou a mostra em prol da conscientização histórica e cultural dos visitantes. Pediu a cada um para continuar extraindo da experiência jubilar frutos espirituais abundantes e duradouros.

Francisco: cristãos já estão unidos no serviço aos necessitados

Cidade do Vaticano (RV) – Por ocasião da festa de Santo Henrique, o Papa recebeu no Vaticano uma delegação ecumênica da Finlândia.
Ao agradecer esta tradicional visita, que coincide com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Pontífice renovou seus votos em prol do ecumenismo.

“De fato, afirmou, o verdadeiro ecumenismo se baseia na conversão comum a Jesus Cristo. Se nos aproximamos Dele juntos, também nos aproximaremos uns dos outros.”
Neste caminho ecumênico, Francisco ressaltou um etapa significativa nos campos humano, teológico e espiritual realizada recentemente: sua visita a Lund, na Suécia, em 31 de outubro de 2016, para comemorar o início da Reforma. A intenção de Martinho Lutero 500 anos, ressaltou, era renovar a Igreja e não dividi-la.
Portanto, o encontro em Lund “nos deu a coragem e a força de olhar avante no caminho que somos chamados a percorrer juntos”. Depois de 50 anos de diálogo oficial entre católicos e luteranos, analisou o Papa, “conseguimos expor claramente as perspectivas sobre as quais hoje estamos de acordo. Ao mesmo tempo, mantemos vivo no coração o arrependimento sincero por nossas culpas”.
Para Francisco, este ano comemorativo da Reforma representa para católicos e luteranos uma ocasião privilegiada para viver de maneira mais autêntica a fé, de modo especial reforçando a parceria para amparar os que mais sofrem, quem se encontra em dificuldade e quem está exposto a perseguições e violências. “Ao fazer isto, como cristãos não estamos mais divididos, mas estamos unidos no caminho rumo à plena comunhão.”
Em seu discurso, o Papa mencionou ainda algumas datas significativas para a Finlândia em 2017. Além da Reforma, o país celebra o centenário do Conselho Ecumênico Finlandês e os 100 anos de independência como Estado.
“Que este aniversário possa encorajar todos os cristãos do país a professarem a fé no Senhor Jesus Cristo – como fez com grande zelo Santo Henrique – testemunhando-a hoje diante do mundo e traduzindo-a também em gestos concretos de serviço, de fraternidade e de compartilha”, foram os votos do Pontífice, que concluiu de maneira informal:
“Querido irmão Bispo, gostaria de lhe agradecer pelo bom gosto de ter trazido seus netos. Precisamos da simplicidade das crianças. Elas vão nos ensinar o caminho para Jesus Cristo!” 

Papa: a vida cristã é uma luta contra as tentações

Cidade do Vaticano (RV) - “A vida cristã é uma luta. Deixemo-nos atrair por Jesus”, foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã desta quinta-feira (19/01).  
O Pontífice se deteve na passagem do Evangelho do dia que fala sobre a grande multidão que seguia Jesus com entusiasmo e que vinha de todos os lugares. “Por que vinha essa multidão?”, perguntou o Papa. O Evangelho nos diz que havia “doentes que queriam ser curados”. Mas havia também pessoas que gostavam de “ouvir Jesus, porque falava não como os seus doutores, mas com autoridade” e “isso tocava o coração”. Essa multidão “vinha espontaneamente. Não era levada de ônibus, como vemos muitas vezes quando se organizam manifestações e muitos devem verificar a presença para não perder o trabalho”. 
O Pai atrai as pessoas a Jesus
Essas pessoas iam porque sentiam alguma coisa a ponto de Jesus pedir um barco e ir um pouco distante da margem: 
“Esta multidão ia até Jesus? Sim! Precisava? Sim! Alguns eram curiosos, mas esses eram os céticos, a minoria. Esta multidão era atraída pelo Pai: era o Pai que atraia as pessoas a Jesus a tal ponto que Jesus não ficava indiferente, como um mestre estático que dizia as suas palavras e depois lavava as mãos. Não! Esta multidão tocava o coração de Jesus. O Evangelho nos diz: Jesus se comoveu, porque via essas pessoas como ovelhas sem pastor. O Pai, através do Espírito Santo, atraia as pessoas a Jesus.”
O Papa disse que não sãos os argumentos que movem as pessoas, não são “os assuntos apologéticos”. “Não”, frisou, “é necessário que o Pai nos atraia a Jesus”. 
A vida cristã é uma luta contra as tentações
Por outro lado, é “curioso” que este trecho do Evangelho de Marcos, que “fala de Jesus, da multidão, do entusiasmo” e do amor do Senhor, acabe com os espíritos impuros, que quando O viam, gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”:
“Esta é a verdade; esta é a realidade que cada um de nós sente quando Jesus se aproxima. Os espíritos impuros tentam impedi-lo, nos fazem guerra. ‘Mas, Padre, eu sou muito católico; sempre vou à missa… Mas jamais, jamais tenho essas tentações. Graças a Deus!’ – ‘Não! Reze, porque você está no caminho errado!’. Uma vida cristã sem tentações não é cristã: é ideológica, é gnóstica, mas não é cristã. Quando o Pai atrai as pessoas a Jesus, há outro que atrai de modo contrário e provoca a guerra interior! E por isso Paulo fala da vida cristã como uma luta: uma luta de todos os dias. Uma luta!”
Uma luta, retomou, “para vencer, para destruir o império de satanás, o império do mal”. E por isso, disse, “Jesus veio para destruir, para destruir satanás! Para destruir a sua influência nos nossos corações”. O Pai, retomou, “atrai as pessoas a Jesus”, enquanto “o espírito do mal tenta destruir, sempre!”. 
Estamos lutando contra o mal?
A vida cristã, disse ainda o Papa, “é uma luta assim: ou você se deixa atrair por Jesus, para o Padre, ou pode dizer ‘eu fico tranquilo, em paz’”. Se quiser ir avante, “é preciso lutar!”, exortou o Papa. Sentir o coração que luta, para que Jesus vença”:
“Pensemos em como está o nosso coração: eu sinto esta luta no meu coração? Entre a comodidade ou o serviço aos outros, entre o divertir-me um pouco ou rezar e adorar o Pai, entre uma coisa e outra, sinto a luta? A vontade de fazer o bem ou algo me detém, me torna ascético? Eu acredito que a minha vida comova o coração de Jesus? Se eu não acredito nisto, devo rezar muito para acreditar, para que me seja concedida esta graça. Que cada um de nós busque no seu coração como está esta situação ali. E peçamos ao Senhor para sermos cristãos que saibam discernir o que acontece no próprio coração e escolher bem o caminho pelo qual o Pai nos atrai a Jesus”.

Papa: cristãos devem superar mentalidade egoísta

Cidade do Vaticano (RV) – Vencer a mentalidade egoísta dos doutores da lei, que condena sempre. Esta é a advertência de Francisco na Missa matutina na Casa Santa Marta (20/01).
Inspirando-se na Primeira Leitura, extraída da Carta aos Hebreus, o Papa destacou que a nova aliança que Deus faz conosco em Jesus Cristo nos renova o coração e nos muda a mentalidade.
Deus renova tudo “na raiz, não somente na aparência”, disse o Papa, afirmando que esta nova aliança tem as suas características. A primeira: “a lei do Senhor não é um modo de agir externo”, entra no coração e “nos muda a mentalidade”. Na nova aliança, afirmou, “há uma mudança de mentalidade, há uma mudança de coração, uma mudança no sentir, no modo de agir”, “um modo diferente de ver as coisas”.
Superar e mentalidade egoísta
Francisco cita como exemplo uma obra à qual um arquiteto pode olhar com frieza, com inveja ou, pelo contrário, com uma atitude de alegria e “benevolência”:
“A nova aliança nos muda o coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da lei que perseguiam Jesus. Eles faziam tudo, tudo o que estava prescrito pela lei, tinham o direito em mãos, tudo, tudo, tudo. Mas sua mentalidade era uma mentalidade distante de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada sobre si mesmos: o coração deles era um coração que condenava, sempre condenando. A nova aliança nos muda o coração e nos muda a mente. Há uma mudança de mentalidade”.
Deus perdoa os nossos pecados; a nova aliança muda a nossa vida
O Senhor, acrescentou o Papa, vai avante e nos garante que perdoará as iniquidades e não se recordará mais dos nossos pecados. Às vezes, comentou, “gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: “O Senhor não tem boa memória”... É a fraqueza de Deus, explicou, que, quando perdoa, esquece:
“Ele esquece porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor... mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Eis a verdadeira recriação do Senhor”.
Enfim,  o Papa voltou a atenção ao terceiro ponto, a “mudança de pertença”. “Nós pertencemos a Deus, os outros deuses não existem”, “são bobeiras”.  
O Senhor muda o nosso coração para mudar a nossa mentalidade
“Mudança de mentalidade, mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. “Esta é a recriação que o Senhor faz melhor que a primeira criação”. “Peçamos ao Senhor para ir adiante nesta aliança de ser fiéis”, disse o Papa acrescentando:
“O sigilo desta aliança, desta fidelidade. Ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer à mundanidade, ao espírito do mundo, às coisas efêmeras do mundo, mas somente ao Senhor”.