domingo, 22 de novembro de 2015

Angelus: o amor é a força do reino de Cristo

Angelus: o amor é a força do reino de Cristo

Cidade do Vaticano (RV) – Milhares de fiéis rezaram com o Papa Francisco o Angelus este domingo de sol e frio na capital italiana.

Na Praça S. Pedro, antes da oração mariana, o Papa recordou a solenidade de Cristo Rei do Universo. O Evangelho, disse Francisco, nos faz contemplar Jesus enquanto se apresenta a Pilatos como rei de um reino que “não é deste mundo”.

“Isto não significa que Cristo seja rei de outro mundo, mas que é rei de outro modo, mas é rei neste mundo”, explicou, acrescentando que se trata de uma contraposição entre duas lógicas. A lógica mundana se fundamenta na ambição e na competição, combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A  lógica evangélica, ao invés, se expressa na humildade e na gratuidade, se afirma silenciosa, mas eficazmente com a força da verdade.

Na falência, o amor

Mas é na Cruz que Jesus se revela rei: “Mas alguém pode dizer: ‘Padre, isto foi uma falência'. Mas é justamente na falência do pecado, das ambições humanas, que está o triunfo da Cruz, da gratuidade do amor. Na falência da Cruz se vê o amor.”

Falar de potência e de força para o cristão, disse o Papa, significa fazer referência à potência da Cruz e à força do amor de Jesus. Se Ele tivesse descido da Cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo; ao invés, Ele não salva a si mesmo para poder salvar os outros.

"Dizer que Jesus deu a vida pelo mundo é verdadeiro, mas é mais bonito dizer que Jesus deu a sua vida por mim”, afirmou Francisco, que pediu a todos na Praça que repetissem essas palavras em seus corações.

Bom ladrão

No Calvário, quem entende a atitude de Cristo é o bom ladrão, um dos malfeitores crucificados com Ele, que suplica: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres com teu reino”.

“A força do reino de Cristo é o amor: por isto a realeza de Jesus não nos oprime, mas nos liberta das nossas fraquezas e misérias, encorajando-nos a percorrer os caminhos do bem, da reconciliação e do perdão.” E mais uma vez o Papa pediu a participação dos peregrinos, convidando-os a repetirem as palavras do bom ladrão quando nos sentirmos fracos, pecadores e derrotados.

E concluiu: “Diante de tantas dilacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos a Nossa Senhora que nos ampare no nosso esforço para imitar Jesus, nosso rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia.”

Francisco pede orações por sua viagem à África

Francisco pede orações por sua viagem à África

Cidade do Vaticano (RV) – Ao final do Angelus deste domingo (22/11), o Papa pediu orações aos fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro, por sua iminente viagem à África:

“Quarta-feira que vem, inicio a viagem à África, visitando Quênia, Uganda e a República Centro-Africana. Peço a todos vocês que rezem por esta viagem, para que seja para todos esses queridos irmãos, e também para mim, um sinal de proximidade e de amor. Peçamos juntos a Nossa Snehora que abençoe essas terras queridas, para que haja paz e prosperidade”, disse o Papa, que rezou com os peregrinos uma Ave-Maria.

Rádio Vaticano

O Programa Brasileiro prepara uma programação especial para a 11ª Viagem Apostólica do Papa. Serão 19 transmissões ao vivo, com comentários em português.

Em Nairóbi, entre as principais atividades, Francisco vai conhecer a realidade das favelas da capital queniana e falar aos jovens no estádio da cidade. Também visitará a sede da ONU no país.

Em Uganda, destaque para a visita aos santuários dos mártires católicos e anglicanos e para o encontro com os jovens na capital Campala. Em Bangui, Francisco conhecerá um campo de refugiados antes de presidir à missa de encerramento da viagem com abertura da Porta Santa.

Barcelona

Ainda após o Angelus, o Papa recordou a beatificação ocorrida no sábado, em Barcelona, de Ferderico de Berga e 25 companheiros mártires, capuchinhos, assassinados na Espanha durante a feroz perseguição contra a Igreja no século passado.

“Confiemos a intercessão deles os nossos muitos irmãos e irmãs que, infelizmente ainda hoje, em várias partes do mundo, são perseguidos por causa da fé em Cristo.”

Papa condena violência "cega" no Mali

Papa condena violência "cega" no Mali

Cidade do Vaticano (RV) – “Violência cega”: assim o Papa definiu o atentado num hotel em Bamaco, no Mali, que na sexta-feira (20/11) matou 21 pessoas, entre as quais dois terroristas.

Num telegrama assinado pelo Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, o Pontífice se une em oração à dor das famílias em luto e à tristeza dos malianos. Francisco confia todas as vítimas à misericórdia de Deus, implorando Dele conforto e consolação aos feridos.

“Consternado com esta violência cega, que condena veementemente, o Papa pede a Deus a conversão dos corações e o dom da paz”, lê-se no texto, endereçado ao Arcebispo de Bamaco, Dom Jean Zerbo.

No atentado, 19 estrangeiros morreram e sete ficaram feridos no hotel Radisson Blu. O grupo responsável pelo ataque é Murabitun, antigamente ligado a Al Qaeda. O Chefe de Estado, Ibrahim Boubacar Keita, decretou estado de emergência em todo o país por dez dias e três dias de luto nacional.

Papa: escola deve ensinar valores, não só conceitos

Papa: escola deve ensinar valores, não só conceitos

Cidade do Vaticano (RV) – Milhares de educadores e estudantes de todo o mundo se reuniram com o Papa Francisco na manhã de sábado (21/11) na Sala Paulo VI, no Vaticano, no encerramento do Congresso Mundial promovido pela Congregação para a Educação Católica.

A modalidade do encontro foi de testemunhos e perguntas feitas por estudantes e professores e respostas por parte do Pontífice, que não tinha um discurso pronto. Para Francisco, não se pode falar de educação católica sem falar de humanisno.

Transcendência

“Educar de modo cristão não é fazer uma catequese, proselitismo, é levar avante os jovens e as criaças nos valores humanos em toda a realidade. E uma dessas realidades é a transcendência”, disse o Papa, que considera o fechamento à transcendência a maior crise educacional.

O Pontífice lamentou a educação seletiva e elitista. “Parece que têm direito à educação os povos que tem certo nível, certa capacidade. Mas certamente não têm direito à educação todas as crianças. Esta é uma realidade mundial que nos envergonha, que nos leva rumo a uma seletividade humana que, ao invés de aproximar os povos, os afasta. Afasta os ricos dos pobres, uma cultura de outra.”

O Papa falou ainda do fenômeno da exclusão, que leva à ruptura do pacto educativo entre a família e a escola, entre a família e o Estado. “Os trabalhadores mais mal pagos são os educadores. Isso significa que o Estado não tem interesse”, criticou.

Um grande pensador brasileiro

Para ele, o trabalho do educador é buscar novos caminhos na educação informal, como as artes e os desportos. E o Papa chamou em causa os brasileiros, citando implicitamente Paulo Freire:

“Um grande educador brasileiro dizia que na escola formal devia-se evitar cair somente num ensino de conceitos. A verdadeira escola deve ensinar conceitos, hábitos e valores. Quando uma escola não é capaz de fazer isso, esta escola é seletiva, exclusiva e para poucos”, disse Francisco, acrescentando que o critério de seleção puramente racional tem como base “o fantasma do dinheiro”.

Quanto à figura do educador, o Pontífice considera que este deve saber arriscar; caso contrário, não pode educar.

“Arriscar significa ensinar a caminhar, ensinar que uma perna deve estar firme e, a outra, deve tentar avançar. Educar é isto. O verdadeiro educador deve ser mestre de risco, mas de risco consciente.”

Periferias

Francisco falou ainda da necessidade de ir às periferias. No campo educativo, afirmou, significa acompanhar os alunos no crescimento, não somente fazer beneficência e dar de comer e ensinar a ler. Significa segurar pelas mãos e caminhar juntos, fazer com que os jovens de periferia, feridos em sua humanidade, “cresçam em humanidade, em inteligência, em valores e em hábitos”.

“A maior falência de um educador é educar ‘dentro dos muros’: muros de uma cultura seletiva, muros de uma cultura de segurança, os muros de um setor social elevado.”

Por fim, o Papa deu como “lição de casa” aos presentes que repensem as obras de misericórdia na educação.  “Como posso fazer para que este Amor do Pai, que é especialmente ressaltado neste Ano da Misericórdia, chegue às nossas obras educativas?”

O Pontífice concluiu agradecendo aos educadores “mal pagos” por tudo o que fazem, encorajando-os a prosseguirem. “Devemos reeducar tantas civilizações!”

Francisco: onde está Jesus não há lugar para a corrupção

Francisco: onde está Jesus não há lugar para a corrupção

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa celebrou a missa na manhã desta sexta-feira (20/11), na Casa Santa Marta.

A sua homilia partiu da primeira leitura extraída do Livro dos Macabeus, que narra a alegria do povo pela reconsagração do Templo profanado pelos pagãos e pelo espírito mundano.

O Papa comentou a vitória dos que foram perseguidos pelo pensamento único. O povo de Deus festeja, porque reencontra “a própria identidade”. “A festa – explica – é algo que a mundanidade não sabe fazer, não pode fazer! O espírito mundano nos leva, no máximo, a nos divertir um pouco, a fazer um pouco de barulho, mas a alegria vem somente da fidelidade à Aliança”. No Evangelho, Jesus expulsa os mercantes do Templo, dizendo: “Está escrito: a minha casa será casa de oração. Vocês, ao invés, fizeram um covil de ladrões”. Assim como durante a época dos Macabeus o espírito mundano “tinha tomado o lugar da adoração ao Deus Vivo”. Agora, isso acontece de outra maneira:

“Os chefes do Templo, os chefes dos sacerdotes – diz o Evangelho – e os escribas tinham mudado um pouco as coisas. Entraram num processo de degradação e tornaram o Templo ‘sujo’. Sujaram o Templo! O Templo é um ícone da Igreja. A Igreja sempre – sempre! – sofrerá a tentação da mundanidade e a tentação de um poder que não é poder que Jesus Cristo quer para ela! Jesus não diz: ‘Não, isso não se faz. Façam fora’. Diz: ‘Vocês fizeram um covil de ladrões aqui!’. E quando a Igreja entra neste processo de degradação, o fim é muito feio. Muito feio!”.

É o perigo da corrupção:

“Sempre há na Igreja a tentação da corrupção. É quando a Igreja, em vez de ser apegada à fidelidade ao Senhor Jesus, ao Senhor da paz, da alegria, da salvação, quando em vez de fazer isto, é apegada ao dinheiro e ao poder. Isso acontece aqui, neste Evangelho. Estes são os chefes dos sacerdotes, estes escribas eram apegados ao dinheiro, ao poder e esqueceram o espírito. E para se justificarem e dizer que eram justos, que eram bons, trocaram o espírito de liberdade do Senhor pela rigidez. E Jesus, no capítulo 23 de Mateus, fala desta rigidez. As pessoas tinham perdido o sentido de Deus, assim como a capacidade de ser alegres, também a capacidade de louvar: não sabiam louvar a Deus, porque eram apegadas ao dinheiro e ao poder, a uma forma de mundanidade, como o outro no Antigo Testamento”.

Escribas e sacerdotes ficam com raiva de Jesus:

“Jesus não expulsava do Templo os sacerdotes, os escribas; expulsava estes que faziam negócios, os mercantes do Templo. Mas os chefes dos sacerdotes e dos escribas tinham ligações com eles: havia a ‘santa propina’ lá! Recebiam deles, eram apegados ao dinheiro e veneravam esta 'santa'. O Evangelho é muito forte. Diz: ‘os chefes dos sacerdotes e os escribas tentavam matar Jesus e assim também os chefes do povo’. A mesma coisa que acontecera nos tempos de Judas o Macabeu. E por que? Por este motivo: ‘Mas não sabiam o que fazer porque todo o povo seguia suas palavras’. A força de Jesus era a sua palavra, o seu testemunho, o seu amor. E onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade, não há lugar para a corrupção! E esta é a luta de cada um de nós, esta é a luta quotidiana da Igreja: sempre Jesus, sempre com Jesus, sempre seguindo suas palavras; e jamais procurar seguranças onde existem outras coisas e um outro patrão. Jesus nos havia dito que não se pode servir a dois patrões: ou Deus o as riquezas; ou Deus ou o poder”.

“Nos fará bem – concluiu o Papa – rezar pela Igreja. Pensar aos tantos mártires de hoje que, para não entrar neste espírito de mundanidade, de pensamento único, de apostasia, sofrem e morrem. Hoje! Hoje existem mais mártires na Igreja que nos primeiros dias. Pensemos. Nos fará bem pensar a eles. E também pedir a graça de jamais, jamais entrar neste processo de degrado em direção à mundanidade que nos leva ao apego ao dinheiro e ao poder”.

Parolin: do Papa na África o apelo juntos pela paz

Parolin: do Papa na África o apelo juntos pela paz

Cidade do Vaticano (RV) - Muita expectativa pela primeira viagem do Papa Francisco à África. O pontífice visitará, de 25 a 30 de novembro, Quênia, Uganda e República Centro-Africana.

Sobre este evento importante o Centro Televisivo Vaticano entrevistou o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

Eminência, o Papa iniciará sua viagem à África pelo Quênia onde, em abril passado, 147 estudantes foram mortos por fundamentalistas islâmicos, assim como os jovens trucidados em Paris. Fará um novo apelo aos fieis de todas as religiões?

Cardeal Parolin: “Sim. Acredito que o Papa terá em sua mente e em seu coração as imagens tristes dos 147 estudantes mortos no Quênia e das pessoas, sobretudo jovens, trucidadas em Paris. Esta será uma ocasião para renovar o apelo que o Papa continuamente faz, aos pertencentes a todas as religiões, a não usar o nome de Deus para justificar a violência. Ele disse no Angelus do último domingo que isso é blasfêmia. Portanto, não é absolutamente louvar a Deus, mas ofender de maneira grave o nome de Deus e seu amor por nós e o próprio Deus. O apelo a fazer das religiões aquilo que as religiões são e devem ser, ou seja, promotoras do bem, da reconciliação, da paz, da fraternidade no mundo de hoje dilacerado por tantos conflitos. Hoje, as religiões devem encontrar a maneira de trabalhar juntas, de colaborar juntas para ajudar a humanidade a se tornar cada vez mais fraterna e solidária. Isso através, sobretudo, do diálogo inter-religioso. Para mim estes serão os pontos que o Papa irá sublinhar também nesta etapa de sua visita.”

O Papa Francisco visitará pela primeira vez o continente africano que é ainda considerado periferia do Planeta. Podemos esperar que retome os temas da Encíclica ‘Laudato si’ e do discurso na Onu sobre a defesa do meio ambiente e a luta contra a exclusão social e econômica?

Cardeal Parolin: “Sim, certamente. Sabemos que o Papa tem em seu coração esses temas e como tais temas, que fazem parte do ensinamento tradicional da Doutrina Social da Igreja, pelo menos a partir de Leão XIII e depois aplicados nas várias situações que se apresentaram, terão uma repercussão particular no continente africano por aquelas razões que você dizia. Portanto existirá uma mensagem forte neste sentido. De luta contra a pobreza, contra a exclusão. De garantir a cada um de seus componentes uma vida digna, uma vida que respeite a dignidade de seres humanos e filhos de Deus das populações africanas. Terá também a ocasião de retomar esses temas porque em Nairóbi existem duas organizações das Nações Unidas que se interessam por esses problemas, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Unep) e a Onu habitat. Depois estamos nas vésperas de dois eventos importantes. Primeiramente, a Conferência de Paris sobre mudanças climáticas que terá início no final da viagem do Papa, e a décima conferência ministerial da organização mundial do comércio que se realizará em Nairóbi nos dias após a visita do Papa. Também estas circunstâncias caminham no sentido de uma busca de critérios éticos para governar a economia de maneira équa, de modo tal que os benefícios desta economia possam chegar a todos e a cada um.”

Na República Centro-Africana, o Papa abrirá a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia. Um gesto que dá força à sua mensagem de paz e reconciliação para o país e a todo o continente?

Cardeal Parolin: “A República Centro-Africana precisa de paz e misericórdia. É um gesto muito bonito o que o Papa fará antecipando a abertura da Porta Santa para a Igreja universal, em 8 de dezembro, na Basílica de São Pedro. Um gesto para manifestar misericórdia, manifestar proximidade a uma população que sofre por uma situação endêmica de pobreza e precariedade que piorou por causa do conflito recente. Por este conflito que ainda perdura e este clima de violência e hostilidade que ainda está presente no país. Além de ser uma manifestação de proximidade será também um gesto para curar as feridas, um incentivo a superar as divisões em nome do respeito e da aceitação recíproca a fim de que os grupos que agora se enfrentam possam encontrar as razões para trabalhar juntos em beneficio do bem comum do país. Esta será uma grande mensagem, uma mensagem mais uma vez de diálogo, aceitação do outro, compreensão de suas razões, colaboração em vista de um bem maior. Acredito que esta mensagem de encorajamento o Papa se dirigirá também a todos aqueles que buscam ajudar o povo centro-africano a superar este momento de crise. Falo das organizações não governamentais, falo também de vários organismos da comunidade internacional. Um encorajamento a ir adiante nesta obra de apoio, não obstante todas as dificuldades e os obstáculos que podem ser encontrados.”

Em Uganda, o Papa fará uma homenagem aos santos mártires canonizados 50 anos atrás. Passados mais de um século de morte, o seu testemunho de fé fala ainda à África e ao mundo de hoje?

Cardeal Parolin: “Certamente. Fala ainda e com voz eloquente. Basta pensar no que Paulo VI disse no momento da canonização desses mártires, ressaltando a qualidade de sua fé e as consequências de sua fé. Nos diz que para os valores profundos, que para nós cristãos são a pessoa de Jesus Cristo, estão dispostos a dar a vida e não somente para as coisas efêmeras ou pela busca de bens passageiros, o bem-estar somente material. Existem algumas realidades para as quais se devem estar dispostos a dar a vida. Ao mesmo tampo nos dizem que a fé pode se tornar realmente a semente, o germe, início de um humanismo mais pleno e integral, e que a fé se torna também uma motivo a mais, um impulso a mais para construir uma sociedade fraterna, uma sociedade pacífica, uma sociedade solidária e para buscar realmente o bem de todos.” (MJ)

Viagem à África e ano jubilar - A resposta de Francisco

Viagem à África e ano jubilar - A resposta de Francisco

Há um dado dramático, entre todos aqueles que foram difundidos nestes dias, depois dos atentados desumanos de Paris. Um dado que merece uma profunda atenção, porque atribui à iminente viagem do Papa à África um significado extremamente importante: durante o ano de 2014, no mundo inteiro foram perpetrados mais de 13.000 ataques terroristas, provocando mais de 32.000 mortes. Foi o pior anos desde 2001. E os lugares onde mais se concentrou este buraco negro de violência e horror foram a Ásia e a África. Em particular na Nigéria, segundo um estudo do Global Terrorism Index, age o grupo subversivo mais perigoso, Boko Haram, que já causou a morte de mais de 6.600 pessoas.



A partes destas estatísticas concisas e cruas, já se pode entender a centralidade absoluta da viagem de Francisco neste trágico momento da história. Pelo menos por três motivos.

Em primeiro lugar, porque esta «guerra mundial por etapas», evocada profeticamente por Francisco desde o início do seu pontificado, já se configura com verdadeira guerra contra a humanidade: uma humanidade inocente, culpada unicamente de habitar os lugares dos atentados. Esta loucura terrorista, este delírio que aniquila homens e mulheres inermes com a presunção de se inspirar num deus todo-poderoso, não pode ter qualquer forma de justificação social, cultural, religiosa e política.

Depois, porque se trata de uma guerra de novo tipo, quase uma «guerra líquida», onde o terror e a morte eclodem de repente, sem campos de batalha definidos e com exércitos que se fazem e desfazem de maneira inesperada, como se fossem aparentemente invisíveis. Mas nada é invisível aos olhos sábios de Deus. E o seu juízo incontestávelsobre os homens terá como base a capacidade que cada pessoa tem de gerar amor, e certamente não a sinistra habilidade de difundir ódio e morte.

Em terceiro lugar, porque a viagem do Papa à África — não obstante tenha sido preparada e organizada muito antes dos atentados de Paris — se apresenta como uma resposta sábia a esta violência cega e sanguinária que, há demasiado tempo, atinge o mundo inteiro. Uma resposta que poderia ser resumida com três palavras: diálogo, periferias e misericórdia.

O diálogo inter-religioso e ecuménico com que terá início e acabará a viagem representa o modo concreto de experimentar o amor e de rejeitar o ódio. Os muros de separação são substituídos por lugares de escuta; as dificuldades de compreensão, por pontes de amizade e de encontro.

Quanto às periferias, são um dos grandes temas deste pontificado. E, sem dúvida, a África é a maior periferia do mundo moderno. Uma periferia onde, ao lado de misérias indescritíveis e de guerras fratricidas, reside a esperança típica dos povos jovens, que vivem a fé de modo genuíno e integral, como a viúva da parábola que, no tesouro do templo, lança tudo o que possui.

E finalmente a misericórdia. O ano jubilar terá início na África. Um ano que se apresenta como um kairós, ou seja, como uma oportunidade inestimável. Uma ocasião para mudar de rota, para inverter as estatísticas de morte e para percorrer o caminho indicado por Pedro: o da conversão pastoral.

Papa: a Igreja não seja apegada ao poder mas à Palavra de Jesus

Papa: a Igreja não seja apegada ao poder mas à Palavra de Jesus

Sexta-feira, 20 de novembro – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco exortou os cristãos a não serem apegados ao dinheiro ao poder. O Santo Padre recordou que Jesus expulsou do templo os vendedores.

Na sua homilia o Papa Francisco partiu da leitura do Livro dos Macabeus que narra a alegria do povo pela reconsagração do Templo profanado pelos pagãos e pelo espírito mundano. O povo festejava porque tinha reencontrado a sua “própria identidade” – disse o Papa – que é algo que a mundanidade não sabe fazer. Pode fazer um pouco de barulho, divertir-se, mas não com aquela alegria que vem da fidelidade à Aliança com Deus.

Entretanto, no Evangelho do dia, S. Lucas narra-nos o episódio em que Jesus expulsa os vendedores do Templo. A este propósito o Papa afirmou que o Templo estava sujo porque era um covil de ladrões:

“Sempre há na Igreja a tentação da corrupção. É quando a Igreja, em vez de ser apegada à fidelidade ao Senhor Jesus, ao Senhor da paz, da alegria, da salvação, quando em vez de fazer isto, é apegada ao dinheiro e ao poder. Isso acontece aqui, neste Evangelho. Estes são os chefes dos sacerdotes, estes escribas eram apegados ao dinheiro, ao poder e esqueceram o espírito. E para se justificarem e dizer que eram justos, que eram bons, trocaram o espírito de liberdade do Senhor pela rigidez. E Jesus, no capítulo 23 de Mateus, fala desta rigidez.”

“Jesus não expulsava do Templo os sacerdotes e os escribas” – explicou o Papa – mas sim os vendedores, aqueles que faziam negócios. Mas uns estavam ligados aos outros pois eram pagas ‘comissões’ por tal comércio no Templo. Os sacerdotes e os escribas estavam apegados ao dinheiro e ao poder e por isso tentavam matar Jesus – frisou o Santo Padre – pois a força de Jesus era a sua palavra, o seu testemunho, o seu amor.

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco afirmou que onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade, não há lugar para a corrupção! “Não é possível servir a Deus e ao dinheiro; servir a Deus e ao poder”.

Papa: sacerdotes são pais e irmãos e não funcionários

Papa: sacerdotes são pais e irmãos e não funcionários

No final da manhã desta sexta-feira dia 20 de novembro o Papa Francisco recebeu em audiência na Sala Régia os participantes do encontro promovido pela Congregação para o Clero, nos 50 anos do documentos conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis dedicados à formação e ministérios dos sacerdotes.

O tema deste encontro é: “Uma vocação, uma formação, uma missão. O caminho discipular do presbítero”. No discurso que proferiu o Santo Padre pediu aos sacerdotes para viverem no meio do povo não como profissionais da pastoral e da evangelização mas como pais e irmãos.

O Papa Francisco considerou os decretos conciliares sobre a formação dos sacerdotes como sendo um semente que “o Concílio lançou no campo da vida da Igreja”. A semente da formação inicial e permanente dos sacerdotes.

O Papa recordou que Bento XVI com o Motu Próprio Ministrorum Institutio deu uma forma concreta jurídica à realidade da formação, atribuindo à Congregação para o Clero também uma competência sobre os seminários. “E o caminho de santidade de um padre começa no seminário” – afirmou o Santo Padre.

Precisamente, sobre a vocação sacerdotal o Papa Francisco considerou fundamental o papel da família e sublinhou a dimensão essencial do povo na vida de um padre. Porque este foi “escolhido de entre os homens” para o serviço “em favor dos homens” e para “estar no meio dos homens”, no meio do povo – salientou o Santo Padre.

Os sacerdotes são anunciadores da alegria do Evangelho, que não perdendo as suas próprias raízes e a cultura do povo onde nasceram – disse o Papa – não devem ser “profissionais da pastoral e da evangelização”, que trabalham como se desenvolvessem uma profissão:

“Faz-se padre para estar no meio da gente. O bem que os padres possam fazer nasce sobretudo da sua proximidade e de um terno amor pelas pessoas. Não são filantropos ou funcionários, mas padres e irmãos.”

O Papa Francisco concluiu a sua alocução convidando cada um dos sacerdotes a um exame de consciência com uma simples pergunta: “se o Senhor voltasse hoje, onde me encontraria?”