segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Padre Lombardi: no rosto do Papa tanta alegria e tanta serenidade

Padre Lombardi: no rosto do Papa tanta alegria e tanta serenidade

Havana (RV) - Grande acolhida para Francisco desde a sua chegada a Cuba. Sobre os primeiros momentos da Viagem Apostólica, em um clima de grande alegria, se detém o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, Padre Federico Lombardi, entrevistado pelo nosso correspondente em Havana, Sergio Centofanti:

R. – A acolhida foi ótima... Havia tanta gente pelas ruas! E veio-me em mente precisamente a partida de Bento XVI que ocorreu exatamente ao longo dessas ruas, porém, sob uma chuva torrencial e também na presença de muitas pessoas. E então eu disse: “as pessoas que estavam naquela ocasião para saudar o Papa Bento estão agora novamente aqui para saudar o Papa Francisco”. Pode-se ver que o Papa aqui está a casa sua, aqui em Havana, e as pessoas estão muito felizes em recebê-lo. Eu creio que começou muito bem esta viagem ...

P. - Qual foi a mensagem principal do primeiro discurso do Papa a Cuba?

R. - Acho que é muito importante ter evocado o tema da vocação deste país como ponto de encontro. O Papa disse: “é um arquipélago que se situa entre o Norte e o Sul, entre o Leste e o Oeste: a sua vocação é ser encontro de povos”. Agora, pensando sobre como a história das últimas décadas representou Cuba, com um país isolado, talvez até mesmo pelo embargo, com posições de conflito ou pela tensão com o "grande vizinho", os Estados Unidos, e com outras partes do mundo, e assim por diante…, o fato de poder falar claramente de uma Cuba que é chamada a ser um lugar de encontro entre os povos, pareceu-me uma visão de futuro muito bonita, muito encorajadora, cheia de esperança, muito ambiciosa - digamos - para esse povo, porque o processo de aproximação com os Estados Unidos – ao qual o Papa fez referência também de modo explícito, e que, afinal, é também uma das razões da sua viagem –, está no início. Começou, diria, muito bem, foi uma grande surpresa para o mundo, o seu início, mas é algo longo, não é algo que vai ser resolvido apenas com o fato de que se abrem duas embaixadas. Há muitas relações a serem reconstruídas, muitas feridas a serem curadas para passar efetivamente a esta cultura do encontro e da paz que o Papa tanto deseja.

P. - Os Estados Unidos decidiram, na véspera da viagem, de aliviar o embargo: é uma iniciativa importante, mais um passo nessa direção ...

R. - Sim, é claro! Há muitos passos significativos: nos últimos dias, as autoridades cubanas concederam a graça a 3.000 prisioneiros que cometeram crimes comuns; os Estados Unidos – por sua vez – anunciaram medidas para aliviar o embargo, que não significam “levantar o embargo”, mas são alguns passos nesse sentido... Portanto, são passos dados na direção certa. São passos de um processo que é longo, um processo difícil: que não deve ser visto como algo tão fácil. Estamos no caminho, estamos percorrendo o caminho certo.

P. - Esta é a viagem mais longa do pontificado do Papa Francisco. Como está o Papa Francisco?

R. - Bem ... Eu sempre irei dizer que está bem, porque se ele faz as coisas que faz, ele deve estar bem: nenhuma pessoa que está mal tem a energia para fazer o que ele faz! Então, eu faço uma constatação muito pé no chão, muito simples, e digo que ele está bem. E, de fato, vemos que consegue enfrentar com grande energia esses compromissos que dariam medo a qualquer pessoa, se fossem vistos com critérios de prudência ou timidez. Mas não: ele os enfrenta, ele vai a um país como os Estados Unidos, onde nunca foi na sua vida! Também a Cuba, onde nunca esteve... E vai.., vai falar ao Congresso dos Estados Unidos, bem como à Assembleia das Nações Unidas! Isso significa que se sente apoiado pelo espírito de sua missão, sente que tem a ajuda do Senhor para dizer uma palavra de esperança, de ponderação, de futuro para as grandes questões da humanidade hoje. E agradecemos a Deus que ele pode fazer isso! E as pessoas, creio que apreciam muito isso, porque sentem uma grande necessidade. Percebem que esta pessoa - que se comporta de modo muito natural: mesmo se tem limitações em falar línguas ... – tem, porém, o espírito, impulso, a coragem, a força para proclamar mensagens e palavras que são esperadas e que são essenciais para a humanidade de hoje.

P. - E no seu rosto se pode ver tanta alegria ...

R. - ... tanta alegria e tanta serenidade. E esta é a prova de que o Senhor o acompanha, porque, efetivamente enfrentar esses desafios, esses compromissos poderiam causar preocupação, poderia causar medo ... Em vez disso, ele vive isso com grande alegria, com grande simplicidade, entusiasmo, com a convicção de responder a um chamado para dizer uma Palavra que é a Palavra do Evangelho, que é sempre crível e verdadeira. (SP)

(from Vatican Radio)

Francisco encontra Fidel Castro

Francisco encontra Fidel Castro

Havana (RV) – O Papa Francisco encontrou-se em Havana, com o ex-Presidente cubano Fidel Castro. Foi o que referiu o Diretor da Sala de Imprensa vaticana, Padre Federico Lombardi. O colóquio, que durou cerca de meia hora, realizou-se após a missa, na residência do idoso líder da revolução cubana, em um clima cordial e informal. Estavam presentes também a esposa de Fidel e alguns membros da família. O Papa estava acompanhado pelo Núncio Apostólico em Cuba, Dom Giorgio Lingua.

O Papa presenteou Castro com alguns livros de Padre Alessandro Pronzato sobre o humorismo e a fé, uma cópia da Encíclica ‘Laudato si’ e da Exortação Apostólica Evangelii gaudium, além de alguns CDs contendo reflexões do Padre jesuíta Armando Llorente, que faleceu em 2010, e que foi professor de Fidel.

O comandante deu ao Papa uma cópia do livro “Fidel e a religião”, de Frei Betto (1997) com uma dedicatória: “Para o Papa Francisco, por ocasião da sua visita a Cuba com admiração e respeito do povo cubano”.

O ex-presidente fez algumas perguntas ao Papa Francisco, referindo-se, em particular, à defesa do ambiente e à situação atual do mundo. Fidel Castro já havia se encontrado com o Papa João Paulo II no Vaticano em 1996 e em 1998 em Cuba e Bento XVI em Havana em 2012.


(from Vatican Radio)

Papa encontra Raul Castro no Palácio da Revolução

Papa encontra Raul Castro no Palácio da Revolução

Havana (RV) – O primeiro compromisso do Papa Francisco na tarde deste domingo (20/9) em Havana foi a visita de cortesia ao Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros da República, Raul Castro.

Contemporaneamente, realizou-se o encontro do Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin – acompanhado pelo Substituto Angelo Becciu e pelo Secretário para a Relação com os Estados  Paul Gallagher e pelo Núncio Apostólico Dom Giorgio Lingua – com o Vice-Presidente do Conselho de Estado e dos Ministros acompanhados por dois colaboradores.

O Presidente Castro quis receber o Pontífice pessoalmente na entrada do Palácio da Revolução. No salão, o Presidente saudou inicialmente os cardeais e dignitários que acompanham o Papa, apresentando a seguir os próprios colaboradores. O encontro, realizado num clima de grande cordialidade e amizade, teve a duração de 50 minutos, ambientado em um esplêndido local circundado por vegetação. Ao final, foram apresentados os familiares do Presidente cubano e a troca de dons.

O Papa Francisco presenteou Castro com um mosaico da Virgem da Caridade do Cobre, cujo centenário de proclamação como Padroeira de Cuba, por parte de Bento XV, é celebrado este ano. O Presidente Raul Castro, por sua vez, presenteou o Papa com um grande crucifixo realizado simbolicamente com dois remos, ligados com cordas.

Um longo aperto de mão concluiu o encontro. O Papa, no pátio do Palácio, subiu no papamóvel aberto acompanhado pelo Cardeal da Havana Dom Jaime Ortega para dirigir-se ao encontro com o clero na Catedral. (JE)

(from Vatican Radio)

Papa aos consagrados: "Amem a pobreza como mãe!"

Papa aos consagrados: "Amem a pobreza como mãe!"

Havana (RV) - No final da tarde deste domingo o Papa Francisco, após a visita de cortesia ao Presidente Raúl Castro no Palácio da Revolução, dirigiu-se à Catedral da Imaculada Conceição e San Cristóbal de Havana para a oração das Vésperas com sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas. Antes porém, fez uma parada não programada na Paróquia “A Rainha”, construída pelos jesuítas, e onde foi saudado por alguns prelados e fiéis.

A saudação do Arcebispo de Havana, Cardeal Ortega y Alamino, que falou várias vezes em “pobreza” e o testemunho de uma religiosa que falou dos “mais pequenos”, fez com que o Santo Padre deixasse de lado a homilia preparada, e a pronunciasse de forma espontânea: “Quando falam os profetas – e todos os sacerdotes são profetas, todos os batizados e os consagrados são profetas”, devemos ouvi-los, por isto entrego a homilia preparada ao cardeal e depois podem lê-la e meditá-la” disse o Papa.

A pobreza, disse o Papa, é “uma palavra muito incômoda, pois vai de contramão à “estrutura cultural” do mundo”. “O espírito mundano – observou Francisco – não a conhece, não a quer, a esconde, não por pudor, mas por desprezo. E se tem que pecar e ofender a Deus para que não chegue a pobreza, o faz. O espírito do mundo não ama o caminho do Filho de Deus, que se fez pobre, se fez nada, se humilhou para ser um de nós”.

Assista ao resumo em vídeo em nosso canal VaticanBr

A pobreza também deu medo ao jovem rico, que era tão generoso e observava os mandamentos, mas ficou triste quando Jesus lhe pediu para que desse tudo aos pobres. “A pobreza, tentamos escamoteá-la, seja por coisas razoáveis, mas falo de escamoteá-la no coração”:

“Os bens são dom de Deus. Mas quando entram no coração e começam a conduzir a vida, perdeste. Não és como Jesus. Tens a segurança onde a tinha o jovem triste”.

Santo Inácio, continuou o Papa, afirmando com bom humor “não querer fazer publicidade da família”, dizia que a pobreza é o muro e a mãe da vida dos consagrados. Era o muro por a protegia das mundanidades e a mãe porque dava mais confiança em Deus:

“Quantas almas destruídas, almas generosas, como a do jovem entristecido, que começaram bem e depois foram se apegando o amor a esta mundanidade rica e terminaram mal, medíocres, sem amor, pois a riqueza empobrece, e empobrece mal, nos tira o melhor que temos, nos faz pobres na única riqueza que vale a pena, para colocar a segurança em outro”.

Espírito da pobreza

O espírito de pobreza, de despojamento, de deixar tudo para seguir Jesus, não inventei eu - disse o Santo Padre – aparece várias vezes no Evangelho.

Um amigo de Bergoglio lhe contava que quando entra o espírito de riqueza, de mundanidade rica no coração de um consagrado ou de uma consagrada, de um sacerdote, bispos, de um Papa, quando alguém começa a juntar dinheiro, para garantir o futuro, então “o futuro não está em Jesus, está em uma companhia de seguros do tipo espiritual, que eu controlo. E quando uma Congregação religiosa começa a juntar dinheiro, economizar, economizar, Deus é tão bom que manda um ecônomo desastrado, que a faz quebrar:

“São as melhores bênçãos de Deus a sua Igreja, os ecônomos desastrados, porque a fazem livre, a fazem pobre. Nossa Santa Mãe Igreja é pobre, Deus a quer pobre, como quis pobre a nossa Santa Mãe Maria. Amem a pobreza como mãe”.

O Papa disse que faria bem “à nossa vida consagrada, à nossa vida presbiteral, perguntar-se:  “Como está meu espírito de pobreza? Como está meu despojamento interior?”, recordando a primeira das Bem-aventuranças: “Felizes os pobres de espírito, os que não estão apegados à riqueza, aos poderes deste mundo”.

O Pontífice falou a seguir nos “mais pequenos”, referidos pela irmã. “O mais pequeno é uma frase de Jesus”, observou: “Aquilo que fizeste a um dos meus pequeninos, a mim o fizeste”:

“Existem serviços pastorais que  podem ser mais gratificantes do ponto de vista humano, sem serem maus ou mundanos, porém, advertiu, quando alguém busca a preferência interior ao mais pequeno, aos mais abandonado, ao mais doente, ao que não conta nada, ao que não quer nada, ao mais pequeno, e serve ao mais pequeno, está servindo a Jesus de maneira superlativa. A vós mandaram onde não querias ir”. (JE)

(from Vatican Radio)

Não fujamos das cruzes e de quem sofre - Papa no Angelus em Havana

Não fujamos das cruzes e de quem sofre - Papa no Angelus em Havana

O tema da atenção ao irmão fragilizado foi retomado pelo Papa nas palavras que proferiu antes da oração mariana do Angelus, em que disse que tal como os discípulos que nunca queriam falar com Jesus acerca da sua paixão e morte, porque não queriam compreender a ideia de O ver sofrer, também nós temos a tentação de fugir das nossas cruzes e das dos outros, de afastar de quem sofre. Por isso, depois de terem venerado Jesus na Eucaristia, o Papa convidou a voltar o olhar para Nossa Senhora, pedindo-lhe para que “nos ensine a permanecer junto da cruz do irmão que sofre, a ver Jesus em cada homem caído no caminho da vida, em cada irmão que tem fome ou sede, que está nu, encarcerado ou enfermo”. “Aprendamos com Maria a ter o coração desperto e atento às necessidades dos outros”.

O Papa elevou depois o seu pensamento à “amada terra da Colômbia” que está a viver um “momento crucial e importante” da sua história, em que os seus filhos, com renovado esforço e movidos pela esperança, estão procurando construir uma sociedade em paz”.

Francisco exprimiu o desejo de que o sangue dos inocentes derramado ao longo de décadas de conflito armado se una ao “sangue de Cristo na Cruz e sustente todos os esforços que se estão a fazer, inclusivamente nesta bela ilha, para uma reconciliação definitiva. E assim esta longa noite de dor e violência, com a vontade de todos os colombianos, se possa transformar num dia sem ocaso, de concórdia, justiça, fraternidade e amor, no respeito das instituições e do direito nacional e internacional, para que a paz seja duradoura”.

“Por favor, ajudemo-nos! – suplicou o Papa, acrescentando: “Não temo o direito de permitir-nos mais um fracasso neste caminho de paz e reconciliação”

E concluiu pedindo a todos para se unirem a ele em oração a Cristo de modo particular para os que já perderam a esperança, pelos que sofrem injustiças, abandono, solidão, idosos, doentes, crianças, jovens, famílias em dificuldades… Que Maria enxugue as suas lágrimas, os console no seu amor de Mãe, lhes devolva a esperança e a alegria. Finalmente, encomendou à Mãe Santa os filhos de Cuba, pedindo-lhe para nunca os abandonar. (DA)

(from Vatican Radio)

Papa aos jovens cubanos: "não parem de sonhar"

Papa aos jovens cubanos: "não parem de sonhar"

Havana (RV) – O Papa Francisco se encontrou com os jovens no final da tarde deste domingo, (20/9) no Centro Padre Félix Varela de Havana. No seu discurso improvisado, e sob uma chuva fina, o Papa disse: “Não sei se em Cuba se usa a palavra curvar-se, é isso o que eu lhes peço: não parem de sonhar. A capacidade de sonhar é o que nos torna capazes de trabalhar por um mundo melhor. Quanto maior é a capacidade de sonhar mais seremos capazes de realizar”.


O Papa tocou o tema da inimizade: “A inimizade social, destrói. Uma família se destrói pela inimizade. O mundo se destrói pela inimizade. E a maior inimizade é a guerra e hoje o mundo está sendo destruído por causa da guerra, porque não são capazes de se sentar e conversar”. “O que podemos fazer?... não matem mais pessoas” sugeriu ao Papa para que se discuta sobre as guerras”. “Há a morte na alma porque estamos matando a capacidade de unir – acrescentou, dirigindo-se aos jovens -. Sejam capazes de distanciar a inimizade social”.

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“Na Europa – disse ainda o Papa, mudando de tema – há uma inteira geração que não tem esperança, porque não estuda e não trabalha. Eu me pergunto que país é aquele que não oferece um futuro para os jovens”.

“Um povo, não digo um governo, que não se preocupa com os jovens, que não inventa uma possibilidade de trabalho para seus jovens, ele não tem um futuro”, continuou o Papa descrevendo com pesar “os jovens incapazes de dar vida, de criar amizade social, de criar uma pátria”, e que “obviamente, entram a fazer parte da cultura do descarte: a cultura que não tem esperança, na qual se descarta o idoso porque ele não produz, se pensa na eutanásia em certos países, mas em outros existe uma eutanásia escondida, e se descartam os jovens”. “Esta cultura do descarte – afirmou – está fazendo mal a todos, acaba com a esperança, uma esperança que é sofrida, fadigosa e fecunda”. (SP)

(from Vatican Radio