sábado, 1 de outubro de 2016

Comissão para o Ecumenismo planeja atividades para os próximos anos

Encontro que reuniu bispos, assessor e articuladores aconteceu em Duque de Caxias (RJ)

Os membros da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se na terça-feira, dia 27, em Duque de Caxias (RJ) para o encontro anual. Também estiveram presentes o assessor da Comissão, articuladores e auxiliares regionais, além de convidados. Na pauta, partilha e planejamento de iniciativas e atividades.

Os participantes da reunião partilharam as atividades ecumênicas realizadas nos regionais da CNBB. Durante o encontro, foi feito o planejamento das atividades que constam do plano quadrienal da Comissão. Já no próximo ano, haverá o Simpósio Ecumênico, em fevereiro, e as celebrações relacionadas aos 500 anos da Reforma de Lutero, cujas memórias já iniciam no dia 31 de outubro deste ano com a cerimônia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial, que acontecerá em Lund, na Suécia, com possível participação do papa Francisco.

Outras atividades previstas até 2019, quando será concluído o atual quadriênio, é a elaboração de subsídios sobre ecumenismo, planejamento do diálogo das Comissões Bilaterais, avaliação da Comissão sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, ações para a Campanha da Fraternidade de 2017 e o Mutirão Ecumênico - Sulão 2017.

A Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB tem como missão promover a unidade dos cristãos e diálogo inter-religioso no âmbito da Igreja Católica no Brasil, conforme as orientações do Magistério em atenção ao cenário religioso no país.

Estiveram presentes os bispos de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão, dom Francesco Biasin, o de Cornélio Procópio (PR), dom Manoel João Francisco, e o arcebispo de Feira de Santana (BA), dom Zanoni Damettino Castro. Também participaram o assessor da Comissão, padre Marcus Barbosa Guimarães, e articuladores, auxiliares dos regionais e convidados: Therezinha Motta Lima da Cruz, Izaias de Souza Carneiro, padre José Bizon, padre Jurandyr Azevedo Araújo, padre Volnei Carlos de Campos, padre José Antonio Pecchia e Edoarda Sopelsa Scherer.

Albert Schweitzer, o São Francisco luterano

"Albert Schweitzer foi e ainda poderia ser 'médico da consciência europeia', para curá-la da sua antiga, obscura e temível doença mortal: a doença do colonialismo, da violência e da guerra, começando pela guerra contra os animais, e ensiná-la precisamente o 'respeito pela vida' dos outros."

Propomos aqui a conferência que o estudioso valdense Paolo Ricca realizará sobre o teólogo e filantropo alsaciano Albert Schweitzer, no próximo dia 1º de outubro durante o evento Torino Spiritualità.

O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 29-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
"Respeito pela vida" é o coração do pensamento e da vida de Albert Schweitzer, nascido na Alsácia em 1875, falecido aos 90 anos em 1965, prêmio Nobel da Paz em 1954. Embora tendo diante de si uma brilhante carreira universitária (era um teólogo profissional), renunciou a ela e, em 1913, partiu para a África equatorial (da época! Muito diferente da de hoje! Passou-se mais de um século) e fundou um hospital em Lambaréné, onde passou a vida cuidando dos africanos. Por isso, foi chamado de "médico da selva". Na realidade, ele foi e ainda poderia ser "médico da consciência europeia", para curá-la da sua antiga, obscura e temível doença mortal: a doença do colonialismo, da violência e da guerra, começando pela guerra contra os animais, e ensiná-la precisamente o "respeito pela vida" dos outros.

Ele era filho de um pastor protestante (luterano), foi ele mesmo pastor luterano e, apesar de ter se tornado médico e de exercer essa profissão por toda a vida, sempre foi pastor e pregador evangélico. Mas o que há por trás desse seu programa do "respeito pela vida"? Digamos, acima de tudo, que essa expressão traduz apenas em parte a expressão alemã que está na sua base: Ehrfurcht vor dem Leben, literalmente "santo temor (ou reverência) diante da vida", que é algo diferente e mais do que o simples "respeito" (que, em todo o caso, já é muito). A ideia é que, diante da vida, você deve parar, não pode violá-la, não pode pôr as suas mãos sobre ela, não pode dispor dela à vontade, ela não lhe pertence, é algo infinitamente maior do que você, um mistério que transcende você, do qual você ignora o significado e o valor.

De onde nasce o "respeito pela vida"? Nasce de uma dupla raiz, uma cristã, a outra indiana. A cristã tem a ver com Jesus e com a sua espera pelo Reino de Deus próximo (como ele chama), que ele pensava que chegaria ainda na sua geração. O Reino não veio, e, nisso, Jesus se equivocou, mas a ética do Reino que ele colocou em movimento e, por primeiro, pôs em rpática é, de acordo com Schweitzer, válida em todos os tempos e por todas as gerações, mais do que nunca para a nossa. Essa ética está escrita no Sermão da Montanha do evangelista Mateus, nos capítulos 5 a 7. Ela envolve a escolha não violenta e até mesmo o amor aos inimigos. Nessa matriz cristã, insere-se a indiana, que Schweitzer descobriu estudando de perto os grandes pensadores da Índia.

Mas foi na África que a ideia lhe veio, quase como uma fulguração, durante uma viagem pelo rio, como ele mesmo contou depois várias vezes. Quais são os conteúdos essenciais do "respeito pela vida", no qual se fundem a ética e a religião, e que nasce da consciência elementar de que cada um de nós é, acima de tudo, "vida que quer viver, em meio a outras vidas que também querem viver"? Os conteúdos são estes.

1) A vida é sagrada. Dom supremo (nós podemos transmiti-la, não podemos criá-la; somos criaturas, não criadores), mas também extremamente vulnerável, que é confiado às nossas mãos. Suma responsabilidade que deve suscitar em nós um "santo (ou reverencial) temor" diante do extraordinário e inviolável fenômeno da vida.

2) Toda vida é sagrada. "O homem é moral – diz Schweitzer – somente quando considera sagrada a vida em si mesma, a das plantas e dos animais, assim como a dos seres humanos, e se esforça para socorrer todas as vidas que se encontrem em dificuldades, na medida do possível". Schweitzer coloca-se em tudo e por tudo na linha de Francisco de Assis, a quem ele admirava muito.

3) "Respeito pela vida" não é uma atitude contemplativa, mas uma força interior que motiva o agir ético e mobiliza a vontade de se pôr a serviço da vida dos outros. "Como a hélice giratória impulsiona o navio através das águas, assim o respeito pela vida impulsiona o homem a agir."

4) O "respeito pela vida" não só responsabiliza o homem em vista da ação, mas também o coloca em uma relação espiritual com o mundo. "Somente uma ética de amplos horizontes que nos imponha voltar a nossa atenção operosa a todos os seres vivos realmente nos coloca em uma relação interior com o universo e com a vontade que nele se manifesta." A natureza não conhece o respeito pela vida: a lei, na natureza, é: mors tua vita mea. Somente o homem eticamente motivado é capaz de praticar o respeito pela vida, de modo que a lei se torne: vita tua vita mea.

5) O respeito pela vida é a única atitude que corresponde plenamente ao ser do homem e à sua vocação na criação. Vivendo a ética do respeito pela vida, o homem realiza a sua humanidade, alcança verdadeiramente a sua estatura de homem, humaniza-se completamente. Portanto, não humaniza apenas a natureza, mas humaniza também, em primeiro lugar, a si mesmo.

Tudo isso – Schweitzer diz e repete inúmeras vezes nos seus discursos – vale também e particularmente para a vida dos animais, os mais próximos de nós entre todos os seres vivos, dos quais, como queria Francisco de Assis, devemos nos tornar irmãos e não ser donos.

Papa Francisco: “Em três dias, graças a Deus, retornaremos para casa”

Uma brevíssima saudação, antes da aguardada coletiva de imprensa, durante o voo de retorno no próximo domingo. Mas, também, uma frase que indica que o Papa Francisco não gosta particularmente de viajar. Antes de cumprimentar, um a um, os 70 jornalistas que viajavam com ele, Bergoglio pegou o microfone e saudou, primeiramente, o novo diretor da Sala de Imprensa vaticana, Greg Burke, que viaja pela primeira vez com o Papa, nesta função.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 30-09-2016. A tradução é do Cepat.

Em seguida, Francisco agradeceu aos cronistas: “Bem-vindos, obrigado por seu trabalho. Esta viagem será breve, graças a Deus, em três dias retornaremos para casa...”. Esta frase confirma que o Papa argentino, apesar de já ter feito 16 viagens ao estrangeiro, em três anos de Pontificado, não gosta particularmente de ficar longe de casa e prefere as viagens curtas. 

Enquanto ia passando entre os jornalistas, alguém lhe perguntou se iria ver as vítimas do terremoto no centro da Itália. Francisco, que quer realizar uma visita privada, sem nada oficial e sem cerimônias, respondeu que há três hipóteses para a data, e indicou que poderá ser no primeiro domingo do Advento. Ainda que muitos estejam convencidos que poderá ir antes, mas sem avisos prévios.

Entre as coisas curiosas que Francisco disse, destaca-se uma frase direcionada à jornalista Cristina Caricato, enviada da TV2000. A jornalista ficou cercada, enquanto outros dois colegas fotografavam, fazendo com o que o Papa quase passasse sem cumprimentá-la. Ela brincou dizendo que as mulheres são sempre penalizadas. E Bergoglio respondeu: “Precisam fazer a revolução”.

Audiência: "A Igreja é de todos; é tempo de misericórdia!"

Cidade do Vaticano (RV) – “O perdão na Cruz” foi o tema da audiência geral desta quarta-feira (28/09). O Papa Francisco começou o encontro com os fiéis na Praça São Pedro com as palavras proferidas por Jesus “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, e desenvolveu uma reflexão baseada no relato do evangelista Lucas sobre os dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigiram a ele, cada um de um modo.

Desesperado, o primeiro o insulta: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”. Seu grito era angustiado, diante do mistério da morte, ele sabia que somente Deus podia dar uma resposta de salvação.

Jubileu, tempo de graça para bons e maus

Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, cumpre-se a sua doação de amor e nos salvamos para sempre. Fica demonstrado que a salvação de Deus pode chegar a todos, em qualquer condição, mesmo a mais dolorosa. “Por isso, prosseguiu o Papa, o Jubileu é tempo de graça e misericórdia para todos, bons e maus, estejam em saúde ou na doença. Nada nos pode separar do amor de Cristo!”.

“A quem está crucificado numa cama do hospital, a quem vive recluso num cárcere, a quem está encurralado pelas guerras, eu digo: Levantai os olhos para o Crucificado. Deus está convosco, permanece convosco na cruz e a todos se oferece como Salvador”. 

O bom ladrão que respeita Deus

O segundo malfeitor era o chamado ‘bom ladrão’. Suas palavras foram um modelo maravilhoso de arrependimento. Primeiro, ele se dirige a seu companheiro: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena?”, uma expressão que evidencia o temor de Deus – não o medo de Deus – mas o respeito que lhe é devido.

Continuando, o Papa explicou que “o bom ladrão se dirige diretamente a Jesus, confessa abertamente a própria culpa, invoca sua ajuda, o chama por nome, pede a Jesus que se lembre dele: é a necessidade do homem de não ser abandonado. Assim, o condenado à morte se torna modelo do cristão que se entrega a Jesus.

Perdão em gestos concretos

A promessa feita ao bom ladrão – “Hoje estarás comigo no Paraíso” - revela o pleno cumprimento da missão que o trouxe à terra. Desde o início até ao fim, Jesus se revelou como Misericórdia; Ele é verdadeiramente o rosto da misericórdia do Pai: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». E não se trata apenas de palavras, mas de gestos concretos como no perdão oferecido ao bom ladrão.  

Concluindo, o Papa convidou todos a deixarem que a força do Evangelho penetre em nossos coração e nos console, nos dê esperança e a certeza íntima de que ninguém está excluído do seu perdão.  

(CM)

(from Vatican Radio)

Papa: As diferenças sejam fonte de enriquecimento recíproco

O primeiro momento forte da visita apostólica do Papa Francisco nesta sexta-feira (30/09) à Geórgia foi marcado pelo encontro com as autoridades no Palácio presidencial, em que Francisco começou por dirigir-se ao Presidente da República, às distintas autoridades, aos ilustres membros do Corpo Diplomática, às senhoras e senhores aí presentes. Em seguida o Papa passou ao seu discurso agradecendo a Deus pela oportunidade, nestes termos:

“Agradeço a Deus Todo-Poderoso por me ter dado a oportunidade de visitar esta terra abençoada, local de encontro e intercâmbio vital entre culturas e civilizações, que achou no cristianismo, desde a pregação de Santa Nino no início do século IV, a sua identidade mais profunda e o fundamento seguro dos seus valores”.

Como afirmou São João Paulo II ao visitar a vossa pátria, «o cristianismo tornou-se a semente do sucessivo florescimento da cultura georgiana»… e esta semente continua a dar os seus frutos. Recordando com gratidão o nosso encontro do ano passado no Vaticano e as boas relações que a Geórgia sempre manteve com a Santa Sé, agradeço-lhe sentidamente, Senhor Presidente, o seu aprazível convite e as palavras cordiais de boas-vindas que me dirigiu em nome das autoridades do Estado e de todo o povo georgiano .

A história plurissecular da vossa pátria (continuou Francisco) manifesta o enraizamento nos valores expressos pela sua cultura, língua e tradições, inserindo o país a pleno título e de modo fecundo e peculiar no álveo da civilização europeia; ao mesmo tempo, como evidencia a sua posição geográfica, é quase uma ponte natural entre a Europa e a Ásia, um gonzo que facilita as comunicações e as relações entre os povos, tendo possibilitado ao longo dos séculos tanto o comércio como o diálogo e a troca de ideias e experiências entre mundos diversos.

Mais adiante, no seu discurso, Francisco evocou os últimos eventos da história da Geórgia, desde que a mesma proclamou a sua independência:

“Senhor Presidente, já se passaram vinte e cinco anos desde a proclamação da independência da Geórgia, que durante este período, recuperando a sua plena liberdade, construiu e consolidou as suas instituições democráticas e procurou os caminhos para garantir um desenvolvimento o mais possível inclusivo e autêntico. Tudo isto com grandes sacrifícios, que o povo enfrentou corajosamente para se assegurar a tão suspirada liberdade. Almejo que o caminho de paz e desenvolvimento prossiga com o esforço solidário de todas as componentes da sociedade, para criar as condições de estabilidade, equidade e respeito da legalidade suceptíveis de favorecer o crescimento e aumentar as oportunidades para todos”.

Ao terminar o Papa evocou o papel da Igreja Católica nesse País e exprimiu votos de que ela continue a dar o seu contributo genuíno:

“Faço sentidos votos de que ela continue a dar o seu contributo genuíno para o crescimento da sociedade georgiana, através do testemunho comum da tradição cristã que nos une, do seu compromisso a favor dos mais necessitados e mediante um diálogo renovado e mais intenso com a Igreja Ortodoxa Georgiana antiga e as outras comunidades religiosas do país. - Deus abençoe a Geórgia e lhe conceda paz e prosperidade!”

(from Vatican Radio)

Íntegra do discurso do Papa às Autoridades, Sociedade Civil e Corpo Diplomático

Tbilisi (RV) – O primeiro compromisso do Papa Francisco em terras georgianas foi a visita de cortesia ao Presidente da República Giorgi Margvelashvili, no Palácio Presidencial. Na sequência, o Pontífice e o Presidente transferiram-se ao Pátio de Honra do Palácio, para o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático. Após do discurso do mandatário georgiano, Francisco proferiu seu primeiro discurso.

Eis a íntegra de seu pronunciamento:

“Senhor Presidente,

Distintas Autoridades,

Ilustres membros do Corpo Diplomático,

Senhoras e Senhores!

Agradeço a Deus Todo-Poderoso por me ter dado a oportunidade de visitar esta terra abençoada, local de encontro e intercâmbio vital entre culturas e civilizações, que achou no cristianismo, desde a pregação de Santa Nino no início do século IV, a sua identidade mais profunda e o fundamento seguro dos seus valores. Como afirmou São João Paulo II ao visitar a vossa pátria, «o cristianismo tornou-se a semente do sucessivo florescimento da cultura georgiana» [Discurso na cerimônia de boas-vindas, 8 de novembro de 1999, 2: Insegnamenti XXII/2 (1999), 841], e esta semente continua a dar os seus frutos. Recordando com gratidão o nosso encontro do ano passado no Vaticano e as boas relações que a Geórgia sempre manteve com a Santa Sé, agradeço-lhe sentidamente, Senhor Presidente, o seu aprazível convite e as palavras cordiais de boas-vindas que me dirigiu em nome das autoridades do Estado e de todo o povo georgiano.

A história plurissecular da vossa pátria manifesta o enraizamento nos valores expressos pela sua cultura, língua e tradições, inserindo o país a pleno título e de modo fecundo e peculiar no álveo da civilização europeia; ao mesmo tempo, como evidencia a sua posição geográfica, é quase uma ponte natural entre a Europa e a Ásia, um gonzo que facilita as comunicações e as relações entre os povos, tendo possibilitado ao longo dos séculos tanto o comércio como o diálogo e a troca de ideias e experiências entre mundos diversos. Como se diz com pundonor no vosso hino nacional, «o meu ícone é a minha pátria, (...) montanhas e vales esplendorosos são partilhados com Deus». A pátria é como um ícone que define a identidade, delineia as características e a história, enquanto as montanhas, erguendo-se livres para o céu, longe de ser uma muralha insuperável, enchem de esplendor os vales, distinguem-nos e relacionam-nos, tornando cada um deles diferente dos outros e todos solidários com o céu comum que os cobre e protege.

Senhor Presidente, já se passaram vinte e cinco anos desde a proclamação da independência da Geórgia, que durante este período, recuperando a sua plena liberdade, construiu e consolidou as suas instituições democráticas e procurou os caminhos para garantir um desenvolvimento o mais possível inclusivo e autêntico. Tudo isto com grandes sacrifícios, que o povo enfrentou corajosamente para se assegurar a tão suspirada liberdade. Almejo que o caminho de paz e desenvolvimento prossiga com o esforço solidário de todas as componentes da sociedade, para criar as condições de estabilidade, equidade e respeito da legalidade suscetíveis de favorecer o crescimento e aumentar as oportunidades para todos.

Tal progresso autêntico e duradouro tem como indispensável condição prévia a coexistência pacífica entre todos os povos e Estados da região. Isto requer que cresçam sentimentos de mútua estima e consideração, que não podem ignorar o respeito das prerrogativas soberanas de cada país no quadro do direito internacional. Para abrir sendas que conduzam a uma paz duradoura e a uma verdadeira colaboração, é preciso estar ciente de que os princípios relevantes para um relacionamento équo e estável entre os Estados estão ao serviço da convivência concreta, ordenada e pacífica entre as nações. De facto, em demasiados lugares da terra, parece prevalecer uma lógica que torna difícil sustentar as legítimas diferenças e as disputas – que sempre podem surgir – num contexto de verificação e diálogo civil onde prevaleça a razão, a moderação e a responsabilidade. Isto revela-se muito necessário no momento histórico atual, em que não faltam também extremismos violentos que manipulam e distorcem os princípios de natureza civil e religiosa, pondo-os ao serviço de obscuros desígnios de domínio e morte.

É preciso que todos tenham a peito primariamente as sortes do ser humano na sua situação concreta e realizem, com paciência, toda e qualquer tentativa para evitar que as divergências descambem em violências, fadadas a provocar enormes ruínas para o homem e a sociedade. Qualquer distinção de caráter étnico, linguístico, político ou religioso, longe de ser utilizada como pretexto para transformar as divergências em conflitos e estes em tragédias sem fim, pode e deve ser, para todos, fonte de enriquecimento recíproco em benefício do bem comum. Isto exige que cada um possa fazer pleno uso das especificidades próprias, a começar pela possibilidade de viver em paz na sua terra ou de retornar a ela livremente se, por qualquer motivo, foi forçado a abandoná-la. Espero que os responsáveis públicos continuem a ter a peito a situação destas pessoas, empenhando-se na busca de soluções concretas, mesmo fora das questões políticas ainda por resolver. Requerem-se clarividência e coragem para reconhecer o bem autêntico dos povos e demandá-lo com determinação e prudência, sendo indispensável ter sempre diante dos olhos os sofrimentos das pessoas para prosseguir com convicção no caminho, paciente e árduo mas também emocionante e libertador, da construção da paz.

A Igreja Católica – há séculos presente neste país, distinguindo-se particularmente pelo seu empenho na promoção humana e nas obras sócio-caritativas – compartilha as alegrias e preocupações do povo georgiano e deseja prestar o seu contributo para o bem-estar e a paz da nação, colaborando ativamente com as autoridades e a sociedade civil. Faço sentidos votos de que ela continue a dar o seu contributo genuíno para o crescimento da sociedade georgiana, através do testemunho comum da tradição cristã que nos une, do seu compromisso a favor dos mais necessitados e mediante um diálogo renovado e mais intenso com a Igreja Ortodoxa Georgiana antiga e as outras comunidades religiosas do país.

Deus abençoe a Geórgia e lhe conceda paz e prosperidade!”



(from Vatican Radio)

Geórgia: o país que o Papa visita

Cidade do Vaticano (RV) – Mas que país é hoje a Geórgia, ex-república soviética independente desde 1991? E sobretudo, como as autoridades veem a chegada de um segundo Pontífice depois de São João Paulo II em 1999? A Rádio Vaticano conversou com Marilisa Lorusso, pesquisadora e perita da área do Observatório Bálcãs e Cáucaso:

R. – Certamente é um país que cresceu: viveu um período inicial muito turbulento, com duas guerras de secessão, uma guerra civil, grandes lacunas de capacidade de soberania e um colapso econômico completo, devido, como muitos outros países pós-soviéticos, à crise da estrutura econômica da URSS. Sobre os índices de crescimento que tinham superado 8% ao ano, agora estamos em 3% em relação ao PIB. Portanto, é um país que, com grande dificuldade, está procurando propor-se como um agente econômico, de explorar a sua posição seja do ponto de vista do turismo, seja da diferenciação da produção, seja industrial que agrícola, em um contexto que não é fácil. De fato, existem tensões entre os países vizinhos que geram dificuldades de transporte e comunicação; entre outras coisas, toda a Região do Mar Negro está sofrendo, e ainda mais por causa da crise na Ucrânia. Então, entre mil dificuldades, a Geórgia está procurando uma estabilização seja econômica, seja política.

P. O Papa chega a poucos dias das eleições: o que o país, e o povo também, esperam dessas eleições? O que as pessoas pedem?

R. - O que se espera segundo as pesquisas é que o governo atual seja bem ou mal confirmado. Existe um verdadeiro debate político: não temos mais o poder esmagador de um partido, por isso são eleições realmente discutidas e debatidas. No que concerne às questões reais que interessam ao povo, em primeiro lugar está o desemprego. Se esta estabilização política continuar, poderá incentivar os investidores estrangeiros a expandirem sua presença no país. Por isso, é muito provável que não se registrem grandes mudanças nas estratégias econômicas; assim é improvável que estas eleições tragam mudanças do ponto de vista de orientação, não só na política interna, mas também naquela exterior. A Geórgia parece bastante atrelada a um caminho euro-atlantista. O reconhecimento pela Rússia das suas duas repúblicas separatistas depois de 2008 - Abcásia e da Ossétia - na verdade, criou uma profunda divisão em relação à Rússia, que ainda não foi normalizada do ponto de vista diplomático, entregando assim a Geórgia a uma orientação pró-ocidental, já no pensamento do país desde a independência.

P. Como os políticos georgianos olham para a visita do Papa? Recordamos que quando São João Paulo II visitou o país estava ali o seu amigo Shevardnadze: portanto a situação era diferente…

R. - Certamente a visita do Papa é uma reafirmação da identidade europeia para a Geórgia. Depois, há planos relativos à política interna georgiana: acolher o representante de outra confissão cristã no seu próprio território é também, em certo sentido, um ato de superação de formas de nacionalismo que tendem então, eventualmente, a minar a coesão social. Isto aplica-se não só às minorias cristãs, mas também àquelas muçulmanas. Há também a questão das relações bilaterais: esta será, entre outras coisas, a primeira visita do Papa depois que a Geórgia reconheceu a presença de outras Igrejas no seu território, não como associações, mas como "Igrejas"; então certamente este é um dado importante. E, em geral - em nível internacional - a visita a um país que tem uma forte ligação entre a Igreja nacional e o Estado de um líder estrangeiro, é um desejo de reiterar o caminho de paz e de diálogo inter-religioso, que no Cáucaso é mais do que nunca necessário, em um momento em que toda a área é abalada pela onda do conflito sírio. (SP)

(from Vatican Radio)