A Residência Apostólica dos Papas, em Castelgandolfo, foi aberta, oficialmente, ao público, nesta sexta-feira (21/10), após uma coletiva de imprensa aos jornalistas.
Como sabemos, desde o início de seu Pontificado, o Papa Francisco decidiu não utilizar a Residência de Castelgando para suas férias ou para descanso. De fato, há três anos e meio da sua histórica decisão, agora o apartamento papal será anexado ao museu existente e será aberto ao público.
A inauguração do museu, hoje, conta com o concerto de um coral chinês sobre “A beleza que nos une”, em sintonia com as intenções do Papa de construir pontes também com a China.
Entre os lugares exclusivos da Residência, que serão abertos ao público, estão os aposentos pontifícios; a pequena capela particular dos Papas; a Biblioteca e o pequeno escritório, onde os Papas, até Bento XVI, escreviam encíclicas e homilias; duas salas do Secretário particular e secretário adjunto; o Salão dos Suíços, onde, antigamente, se preparava o Corpo da Guarda Suíça, que presta serviço aos Papas, desde 1506. Enfim, a Sala do Consistório, utilizada apenas para as reuniões do Colégio cardinalício com o Pontífice. (MT)
(from Vatican Radio)
domingo, 23 de outubro de 2016
Papa: diálogo abate muros das divisões e das incompreensões
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Em sua catequese de hoje o Papa refletiu sobre o encontro de Cristo com a samaritana, narrado pelo evangelista São João, abordando o tema diálogo "tão premente em nossos dias". De fato, Jesus mantém um “diálogo” intenso com a mulher, um dos aspectos importantes da misericórdia divina.
“O diálogo permite que as pessoas se conheçam e compreendam reciprocamente suas exigências. Trata-se de um sinal de respeito, porque coloca as pessoas em atitude de escuta e na condição de perceber os melhores aspectos do interlocutor”.
Em segundo lugar, explica Francisco, o diálogo é expressão da caridade, porque, sem ignorar as diferenças, leva à busca e à partilha do bem comum. Além disso, o diálogo convida-nos a colocar-nos diante do outro e a vê-lo como dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido.
Muitas vezes, não encontramos os irmãos, embora vivamos ao seu lado, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro. Não dialogamos quando não escutamos o suficiente ou temos a tendência de interromper o outro para demonstrar que temos razão.
O verdadeiro diálogo, pelo contrário, afirma o Papa, requer momentos de silêncio, nos quais se percebe o dom extraordinário da presença de Deus no irmão:
“Caros irmãos e irmãs, dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar as incompreensões. Há tanta necessidade de diálogo em nossas famílias e como se resolveriam mais facilmente as questões se aprendêssemos a escutar reciprocamente”!
A mesma coisa, recordou o Pontífice, acontece na relação entre marido e mulher, entre pais e filhos. Quanta ajuda poder-se-ia obter também do diálogo entre professores e alunos ou entre dirigentes e operários, para descobrir as melhores exigências do trabalho.
“De diálogo vive também a Igreja com os homens e as mulheres de todos os tempos, para compreender as necessidades do coração de cada pessoa e contribuir para a realização do bem comum. Pensemos ao grande dom da Criação e à responsabilidade que todos temos de preservar a nossa casa comum: o diálogo sobre um tema tão central assim torna-se uma exigência inevitável”.
Neste sentido, o Pontífice convidou os fiéis a dirigir seu pensamento também ao diálogo entre as religiões, para descobrir a profunda verdade sobre sua missão no meio dos homens e contribuir para a construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade. E o Papa concluiu:
“Todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência de amor de Deus, que vai ao encontro de todos e em cada um planta uma semente da sua bondade, para que possa colaborar com a sua obra criadora. O diálogo abate os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não permite que ninguém se isole, fechando-se no seu pequeno mundo”.
Jesus sabia muito bem o que acontecia no coração da samaritana, frisou Francisco; no entanto, Ele não lhe negou o direito de se expressar e, aos poucos, penetrou no mistério da sua vida.
Por fim, o Santo Padre ressaltou que “este ensinamento vale também para nós, pois, por meio do diálogo, podemos fazer crescer os sinais da misericórdia de Deus, tornando-o instrumento de acolhida e de respeito”.
Ao término da sua catequese na Audiência Jubilar, Francisco passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos, presentes na Praça São Pedro.
Aos fiéis da Polônia, que vieram em peregrinação nacional para agradecer a Deus pelo Batismo que seu povo recebeu há 1050 anos, Francisco aproveitou para recordar a grande figura de São João Paulo II, cuja memória litúrgica celebramos hoje, e sua Viagem Apostólica ao país, em julho passado:
“Estou imensamente agradecido a Deus, que me permitiu conhecer a sua nação, a pátria de São João Paulo II, onde pude visitar o Santuário mariano de Jasna Gora, o da Divina Misericórdia em Cracóvia e o centro João Paulo II intitulado ‘Não tenham medo’. Agradeço também pela visita silenciosa ao Campo de extermínio em Auschwitz-Birkenau”.
Aos peregrinos de língua italiana, Francisco recordou que há 38 anos, ressoava, precisamente na Praça São Pedro, as palavras que São João Paulo II dirigia ao mundo no início do seu Pontificado: “Não tenham medo... Abram, ou melhor, escancarem as portas a Cristo”. Tais palavras expressam a profunda espiritualidade do Santo polonês, plasmada pela herança histórica e cultural do seu povo.
Por fim, o Santo Padre se dirigiu aos presentes de língua portuguesa, aos quais disse:
“Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, de modo particular ao grupo de Póvoa de Varzim. Recordemos que a Virgem Maria nos ensina a ouvir no silêncio e a meditar todas as coisas no coração, de modo que possamos ir ao encontro das necessidades do próximo. Que seu exemplo possa nos ajudar a servir sempre mais os nossos irmãos e irmãs. Que Deus abençoe a vocês e aos seus entes queridos!” (MT)
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Abaixo, a íntegra da reflexão de Francisco:
"O trecho do Evangelho de João que escutamos narra o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. O que marca neste encontro é o diálogo intenso entre a mulher e Jesus. E isso hoje nos permite destacar um aspecto muito importante da misericórdia, que é justamente o diálogo.
O diálogo permite que as pessoas se conheçam e compreendam as exigências de ambas as partes. Antes de tudo, é um sinal de respeito, porque coloca as pessoas em escuta e na condição de transpor os melhores aspectos do interlocutor.
Em segundo lugar, o diálogo é expressão de caridade, porque, ao não ignorar as diferenças, pode ajudar a procurar e partilhar o bem comum. Além disso, o diálogo nos convida a colocar-nos diante do outro vendo-o como um dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido.
Muitas vezes, não encontramos os irmãos mesmo vivendo ao lado deles, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro. Não dialogamos quando não escutamos o suficiente ou temos a tendência de interromper o outro para demonstrar que temos razão. O verdadeiro diálogo, ao contrário, requer momentos de silêncio, nos quais se perceber o dom extraordinário da presença de Deus no irmão.
Caros irmãos e irmãs, dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar as incompreensões. Há tanta necessidade de diálogo em nossas famílias, e como se resolveriam mais facilmente as questões se se aprendesse a escutar reciprocamente!
É assim na relação entre marido e mulher, entre pais e filhos. Quanta ajuda pode vir também do diálogo entre professores e alunos, ou entre dirigentes e operários, para descobrir as melhores exigências do trabalho.
De diálogo vive também a Igreja com os homens e as mulheres de cada tempo, para compreender as necessidades que estão no coração de cada pessoa e para contribuir à realização do bem comum.
Pensemos ao grande dom da Criação e à responsabilidade que todos temos em preservar a nossa casa comum: o diálogo sobre um tema tão premente é uma exigência inevitável.
Pensemos ao diálogo entre as religiões, para descobrir a verdade profunda sobre sua missão em meio aos homens, e para contribuir à construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade.
Para terminar, todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência de amor de Deus, que vai ao encontro de todos e em cada um planta uma semente da sua bondade, para que possa colaborar a sua obra criadora.
O diálogo abate os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não consente que ninguém se isole, fechando-se no próprio pequeno mundo.
Jesus conhecia bem aquilo que estava no coração da samaritana; e apesar disso não negou a ela o direito de se expressar e entrou aos poucos no mistério da sua vida. Este ensinamento vale também para nós. Por meio do diálogo, podemos fazer com que cresçam os sinais da misericórdia de Deus fazendo-o instrumento de acolhida e respeito". (RB)
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(from Vatican Radio)
Papa à Fundação João Paulo II: "formar a juventude é investir no futuro”
O Santo Padre recebeu em audiência, na manhã desta sexta-feira (21/10), na Sala do Consistório, no Vaticano, 250 membros da Fundação João Paulo II, por ocasião dos seus 35 anos de atividades.
Após a saudação do Cardeal Stanislaw Rilko, o Papa fez um breve pronunciamento destacando, inicialmente, o principal objetivo da instituição:
“A finalidade da sua Fundação é manter as iniciativas de caráter educacional, cultural, religioso e caritativo, inspiradas na figura de São João Paulo II, do qual celebramos, amanhã, a memória litúrgica. A sua ação abrange diversas nações, sobretudo a Europa oriental. Numerosos estudantes foram favorecidos em seus estudos, graças à obra desta Fundação. Por isso, encorajo-os a continuar neste compromisso de promoção e sustento em prol das jovens gerações. Formar a juventude é investir no seu futuro”.
Francisco recordou a Jornada Mundial da Juventude, que presidiu na Polônia, mas também dois grandes personagens e filhos da nação polonesa: Santa Faustina Kowalska e São João Paulo II, ambos apóstolos da Divina Misericórdia:
“Possam as palavras e, sobretudo, os exemplos de vida destas duas luminosas testemunhas inspirar seu generoso compromisso. A Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, proteja e acompanhe suas atividades”.
Neste sentido, o Santo Padre concluiu dizendo: “Que o Ano Jubilar, que está para concluir, nos leve a refletir e meditar sobre a grandeza da Divina Misericórdia, em um tempo em que o homem, devido aos progressos em vários campos da técnica e da ciência, tende a sentir-se auto-suficiente e emancipado de toda autoridade superior.
Ao invés, como cristãos, recordou por fim o Papa, devemos estar cientes de que tudo é dom de Deus e que a verdadeira riqueza não é o dinheiro, que nos torna escravos, mas o amor de Deus que nos torna livres. (MT)
(from Vatican Radio)
Papa no encontro com a Pastoral Vocacional: "sair, ver e chamar"
O Papa concluiu sua série de audiências, na manhã desta sexta-feira (21/10), recebendo na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 255 participantes no Encontro Internacional de Pastoral Vocacional, promovido pela Congregação para o Clero.
Em seu discurso, Francisco expressou seu temor em usar algumas expressões comuns da linguagem eclesial. Por exemplo, disse, Pastoral Vocacional poderia dar a impressão de ser um dos tantos setores da ação eclesial, um departamento curial ou a elaboração de um projeto.
O Papa afirma que tudo isso é importante, mas a Pastoral Vocacional é bem mais do que isto “é um encontro com o Senhor”. A acolhida de Cristo é um encontro decisivo, que ilumina a nossa existência, nos livra da angústia do nosso pequeno mundo e nos torna discípulos apaixonados pelo Mestre:
“A Pastoral Vocacional é aprender o estilo de Jesus, que passa pelos lugares da vida cotidiana, se detém, sem pressa, e, olhando os irmãos com misericórdia, os conduz ao encontro com Deus Pai. Ele é o ‘Deus conosco’, que vive entre seus filhos, não teme misturar-se entre a multidão das nossas cidades”.
Aqui, Francisco citou o exemplo da vocação de Mateus: Jesus saiu de novo a pregar, depois viu Levi sentado no banco de impostos e, enfim, o chamou. O Papa se deteve nestes três verbos evangélicos para indicar o dinamismo de toda pastoral vocacional: “sair, ver e chamar”. Explicando o primeiro verbo “sair”, disse:
“A Pastoral Vocacional precisa de uma Igreja em movimento, capaz de ampliar seus confins, com base no grande coração misericordioso de Deus... Devemos aprender a sair da nossa rigidez, que nos tornam incapazes de comunicar a alegria do Evangelho, das fórmulas anacrônicas e das análises preconcebidas, que envolvem a vida das pessoas em esquemas frios”.
Neste sentido, dirigindo-se sobretudo aos pastores da Igreja, aos Bispos e aos Sacerdotes, o Papa disse: “Vocês são os principais responsáveis das vocações cristãs e sacerdotais; saindo, vocês podem ouvir os jovens, ajudá-los a discernir as ações dos seus corações e orientar os seus passos. Somos chamados a ser pastores no meio ao povo, a animar a pastoral do encontro e a dispor de tempo para acolher e ouvir os outros, sobretudo os jovens. A seguir, o Santo Padre explicou o segundo verbo, “ver”:
“Quando Jesus passa pelas ruas, pára e cruza seu olhar com o do outro, sem pressa. Eis o que torna atraente e fascinante o seu chamado. Hoje, infelizmente, a pressa e velocidade dos estímulos nem sempre deixam espaço ao silêncio interior, no qual ressoa o chamado do Senhor”.
Às vezes, constatou Francisco, é possível correr este risco em nossas comunidades: pastores e agentes pastorais podem cair num ativismo vazio por causa da pressa e dos seus compromissos. Mas, o Evangelho nos ensina que a vocação inicia com um olhar de misericórdia.
Mateus não viu em Jesus um olhar de desprezo ou de julgamento, mas um olhar no seu interior. Logo um olhar de discernimento. Aqui, o Papa explicou a terceira ação de Jesus com Mateus, “chamar”:
“Chamar é o terceiro verbo típico da vocação cristã. Jesus não faz longos discursos, não apresenta um programa a se aderir e nem respostas preconcebidas. Eles se limita em dizer ‘segue-me’, Jesus suscita o desejo de pôr-se em marcha e de deixar uma vida sedentária”.
Este desejo de busca destaca-se sobretudo nos jovens: é o tesouro que o Senhor coloca em nossas mãos, que deve ser mantido, cultivado e germinado. O Pontífice convida os presentes a ajudar os jovens a pôr-se a caminho e descobrir a alegria do Evangelho de Jesus. E concluiu, exortando sobretudo os Bispos e Sacerdotes:
“Perseverem em ser próximos, sair, semear a Palavra com olhares de misericórdia. Tenham coragem de promover a Pastoral Vocacional mediante métodos possíveis, exercendo a arte do discernimento. Não tenham medo de anunciar o Evangelho com generosidade, de encontrar e orientar a vida dos jovens”. (MT)
(from Vatican Radio)
Papa: cristãos rejeitem lutas e ciúmes, construir unidade na Igreja
Humildade, ternura, generosidade. Na missa da manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta, o Papa Francisco indicou esses três pontos-chave para construir a unidade na Igreja. Mais uma vez, o Papa exortou os cristãos a rejeitarem os ciúmes, as invejas e as lutas.
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“A paz esteja convosco”. O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia sublinhando que a saudação do Senhor “cria uma ligação”, um vínculo de paz. Uma saudação, retomou, que “nos une para fazer a unidade do Espírito”. “Se não há paz - observou - se não formos capazes de nos cumprimentar no sentido mais amplo da palavra, ter o coração aberto com espírito de paz, nunca mais haverá a unidade”.
O espírito do mal semeia guerras, os cristãos evitem lutas
E isso, disse Francisco, vale para a “unidade no mundo, a unidade nas cidades, no bairro, na família”:
“O espírito do mal semeia guerras, sempre. Ciúmes, invejas, lutas, fofocas ... são coisas que destroem a paz e, portanto, não pode haver unidade. E como é o comportamento de um cristão para a unidade, para encontrar esta unidade? Paulo diz claramente: "Comportem-se de maneira digna, com toda a humildade, ternura e generosidade”. Essas três atitudes. Humildade: você não pode dar a paz sem humildade. Onde há orgulho, há sempre a guerra, sempre o desejo de vencer sobre o outro, de crer ser superior. Sem humildade não existe paz e sem paz não há unidade. "
Redescobrir a doçura, apoiando-se um ao outro
O Papa observou com amargura que hoje “esquecemos a capacidade de falar com ternura, o nosso discurso é nos repreender. Ou falar mal dos outros ... não há ternura. " A ternura, no entanto, "tem um núcleol que é a capacidade de suportar uns aos outros": "Suportem-se uns aos outros", diz Paulo. É preciso ter paciência, retomou o Papa, "suportar os defeitos dos outros, as coisas que eu não gosto":
Primeira, a humildade; segunda, a ternura, com a qual se suportar mutuamente; e terceira, a generosidade, um grande coração capaz de conter todos, sem condenar e sem se rebaixar a mesquinharias. Neste grande coração todos encontram lugar! Ele tem um vínculo com a paz, de criar a unidade. O criador da unidade é o Espírito Santo, que favorece e prepara a unidade.
Logo, disse o Papa, colaboremos para a construção da unidade, com o vínculo da paz. Este é um meio digno de participarmos do mistério da Igreja:
O mistério da Igreja é o mistério do Corpo de Cristo: “Uma só fé, um só batismo, um só Deus, Pai de todos. Eis a unidade que Jesus pediu ao Pai para nós. O vínculo da paz aumenta com a humildade, a suavidade, suportar-se uns aos outros e ser generosos.
Francisco concluiu a sua homilia invocando o Espírito Santo, para que nos dê a sua graça, não apenas de entender, mas de viver este mistério da Igreja, que é mistério de unidade. (SP-MT)
Francisco: caminhar nas sendas do Apóstolo S. Paulo
Na manhã deste domingo (23/10), o Papa Francisco presidiu, às 12 horas de Roma, na Praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, mais uma oração mariana do Ângelus no contexto da Jornada Missionária Mundial que se celebra precisamente hoje.
Partindo da segunda carta de S. Paulo ao seu colaborador Timóteo, capítulo. 4, 6-8. 16-18, que é o texto da segunda leitura da Liturgia da Palavra deste domingo, Francisco ressaltou um aspecto particular desta exortação na qual o apóstolo Paulo, já quase no ocaso da própria vida repercorre a própria existência de apóstolo que se consagrou inteiramente ao serviço da missão evangelizadora.
Paulo repercorre o percurso da sua existência missionária, disse o Santo Padre, analisando três momentos essenciais: o presente, o passado e o futuro.
O Presente, sublinha o Papa, Paulo o interpreta com a metáfora do sacrifício” eu já estou oferecido em libação”. No que diz respeito ao passado, Paulo fala da sua vida através da imagem do “bom combate” e da “carreira” de um homem que foi coerente com os próprios empenhos e as próprias responsabilidades. Finalmente, falando do futuro, Paulo fala da sua confiança em Deus que é um “Juiz justo” e que haverá, por conseguinte, de reconhecer a sua obra missionária.
Entretanto a missão de Paulo resultou eficaz, justa e fiel, adverte Francisco, só graças a proximidade e a força do Senhor que fez do apóstolo Paulo um anunciador do Evangelho a todos os povos da terra, tal como ele próprio reconheceu quando disse:” O Senhor esteve ao meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem”.
Ora, nesta narração autobiográfica de S. Paulo, disse ainda o Santo Padre, se espelha a Igreja sobretudo hoje, dia em que se celebra a Jornada Missionária Mundial, cujo tema, este ano é “Igreja missionária, testemunha de misericórdia”. O que significa que Para Francisco, em Paulo a comunidade cristã encontra o seu modelo na convicção de que é a presença do Senhor a tornar eficaz o trabalho apostólico e a obra de evangelização. Por conseguinte, a experiência do Apóstolo dos gentios recorda-nos que devemos empenharmo-nos nas nossas actividades pastorais e missionárias, dum lado, como se o resultado dependesse dos nossos esforços, mediante o espírito de sacrifício do atleta que não se desencoraja nem tão pouco nos momentos das derrotas; por outro lado, porém, sabendo que o verdadeiro sucesso da nossa missão é o dom da Graça: é o Espírito Santo que torna eficaz a missão da Igreja no mundo.
<<Hoje é tempo de missão e é tempo de coragem! Coragem para reforçar os passos vacilantes, coragem para retomar o gosto de dedicar a própria vida à causa do Evangelho; coragem para readquirir confiança na força que a missão traz consigo mesma. É tempo de coragem, mesmo se a coragem não significa ter a garantia de sucesso. É-nos pedido coragem para lutar, não necessariamente para vencer; é-nos pedido coragem para anunciar (o Evangelho), não necessariamente para converter (os outros); é-nos pedido coragem para ser alternativos ao mundo, sem contudo tornar-se polémicos ou agressivos; é-nos pedido coragem para abrirmo-nos à todos, sem nunca diminuir o valor absoluto e a unicidade de Cristo, único salvador de todos; é-nos pedido coragem para resistir à incredulidade sem transformarmo-nos em arrogantes; é-nos sobretudo pedido a coragem do publicano que, com humildade, rezava o Senhor para que tivesse compaixão dele que é pecador>>.
Que a Virgem Maria, Modelo da Igreja “em saída” e dócil ao Espírito Santo, concluiu dizendo Francisco, nos ajude a ser todos, em força do nosso Baptismo, discípulos missionários para levarmos a mensagem da salvação à inteira família humana.
Após a recitação do Ângelus, Francisco lançou um vibrante apelo sobre a situação do Iraque, ao mesmo tempo que convidou aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro a observar um minuto de silêncio e em seguida a rezar uma Ave-Maria, em memória das vítimas da guerra do Iraque.
Nestas horas dramáticas, disse o Santo Padre, estou próximo à inteira população do Iraque, em particular à população de Mosul. A nossa alma está profundamente chocada pela violência que já há muito tempo está a ser efectuada contra cidadãos inocentes, sejam eles muçulmanos, sejam eles cristãos, sejam eles pertencentes à outras etnias e religiões. Fiquei profundamente chocado ao ouvir a notícia do assassinato, a sangue frio, de numerosos filhos desta terra amada, entre eles também, tantas crianças. Esta crueldade nos faz chorar, e nos deixa sem palavras. À palavra de solidariedade se acompanha também a certeza da minha oração, disse Francisco, para que o Iraque, mesmo duramente atingido, seja forte e firme na esperança de poder ir ao encontro de um futuro de segurança, de reconciliação e de paz.
Finalmente, o Papa saudou todos os presentes na Praça de S. Pedro, iniciando pelos polacos que recordam hoje em Roma e na Polónia, disse Francisco 1050 aniversário da presença do cristianismo na Polónia; em seguida Francisco saudou todos os participantes ao Jubileu dos grupos corais da Itália, os jovens das diversas Confraternidades das dioceses da Itália, os fiéis provenientes das diversas paróquias da Itália e também à comunidade peruana de Roma que hoje se encontrava na Praça de S. Pedro trazendo consigo a imagem do “Señor de los Milagros.
À todos, o Papa encorajou a prosseguir com alegria o seu caminho de fé e desejou um bom domingo, pedindo mais uma vez, que, por favor, não se esqueçam de rezar por Ele.
(from Vatican Radio)
Bispos católicos e evangélicos concluem visita comum à Terra Santa
“Um passo significativo rumo à reconciliação das duas maiores Igrejas cristãs na Alemanha.” Com essas palavras, o presidente da Conferência Episcopal Alemã e o presidente do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha, respectivamente, o Cardeal Reinhard Marx e o Bispo luterano Heinrich Bedford-Strohm, avaliam a primeira peregrinação comum à Terra Santa. A visita, com a participação de uma delegação de nove bispos das duas Igrejas, teve início no domingo, 16 de outubro.
Criar as premissas para relações mais estreitas entre as duas Igrejas
As etapas principais da peregrinação foram Jerusalém, Belém e o Mar da Galileia, onde tiveram encontros de caráter religioso e com personalidades políticas, e a visita ao memorial do Holocausto. O objetivo primário era criar as premissas para relações mais estreitas entre as duas Igrejas de Cristo “mediante a solidariedade expressa pela fé”.
Celebrações de 2017 reforçarão caminho rumo à plena unidade
Numa mensagem conjunta difundida ao término da visita e reportada pela agência Sir, o Cardeal Marx e o Bispo Bedfor-Strohm ressaltam a importância desta visita no Ano Santo da misericórdia convocado pelo Papa Francisco e faltando poucos meses para o início das celebrações, em 2017, do quinto centenário da Reforma luterana.
“A nossa missão comum para nosso país ainda não foi completada. Estamos certos de que a festa de Cristo em 2017 será um testemunho crível de Deus e nos reforçará em nosso caminho rumo à plena unidade visível”, escrevem os dois presidentes no documento, que definem uma “mensagem de Cristo”.
Diversidade reconciliada, um objetivo árduo
“No encontro com os Lugares Santos percebemos a unidade profunda entre nós, discípulas e discípulos de Cristo, no seu seguimento”, disse na sexta-feira o Cardeal Marx numa coletiva em Jerusalém.
O Rev. Bedford-Strohm descreveu a peregrinação como uma “experiência memorável”, na qual “aprendemos a ver através dos olhos dos outros.
Essa é uma base muito sólida para o espírito ecumênico do aniversário da Reforma”, mas “na celebração eucarística e na comunhão sentimos também que a diversidade é um objetivo árduo”, disse o bispo luterano. (RL)
No Angelus, novo apelo do Papa em favor da paz e reconciliação no Iraque
Nestas horas dramáticas, faço-me próximo de toda a população do Iraque, em particular, da população da cidade de Mosul: foram palavras do Santo Padre no Angelus deste domingo, em mais um premente apelo em favor da paz e da reconciliação no País do Golfo, onde se tem registrado nestes dias um ulterior recrudescimento dos combates, cuja violência não poupa nem mesmo as crianças.
“Nosso ânimo encontra-se abalado com os cruentos atos de violência que há muito tempo têm sido cometidos contra os cidadãos inocentes, tanto muçulmanos quanto cristãos, bem como pertencentes a outras etnias e religiões. Sinto-me entristecido com as notícias do assassinato a sangue frio de numerosos filhos daquela terra, entre os quais também muitas crianças. Essa crueldade nos faz chorar, deixando-nos sem palavras.”
Francisco une sua palavra de solidariedade à asseguração de sua recordação na oração, a fim de que o Iraque, mesmo duramente atingido, se mantenha “firme na esperança de poder caminhar rumo a um futuro de segurança, de reconciliação e de paz”. O Santo Padre pediu aos presentes na Praça São Pedro – que acompanhavam a oração mariana – que se unissem a ele na oração, fazendo um momento de silêncio seguido de uma Ave-Maria.
Paulo Apóstolo, anunciador do Evangelho a todos os povos
Na alocução que precedeu a oração do Angelus, o Papa ateve-se à segunda leitura da Liturgia dominical, que nos apresenta a exortação de São Paulo apóstolo a Timóteo, seu colaborador.
Nela, o Apóstolo repensa sua existência totalmente consagrada à missão, e vendo aproximar-se o fim de seu caminho terreno, descreve-o em referência a três estações: o presente, o passado e o futuro.
Após explicitar cada uma delas, Francisco ressalta que “a missão de Paulo resultou eficaz, justa e fiel somente graças à proximidade e à força do Senhor, que fez dele um anunciador do Evangelho a todos os povos.
Igreja missionária, testemunha da misericórdia
Nesta narração autobiográfica de São Paulo espelha-se a Igreja, especialmente neste domingo, ressaltou o Pontífice, “Dia Mundial das Missões”, cujo tema é ”Igreja missionária, testemunha de misericórdia”.
“A experiência do apóstolo dos gentios nos recorda que devemos empenhar-nos nas atividades pastorais e missionárias, de um lado, como se o resultado dependesse de nossos esforços, com o espírito de sacrifício do atleta que não se detém nem mesmo diante das derrotas; de outro, porém, sabendo que o verdadeiro sucesso de nossa missão é dom da Graça: é o Espírito Santo que torna eficaz a missão da Igreja no mundo.”
Tempo de missão e de coragem
Tendo lembrado que este domingo é “Dia Mundial das Missões”, disse que hoje é tempo de missão e é tempo de coragem
“Coragem para reforçar os passos vacilantes, para retomar o gosto do gastar-se pelo Evangelho, para readquirir confiança na força que a missão leva consigo. É tempo de coragem, mesmo se ter coragem não significa ter garantia de sucesso. É-nos pedido a coragem para lutar, não necessariamente para vencer; para anunciar, não necessariamente para converter.”
Coragem para abrir-nos a todos
Francisco continuou advertindo que “nos é pedido coragem para ser alternativos ao mundo, sem porém jamais tornar-nos polêmicos ou agressivos. É-nos pedido coragem para abrir-nos a todos, sem jamais diminuir o caráter absoluto e a unicidade de Cristo, único salvador de todos. É-nos pedido coragem para resistir à incredulidade, sem tornar-nos arrogantes”.
“É-nos também pedido a coragem do publicano do Evangelho deste domingo, que com humildade não ousava sequer elevar os olhos ao céu, mas batia no peito dizendo: ‘Ó Deus, tende piedade de mim, pecador’.”
É tempo de coragem!, repetiu o Papa. “Hoje é preciso coragem!”
Dirigindo-se aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes, saudou os poloneses, que recordam em Roma e em sua Pátria os 1050 anos da presença do cristianismo na Polônia. Saudou também os coristas, que nestes dias celebraram o seu Jubileu. E cumprimentou a comunidade peruana de Roma, presente na Praça São Pedro com a Imagem sagrada do Senhor dos Milagres. Antes de despedir-se, pediu que não se esqueçam de rezar por ele. (RL)
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