domingo, 27 de setembro de 2015

Diante da plateia do mundo

Diante da plateia do mundo

2015-09-26 L’Osservatore Romano
Quando o Papa Francisco chegou à sede das Nações Unidas em Nova Iorque, desfraldava também a bandeira da Santa Sé diante da entrada.

Escolha não casual num dia de grande solenidade para a organização internacional. E com solenidade e entusiasmo o Pontífice foi recebido na manhã de 25 de Setembro, ao entrar na sala da assembleia geral, que apreciou o seu discurso, interrompendo-o vinte e sete vezes e, no final, saudando-o por uma standing ovation. Uma intervenção esperada numa ocasião importante, para uma mensagem de confiança nas capacidades de incidir no futuro; mas sobretudo uma exortação ao compromisso de quantos têm o poder e a responsabilidade de melhorar o mundo, para o bem dos povos e do planeta.

Precisamente em virtude dos temas abordados e da prestigiosa plateia à qual se dirigiu — com dezenas de chefes de Estado e de Governo que assinarão o Programa para o Desenvolvimento 2015-2030 — este foi um dos momentos mais significativos da viagem do Papa Francisco, quarto Pontífice que proferiu um discurso no Palácio de Vidro. Antes dele, Paulo VI a 4 de Outubro de 1965, João Paulo II a 2 de Outubro de 1979 e a 5 de Outubro de 1995, e Bento XVI no dia 18 de Abril de 2008. E a sua intervenção coincidiu com o início da septuagésima assembleia geral.

Gaetano Vallini

No coração de Nova Iorque

No coração de Nova Iorque

2015-09-26 L’Osservatore Romano
Em Filadélfia, última etapa da terceira viagem americana de Bergoglio, o Papa conclui o encontro mundial das famílias. Com efeito o tema crucial da família, no centro das suas preocupações e do iminente sínodo, foi mencionado várias vezes neste itinerário cubano e norte-americano, durante o qual o Pontífice — como em cinquenta anos três dos seus predecessores (por quatro vezes) — falou à assembleia geral das Nações Unidas. Suscitou enorme interesse nos meios de comunicação internacionais o longo discurso aos representantes do mundo inteiro, mas igual impacto tiveram também os encontros papais no coração de Nova Iorque, encerrados por uma missa solene no Madison Square Garden.

Deus vive nas nossas cidades e é possível ver a sua luz caminhando nas trevas, segundo a imagem de Isaías. Trevas e nevoeiro que, na homilia conclusiva da visita à grande metrópole, o Papa actualizou com muita eficácia: «O povo que caminha, respira, vive no meio do smog, viu uma grande luz, experimentou um ar de vida». E saber que Jesus — conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz, segundo a descrição profética — caminha nesta única história de salvação enche de esperança: induzindo ao encontro com o próximo, mostrando-se presente na vida diária como intuiu Teresa de Ávila, misericordioso, doador da verdadeira paz.

Palavras que parecem ter ressoado e resumido o encontro, simples e enternecedor, do Pontífice com algumas famílias de imigrantes — sobretudo crianças e jovens ajudados pelas Charities católicas — numa paróquia de Harlem, um dos bairros nova-iorquinos mais desfavorecidos e difíceis: onde não há alegria, ali age o diabo porque, ao contrário, Jesus traz e quer a alegria, disse. Mas a presença de Deus é visível inclusive nas realidades mais trágicas, onde «a dor é palpável». Como no impressionante memorial de 11 de Setembro no Ground Zero, onde surgiam as Twin Towers e onde já Bento XVI tinha rezado no frio de uma cinzenta manhã de Abril.

Num lugar que agora a vontade e a memória dos nova-iorquinos souberam transformar de modo admirável, mostrando deste modo a ferida atroz infligida por quem cometeu a injustiça e o fratricídio. Aqui o Papa participou num comovedor testemunho de paz e de oração, com mulheres e homens de diferentes religiões — hindus, budistas, siques, cristãos, muçulmanos, judeus — que permanecerá um dos símbolos mais excelsos do pontificado, «sinal vigoroso das nossas vontades de compartilhar e de reiterar o desejo de sermos forças de reconciliação, forças de paz e de justiça nesta comunidade» e no mundo inteiro.

E à comunidade mundial — como Paulo VI pela primeira vez há cinquenta anos, a 4 de Outubro de 1965 — Francisco dirigiu-se directamente. Com um discurso às Nações Unidas, tanto abrangente quanto importante que, sem esconder os limites e os problemas abertos, ressoou como um apoio claro à instituição, a tal ponto que «se faltasse toda esta actividade internacional, a humanidade poderia não ter sobrevivido ao uso descontrolado das suas próprias potencialidades», disse o Papa no início da sua longa intervenção.

O meio ambiente, os excluídos, a guerra, as armas, o caminho da negociação e o narcotráfico foram os pontos principais desenvolvidos por Bergoglio que, concluindo, quis fazer suas as palavras finais do histórico discurso de Montini: «O perigo não vem nem do progresso nem da ciência que, bem utilizados, poderão, pelo contrário, resolver um grande número dos graves problemas que assaltam a humanidade. O verdadeiro perigo está no homem, que dispõe de instrumentos cada vez mais poderosos, aptos tanto para a ruína como para as mais elevadas conquistas. Em síntese, o edifício da civilização moderna deve construir-se sobre princípios espirituais, os únicos capazes não apenas de o sustentar, mas também de o iluminar e animar».

Uma rosa branca pelas vítimas no Ground Zero

Uma rosa branca pelas vítimas no Ground Zero

Uma rosa branca em memória das 2.979 vítimas e uma prece silenciosa, recitada ao lado da fonte do sul, uma das duas construídas onde surgiam as Twin Towers, na qual foram gravados os nomes de quantos aí pereceram. Começou assim, na manhã de 25 de Setembro, a visita do Papa Francisco ao Ground Zero, segunda etapa de um dia denso de compromissos. Ao chegar, visivelmente comovido, o Pontífice encontrou-se com um agente de polícia em cadeira de rodas, uma das numerosas pessoas com os sinais indeléveis da tremenda tragédia de 11 de Setembro de 2001.

Acompanhado pelo cardeal Thimoty Dolan, arcebispo de Nova Iorque, o Papa saudou os familiares de vinte socorristas mortos. Depois, entrou no edifício do Memorial e desceu ao quarto andar subterrâneo e, a bordo de um carro eléctrico, chegou à Foundation Hall para o encontro inter-religioso, por ele ardentemente desejado. Com efeito, quando aceitou o convite a visitar também o Ground Zero, Francisco disse imediatamente que teria preferido que não fosse apenas uma ocasião para orar pelas vítimas do terrível atentado, mas também para rezar pela paz, em união com representantes de todas as religiões.

Assim, no lugar onde surgia o World Trade Center, pela primeira vez encontraram-se expoentes de várias religiões e credos. Doze deles receberam o Papa no pódio, montado ao lado dos restos de um pilar de uma das torres desabadas, enquanto dezenas de outros estavam no meio da plateia realizada no Memorial, acompanhados de numerosos convidados, entre os quais Rudolph Giuliani, naquela época presidente da câmara municipal, e o governador do Estado, Cuomo.

Gaetano Vallini

Papa: religiões unidas pela paz e tolerância

Papa: religiões unidas pela paz e tolerância

Foi no Independence Mall de Filadélfia, local simbólico da independência dos Estados Unidos da América, que o Papa Francisco presidiu a um encontro sobre liberdade religiosa neste sábado dia 26 de setembro. O Santo Padre apelou ao diálogo entre os vários credos para a promoção dos direitos humanos.

No seu discurso o Papa Francisco começou por salientar que foi naquele lugar que “foram proclamadas pela primeira vez as liberdades” nos Estados Unidos. “A Declaração de Independência afirmou que todos os homens e todas as mulheres são criados iguais” – sublinhou o Papa – e a nação norte-americana revelou na sua história um “esforço constante para encarnar estes altos princípios na sua vida social e política”.

Fazer memória permite não fazer os erros do passado – referiu o Santo Padre que afirmou a liberdade religiosa como um direito fundamental:

“Neste lugar, que é um símbolo do espírito americano, quereria refletir convosco sobre o direito à liberdade religiosa. É um direito fundamental que dá forma ao nosso modo de como interagimos social e pessoalmente com os nossos vizinhos que têm crenças religiosas diferentes das nossas. O ideal do diálogo inter-religioso onde todos os homens e mulheres de diferentes tradições religiosas podem dialogar sem lutar. É isso que dá a liberdade religiosa.”

A liberdade religiosa implica o direito de adorar a Deus, mas vai para além disso, transcendendo os lugares de culto e a esfera dos indivíduos e das famílias – declarou o Papa Francisco:

“A liberdade religiosa sem dúvida comporta o direito de adorar a Deus, individual e comunitariamente, de acordo com a própria consciência. Mas, por outro lado, a liberdade religiosa transcende, por sua natureza, os lugares de culto, e a esfera dos indivíduos e das famílias. Porque a dimensão religiosa não é uma subcultura é parte da cultura de qualquer povo e de qualquer nação.”

As tradições religiosas servem a sociedade, vivem uma liberdade irredutível contra as pretensões do poder absoluto, estimulando o pensamento, engrandecendo a mente e chamando à reconciliação e ao serviço do bem comum – afirmou o Papa no seu discurso, deixando claro que, no mundo atual, onde existem tiranias, as diferentes religiões devem unir-se pela paz e pela tolerância:

 “Num mundo onde as diferentes formas de tirania moderna procuram suprimir a liberdade religiosa, ou reduzi-la a uma subcultura sem direito a voz na esfera pública, ou ainda usar a religião como pretexto para o ódio e a brutalidade, torna-se forçoso que os seguidores das diferentes religiões unam a sua voz para invocar a paz, a tolerância, o respeito pela dignidade e os direitos dos outros.”

O Papa Francisco recordou, a este propósito, o exemplo dos “Quakers” que fundaram Filadélfia” e “viviam inspirados por um profundo sentido evangélico da dignidade de cada pessoa e pelo ideal duma comunidade unida pelo amor fraterno”.

Na conclusão do seu discurso o Santo Padre, dirigindo-se aos muitos hispânicos presentes neste encontro, disse-lhes para não se envergonharem das suas “tradições” e para não se esquecerem das “lições” dos antepassados.

(RS)

(from Vatican Radio)

Papa com as famílias: a família tem cidadania divina

Papa com as famílias: a família tem cidadania divina

No final da tarde deste sábado, 26 de setembro, o Papa Francisco encontrou-se com as famílias reunidas em Filadélfia no seu VIII Encontro Mundial.

Testemunhos, orações, histórias de vida e canções encheram de alegria e esperança o Benjamin Franklin Parkway de Filadélfia. A todas as famílias o Santo Padre escutou com atenção e dirigiu-lhes algumas palavras falando de improviso em língua espanhola.

O Papa Francisco começou por agradecer os testemunhos que foram apresentados e afirmou que um testemunho verdadeiro leva-nos a Deus porque Deus é Verdade, Beleza e Bondade. Sublinhou também que Deus é Amor e recordou uma pergunta que uma vez uma criança lhe fez e que se interrogava com o que fazia Deus antes de criar o mundo. O Santo Padre, confessando-se surpreendido com a questão, disse ao menino que Deus antes da Criação amava, porque Deus é Amor!

E o Amor de Deus é tal – continuou o Papa – que criou o homem e a mulher e entregou-lhes o mundo. Um mundo onde existe a divisão e a guerra e onde irmãos matam irmãos – disse o Papa que recordou que Deus não nos abandona e mandou-nos o seu próprio “Filho” como “expressão do Seu Amor”. E não o enviou para um palácio, para uma cidade ou para uma empresa, mas “para uma família”. “Deus entrou no mundo numa família”.

Deus bateu à porta de uma família e Maria e José foram obedientes – afirmou o Papa que declarou que a família tem cidadania divina, num bilhete de identidade dado por Deus para que as “famílias cresçam em bondade, verdade e beleza”.

O Santo Padre no seu discurso improvisado não deixou de falar nos muitos problemas das famílias, na relação conjugal e também com os filhos, afirmando que nas famílias há sempre “cruz”, mas que também há depois “ressurreição” porque a família é uma “fábrica de esperança”. As dificuldades só se superam com o Amor – afirmou o Papa Francisco.

No final da sua intervenção o Santo Padre invocou as crianças e os avós. As crianças são a força e os avós a memória. Cuidar de uns e de outros promete-nos o futuro.

O Papa Francisco a todos abençoou e pediu para cuidarem e defenderem a família porque “é aí que se joga o nosso futuro”.

(RS)

(from Vatican Radio)

Vítima do regime czarista será beatificada na Polônia

Vítima do regime czarista será beatificada na Polônia

Cracóvia (RV) - O Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, preside, neste domingo (27/9), em Cracóvia, em nome do Papa Francisco, à solene celebração Eucarística de Beatificação de Clara Ludovica Szczesna.

Clara Ludovica nasceu em Cieszki, na diocese polonesa de Płock, em 18 de julho de 1863. Em agosto de 1885, participou de um retiro em Zakroczym, pregado pelo capuchinho Frei Onorato Koźmiński, hoje Beato. No mês seguinte, entrou para a Congregação clandestina das Servas de Jesus.

Em 1889, depois de um período de treinamento em Varsóvia, ainda noviça, foi enviada para Lublin como superiora da casa. Oficialmente, dirigia uma alfaiataria, mas, secretamente, exercia seu apostolado entre as jovens que buscavam trabalho. Durante uma inspeção da polícia do regime czarista, fortemente hostil à religião católica, foi encontrado um livro de catecismo. Por isso, sendo considerada culpada, foi obrigada a deixar imediatamente a cidade.

Seu diretor espiritual, Padre Antônio Nojszewski, ao se despedir dela, a aconselhou a difundir, por toda parte, o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Ao voltar para Varsóvia, vivia no temor de cair novamente sob o controle da polícia.

Desta forma, Clara Ludovica experimentou, pessoalmente, discriminações e hostilidades do regime czarista contra os católicos poloneses, durante a ocupação russa.

No entanto, o Bispo José Sebastião Pelczar, hoje venerado como santo, pediu ao Frei Honorato para enviar uma Irmã como diretora do asilo das empregadas domésticas, em Cracóvia. Clara Ludovica foi escolhida com uma noviça e uma postulante. Durante o trabalho, as religiosas tentaram formar espiritualmente as domésticas com muito proveito, a ponto de algumas se tornar consagradas.

Clara Ludovica foi co-fundadora da Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus, fundada em 15 de abril de 1894, da qual foi superiora por 22 anos, até falecer em Cracóvia, em 7 de fevereiro de 1916. (MT)

(from Vatican Radio)

Papa na Festa das Famílias: “A família tem cidadania divina”

Papa na Festa das Famílias: “A família tem cidadania divina”

Filadélfia (RV) – Centenas de milhares de pessoas acolheram o Papa na sua chegada ao Encontro Mundial das Famílias, em Filadélfia, na noite do sábado (26/9). No palco, o espetáculo foi conduzido por grandes nomes da música dos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, pela emoção dos testemunhos das famílias. Após ouvir diversos testemunhos de famílias das mais diferentes realidades que compartilharam as experiências de vida, o Papa iniciou a sua reflexão, deixando de lado o discurso preparado e falando de coração.

 “Queridos irmãos e irmãs, queridas famílias

 A beleza nos leva a Deus. Um testemunho verdadeiro nos leva a Deus. Porque Deus também é verdade. Beleza e Verdade. E um testemunho dado para servir é bom, nos faz bons, porque Deus é bondade. Todos os bons, todos os verdadeiros, toda a beleza nos levam a Deus, porque Deus é bom, é belo, é verdade. Obrigado a todos, a todos que deram testemunho, e a presença de vocês que também é um testemunho de que vale a pena a vida em família.  De que uma sociedade cresce forte, cresce boa, cresce sólida se se edifica na família.

Uma vez, uma criança me perguntou. Sabem, crianças fazem perguntas difíceis. Padre, o que Deus fazia antes de criar o mundo?

Lhes asseguro que me custou muito responder. E disse o que vou dizer agora: antes de criar o mundo, Deus amava, porque Deus é amor.

Era tal o amor, do Pai, Filho e Espirito Santo que transbordava, não sei se e muito teológico, era tão grande que não poderia ser egoísta, tinha que sair de si mesmo. Para compartilhar o amor quem ele amava, e então Ele criou esse mundo lindo em que vivemos. E, por estarmos um pouco confusos, o estamos  destruindo. Mas o mais lindo que Deus fez foi a família.

Criou o homem e a mulher, e lhes entregou tudo. O mundo. Cresçam, multipliquem-se, cultivem a terra, façam produzir, crescer, com todo o amor que fez a Criação, entregou a uma família. Todo o amor, a beleza e entrega a família... quando essa abre os braços e recebe.

Não existe paraíso na terra. Existem problemas, porque por astúcia do diabo os homens aprenderam a se dividir. Todo esse amor que Deus nos deu, foi quase perdido. Em pouco tempo, o primeiro crime, o primeiro fratricídio. Um irmão mata outro irmão. A guerra, o amor, a beleza e a verdade de Deus e a destruição da guerra, e entre essas duas posições, caminhamos hoje.

Cabe a nos escolher, decidir o caminho que queremos seguir. Vamos para trás...quando o homem e sua mulher se equivocaram, Deus não os abandonou. É muito grande o amor de Deus, que começou então a caminhar com seu povo até que chegou o momento justo e deu a maior expressão de seu Amor, seu Filho: e para onde mandou seu Filho? A um palácio, uma empresa... não, mandou-O a uma família.

Pôde fazer isso porque era uma família que tinha o amor aberto ao coração, as portas abertas. Pensemos em Maria, não poderia acreditar. Como isso pode acontecer? Quando explicaram, ela obedeceu. Pensemos em José, cheio de planos e, de repente, se encontra nessa situação que não entende, mas aceita. E em obediência, de amor de Maria e José, se dá uma família em que Deus vem. Deus sempre bate às portas dos corações. Ele gosta de fazer isso. Ele sai de dentro. Mas sabe o que mais gosta? Bater às portas das famílias, encontrar famílias que se amam, que fazem crescer seus filhos, que os levam adiante, que criam uma sociedade de bondade, de verdade e de beleza.

Estamos na festa da família. A família tem cidadania divina. A carta de identidade que elas têm foi dada por Deus para que no coração da famílias cresçam a bondade, verdade e beleza.

Alguns podem dizer. Padre, você fala isso porque é solteiro. A família tem dificuldade. Em família discutimos. A família, às vezes quebra pratos. Nas famílias, os filhos dão dor de cabeça, não falemos das sogras.

Mas, nas famílias, sempre há cruz. Porque o amor de Deus, do Filho de Deus, também nos abriu esse caminho. Mas nas famílias depois da cruz há ressurreição, porque o Filho de Deus nos abriu esse caminho. Por isso a família é uma fábrica de esperança, de esperança e ressurreição. Deus abriu este caminho e os filhos, dão trabalho, sim. Nós como filhos demos trabalho. Às vezes, em casa, vejo alguns de meus colaboradores que vêm trabalhar com olheiras, que têm um bebe de 1 mês, 2 meses...e pergunto: não dormiste? - Não pude porque eles não dormiram a noite toda. Na família há dificuldades. Mas essas dificuldades se superam com amor. O ódio não supera nenhuma dificuldade.

A divisão dos corações não supera nenhuma dificuldade. Somente o amor é capaz de superar. O amor é festa. O amor é alegria. O amor é seguir em frente. Não quero falar muito porque já é tarde, mas queria dizer de dois pontos sobre as famílias.

Queria que se tivesse... não só queria, mas temos que ter cuidado: das crianças e dos avós.

As crianças e os jovens são a força, são aqueles nos quais colocamos as esperanças. Os avós são a memória das famílias. São os que nos deram a fé, nos transmitiram a fé. Cuidar dos avós e das crianças é a mostra do amor, não sei se maior, mas mais promissor da família, porque promete o futuro. Um povo que não sabe cuidar das crianças e um povo que não sabe cuidar dos avós é um povo sem futuro. Porque não tem a força e não tem a memória que o leva adiante.

A família é beleza, mas tem problemas. Às vezes há inimizades. Maridos que brigam com as mulheres, os filhos que não se entendem com os pais. Lhes sugiro um conselho: nunca terminem um dia sem fazer as pazes. Em uma família não se pode terminar o dia em guerra. Que Deus os abençoe. Que Deus lhes dê a força que lhes anime a seguir adiante. Cuidemos a família, defendamos a família, porque aí está em jogo o nosso futuro. Rezem por mim”. (RB)

(from Vatican Radio)