quarta-feira, 26 de outubro de 2016

"Decisão corajosa" do Papa ir à Suécia, diz Secretário da FLM

A decisão do Papa Francisco de ir a Lund “para celebrar junto conosco o aniversário da Reforma” foi uma escolha “corajosa”. Disto está convencido o Secretário Geral da Federação Luterana Mundial Martin Junge, que nesta entrevista concedida a Antonio Carneiro, do L’Osservatore Romano, fala das expectativas ecumênicas da viagem do Papa à Suécia, a ser realizada de 31 de outubro a 1º de novembro.
P: O que tem para ser celebrado neste 500 anos após a Reforma?
“Ela deu frutos para a Igreja no seu conjunto: a sua ênfase em Cristo como salvador, a tradução da Bíblia nas línguas faladas, a fé como dom. Além disto, gostaria de recordar os cinquenta anos do diálogo entre católicos e luteranos a nível global, que celebraremos em 2017. O diálogo, iniciado após o Concílio Vaticano II, ofereceu um significativo impulso na busca da unidade entre as comunidades do mundo cristão. Não podemos celebrar, pelo contrário, as divisões: como povo que lê a Bíblia, sabemos o quanto Jesus rezou pela unidade entre os seus discípulos. Mas a Reforma, mesmo não querendo, trouxe divisões. Devemos reconhecer também a violência e as guerras de religiões que se seguiram à Reforma, quando as disputas teológicas eram alinhadas com os conflitos políticos e econômicos da época. Não existe maneira de banalizar tal violência ou de justificá-la. Podemos somente arrepender-nos por tudo isto”.
P: Atualmente, como são as relações entre a Igreja Luterana e a Igreja Católica na Suécia?
“Existem muitas conexões em diversos níveis diferentes: a cooperação entre as paróquias, plataformas e processos de diálogo também a nível nacional, com a participação das duas realidades no Conselho sueco de Igrejas.  Somos gratos à Igreja Luterana da Suécia e à Diocese Católica de Estocolmo pela sua vontade de acolher-nos”.
P: Quais foram os progressos mais importantes do diálogo entre luteranos e católicos durante os Pontificados de Bento XVI e Francisco?
“Houve um diálogo intenso, que também viveu grandes discussões, nunca degeneradas em confrontos. É uma troca construtiva em busca da verdade, enquanto se busca compreender-se um ao outro. Eis porque hoje a comemoração comum é possível. Já antes destes dois Pontificados, a “Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação” foi assinada quer por católicos como por luteranos em 1999, no tempo de João Paulo II. Mais tarde, em 2013, durante o papado de Bento XVI, teve o documento “Do Conflito à Comunhão”. E agora Francisco tomou a corajosa decisão de ir à Lund para celebrar junto conosco o aniversário da Reforma. Esta viagem e os objetivos estabelecidos deixam claro: a celebração comum não vem do nada. É construída com base em um sólido processo ecumênico que nos levou a estar muito mais próximos”.
P: O que significa para os luteranos receber uma visita papal?
“Diversos Pontífices visitaram comunidades luteranas nos últimos decênios. Esta vez, no entanto, o Papa não fará somente uma visita, mas irá compartilhar a celebração comum com o Presidente da Federação Luterana Mundial, o Bispo Munib Younan, e também comigo, como Secretário Geral da mesma. E isto tem um grande significado. O fato de que o Papa compartilhe a comemoração comum transmitirá uma forte mensagem sobre o importante processo ecumênico ocorrido nestes últimos decênios e sobre o decidido empenho em seguir em frente juntos. Enquanto recordamos o passado, queremos olhar em frente, para um futuro comum, naquilo que Deus continua a pedir à Igreja”.
P: A que tipo de reconciliação se deseja chegar?
“Com a Declaração de 1999 chegamos à conclusão de que as condenações, formuladas segundo as disputas teológicas nascidas no século XVI, não têm mais razão de existir. Com o Documento “Do Conflito à Comunhão” conseguimos oferecer uma narrativa comum sobre os acontecimentos da Reforma, sobre questões teológicas em jogo e sobre como estas problemáticas evoluíram ulteriormente. Algumas destas problemáticas nos guiaram para alcançarmos uma comum compreensão. Outras, em particular a compreensão da Igreja, o ministério e a Eucaristia, requerem um maior esforço. Com base nesta fundamental convergência e no contexto de um mundo que sofre por conflitos, fragmentações e falta de comunicação, não posso que não pensar em um tempo melhor para os luteranos e os católicos, que juntos, declaram publicamente a sua determinação de separar-se de um passado tão fortemente marcado pelo conflito e lançar-se em um futuro que, acreditamos, será comum. Este importante passo deve ser ainda seguido por outros, que no final deveriam guiar-nos em receber de forma comum a presença reconciliadora de Cristo por meio do pão e do vinho ao redor da ceia à qual somos convidados. Acredito firmemente que a celebração comum será um grande encorajamento para buscar, de modo ainda mais convicto, como deixar de lado os obstáculos remanescentes que nos impedem de receber os dons de Deus na mesma ceia. Enquanto trabalhamos para tal meta, desejo que a nossa reconciliação nos torne livres para testemunhar já agora, com maior alegria, a beleza e a profundidade da fé comum no Deus Trinitário e de servir, com maior compaixão e amor, aqueles que hoje têm uma desesperada necessidade da Igreja – os pobres, os refugiados – e uma criação que geme sob o peso de uma exploração inexorável”.
P: Se Lutero fosse vivo hoje, qual seria a sua reflexão sobre a Igreja Católica?
“Um famoso quadro de Lucas Cranach mostra Martinho Lutero que prega do púlpito de uma igreja de Wittenberg. O representa enquanto indica Jesus Cristo que proclama a palavra de Deus. Cristo é o nosso Alfa e Ômega. Isto é verdade quer para católicos como para luteranos. Acredito que mesmo permanecendo fieis às tradições e ensinamentos, os luteranos e os católicos querem antes de tudo ser conscientes das suas raízes comuns no Batismo e desejam oferecer aquele testemunho ao qual Cristo nos convida hoje. Se Lutero fosse vivo, esperaria de vê-lo alegre pelo fato de que, devido às nossas comuns raízes em Cristo, as memórias derivadas da uma dolorosa história entre católicos e protestantes continuam a cicatrizar”.

Papa na Suécia: celebrar também os 50 anos de diálogo, diz Card. Koch

É grande a expectativa pela viagem do Papa à Suécia, de 31 de novembro a 1º de novembro, por ocasião da histórica celebração luterano-católica dos 500 anos da Reforma.
Na manhã desta quarta-feira, o  Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke, deu os detalhes desta que é a 17ª Viagem Apostólica Internacional de Francisco.
Acontecimento inédito
É um acontecimento inédito na história cristã: pela primeira vez a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica celebrarão juntas, em 31 de outubro em Malmö e Lund, na Suécia, os 500 anos da Reforma, que terá lugar em 2017.
O objetivo é manifestar os dons da Reforma e pedir perdão pela divisão perpetrada pelos cristãos das duas tradições, evidenciando o caminho percorrido nos últimos 50 anos de diálogo ecumênico contínuo entre católicos e luteranos, como bem expressa o lema desta viagem, como ressaltou Greg Burke:
“’From Conflict to Communion: Toghether in Hope’, ‘Do conflito à comunhão: juntos na esperança’, que quer dizer que o Papa neste caso recebeu convites quer da Igreja Católica, quer do Governo sueco, quer da Federação Luterana Mundial”.
Programação
Dois dias repletos de eventos: a chegada do Papa às 11 horas do dia 31 no Aeroporto de Malmö, quando será acolhido pelo Primeiro Ministro sueco; após a visita à família real no Palácio de Lund.
No início da tarde, a oração ecumênica na Catedral luterana e o deslocamento até a Arena de Malmö, onde haverá o encontro público com 30 delegações luteranas.
No contexto de uma viagem ecumênica – comentou Burke – o Santo Padre se deslocará acompanhado pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, pelo Presidente da Federação Luterana Mundial, o Bispo Munib A. Younan e o Secretário Geral, o Rev. Martin Junge, também presente no briefing desta manhã:
“Nós entendemos, graças ao nosso diálogo, graças à confiança que cresceu entre nós, graças também ao fato de que fomos capazes de remover alguns dos obstáculos de diferenças doutrinais entre nós, que o tempo está maduro para tentar passar do conflito à comunhão”.
Missa com a pequena comunidade católica
Em 1º de novembro, Festa de Todos os Santos, o Papa Francisco celebrará a Missa, sempre em Malmö, com a pequena comunidade católica sueca, antes de retornar a Roma onde é esperado às 15h30min.
Frutos do evento
São grandes as expectativas pelos frutos deste evento, como o Cardeal Kurt Koch explicou aos jornalistas:
“No passado tivemos centenários confessionais, com um tom um pouco triunfante e polêmico de ambas as partes. Hoje queremos fazer isto juntos e não fazemos somente a celebração dos 500 anos da Reforma, mas também dos 50 anos do diálogo entre luteranos e católicos. Este foi o primeiro diálogo bilateral que a Igreja Católica começou logo após o Concílio, em 1967, e este é também um sinal de gratidão. Pudemos redescobrir tudo aquilo que é comum entre luteranos e católicos”.  

Papa: rio de ódio no mundo é vencido pelo oceano da misericórdia de Deus

"Vivemos em tempos difíceis", os de uma "guerra mundial em pedaços", mas "o rio do ódio e da violência nada pode contra o oceano de misericórdia que inunda nosso mundo."

É o que o Papa Francisco escreve no prefácio do livro “Não tenha medo de perdoar” do Pe. Luís Dri, sacerdote confessor em Buenos Aires e grande amigo de Jorge Mario Bergoglio quando era arcebispo da capital argentina. O livro, realizado em colaboração com Andrea Tornielli e Alver Metalli, foi publicado pela editora RaiEri e estará disponível nas livrarias a partir desta terça-feira, 25.

O Papa Francisco recorda de Pe. Luís Dri as longas horas passadas no confessionário em Buenos Aires, o gesto de beijar a mão dos penitentes, o escrúpulo por ter perdoado demais. Diante do Santíssimo Sacramento, Pe. Luís pedia ele mesmo perdão por ter perdoado demais e, como São Leopoldo Mandić, se dirigia a Jesus que nisso lhe deu “mau exemplo”.

“Um comportamento necessário hoje”, escreve o Papa, “porque ao penitente que entrou no confessionário “por acaso” (“mas no plano de Deus Pai nada é casual”, explica Francisco) ou como etapa final de um percurso sofrido, “é preciso fazer sentir o abraço misericordioso do nosso Deus. Um Deus que nos precede, nos espera e acolhe”.

Não é por acaso que no confessionário de Pe. Luís se encontra um quadro de Rembrandt sobre o retorno do Filho Pródigo. “A misericórdia é o amor materno visceral que se comove diante da fragilidade de sua criatura e a abraça, e a grande fidelidade do Pai que sempre apoia, perdoa e volta a colocar os seus filhos em seu caminho.”

Para Pe. Luís, a misericórdia é um ato de contestação do egoísmo, porque reconhece não "eu", mas "Outro" o princípio criador do mundo. Aceitando a misericórdia de Deus para o homem e imitando o seu comportamento, se adquire benefícios também na vida coletiva, porque “a misericórdia é um comportamento profundamente social”.

O Papa reitera que na “guerra mundial em pedações” que estamos vivendo, “todo sinal de amizade, toda mão estendida e toda reconciliação, embora não faça notícia, é destinada a trabalhar no tecido social", desde a família às relações entre os Estados. Um oceano de misericórdia contra o rio do ódio no qual se imergir e se deixar regenerar.

(MJ)

(from Vatican Radio)

Papa aos jesuítas: "Em meio aos descartados, com a alegria do Evangelho!"

Visita-surpresa do Papa Francisco a seus irmãos jesuítas na manhã desta segunda-feira (24/10). Às 9h, foi à Cúria Geral da Companhia de Jesus e participou da 36ª Congregação Geral e da oração com os 215 delegados de todo o mundo. O Pontífice foi acolhido pelo novo Superior-geral, o venezuelano Padre Arturo Sosa Abascal.  

Alegria é sair para as periferias!

“Buscar a alegria não pode ser confundido com buscar ‘um efeito especial’: é ‘sair rumo às periferias’”, disse o Papa aos jesuítas, em discurso em espanhol, recordando também que “é dever específico da Companhia consolar o povo fiel e ajudar com o discernimento, a fim de que os inimigos da natureza humana não nos roubem a alegria: a alegria de evangelizar, a alegria da família, da Igreja, a alegria da Criação”.

“Não se pode dar uma boa notícia com a cara triste”, advertiu, acrescentando que “a alegria não é um ‘a mais’ decorativo, mas um ‘índice da graça’: indica que o amor é atrativo, operante, presente”.  

Comover-se com o Senhor na Cruz

O Papa exortou, sobretudo no Jubileu do Misericórdia que está se concluindo, a “deixar-se comover pelo Senhor crucificado presente em ‘tantos irmãos que sofrem’, ‘a grande maioria da humanidade’”.

“A misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um estilo de vida que antepõe à palavra os gestos concretos que tocam a carne do próximo e se institucionalizam em obras de misericórdia”.

Portanto, “a alegria do anúncio explícito do Evangelho – mediante a pregação da fé e a prática da justiça e da misericórdia é o que leva a Companhia a sair para as periferias”.   

Alegria sempre, inclusive em meio à pobreza e às humilhações

Mas – ressalvou Francisco - é preciso fazer isto sem perder a paz e com alegria. Considerados os pecados que vemos, seja em nós como pessoas, como nas estruturas que criamos, levar a Cruz implica experimentar a pobreza e as humilhações.

“Os jesuítas – concluiu – não caminham nem sozinhos nem com comodidade, mas em um percurso junto com todo o povo de Deus, tentando sempre ajudar alguém. Só assim, a Companhia pode ter o rosto, o acento e o modo de ser de todos os povos e de cada cultura”.   

Padre Pedro Rubens e a universalidade da Companhia

Ainda sobre universalidade da Companhia, o jesuíta brasileiro Pe. Pedro Rubens, reitor da Universidade Católica de Pernambuco, falou à RV sobre este grande desafio de nossos tempos, no contexto da queda das vocações.

Missa em Santa Marta- A farinha e o fermento

«Docilidade» foi a palavra-chave da reflexão do Papa Francisco durante a missa celebrada na terça-feira 25 de outubro na Casa Santa Marta. De facto, esta deve ser a característica principal não só do «caminho» de cada cristão, mas também do caminho mais amplo que distingue o reino de Deus.

O Pontífice, a fim de dar continuidade à sua meditação, antes de tudo fez uma breve evocação à liturgia do dia anterior: «Ontem repetimos, e também rezamos: “Bem-aventurados os que caminham na lei do Senhor”». É preciso, disse «caminhar na lei» e «não só olhar para ela ou estudá-la». Com efeito, a lei «é para a vida, serve para ajudar a realizar o reino, para realizar a vida».

A partir daqui teve início o aprofundamento que caracterizou a homilia. A inspiração foi o trecho do Evangelho de Lucas (13, 18-21) no qual, através das semelhanças do grão de mostarda e do fermento «o Senhor nos diz que também o reino está a caminho».

Mas «o que é o reino de Deus?». Alguém, supôs o Papa, poderia pensar que seja «uma estrutura bem feita», com «tudo em ordem» e «organogramas bem feitos», e que o que não entra nesta organização não pertence ao reino de Deus. Mas pensar desta maneira significaria cometer o mesmo erro no qual se pode cair em relação à lei: «o “fixidez”, a rigidez».

Ao contrário, explicou Francisco utilizando um insólito mas eficaz verbo transitivo, «a lei é para ser caminhada». E também «o reino de Deus está a caminho». E não só o reino «não está parado» mas, mais ainda, «o reino de Deus “faz-se” todos os dias».

Para esclarecer este conceito, disse o Pontífice, «Jesus fala sobre dois aspetos da vida diária: o fermento não permanece fermento, porque mais cedo ou mais tarde se estraga; deve ser misturado com a farinha, está a caminho e faz o pão»; e do mesmo modo «a semente não permanece semente: morre e dá vida à árvore». Portanto: «fermento e semente estão a caminho para “realizar” algo». E também «o reino é assim». O Papa quis reafirmar o conceito: «Fermento e semente morrem. O fermento já não é fermento: mistura-se com a farinha e torna-se pão para todos, alimento para todos. A semente já não será semente: será árvore, tornando-se habitação para todos, para os pássaros...».

Não se trata, explicou Francisco, de «um problema de pequenez», pelo qual se poderia pensar: «é pequeno, é pouco, ou é grande». Mas, pelo contrário, é «um problema de caminho» e precisamente no caminho «ocorre a transformação».

Referindo-se outra vez à homilia do dia anterior – na qual se evidenciou «a atitude de quem vê a lei que não caminha, que estava parada», e compreendia-se que «aquela fixidez era uma atitude de rigidez» – o Pontífice passou ao nível do envolvimento e do compromisso pessoal de cada cristão: «Qual é a atitude que o Senhor exige de nós, para que o reino de Deus cresça e seja pão para todos e habitação, inclusive, para todos?». A resposta é clara: «a docilidade». De facto, acrescentou, «o reino de Deus cresce com a docilidade à força do Espírito Santo».

Neste sentido, Francisco retomou a simbologia proposta pelo trecho evangélico: «a farinha deixa de ser farinha e torna-se pão, porque é dócil à força do fermento»; e «o fermento deixa-se amassar com a farinha». E mesmo se «a farinha não tem sentimentos», pode-se pensar que naquele «deixar-se amassar» haja «algum sofrimento», assim como depois no «deixar-se assar».

A mesma dinâmica, disse o Papa, encontra-se em relação ao reino de Deus que «cresce assim e no final é alimento para todos». Assim como «a farinha é dócil ao fermento» e «cresce», o mesmo acontece para o reino de Deus: «O homem e a mulher dóceis ao Espírito Santo crescem e são dons para todos. Também a semente é dócil por ser fecunda e perde a sua identidade de semente, tornando-se outra coisa, muito maior: transforma-se».

Por este motivo o reino de Deus «está como a lei: a caminho». Ele «está a caminho rumo à esperança, está a caminho rumo à plenitude» e, sobretudo, «faz-se todos os dias com docilidade ao Espírito Santo, que une o nosso pequeno fermento ou a pequena semente à força, e transforma-os para fazer crescer».

Neste ponto o Pontífice delineou outra ligação com a reflexão do dia anterior, quando tinha falado da relação com a lei: «não caminhar a lei – disse – torna-nos rígidos e a rigidez torna-nos órfãos, sem Pai». Porque quem é rígido «só tem patrões, não um pai». Assim o reino de Deus, que se realiza caminhando, «é como uma mãe que, fecunda, cresce» e «doa-se a si mesma para que os filhos tenham nutrimento e morada, segundo o exemplo do Senhor».

Por isso, concluiu Francisco, devemos «pedir a graça da docilidade ao Espírito Santo». De facto com muita frequência «somos dóceis às nossas teimosias, aos nossos julgamentos» e pensamos: «Faço o que quero». Mas «assim não cresce o reino» e «não crescemos nós». Ao contrário, será «a docilidade ao Espírito Santo que nos fará crescer e transformar como o fermento e a semente».

Audiência: sofrimento dos refugiados é responsabilidade de todos

A Praça S. Pedro acolheu mais de 25 mil fiéis, entre os quais inúmeros brasileiros, para a Audiência Geral desta quarta-feira (26/10) com o Papa Francisco.

Em sua catequese, o Pontífice deu sequência à reflexão sobre as obras corporais de misericórdia. Na semana passada, falou sobre dar de comer e de beber. Desta vez, comentou outras duas: era estrangeiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes.

“A crise econômica, os conflitos armados e as mudanças climáticas obrigam tantas pessoas a emigrar. Todavia, as migrações não são um fenômeno novo, mas pertencem à história da humanidade. É falta de memória histórica pensar que são características dos nossos anos”, disse o Papa, citando como exemplo episódios bíblicos, como o de Abraão, do povo de Israel e da própria família de Jesus. “A história da humanidade é história de migrações: em todas as latitudes, não há povo que não tenha conhecido o fenômeno migratório.”

Crise econômica gera muros e barreiras

Hoje, lamentou o Papa, o contexto de crise econômica favorece atitudes de fechamento e não de acolhimento. Em algumas partes do mundo, surgem muros e barreiras. O instinto egoísta ofusca o trabalho de quem se esforça em assistir os migrantes.  Mas o fechamento não é uma solução; pelo contrário, favorece os tráficos criminosos. A única via de solução é a da solidariedade, à qual os cristãos são chamados com particular urgência.

“É um compromisso que envolve todo mundo, ninguém está excluído. As dioceses, as paróquias, os institutos de vida consagrada, as associações e os movimentos são chamados a acolher os irmãos e as irmãs que fogem da guerra, da fome, da violência e de condições de vida desumanas. Todos juntos somos uma grande força de amparo para quem perdeu a pátria, a família, o trabalho e a dignidade.”

A lição da senhora com o migrante no taxi

O Papa então contou aos fiéis um fato ocorrido poucos dias atrás, de um refugiado que procurava o caminho para atravessar a Porta Santa. Uma senhora ofereceu ajuda e parou um taxi para que acompanhasse o rapaz. No início, o taxista não queria que o migrante entrasse no carro, pois estava descalço e cheirava mal. Ao final acabou cedendo e, no caminho, ouviu a história de dor e sofrimento que o refugiado contou à senhora. Esta, quando quis pagar a corrida, ouviu do taxista que era ele quem deveria pagá-la, pois esta história havia mudado o seu coração. Esta senhora conhecia a dor de um migrante, porque tinha sangue armênio e conhecia o sofrimento do seu povo. “Pensem nessa história e pensem no que podem fazer pelos refugiados.”

Vestir os nus é restituir dignidade

Na sequência, o Papa comentou a outra obra corporal de misericórdia: vestir os nus. “Do que se trata senão restituir a dignidade a quem a perdeu?”, questionou o Pontífice. “Pensemos também nas mulheres vítimas do tráfico lançadas nas ruas ou a outros, demasiados modos de usar o corpo humano como mercadoria, até mesmo de crianças e adolescentes.  Do mesmo modo, não ter um trabalho, uma casa, um salário justo, ou ser discriminado pela raça ou pela fé são todas formas de “nudez” diante das quais, como cristãos, somos chamados a estar atentos e prontos à ação.

E esta foi exortação final de Francisco:

“Queridos irmãos e irmãs, não caiamos na armadilha de nos fecharmos em nós mesmos, indiferentes às necessidades dos irmãos e preocupados somente com os nossos interesses. É precisamente na medida em que nos abrimos aos outros que a vida se torna fecunda, as sociedades reconquistam a paz e as pessoas recuperam sua plena dignidade. E não se esqueçam daquela senhora, daquele migrante e do taxista do qual o migrante mudou a alma.”

(BF)

(from Vatican Radio)

Papa: Reino de Deus cresce com a docilidade, não com organogramas

Para que o Reino de Deus cresça, o Senhor requer a todos a docilidade. Esta foi a exortação que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis na Missa matutina (25/10) na Casa Santa Marta.

Bem-aventurados aqueles que “caminham na Lei do Senhor”. O Papa iniciou a sua homilia destacando que a Lei não é somente para estudá-la, mas para “caminhá-la”. E acrescentou que a Lei “é para a vida, é para ajudar a fazer o Reino, a fazer a vida”. Hoje, disse ainda Francisco, o Senhor “nos diz que também o Reino está em caminho”:

“O que é o Reino de Deus? Eh, talvez o Reino de Deus seja uma estrutura bem feita, tudo em ordem, organogramas bem feitos, tudo.... e aquilo que não entra ali, não é o Reino de Deus. Não. Com o Reino de Deus acontece o mesmo que pode acontecer com a Lei: o ‘imobilismo’, a rigidez … A lei é para caminhá-la, o Reino de Deus está em caminho. Não é estático. E mais: o Reino de Deus ‘se faz’ todos os dias’”.

Jesus, retomou o Papa, fala em suas parábolas de “coisas da vida cotidiana”: o fermento que “não permanece fermento”, porque, no final, “se mistura com a farinha”, está portanto “em caminho e faz o pão”. E depois a semente que “não permanece semente” porque “morre e dá vida à árvore”. “Fermento e semente – observou Francisco – estão em caminho para fazer algo”, mas para fazer isto, “morrem”. “Não é um problema de pequenez, de pouca ou grande coisa. É um problema – destacou o Pontífice – de caminho, e no caminho acontece a transformação”.

Devemos ser dóceis ao Espírito Santo

Alguém que vê a Lei e não caminha, advertiu, tem uma atitude fixa, “uma atitude de rigidez”: 

“Qual é o comportamento que o Senhor nos pede para que o Reino de Deus cresça e seja pão para todos e habitação, também, para todos? A docilidade. O Reino de Deus cresce com a docilidade à força do Espírito Santo. A farinha deixa de ser farinha e se torna pão, porque é dócil à força do fermento, e o fermento se deixa amassar com a farinha... não sei, a farinha não tem sentimentos, mas deste deixar-se amassar se pode pensar que há algum sofrimento ali, não? E depois, se deixa assar. Mas, também o Reino... mas o Reino cresce assim, e ao final é alimento para todos”.

“A farinha é dócil ao fermento”, cresce e o Reino de Deus “é assim”. “O homem e a mulher dóceis ao Espírito Santo – afirmou o Papa – crescem e são dom para todos. Também a semente é dócil para ser fértil, e perde a sua entidade de semente e se torna outra coisa, muito maior: se transforma”. Assim é o Reino de Deus: “em caminho”. Em caminho “rumo à esperança”, “em caminho em direção à plenitude”.

Rigidez

O Reino de Deus, disse ainda, “se faz todos os dias, com a docilidade ao Espírito Santo, que é aquele que une o nosso pequeno fermento ou a pequena semente à força, e o transforma para fazer crescer”. Se, ao invés, não caminhamos, nos tornamos rígidos e “a rigidez nos faz órfãos, sem Pai”:

“O rígido tem somente patrões, não um pai. O Reino de Deus é como uma mãe que cresce e fecunda, doa a si mesma para que os filhos tenham comida e teto, de acordo com o exemplo do Senhor. Hoje é um dia para pedir a graça e a docilidade ao Espírito Santo. Muitas vezes somos dóceis aos nossos caprichos, aos nossos juízos. ‘Mas, eu faço o que quero...’...Assim o Reino não cresce, tampouco nós. Será a docilidade ao Espírito Santo que nos fará crescer e transformar como o fermento e a semente. Que o Senhor nos dê a todos a graça desta docilidade”.

(bf/rb)

(from Vatican Radio)

Vaticano felicita hinduístas pelo Festival das Luzes

O tema central da mensagem do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso aos hinduístas por ocasião do Deepavali é a “promoção da esperança entre as famílias”.

Os hinduístas se preparam para celebrar o Diwali no próximo dia 30 de outubro.  Conhecido como Festival das Luzes, o significado espiritual desta que é uma das maiores festividades hindus, é a vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal, da sabedoria sobre a ignorância. A festividade também é observada por sikistas, budistas e jainistas. 

“É na família que os filhos, guiados pelo nobre exemplo dos pais e dos avós, são formados aos valores que os ajudarão a se desenvolver como seres humanos bons e responsáveis”, lê-se na mensagem assinada pelo Cardeal Jean-Louis Tauran.

Esperança

“A educação à esperança encoraja os jovens a se colocaram à disposição dos necessitados, em caridade e serviço, tornando-se uma luz para aqueles que estão na obscuridade”, prossegue o texto.

Para concluir, uma exortação:

“Como cristãos e hinduístas, unamo-nos a todas as pessoas de boa vontade para defender o matrimônio e a vida familiar, guiando as famílias a serem escolas de esperança. Levemos a luz da esperança a todos os cantos da terra, oferecendo consolação e força a todos os necessitados”.

(rb)

(from Vatican Radio)

Grupo Santa Marta intensifica cooperação contra tráfico de pessoas

Chefes de polícia, bispos, religiosas e representantes da sociedade civil que compõem o Grupo Santa Marta se reúnem esta semana (26-27 de outubro), no Vaticano, para compartilhar e incentivar as melhores práticas na luta contra o tráfico de seres humanos.

O Grupo Santa Marta apresentará um relatório ao Papa Francisco com o progresso que tem sido feito desde o acordo assinado há dois anos, em que cada um dos 24 chefes de polícia se empenhava em desenvolver parcerias com a Igreja e com a sociedade civil para levar à Justiça os responsáveis pelo crime do tráfico e para aliviar o sofrimento das vítimas.

A audiência com o Pontífice está marcada para o dia 27 de outubro.

O encontro deste ano irá incluir um pedido a todas as Conferências Episcopais para que nomeiem um bispo que acompanhe o problema do tráfico humano em seu país, seja junto às autoridades civis e políticas, seja junto à própria Igreja.

Entre os participantes, estão três sobreviventes do tráfico de seres humanos. Do Brasil, participa a Ir. Rosita Milesi, Diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH). De Moçambique, estará presente a scalabriniana brasileira Marinês Biasibetti.

Lançado em 2014 pelo Papa Francisco e liderado pelo Cardeal Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster, o Grupo surgiu de uma parceria única estabelecida em 2012 entre a Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales e da unidade de tráfico humano da Polícia Metropolitana de Londres.

(bf)

(from Vatican Radio)

Papa: a Lei do Senhor não foi feita para escravizar, mas para libertar

O Papa Francisco começou a semana celebrando na segunda-feira (24/10) a Missa na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus cura uma mulher no sábado, provocando a indignação do chefe da Sinagoga porque – diz ele – foi violada a Lei do Senhor.

“Não é fácil caminhar na Lei do Senhor”, comentou o Papa, é “uma graça que devemos pedir”. Jesus o acusa de ser hipócrita, uma palavra que “repete tantas vezes aos rígidos, àqueles que têm uma atitude de rigidez em cumprir a lei”, que não têm a liberdade dos filhos, “são escravos da Lei”. Porém, “a Lei – observou – não foi feita para nos escravizar, mas para nos libertar, para nos fazer filhos”. “Por trás da rigidez, tem sempre outra coisa, sempre! E por isso Jesus diz: hipócritas!”:

“Por trás da rigidez há algo escondido na vida de uma pessoa. A rigidez não é um dom de Deus. A mansidão, sim; a bondade, sim; a benevolência, sim; o perdão, sim. Mas a rigidez não! Por trás da rigidez há sempre algo escondido, em tantos casos uma vida dupla; mas há também algo de doentio. Quanto sofrem os rígidos: quando são sinceros e se percebem isso, sofrem! Porque não conseguem ter a liberdade dos filhos de Deus; não sabem como se caminha na Lei do Senhor e não são beatos. E sofrem tanto! Parecem bons, porque seguem a Lei; mas por trás tem alguma coisa que não os torna bons: ou são maus, hipócritas ou são doentes. Sofrem!”.

O Papa Francisco recordou a parábola do filho pródigo, em que o filho mais velho, que sempre se comportou bem, se indigna com o pai porque acolhe com alegria o filho menor dissoluto, mas que regressou  arrependido.  Esta atitude – explicou o Papa –, mostra o que há por trás de certa bondade: “a soberba de se julgar justo”:

“Por trás deste comportar-se bem há soberba. Um filho sabia que tinha um pai e no momento mais obscuro da sua vida foi até ele; o outro via o pai somente como patrão, mas nunca o havia visto como pai. Era um rígido: caminhava na Lei com rigidez. O outro deixou a Lei de lado, foi embora sem a Lei, contra a Lei, mas a um certo ponto pensou no pai e voltou. E obteve o perdão. Não é fácil caminhar na Lei do Senhor sem cair na rigidez”.

O Papa concluiu a homilia com esta oração:

“Peçamos ao Senhor, rezemos pelos nossos irmãos e as nossas irmãs que pensam que caminhar na Lei do Senhor significa se tornar rígidos. Que o Senhor lhes faça sentir que Ele é Pai e que Ele gosta de misericórdia, de ternura, de bondade, de mansidão e de humildade. E ensine todos a caminhar na Lei do Senhor com essas atitudes”.

(from Vatican Radio)

Castel Gandolfo: a residência onde os Papas fizeram História

O apartamento pontifício de Castel Gondolfo foi aberto ao público. Localizado a cerca de 20 km de Roma, fiéis e curiosos podem conhecer agora a intimidade dos papas. Foram incluídos no museu espaços que, até então, eram reservados ao uso exclusivo dos Pontífices: a biblioteca, o escritório particular e até mesmo o quarto de dormir. É possível admirar também a capela com a imagem da Virgem de Czestochowa, onde – pela primeira vez – dois papas rezaram juntos: Bento XVI e Francisco.

A iniciativa de abrir ao público foi justamente do Papa argentino, que nunca residiu no Palácio de verão. Não se trata, porém, de uma novidade: desde 1596, de 33 papas, 15 jamais pernoitaram em Castel Gandolfo. A decisão de que tudo isso agora seja museu é permanente, até o próximo pontificado.

As instalações e os aposentos são sóbrios, pouco luxuosos, mas adquirem relevância com a história de que são testemunhas.

O itinerário começa com a “Sala dos Suíços”, decorada com mármores policromos. Na sequência, estão o elegante Salão Verde para os encontro oficiais, a “Galeria da música”, a “Sala do trono”, a sala do Consistório para os encontros com os cardeais, onde Giuseppe Angelo Roncalli, futuro São João XXIII, recebeu a púrpura. Há também o escritório, onde foram escritas inúmeras encíclicas e homilias, e a biblioteca. Sobre a escrivaninha, foram depositados os documentos do vatileaks, que Bento XVI entregou a Francisco.

O quarto papal é simples: uma cama de solteiro, Nossa Senhora com o Menino Jesus, um armário, o criado-mudo e o retrato do Papa Gregório. Neste quarto, morte e vida se intercalaram no decorrer dos anos: ali nasceram cerca de 40 crianças, filhos de mulheres abrigadas por Pio XII que deram à luz durante a guerra. A maioria dos bebês foi batizada com o nome de Eugênio, em homenagem ao Pontífice Eugênio Pacelli – que faleceu naquela mesma cama em 1958. Neste aposento, também conclui sua passagem terrena o Papa Paulo VI, em 1978.

Ainda funcionam todos os relógios, assim como permaneceram intactos alguns objetos, como o telefone utilizado pelo Papa João Paulo II, que definia Castel Gandolfo como “Vaticano Dois”

O primeiro hóspede foi Urbano VIII, que ali chegou em 10 de maio de 1626. No século XX, apenas João Paulo I nunca esteve em Castel Gandolfo. O último a passar as temporadas de verão foi Bento XVI. Em 28 de fevereiro de 2013, Joseph Ratzinger deixou o Vaticano de helicóptero depois de renunciar ao pontificado: quando os portões do Palácio Apostólico se fecharam, teve início a sede vacante: e foram, até hoje, os últimos instantes de um papa residente em Castel Gandolfo.

O museu está aberto ao público de segunda a sábado. Há uma bilheteria no local, mas os Museus Vaticanos aconselham a reserva.

(bf)

Papa: amem o Rosário, oração simples que consola a mente e o coração

Na Audiência Geral desta quarta-feira (26/10), o Papa Francisco recordou que outubro é o mês dedicado ao Rosário e recomendou esta oração aos fiéis.
No tuíte de alguns dias atrás, o Pontífice confessou: “O terço é a oração que sempre acompanha a minha vida; é também a oração dos simples e dos Santos, é a oração do meu coração”.

Hoje, na Audiência Geral, o Papa explicou que o Rosário “é uma síntese da Divina Misericórdia”:

“Nos mistérios do Rosário, com Maria, contemplamos a vida de Jesus que irradia a misericórdia do Pai. Alegremo-nos por Seu amor e perdão, o acolhamos nos estrangeiros e pobres, vivamos a cada dia de Seu Evangelho”, disse o Pontífice.

Dirigindo-se aos jovens, aos doentes e recém-casados, Francisco disse:

“Esta oração mariana simples indique a vocês, queridos jovens, o caminho para interpretar a vontade de Deus em suas vidas. Amem esta oração, queridos doentes, porque ela carrega consigo o consolo para a mente e o coração. Que se torne para vocês, queridos recém-casados, um momento privilegiado de intimidade espiritual em sua nova família.”


O Papa Francisco presenteia todas as pessoas que encontra com um Rosário. “A Nossa Senhora está sempre próxima aos seus filhos. Está sempre pronta a nos ajudar quando a invocamos, quando pedimos a sua proteção. Ela não sabe esperar: é a Nossa Senhora da prontidão. Vai logo servir.”