Papa reafirma compromisso com a paz e a dignidade humana em coletiva durante voo de retorno da África
Pontífice abordou temas como guerra, migração, pena de morte e unidade da Igreja ao conversar com jornalistas no avião rumo a Roma
Durante o voo de regresso a Roma, após uma intensa viagem apostólica pelo continente africano, o Papa Leão XIV concedeu uma coletiva de imprensa a jornalistas que o acompanharam na missão. A conversa aconteceu no trajeto final, partindo de Malabo, na Guiné Equatorial, e reuniu reflexões sobre temas globais urgentes, como conflitos armados, migração, justiça social e desafios internos da Igreja.
Logo no início, o Papa destacou que o principal objetivo de suas viagens não é político, mas pastoral: anunciar o Evangelho e estar próximo do povo. Segundo ele, embora questões sociais e políticas surjam naturalmente, o centro de tudo permanece sendo Cristo e a missão evangelizadora.
Missão pastoral acima de interesses políticos
Ao comentar sobre o sentido da viagem, o Pontífice explicou que sua presença nos países africanos deve ser compreendida прежде de tudo como um gesto de proximidade com o povo de Deus.
Ele ressaltou que, mesmo diante de expectativas políticas, sua missão consiste em “anunciar o Evangelho” e caminhar junto às pessoas, partilhando suas alegrias e sofrimentos. Ao mesmo tempo, reconheceu a importância do diálogo com autoridades civis, especialmente para promover maior justiça social e melhor distribuição de recursos.
Guerra e paz: um apelo firme à consciência mundial
Questionado sobre conflitos internacionais, especialmente a situação envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o Papa foi direto ao reafirmar sua posição:
“Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra.”
Ele manifestou profunda preocupação com o sofrimento de civis, especialmente crianças vítimas de ataques, e insistiu na urgência de promover uma cultura de paz baseada no diálogo, e não na violência.
O Pontífice também destacou a complexidade do cenário internacional, afirmando que o foco não deve ser a mudança de regimes, mas a busca por soluções que preservem vidas humanas e respeitem o direito internacional.
Migração e desigualdade: um desafio global
Outro ponto forte da coletiva foi a questão migratória. O Papa chamou atenção para a responsabilidade dos países mais ricos diante da realidade dos mais pobres, levantando uma pergunta incisiva:
“O que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres?”
Ele denunciou a exploração de recursos africanos e a falta de investimento no desenvolvimento local, o que contribui para o aumento dos fluxos migratórios. Ao mesmo tempo, reconheceu o direito dos ქვეყნ a regulamentar suas fronteiras, mas enfatizou que os migrantes devem ser tratados com dignidade, jamais como objetos ou problemas.
Relações diplomáticas e atuação discreta da Igreja
Respondendo a questionamentos sobre encontros com líderes políticos, inclusive em contextos autoritários, o Papa explicou que a Santa Sé mantém relações diplomáticas com diversos երկրների como forma de promover o bem comum.
Segundo ele, muitas ações da Igreja acontecem de maneira silenciosa, nos bastidores, buscando soluções concretas para problemas como fome, doenças e a situação de presos políticos. Essa atuação discreta é vista como uma forma prática de aplicar o Evangelho à realidade.
Unidade da Igreja e questões morais
Ao abordar a polêmica sobre bênçãos a casais do mesmo sexo na Alemanha, o Papa reafirmou a posição da Santa Sé, esclarecendo que não há concordância com a formalização dessas bênçãos.
No entanto, fez questão de sublinhar que a Igreja acolhe a todos:
“A famosa expressão de Francisco ‘todos, todos, todos’ expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida.”
Ele também alertou para o risco de reduzir a moral cristã apenas à dimensão sexual, destacando que temas como justiça, liberdade e dignidade humana devem ocupar lugar central.
Defesa da vida e condenação da pena de morte
Ao tratar da situação no Irã e de execuções recentes, o Papa foi enfático:
“Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte.”
Ele reafirmou o ensinamento da Igreja sobre o valor inviolável da vida humana, desde a concepção até a morte natural, reforçando que nenhuma autoridade pode legitimamente tirar a vida de forma injusta.
Contexto: uma viagem marcada pela proximidade e esperança
A coletiva acontece ao final de uma significativa viagem apostólica pela África, marcada por encontros com comunidades locais, autoridades e fiéis. O Papa destacou a alegria de caminhar com o povo africano e ressaltou a riqueza espiritual vivida durante os dias de missão.
A experiência, segundo ele, foi profundamente marcada pela fé das comunidades visitadas e pela partilha concreta da vida do povo, mesmo em meio a desafios sociais e econômicos.
Conclusão
Ao encerrar sua fala, o Papa deixou claro que sua missão permanece centrada no anúncio do Evangelho e na promoção da dignidade humana.
Em um mundo marcado por conflitos, desigualdades e tensões, sua mensagem ecoa como um chamado firme:
a paz não se constrói com armas, mas com diálogo, justiça e respeito à vida.




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