sábado, 17 de outubro de 2015

Missa em Santa Marta - Quem se apoderou da chave

Missa em Santa Marta - Quem se apoderou da chave

«Uma das coisas mais difíceis de entender, para todos nós cristãos, é a gratuitidade da salvação em Cristo». Porque desde sempre há «doutores da lei» que enganam reduzindo o amor de Deus a «pequenos horizontes», quando na realidade é algo «imenso, sem limites». É uma questão que inicialmente comprometeu o próprio Jesus, o apóstolo Paulo e muitos santos na história, até aos nossos dias. E entre eles está também Teresa de Ávila. No dia em que a Igreja recorda a mística carmelita — de quem se celebram os 500 anos do nascimento — o Papa Francisco salientou que esta mulher recebeu do Senhor «a graça de entender os horizontes do amor».

Celebrando a missa na capela da Casa de Santa Marta na manhã de 15 de Outubro, o Pontífice uniu as leituras — tiradas da carta de Paulo aos Romanos (3, 21-30a) e do Evangelho (Lc 11, 47-54) — com a extraordinária experiência vivida por Teresa. Também ela, explicou, «foi julgada pelos doutores da sua época. Não foi parar na prisão, mas salvou-se por pouco, e contudo foi enviada para outro convento e era vigiada». De resto, observou, «esta é uma luta que perdura na história, na história inteira».

É precisamente da história que falam ambos os trechos das leituras. Voltando a propô-las, o Papa observou que tanto Paulo como Jesus parecem «um pouco zangados, digamos irritados». Por isso, interrogou-se de onde vinha este mal-estar em Paulo. O apóstolo, foi a reposta, «defendia a doutrina, era o grande defensor da doutrina, e a irritação vinha-lhe das pessoas que não toleravam a doutrina». Que doutrina? «A gratuitidade da salvação. Deus — disse Francisco — salvou-nos de graça, e salvou-nos a todos». Mas havia grupos que diziam: «Não, só se salva aquela pessoa, aquele homem, aquela mulher que faz isto, isso, aquilo... que faz estas obras, que cumpre estes mandamentos». Mas deste modo, «o que era gratuito, do amor de Deus, segundo as pessoas contra as quais Paulo fala», acabava por se tornar «algo que podemos obter: “Se eu fizer isto, Deus tem a obrigação de me dar a salvação”. É o que Paulo chama “a salvação por meio das obras”».

Por isso é tão difícil compreender a gratuitidade da salvação em Cristo. «Nós estamos habituados — prosseguiu o Papa — a ouvir que Jesus é o Filho de Deus, que veio por amor, para nos salvar, e que por nós morreu. Mas ouvimo-lo tantas vezes que nos habituamos». Com efeito, quando «entramos neste mistério de Deus, deste amor de Deus, deste amor ilimitado, um amor imenso», ficamos tão «admirados» que «talvez prefiramos não o entender: é melhor a salvação no estilo “façamos estas coisas e seremos salvos”». Sem dúvida, esclareceu o Pontífice, «fazer o bem, fazer o que Jesus nos diz, é bom e deve ser feito»; mas «a essência da salvação não deriva disto. Esta é a minha resposta à salvação, que é gratuita, vem do amor gratuito de Deus».

É por isso que o próprio Jesus pode parecer «um pouco implacável contra os doutores da lei», aos quais «dirige palavras fortes, muito duras: “Vós apoderastes-vos da chave do saber, não entrastes e impedistes quantos queriam entrar, porque vos apoderastes da chave”, ou seja, da chave da gratuitidade da salvação, deste conhecimento». Com efeito, frisou o Papa, estes doutores da lei pensavam que só se pudesse salvar «respeitando todos os mandamentos», enquanto «quem não agia assim estava condenado». Na prática, disse Francisco com uma imagem muito evocativa, «reduziam os horizontes de Deus, tornando o amor de Deus pequeno, pequeno, pequeno, à medida de cada um de nós».

Eis, então, explicada «a luta que tanto Jesus como Paulo enfrentam para defender a doutrina». E a quem questionasse: «Mas padre, não existem os mandamentos?», Francisco respondeu: «Sim! Mas há um que para Jesus é precisamente como a síntese de todos os mandamentos: amar a Deus e amar ao próximo». E graças a «esta atitude de amor, nós estamos à altura da gratuitidade da salvação, porque o amor é gratuito». Um exemplo? «Se digo: “Ah, eu te amo!”, mas por detrás tenho interesses, isto não é amor, é interesse. Por isso, Jesus diz: “O maior amor é este: amar a Deus com toda a vida, com todo o coração, com toda a força, e o próximo como a ti mesmo”, porque é o único mandamento à altura da gratuitidade da salvação de Deus». A tal ponto que Jesus acrescenta: «Neste mandamento estão todos os outros, porque ele evoca — faz todo o bem — todos os outros”. Mas a fonte é o amor; o horizonte é o amor. Se fechares a porta e te apoderares da chave do amor, não estarás à altura da gratuitidade da salvação que recebeste».

É uma história que se repete. «Quantos santos — afirmou Francisco — foram perseguidos para defender o amor, a gratuitidade da salvação, a doutrina. Tantos santos! Pensemos em Joana d'Arc». Pois a «luta pelo controle da salvação — só se salvam aqueles que fizerem estas coisas — não acabou com Jesus e Paulo». E não termina nem sequer para nós. Com efeito, é uma luta que também nós travamos dentro. Eis então o conselho do Pontífice: «Far-nos-á bem perguntar-nos: creio que o Senhor me salvou gratuitamente? Creio que não mereço a salvação? E se mereço algo, é por meio de Jesus Cristo e do que Ele fez por mim? É uma boa pergunta: creio na gratuitidade da salvação? Enfim, creio que a única resposta é o amor, o mandamento do amor, do qual Jesus diz que nele estão reunidos os ensinamentos de todos os profetas e toda a lei?». Daqui o convite conclusivo a renovar «hoje estas perguntas. Somente assim seremos fiéis a este amor tão misericordioso: amor de pai e mãe, porque também Deus diz que é como mãe para nós; amor, horizontes amplos, ilimitados. E não nos deixemos enganar pelos doutores que limitam este amor».

Papa Francisco: é preciso proteger o homem da autodestruição

Papa Francisco: é preciso proteger o homem da autodestruição

Cidade do Vaticano (RV) - Mudanças climáticas, crises internacionais, pobreza e ameaças contra os cristãos: em entrevista ao semanário francês Paris Match, o Papa Francisco reitera, mais uma vez, as linhas mestras de seu Pontificado, sem jamais esquecer, afirma, ter sido “um padre das estradas”.

Como fazer para proteger o homem de sua destruição? “Renunciando à idolatria do dinheiro, recolocando no centro o ser humano, a sua dignidade, o bem comum, o futuro da gerações que habitarão a Terra depois de nós”, que, do contrário, serão destinadas a viver num “cúmulo de destroços e de sujeira”.

O Papa Francisco respondeu de modo direto a todas as perguntas, inclusive às mais pessoais, quando falou da saudade de um passeio pelas ruas de Roma e de uma pizza com os amigos.

Sobretudo reiterou, como indicado na encíclica “Laudato si”, sua firme convicção sobre a profunda ligação entre a eliminação da pobreza e a salvaguarda da criação.

“Os cristãos são propensos ao realismo, não ao catastrofismo” – explicou do Papa –, por isso, “não podemos esconder um evidência: o sistema mundial atual é insustentável”.

Daí, a esperança do Santo Padre de que o Encontro de cúpula sobre o clima em Paris, em dezembro próximo, possa contribuir para “escolhas concretas, partilhadas” e, em prol do bem comum, com uma visão a longo prazo.

“A nossa casa comum está poluída, não cessa de deteriorar-se – advertiu –, é preciso o compromisso de todos, é necessário proteger o homem da autodestruição.”

Interpelado sobre a tragédia vivida por comunidades cristãs do Oriente, ameaçadas pela violência fundamentalista islâmica, o Pontífice respondeu que “não se pode resignar-se diante do fato que essas comunidades, hoje minoritárias no Oriente Médio, sejam obrigadas a abandonar suas casas, suas terras”.

Diante disso, “se tem o dever humano e cristão de agir”. As causas que provocaram tudo isso não podem ser esquecidas, bem como “a hipocrisia dos poderosos da terra, que falam de paz mas que, de modo indiferente, vendem armas”.

Portanto, para resolver a tragédia dos refugiados é necessário “agir em favor da paz, e trabalhar concretamente sobre as causas estruturais da pobreza”.

Além disso, acrescentou, “capitalismo e lucro não são diabólicos se não forem transformados em ídolos. Não sei se permanecem instrumentos”. As sociedades correm risco de ruína se “dinheiro e lucro se tornam a todo custo fetiches a serem adorados, se a avidez se torna a base do nosso sistema social e econômico”.

Sobre a canonização, no próximo domingo, 18 de outubro, dos pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Francisco falou de “um casal de evangelizadores que testemunhou a beleza da fé em Jesus”. (RL)

(from Vatican Radio)

Missa em Santa Marta - A sedução do claro-escuro

Missa em Santa Marta - A sedução do claro-escuro

Existe um «vírus» poderoso e perigoso que nos ameaça, mas há também um Pai «que nos ama muito» e nos protege. A sedução sorrateira da hipocrisia esteve no centro da homilia do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de 16 de Outubro.

A referência evangélica foi proposta pela leitura do dia (Lc 12, 1-7): «Jesus estava no meio de milhares de pessoas» — uma multidão reunida ao seu redor, a ponto «que se pisavam uns aos outros» — e, antes «de falar ao povo, de ensinar» como costumava fazer, dirige-se «aos discípulos ali presentes». No meio de tanta gente «fala-lhes de algo pequeníssimo: do fermento».

A advertência do Senhor — «Guardai-vos do fermento dos fariseus» — parece-se, disse o Pontífice, com a de «um médico, que aos seus colaboradores e ajudantes diz: “Guardai-vos a fim de que toda esta gente não seja contagiada pelo vírus”». E o «fermento dos fariseus», acrescentou Francisco, é «a hipocrisia». A hipocrisia da qual Jesus sempre lhes falou com extrema franqueza, dizendo-lhes «na cara»: «Hipócritas, hipócritas: vós sois hipócritas!».

Mas, em síntese, o que contém o vírus do qual Jesus fala «no meio da multidão»? O Papa explicou-o: «A hipocrisia é o modo de viver, agir, falar que não é claro», que se apresenta de maneira ambígua: «talvez sorria, talvez seja sério... não é luz, não são trevas». É um pouco como a serpente: «move-se de modo que parece não ameaçar ninguém» e tem «o fascínio do claro-escuro». Ou seja, a hipocrisia tem o fascínio «de não dizer as coisas claramente; o fascínio da mentira, das aparências». Nos Evangelhos, o próprio Jesus acrescenta algumas anotações sobre o comportamento dos «fariseus hipócritas», dizendo que estão «cheios de si próprios, de vaidade», e que gostam de «passar pelas praças» para mostrar que são importantes.

Jesus alerta contra eles e, retomando a palavra, diz a todos: «Não tenhais medo, não temais: guardai-vos só do fermento desta gente, porque o que está escondido virá à luz. Não há nada de oculto que não venha a descobrir-se, nada de escondido que não venha a ser conhecido. Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado em cima dos telhados». Como se dissesse: não serve esconder-se, pois no fim «tudo será claro». E dizia isto, explicou, «porque o fermento dos fariseus levava o povo a amar mais as trevas que a luz». O apóstolo João frisa-o, quando escreve: «Os homens amaram mais as trevas que a luz».

Nesta altura, prosseguiu Francisco a sua reflexão, Jesus «chama a atenção para a confiança em Deus». Pois se é verdade que «este fermento é um vírus que faz adoecer» e morrer — e Jesus avisa: «Atenção! Este fermento leva-te às trevas. Atenção!» — também é verdade que existe alguém «maior», e é «o Pai que está no Céu». Para explicar esta presença solícita do Pai, Jesus diz: «Não se vendem cinco pardais por duas moedas? Entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados». Eis então «a exortação final: “Não temais, pois valeis mais que muitos pardais!”».

O Papa aprofundou precisamente este aspecto. «Perante todos estes temores» — disse — insinuados pelo «vírus», do «fermento da hipocrisia farisaica», devemos ser confortados pelo que nos diz Jesus: «Há um Pai, um Pai que vos ama, um Pai que cuida de vós». Diante da «sedução do claro-escuro, da serpente», Jesus acalma-nos: «Tranquilos, o Pai ama-vos, defende-vos. Confiai nele. Não temais estas coisas». Assim, explicou o Papa, Jesus «partindo do mais pequenino no meio de tanta gente, chega ao maior, ao Pai que cuida de tudo, até dos mais pequeninos, para que não adoeçam nem sejam contagiados por esta doença». Frisou Francisco: «Quando Jesus nos diz isto, convida-nos a rezar», a orar a fim de não cairmos «nesta atitude farisaica que não é luz nem trevas», que está sempre a meio caminho e «nunca chegará à luz de Deus».

Por isso, concluiu, «oremos muito». Peçamos ao Senhor: «Preserva a tua Igreja, que somos todos nós: protege o teu povo, que se tinha reunido e que se pisavam entre si, uns aos outros. Conserva o teu povo, para que ame a luz, a luz que vem do Pai, que vem do teu Pai». Devemos, disse ainda o Papa, pedir a Deus que tutele o seu povo «para que não se torne hipócrita, para que não caia na tibieza da vida», para que «tenha a alegria de saber que existe um Pai que nos ama muito».

Papa: rezar muito para não se deixar contagiar pelo "vírus" da hipocrisia

Papa: rezar muito para não se deixar contagiar pelo "vírus" da hipocrisia

Cidade do Vaticano (RV) - Precisamos rezar muito para não se deixar contagiar pelo "vírus" da hipocrisia, uma atitude farisaica que seduz com as mentiras permanecendo na sombra. É a solicitação de Jesus que o Papa Francisco convidou a acolher, comentando o Evangelho do dia, durante a homilia da Missa na Casa Santa Marta.

A hipocrisia não tem uma cor, em vez joga com os meios-tons. Insinua-se e seduz com “luzes e sombras”, com o “fascínio da mentira”. O Papa recorda a cena retratada por Lucas na passagem do Evangelho do dia, - Jesus e os discípulos, no meio de uma multidão que pisa nos próprios pés tão numerosa que é – chamando a atenção para a advertência sincera de Cristo aos seus discípulos: “Atentos ao fermento dos fariseus”. “O fermento é uma coisa muito pequena”, observa Francisco, mas como Jesus fala sobre ele é como se quisesse dizer “vírus”. Como “um médico” que diz “aos seus colaboradores” para fazer atenção aos riscos de um “contágio”:

“A hipocrisia é a maneira de viver, de agir, de falar que não é clara. Talvez sorri, talvez é sério ... Não é luz, não é escuridão ... Move-se de uma forma que parece não ameaçar ninguém, assim como a serpente, mas tem o fascínio do claro-escuro. Tem o fascínio de não ter as coisas claras, de não dizer as coisas claramente; o fascínio da mentira, das aparências ... Aos fariseus hipócritas, Jesus dizia também que eles estavam cheios de si mesmos, de vaidade, que eles gostavam de caminhar nas ruas, mostrando que eles eram importantes, pessoas cultas ...”.

Jesus, no entanto, tranquiliza a multidão. “Não tenham medo”, diz ele, porque “não há nada escondido que não será revelado, nem segredo que não será conhecido”. Como se dissesse, observa ainda Francisco, que esconder-se “não ajuda”, embora “o fermento dos fariseus leva as pessoas a amar mais as trevas do que a luz”:

“Este fermento é um vírus que fará com que você fique doente e morra. Cuidado! Este fermento leva você às trevas. Cuidado! Mas há alguém que é maior do que isso: é o Pai que está nos céus. “Cinco pardais não se vendem por duas moedas? No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus. Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados”. E, em seguida, a exortação final: “Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Diante de todos estes medos que nos colocam aqui e ali, e que nos coloca o vírus, o fermento da hipocrisia farisaica, Jesus nos diz: “Há um Pai. Há um pai que ama você. Há um Pai que cuida de você'”.

E há uma só maneira de evitar o contágio, diz Papa Francisco. É o caminho indicado por Jesus: rezar. A única solução, concluiu, para evitar cair naquela “atitude hipócrita que não é nem luz, nem escuridão”, mas é “a metade” de um caminho que “nunca vai chegar à luz de Deus”:

“Rezemos. Rezemos muito. 'Senhor, protege a tua Igreja, que somos todos nós: protege o teu povo, o que se tinha reunido e se pisoteava entre eles. Protege o teu povo, para que ame a luz, a luz que vem do Pai, que vem do Teu Pai, que Te enviou para nos salvar. Protege o teu povo, para que não se torne hipócrita, para que não caia na apatia da vida. Protege o teu povo, para que ele tenha a alegria de saber que existe um Pai que nos ama tanto”. (SP)

(from Vatican Radio)

Papa visita os sem-abrigo no novo dormitório perto do Vaticano

Papa visita os sem-abrigo no novo dormitório perto do Vaticano

No fim dos trabalhos do Sínodo desta quinta-feira (15/10), por volta das 19h, o Papa Francisco visitou os sem-abrigo no novo dormitório inaugurado nos últimos dias pela Esmolaria Apostólica, na Via dei Penitenzieri, em Roma, um local posto à disposição pela Cúria Geral dos Jesuítas.

O Papa foi acolhido pelo esmoleiro, Dom Konrad Krajewski, pelo Prepósito-Geral dos jesuítas, Padre Adolfo Nicolás, e por três Religiosas que desempenham o seu serviço junto dos voluntários. Os 30 hóspedes do dormitório acolheram com alegria o Papa, que os saudou afectuosamente um por um. O Pontífice quis conhecer pessoalmente a estrutura do novo dormitório, e a sua visita durou pouco menos de meia-hora.

O dormitório, que recebeu o nome de "Dom de Misericórdia", se encontra nas proximidades do Hospital Santo Espírito e foi aberto aos 7 de outubro, na memória litúrgica da Bem-aventurada Virgem Maria do Rosário. A comunidade dos jesuítas quis responder prontamente ao apelo do Pontífice, de destinar estruturas próprias a pessoas em dificuldade.

O local pode acolher até 34 homens durante a noite, por 30 dias, e é administrado pelas Irmãs de Madre Teresa de Calcutá. Eles poderão usufruir também do jantar oferecido na Casa “Dom de Maria”, administrada sempre pelas Irmãs de Madre Teresa, que oferece 50 leitos para mulheres. Todos os trabalhos são financiados pela Esmolaria Apostólica, isto é, através das ofertas que provêm da distribuição dos pergaminhos com a Bênção do Papa e da generosidade dos fiéis. (BS/BF)

(from Vatican Radio)

Sínodo: proposta comissão para os divorciados recasados

Sínodo: proposta comissão para os divorciados recasados

Na conferência de imprensa desta sexta-feira, dia 16 de outubro, o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, falou sobre a importância dos casais e das famílias cristãs como lugar do acolhimento para casos de crise conjugal:

“Os casais cristãos das famílias cristãs, que têm experiência, podem comunicar uma experiência em modo missionário aos outros e ser os lugares melhores do acolhimento. E neste contexto foram recordados os principais movimentos e associações que têm grande experiência neste campo e que estão presentes na Igreja.”

Entretanto, o padre Bernd Hagenkord, responsável da comunicação em língua inglesa, também no encontro com os jornalistas, informou do amplo espaço que foi dado na Assembleia Sinodal aos testemunhos pessoais e pastorais. Procriação, contraceção, o papel da família para a paz e ainda o tema dos divorciados recasados, foram alguns dos temas abordados. A propósito dos divorciados recasados e a sua participação eclesial, o padre Hagenkord revelou a novidade da proposta de uma comissão para estudar esta matéria depois do Sínodo:

“Foi sugerido neste campo o estabelecimento de uma comissão para estudar este tema depois do Sínodo, para não se tomar uma decisão prematura. Foi sugerida também uma pastoral adaptada aos nossos tempos e às exigências atuais, incluindo também um Direito Canónico adaptado.”

(RS)

(from Vatican Radio)

Os pais de Santa Terezinha entre os quatros novos santos da Igreja

Os pais de Santa Terezinha entre os quatros novos santos da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre vai presidir, na manhã deste domingo (18/10), no patamar da Basílica vaticana, a uma solene celebração Eucarística, durante a qual elevará à gloria dos altares quatro novos santos:

- Vicente Grossi, sacerdote diocesano italiano, fundador do Instituto das Filhas do Oratório, beatificado pelo Beato Paulo VI em 1975. O milagre, que o levou a ser santificado, foi a cura de uma mulher, que ocorreu há 25 anos, na localidade de Pizzighettone, cidade natal do novo santo;

- Maria da Imaculada Conceição, religiosa, Superiora-geral da Congregação das Irmãs da Companhia da Cruz, beatificada em setembro de 2010;

- e dois leigos e pais de família: Luís Martin e Maria Zélia Guérin, pais de Santa Terezinha do Menino Jesus, proclamados beatos em 2008.

O evento se realiza em sintonia com o Sínodo dos Bispos, em andamento no Vaticano desde o último dia 4 até o próximo dia 25, dedicado ao tema  “A vocação e a missão da Família na Igreja e no mundo contemporâneo".

Dados biográficos de Luís e Zélia

Luís Martin nasceu em Burdeos, França, no dia 22 de agosto de 1823, e faleceu em Arnières, no dia 29 de julho de 1894. Maria Zélia Guérin nasceu em Saint-Denis-Sarthon, no dia 23 de dezembro de 1831, e faleceu em Alençon, no dia 28 de agosto de 1877.

Casados em 1858, Luís e Zélia tiveram nove filhos, dos quais cinco seguiram a vida religiosa.

As 218 cartas conservadas de Zélia, de 1863 até à sua morte em 1877, falam do ritmo de vida da sua família, durante a guerra de 1870, da crise econômica, dos nascimentos e mortes de quatro de seus filhos.

O casal costumava convidar os pobres para comer em sua casa, visitava os idosos e enfermos e ensinava suas filhas a tratarem os mais pobres de igual para igual.

Zélia faleceu, com 46 anos, acometida por um doloroso câncer. Seu esposo ficou com as cinco filhas pequenas: Maria, Paulina, Leonice, Celina e Terezinha, que, na época, tinha quatro anos e meio. Ela sempre recordava sua mãe como uma santa. Luís morreu por causa de uma grave doença mental.

Relíquias dos novos santos

Luís e Zélia eram os pais de Santa Terezinha do Menino Jesus, Padroeira das Missões e uma das santas mais queridas no Brasil. Em 1997 foi proclamada Doutora da Igreja por São João Paulo II.

Durante o Sínodo Ordinário dos Bispos sobre a Família, em andamento no Vaticano, os fiéis podem venerar as relíquias de Santa Teresa de Lisieux e de seus pais, na Basílica de Santa Maria Maior, no centro de Roma. As urnas com suas relíquias se encontram na Capela de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”.

Os cônjuges Luís Martin e Zélia Guérin serão o primeiro casal não mártir na história da Igreja a ser elevado à honra dos altares na mesma cerimônia. (MT)

(from Vatican Radio)

Solidariedade aos famintos se transforme em gestos concretos

Solidariedade aos famintos se transforme em gestos concretos

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta sexta-feira, 16 de outubro, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. A FAO, organismo da ONU para agricultura e a alimentação, definiu como tema “Proteção Social e Agricultura: quebrando o ciclo da pobreza rural”. O objetivo é chamar a atenção do mundo sobre o papel essencial desempenhado pela proteção social na erradicação da fome e da pobreza.

Segundo a FAO, a proteção social salvou cerca de 150 milhões de pessoas em todo o mundo de caírem na pobreza extrema. Apesar desses números positivos, a Organização alerta que 800 milhões de pessoas ainda não têm o suficiente para comer e que uma em cada três crianças está malnutrida.

O que é 'proteção social'

Entendem-se por proteção social mecanismos como transferências de dinheiro para famílias vulneráveis vales de refeições, programas de seguro sanitário ou refeições escolares, e a vinculação dos mesmos a contratos de aquisição ao agricultores locais.  As transferências ajudam as famílias a gerir o risco e a mitigar os impactos que de outro modo os manteriam presos na pobreza e na fome.

Neste Dia, o Papa Francisco escreveu uma mensagem ao Diretor-geral da Organização, o brasileiro José Graziano da Silva, reiterando o nosso compromisso em encontrar os meios necessários para libertar a humanidade da fome e promover uma atividade agrícola que seja capaz de satisfazer as necessidades das diferentes áreas do nosso planeta.

Para o Pontífice, o tema deste ano é importante porque salienta a questão da proteção social, de que dois terços da população mundial carece. A maior parte destas pessoas são agricultores, pescadores, criadores e florestais obrigados a viver na precariedade, pois o seu trabalho se subordina a condições ambientais que eles não podem controlar e porque não possuem meios para remediar às safras ruins ou comprar instrumentos técnicos. “Paradoxalmente, quando a colheita é abundante, há dificuldade de transporte, comércio e conservação dos frutos de seu trabalho”, escreve o Papa, revelando que muitas pessoas encontradas em visitas pastorais lhe contaram as suas dificuldades e as repercussões que estas situações causam em sua vida pessoal e familiar. 

Pessoas, não números

Na segunda parte da mensagem, Francisco questiona: “É possível conceber uma sociedade em que os recursos estão em mãos de poucos e os menos privilegiados são obrigados a recolher apenas as migalhas?”

A resposta não se pode limitar às boas intenções, mas consiste na “paz social, isto é, a estabilidade e a segurança de uma certa ordem, que não se realiza sem uma atenção particular à justiça distributiva, cuja violação gera sempre violência”. 

Lembrando que as maiores vítimas são “as pessoas e não números”, que pedem a nossa ajuda para olhar ao futuro com um mínimo de esperança, o Papa exorta “os Governos e Instituições internacionais a agir rapidamente, fazendo todo o possível, no que concerne à sua responsabilidade”.  

À FAO o Papa pede diretamente que considere os direitos dos famintos e acolha suas aspirações, traduzindo a solidariedade em gestos concretos, “não somente administrando os riscos sociais e econômicos ou levando socorro quando há catástrofes ou crises ambientais”. 

Rejeitar pessimismo e indiferença

A Igreja, ressalva Francisco, não tem a missão de analisar a proteção social do ponto de vista técnico; todavia, os aspectos humanos destas situações não a deixam indiferente. “A Criação e os frutos da terra são dons de Deus conferidos a todos os seres humanos. Por isso, são destinados a ser divididos igualmente entre todos. Isto requer uma firme vontade de enfrentar as injustiças que ofendem a dignidade humana e ferem profundamente a nossa consciência”, prossegue o Papa, repelindo posições de pessimismo e indiferença. 

Em relação à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, recentemente aprovada pelas Nações Unidas, Francisco alertou que não se reduza a um conjunto de regras e acordos, mas inspire um novo modelo de proteção social. “Evite-se usá-la em benefício de interesses contrários à vida humana ou para justificar atitudes de omissão que não resolvem os problemas, mas agravam as desigualdades”. 

“Que cada um dê o melhor de si e em espírito genuíno de serviço”, pediu, invocando para o Diretor e todos os colaboradores da FAO a benção de Deus, rico de misericórdia. 

(CM)



(from Vatican Radio)

Sínodo: a intervenção dos delegados fraternos

Sínodo: a intervenção dos delegados fraternos

Também nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, tomaram parte da Assembleia Sinodal 12 delegados fraternos, representantes de diversas confissões cristãs, que participam do Sínodo como convidados. Alguns dos delegados fraternos estiveram na conferência de imprensa conduzida pelo Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé. Foram eles o Primaz da Igreja Ortodoxa da Estónia, Stephanos, o representante do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, e o Rev. Thimoty Thornton, bispo de Truro, na Grã-Bretanha, representante da Comunhão Anglicana, acompanhado do Primaz Justin Welby.

As diversas intervenções dos delegados fraternos, podem ser resumidas com o tema “unidade na diversidade”: diversidade de confissões, mas também a unidade em definir “a família como ponto central da pastoral da Igreja e fundamento da sociedade”.

Os delegados fraternos afirmaram que, na Sala do Sínodo, “se respira uma rica diversidade da Igreja de todo o mundo e a capacidade de dialogar uns com os outros”. No entanto, oferecem muitos pontos de reflexão sobre a família: desde a questão dos matrimónios mistos, de grande importância no caminho ecuménico, até às realidades das famílias em crise, que esperam conforto e acolhimento, acompanhamento e não julgamento por parte da Igreja.

Entretanto, os delegados de outras confissões cristãs ressaltaram as principais problemáticas contemporâneas, que desafiam o núcleo familiar, como a homossexualidade, o drama da guerra e das migrações, a indigência, a adoção de crianças. Em suma, foi destacada a importância da família, que é testemunha da alegria evangélica.

(RS)

(from Vatican Radio)

Papa nos 50 anos do Sínodo: Igreja e Sínodo são sinônimos

Papa nos 50 anos do Sínodo: Igreja e Sínodo são sinônimos

Cidade do Vaticano (RV) – “Igreja e Sínodo são sinônimos”, porque “a Igreja não é outra coisa que o caminhar juntos” do Povo de Deus. Esta é uma das passagens do forte discurso do Papa Francisco pronunciado na manhã deste sábado na Sala Paulo VI, por ocasião do 50º aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos por Paulo VI, em 15 de outubro de 1965. Em seu denso pronunciamento, o Santo Padre sublinhou que “em uma Igreja sinodal, também o exercício do primado petrino poderá receber maior luz” e desejou, referindo-se à Evangelii gaudium, uma “salutar descentralização”, já que o Papa não deve substituir os episcopados locais “no discernimento de todas as problemáticas” de seus territórios.

O Pontífice desenvolveu o seu discurso concentrando-se sobre o significado de “ser uma Igreja a caminho” para o Bispo de Roma. Desde o Concílio Vaticano até o atual Sínodo sobre a família – ressaltou – “experimentamos de modo mais intenso a necessidade e a beleza de caminhar juntos”. E recordou que desde o início de seu Pontificado quis valorizar o Sínodo, que “constitui uma das heranças mais preciosas” do Concílio.

O caminho da sinodalidade é o que Deus pede à Igreja

Francisco então recordou que Paulo VI pretendia com o Sínodo “repropor a imagem do Concílio Ecumênico e refletir nele o Espírito e o método”. Então referiu-se às palavras de João Paulo II que pensava em uma melhoria do instrumento sinodal de forma que a “colegial responsabilidade pastoral” pudesse “exprimir-se no Sínodo ainda mais plenamente”:

“Devemos prosseguir por este caminho. O mundo em que vivemos, e que somos chamados a amar e servir também nas suas contradições, exige da igreja o potenciamento das sinergias em todos os âmbitos da sua missão. Precisamente o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio. O que o Senhor nos pede, num certo sentido, está tudo contido na palavra “Sínodo”. Caminhar juntos – Leigos, Pastores, Bispo de Roma – é um conceito fácil de ser expresso em palavras, mas não tão fácil de ser colocado em prática”.

Confiar na “intuição” do Povo de Deus

O Papa então enfatizou a “intuição” que o Povo de Deus tem em “discernir os novos caminhos que o Senhor abre à Igreja”. O Povo de Deus – observou – é santo em razão da unção recebida de Deus que o torna “infalível no crer”. Foi esta convicção - explicou – a guiar-me quando desejei que o Povo de Deus fosse consultado na preparação do dúplice encontro sinodal sobre a família”:

“Certamente, uma consulta do gênero de nenhuma forma poderia bastar para escutar o sensu fidei. Mas como teria sido possível falar da família sem interpelar as famílias, escutando as suas alegrias e as suas esperanças, as suas dores e as suas angústias? Por meio das respostas aos dois questionários enviados às Igrejas particulares, tivemos a possibilidade de escutar ao menos algumas delas sobre as questões que lhes dizem respeito de perto e sobre as quais têm tanto a dizer”.

Uma Igreja sinodal é uma Igreja de escuta

“Uma Igreja sinodal – prosseguiu o Papa – é uma Igreja de escuta, na consciência de que escutar ‘é mais do que ouvir’. É uma escuta recíproca em que cada um tem alguma coisa a aprender. Povo fiel, Colégio Episcopal, Bispo de Roma: um na escuta dos outros e todos na escuta do Espírito Santo”, para conhecer aquilo que ele “diz às Igrejas”. O Sínodo dos Bispos – prosseguiu o Papa – “é o ponto de convergência deste dinamismo de escuta conduzido em todos os níveis da vida da Igreja”. O caminho sinodal inicia “escutando o Povo” e “prossegue escutando os Pastores”.

“Por meio dos Padres sinodais, os Bispos agem como autênticos custódios, intérpretes e testemunhos da fé de toda a Igreja, que devem saber atentamente distinguir dos fluxos frequentemente mutáveis da opinião pública. Na vigília do Sínodo do ano passado eu afirmava: “Do Espírito Santo, peçamos para os Padres sinodais, antes de tudo, o dom da escuta: escuta de Deus, até ouvir com ele o grito do Povo; escuta do Povo, até a respirar a vontade a qual Deus nos chama”.

Igreja e Sínodo são sinônimos, caminhar juntos ao rebanho de Deus

Por fim, afirmou, “o caminho sinodal culmina na escuta do Bispo de Roma, chamado a pronunciar-se como “Pastor e Doutor de todos os cristãos”: não a partir das suas convicções pessoais, mas como suprema testemunha” da fé de toda a Igreja. O fato de que o Sínodo “aja sempre cum Petro et sub Petro – portanto, não somente cum Petro, mas também sub Petro – disse ainda – não é uma limitação da liberdade, mas uma garantia de unidade”.

“A sinodalidade, como dimensão constitutiva da Igreja, nos oferece o contexto interpretativo mais adequado para compreender o próprio ministério hierárquico. Se entendemos que, como disse São João Crisóstomo, “Igreja e Sínodo são sinônimos” – porque a Igreja não é outra coisa senão ‘o caminhar juntos’ do Rebanho de Deus nos caminhos da história de encontro a Cristo Senhor – entendemos também que dentro dela ninguém pode ser “elevado” acima dos outros. Pelo contrário, na Igreja é necessário que alguém “se abaixe” para colocar-se a serviço dos irmãos ao longo do caminho”.

Francisco então reiterou que Jesus constituiu a “Igreja colocando no seu vértice o Colégio apostólico no qual o Apóstolo Pedro é a rocha”. Mas nesta Igreja – afirmou – “como em uma pirâmide ao contrário, o vértice se encontra abaixo da base. Por isto, aqueles que exercem a autoridade se chamam ministros: porque segundo o significado original da palavra, são os menores entre todos”. E – afirmou – “em um horizonte similar, o próprio Sucessor de Pedro não é outro senão “o servo dos Servos de Deus”. “Não esqueçamos nunca – advertiu – que para os discípulos de Jesus, ontem hoje e sempre, a única autoridade é a autoridade do serviço, o único poder é o poder da cruz”.

Necessário proceder em uma saudável “descentralização”

Em uma Igreja sinodal – prosseguiu o Santo Padre – o Sínodo dos Bispos é somente “a mais evidente manifestação de um dinamismo de comunhão que inspira todas as decisões eclesiais”. O primeiro nível de exercício da sinodalidade – continuou – realiza-se nas Igrejas particulares, naqueles organismos de comunhão que devem permanecer “ligados com a base e partem das pessoas, dos problemas de cada dia”. O segundo nível se manifesta em particular nas Conferências Episcopais:

“Em uma Igreja sinodal, como já afirmei, não é oportuno que o Papa substitua os Episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que se prospectam em seus territórios. Neste sentido, advirto para a necessidade de proceder em uma salutar descentralização”.

Primado petrino recebe maior luz de uma Igreja sinodal

O último nível – sublinhou  - é o da Igreja universal e o Sínodo dos Bispos, “representando o episcopado católico, torna-se expressão da colegialidade episcopal dentro de uma Igreja inteiramente sinodal”. O empenho em “edificar uma Igreja sinodal”, “missão à qual todos somos chamados” – constatou – “é repleta de implicações ecumênicas”. Francisco, então, referiu-se a João Paulo II quando colocava a urgência de uma “conversão de papado”:

“Estou convencido que, em uma Igreja sinodal, também o exercício do primado petrino poderá receber maior luz. O Papa não está sozinho, acima da igreja; mas dentro dela como batizado entre os batizados e dentro do Colégio Episcopal como Bispo entre os Bispos, chamado ao mesmo tempo – como Sucessor do apóstolo Pedro – a guiar a Igreja de Roma que preside no amor todas as Igrejas”.

Igreja sinodal ajudará também a sociedade civil a construir fraternidade

O nosso olhar – concluiu o Santo Padre – “se alarga também para a humanidade”. Uma Igreja sinodal “é como um estandarte entre as nações em um mundo que – mesmo invocando participação, solidariedade e transparência na administração da coisa pública – entrega frequentemente o destino de inteiras populações nas mãos ávidas de restritos grupos de poder”:

“Como Igreja que ‘caminha junto’ aos homens, partícipe das dificuldades da história, cultivamos o sonho de que a redescoberta da dignidade inviolável dos povos e da função do serviço da autoridade poderão ajudar também a sociedade civil a edificar-se na justiça e na fraternidade, gerando um mundo mais bonito e mais digno para as gerações que virão depois de nós”. (AG/JE)

Papa: prosseguir na sinodalidade escutando o Povo de Deus

Papa: prosseguir na sinodalidade escutando o Povo de Deus

Na manhã deste sábado dia 17 de outubro, teve lugar na Sala Paulo VI uma sessão comemorativa dos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos. Mais precisamente foi a 15 de setembro de 1965 que o Papa Paulo VI fez a instituição permanente do Sínodo dos Bispos em resposta ao desejo dos Padres do Concílio Vaticano II de manter vivo o espírito positivo gerado pela experiência conciliar.

A comemoração dos 50 anos de Sínodo foi feita com a participação dos bispos presentes no Sínodo sobre a Família que agora conclui a sua segunda semana de trabalhos. Várias as comunicações produzidas representando os vários continentes e realidades específicas da Igreja

No discurso que proferiu o Papa Francisco afirmou que “Igreja e Sínodo são sinónimos” porque a “Igreja não é outra coisa que não seja caminhar juntos”.

Numa intervenção de importante síntese do sentido de rumo e percurso da Igreja, o Santo Padre afirmando ser a sinodalidade uma  das maiores preciosidades do Concílio Vaticano II, declarou que este é o caminho que Deus quer para a Igreja.

Confiar no Povo de Deus e ser Igreja de escuta – estas duas marcas essenciais do discurso do Papa que considerou que mais do que ouvir, a Igreja deve mesmo promover a escuta recíproca onde todos têm algo para aprender: os fiéis, o colégio episcopal e o bispo de Roma.

O Papa Francisco falou também de uma salutar descentralização de certas decisões para as conferências episcopais dos vários territórios onde a Igreja está presente. De sublinhar que, precisamente, por este motivo, o Papa Francisco citou S. João Paulo II reafirmando que “numa igreja sinodal, também o exercício petrino poderá receber maior luz”.

Finalmente, o Santo Padre afirmou ainda que uma igreja sinodal ajuda também a sociedade civil a “edificar-se na justiça e na fraternidade gerando um mundo mais belo e mais digno do homem para as gerações que virão depois de nós” – afirmou o Papa Francisco na conclusão do seu discurso na comemoração dos 50 anos da instituição dos Sínodo dos Bispos.

(RS)

(from Vatican Radio)

Dom Odilo Scherer: Sínodo, caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja

Dom Odilo Scherer: Sínodo, caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – Em 15 de outubro de 1965 o Papa Paulo VI, ao final do Concílio Vaticano II, instituiu o Sínodo dos Bispos. No Angelus de 22 de setembro de 1974, o próprio Paulo VI deu uma definição do Sínodo dos Bispos:  “É uma instituição eclesiástica, que nós, interrogando os sinais dos tempos, e mais do que isto, procurando interpretar em profundidade os desígnios divinos e a constituição da Igreja Católica, estabelecemos após o Concílio Vaticano II, para favorecer a união e a colaboração dos Bispos de todo o mundo com esta Sé Apostólica, mediante um estudo comum das condições da Igreja e a solução concorde das questões relativas à sua missão. Não é um Concílio, não é um Parlamento, mas um Sínodo de particular natureza”.

Os 50 anos da instituição do Sínodo estão sendo celebrados neste sábado na Sala Paulo VI, no Vaticano. Entre os presentes, está o Cardeal Odilo Pedro Scherer, participante do Sínodo dos Bispos em andamento, que falou à Rádio Vaticano sobre a importância deste organismo de colegialidade:

“A instituição do Sínodo no final do Concílio foi um desejo muito forte do próprio Concílio, dos participantes do Concílio, que chegando ao final do Concílio, desejaram, pediram ao Papa de que a experiência do Concílio não parasse por aí, pois foi uma grande experiência de comunhão, de participação, de colegialidade e de corresponsabilidade de todo o episcopado pela Igreja. E aí o Sínodo foi pedido para ser este organismo da Igreja, que não substituísse o Concílio, mas de alguma forma continuasse a experiência do Concílio, se reunisse com certa frequência  com o Papa, convocado pelo Papa, para retomar os grandes temas do Concílio e de tempos em tempos  atualizar a reflexão, dar novas orientações em relação aos grandes temas do Concílio que são os grandes temas da Igreja. Por outro lado, que através do Sínodo dos Bispos, se concretizasse aquilo que foi no Concílio colocado com tanta evidência, isto é, a Igreja é uma comunhão, a Igreja não depende só do Papa, um Papa com os Bispos, o Papa à frente, o Papa naturalmente com o carisma próprio dele, do sucessor de Pedro. Mas o Papa não é sozinho o encarregado da Igreja, é com os Bispos, daí a ideia da colegialidade, da corresponsabilidade,  que vem expressa então através da ideia justamente do Sínodo. Sínodo, a própria palavra quer dizer caminho juntos, ou seja, o Sínodo deveria ser este organismo  do episcopado, que junto com o Papa dá as direções à Igreja, um caminho de orientação, de comunhão juntos, não de dispersão, cada um pro seu lado, mas juntos, buscando as grandes linhas pastorais de orientação para a Igreja. E é isto que o Sínodo tem feito, através das 14 Assembleias Gerais Ordinárias até agora, nós estamos na 14ª, das 3 Assembleias Gerais Extraordinárias e das muitas outras Assembleias Regionais que houve, sobretudo na época da preparação do Grande Jubileu do terceiro milênio. O Sínodo, creio, foi uma feliz intuição, iniciativa do Papa Paulo VI e do Concílio e que está trazendo os seus frutos para dentro da igreja. O Sínodo, naturalmente, não é um organismo de decisão, como é o Concílio. É um organismo de consulta, mas é um organismo importante, porque cada vez que se reúne o Sínodo convocado pelo Papa, o Sínodo realmente apresenta a voz da Igreja e também, digamos assim, expressa um caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja”. (JE)

(from Vatican Radio)

Prosseguem as congregações gerais- Muita gente reza pelo sínodo

Prosseguem as congregações gerais- Muita gente reza pelo sínodo

2015-10-15 L’Osservatore Romano
Muita gente reza pelo Sínodo e acompanha o seu desenvolvimento e os padres sinodais, afirmou o Papa Francisco na abertura – na tarde de quarta-feira, 14 de Outubro – da nona congregação geral do Sínodo dos bispos, explicando que recebeu estas confidências durante as saudações na audiência geral da manhã.

Durante os trabalhos, de várias partes, falou-se das experiências pastorais iniciadas, relativas aos numerosos cônjuges que necessitam de acompanhamento especial, como no caso dos divorciados recasados no civil. Foi significativa a instituição nalgumas dioceses de uma pastoral específica a eles dirigida. O objectivo é acompanhá-los espiritualmente e guiá-los rumo à plena compreensão da doutrina católica, mas compartilhando um caminho, vivendo ao seu lado para conhecer os problemas, amá-los e perdoá-los.

Na manhã de quinta-feira a décima congregação geral evidenciou que a Igreja nunca deve acrescentar-se à lista das instituições que estão tornando «invisíveis» as famílias, que no mundo sofrem pela falta de trabalho ou de casa, ou pela fome, a violência. Ao contrário, ela é chamada a responder à numerosas expectativas das pessoas, testemunhando com misericórdia a verdade de Cristo.

"Não" aos vigilantes da salvação. O amor de Deus é gratuito

"Não" aos vigilantes da salvação. O amor de Deus é gratuito

2015-10-15 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A homilia da missa celebrada pelo Papa na manhã desta quinta-feira (15/10), na Casa Santa Marta, foi focada no mandamento do amor e na tentação de quem quer "controlar" a salvação. Francisco alertou: “Temos que nos proteger dos ‘doutores da lei’ que limitam os horizontes de Deus e minimizam o seu amor. Uma das coisas mais difíceis de se entender, para nós cristãos, é a gratuidade da salvação em Jesus Cristo”, iniciou o Pontífice.

Já São Paulo tinha grande dificuldade em explicar aos homens de seu tempo que a verdadeira doutrina era a "gratuidade da salvação". “Nós – salientou Francisco – estamos acostumados a ouvir que Jesus é o Filho de Deus que veio por amor para nos salvar e depois morreu por nós. Quando entramos no mistério de Deus ‘deste amor sem limites’ ficamos maravilhados e por vezes ‘preferimos não entendê-lo’”.

Não reduzir os horizontes de Deus. Seu amor não tem limites

Fazer o que Jesus nos diz – prosseguiu – é bom; "é a minha resposta à salvação, que é gratuita, vem do amor gratuito de Deus":

“Parece que Jesus também implica um pouco contra os doutores da lei, dizendo-lhes coisas fortes, muito duras: ‘Vocês levaram embora a chave do conhecimento, vocês não entraram, impediram quem queria entrar, levaram a chave’, ou seja, a chave da gratuidade da salvação, do conhecimento”.
Estes doutores da lei “pensavam que somente respeitando todos os mandamentos era possível se salvar, e que quem não o fizesse seria condenado”. Assim, “limitavam os horizontes de Deus e tornavam o seu amor pequenino, à medida de cada um de nós”. Esta, disse ainda, “é a luta que Jesus e Paulo fizeram para defender a doutrina”.

Os vigilantes da salvação

“Certo, observou, os mandamentos existem, mas a síntese de tudo é ‘amar a Deus e ao próximo’; e com esta ‘atitude de amor’, afirmou o Papa, ‘ficaremos à altura da gratuidade da salvação, porque o amor é gratuito”. “Se eu disser ‘eu te amo’, mas estiver interessado em outra coisa, advertiu, isto não será amor, mas interesse”.

“Por isso, Jesus diz: ‘O amor maior é este: amar Deus com toda a vida, com todo o coração, com toda a força... e ao próximo como a ti mesmo’, porque é o único mandamento à altura da gratuidade da salvação de Deus. E acrescenta: ‘Neste mandamento estão incluídos todos os outros; a fonte é o amor, o horizonte é o amor’. Se você fechar a porta e levar embora a chave do amor, não estará à altura da gratuidade da salvação que recebeu. A luta pelo controle da salvação não se encerrou com Jesus e Paulo”.

Francisco mencionou que este ano se recordam 500 anos do nascimento de Santa Teresa d’Ávila, comemorada hoje. “Uma mística a quem o Senhor deu a graça de compreender os horizontes do amor. Ela também foi julgada pelos doutores de sua época. Aqueles santos, salientou o Papa, foram perseguidos por defender o amor, a gratuidade da salvação, a doutrina. Muitos deles, como também Joana D’Arc.

Não se deixar enganar por quem quer limitar o amor de Deus

O Papa retomou a homilia lembrando que esta luta não termina, a carregamos dentro de nós. Seria bom se nos questionarmos: ‘Acredito que o Senhor me salvou gratuitamente?’ “Creio que não mereço a salvação? E se a mereço, é graças a Jesus Cristo e aquilo que Ele fez por mim?”

“Perguntemo-nos, porque somente assim seremos fiéis a este amor tão misericordioso: amor de pai e de mãe, porque Deus também diz que Ele é como uma mãe conosco; grandes horizontes, sem limites nem limitações. E não nos deixemos enganar pelo doutores que limitam este amor”.  (CM)

(from Vatican Radio)