quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ano Nacional Mariano: Mensagem à Igreja Católica no Brasil


No contexto das Comemorações dos 300 ano do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no rio Paraíba do Sul, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Ano Nacional Mariano.

Leia a mensagem da presidência da entidade para a ocasião:

Mensagem à Igreja Católica no Brasil

ANO NACIONAL MARIANO



Na imagem de Nossa Senhora Aparecida “há algo de perene para se aprender”. 
“Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”
(Papa Francisco)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, a iniciar-se aos 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.
Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Trata-se de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).
A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus. 
O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).
Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano.
A companhia e a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida nos ajude a progredir como discípulas e discípulos, missionárias e missionários de Cristo!

Brasília-DF, 1º de agosto de 2016

Dom Sergio da Rocha                                              Dom Murilo S. R. Krieger
        Arcebispo de Brasília-DF                                     Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA
Presidente da CNBB                                                  Vice-Presidente da CNBB


Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário-Geral da CNBB

Cardeal Tempesta: 85 anos do Cristo Redentor

A construção do Cristo Redentor do Corcovado é considerada um grande marco da engenharia civil brasileira. Erguido em concreto armado, o monumento é revestido de um mosaico de pedra-sabão originária da região de Carandaí, em Minas Gerais, que foi trabalhado pelas senhoras da sociedade carioca da época. A construção foi sugerida pela primeira vez em 1859, pelo padre Lazarista Pedro Maria Boss, à princesa Izabel, mas a ideia só tomou corpo em 1921, quando se reuniu, no Circulo Católico, a primeira assembleia destinada a discutir o projeto local para a edificação do Cristo, a ser construído para comemorar o centenário da independência do Brasil, no ano de 1922.
Entraram na disputa o Corcovado, o Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio. Optou-se pelo Corcovado pelo seu grande pedestal e pela ótima localização, sendo possível a sua visualização de várias zonas da cidade. O projeto escolhido foi o do engenheiro Heitor da Silva Costa.  A pedido do cardeal Dom Sebastião Leme é organizada, em setembro de 1923, a “Semana do Monumento”, uma campanha nacional para arrecadação de fundos para as obras. A sociedade em geral se mobiliza. Vendem-se rifas, fazem-se festas, escoteiros pedem dinheiro nas portas das casas e até as tribos dos Bororós, do estado do Mato Grosso, contribuem para tornar esse sonho uma realidade.
Entre os anos de 1921 e 1923, Heitor da Silva Costa trabalhou em seu projeto, ao fazer os desenhos em parceria com o pintor e gravurista Carlos Oswald, além de fazer também os estudos relativos ao material a ser utilizado e ao tamanho final do monumento. Em 1924, o engenheiro vai à Europa para escolher um escultor para desenhar a maquete final do seu projeto e contratar um engenheiro calculista. Dentre diversos escultores, sua escolha recai sobre o francês Paul Landowski, devido a seu estilo sem exageros modernistas, que a obra não comportava. Silva Costa escolheu também o engenheiro francês Albert Caquot, grande mestre em cálculos estruturais da época. As obras de edificação do Cristo Redentor são iniciadas em 1926. Heitor Levy é o engenheiro mestre de obras, e Pedro Fernandes Vianna da Silva, o engenheiro fiscal.
De altura, o Cristo possui 30 metros e três centímetros. Com a base, que mede 8 metros e abriga o Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, fica a imagem com 38m e três centímetros. De envergadura, possui o Cristo 29,60m, sendo que o braço esquerdo é imperceptivelmente menor 40cm, para dar maior estabilidade à imagem. A cabeça do Cristo está inclinada 33cm para a frente e a aparente coroa é na realidade o para-raios.
No dia 12 de outubro de 1931, dia da inauguração do monumento, um verdadeiro show de tecnologia estava preparado para a cerimônia de inauguração. A iluminação do Cristo seria acionada a partir da Itália, de onde o cientista Guglielmo Marconi, a convite do jornalista Assis Chateaubriand, emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena no bairro carioca de Jacarepaguá. Por conta das condições climáticas, a iluminação foi acionada da própria cidade do Rio de Janeiro, o que não afetou de forma alguma a grandiosidade do evento.
Por sua imponência e grande reconhecimento internacional, foi eleito e apresentado publicamente no Estádio da Luz, na cidade de Lisboa, no dia 7 de julho de 2007, como uma das sete maravilhas do mundo moderno, ao lado da muralha da China, Coliseu na Itália, Machu Picchu no Peru, Petra na Jordânia, Taj Mahal na Índia e Chichén Itzá no México.  A escolha, promovida pela New Open World Foundation, contou com mais de cem milhões de votos, através de telefones celulares e da internet, enviados de todas as partes do mundo. Além de ser considerado o primeiro e maior monumento art déco do mundo, em 2009 o Guinness World Records considerou o Cristo Redentor a maior estátua de Cristo do mundo. Mais uma mostra da grandiosidade desta construção.
Ao celebramos os 85 anos do monumento ao Cristo Redentor, este belo símbolo de fé que marca a nossa cidade, queremos pedir ao Cristo, dentro do contexto do Ano Santo da Misericórdia, que vai caminhando para a sua clausura, e da abertura do Ano Mariano no Brasil e da família em enfoque vocacional em nossa Arquidiocese, que sempre nos abençoe, dando-nos a cada um de nós o dom do amor, da paz, da fé e da fraternidade. Cristo sempre está de braços abertos a todos e, assim, acolhe a todos sem distinção. Sintamo-nos acolhidos e abraçados por Ele.
Orani  João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

'Aparecendo', Nossa Senhora aponta para o diálogo

Com uma missa presidida pelo bispo auxiliar de Brasília e Secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, o Ano Jubilar Mariano, dedicado a Nossa Senhora Aparecida foi aberto nesta quarta-feira, 12 de outubro, em Roma. A iniciativa da Igreja do Brasil se dá em concomitância com os 300 anos do achado da imagem pelos pescadores no rio Paraíba. Dom Leonardo conversou com o Programa Brasileiro, presente no evento:
“Com esta nossa celebração, abrimos o Ano Mariano aqui no Pio Brasileiro e junto com os brasileiros que estão em Roma e que costumam frequentar as celebrações aqui".
Imagem-encontro ajuda a superar divisões
“A abertura dos 300 anos significa a abertura de um encontro; perceber em Nossa Senhora este cuidado de Deus para conosco, esta manifestação de Deus para conosco. O Papa quando esteve no Brasil fez uma meditação muito bonita sobre o significado do encontro da imagem (de Nossa Senhora). E a imagem é o lugar do encontro. Ele lembrou por exemplo que foi o tempo em que havia a escravidão e a imagem ajudou a superar as divisões sociais. E nos incentivou a buscarmos cada vez mais a fraternidade e a irmandade”.
Dom Leonardo, como Nossa Senhora Aparecida pode inspirar o povo brasileiro na superação deste momento tão difícil e ‘triste’, como definiu o Papa?
“Nossa Senhora sempre aponta a esperança. Vejam que os pescadores estavam desanimados, desamparados. Junto da imagem, nasce uma nova possibilidade, a bem dizer, um milagre. Então Nossa Senhora nos aponta este caminho. Não é porque vivemos um momento difícil que nós, como brasileiros e brasileiras, não lutar pela nossa pátria, não cuidarmos da democracia, não buscarmos uma integração maior, buscarmos uma comunhão maior entre todas as pessoas”.
“O grande problema do Brasil é que estamos todos muito divididos politicamente e há necessidade de reconquistar aquilo que caracteriza muito o que caracteriza o povo brasileiro: o respeito, um pelo outro. O povo brasileiro sempre se distinguiu por este modo de tolerância das diferenças, o acolhimento das diferenças, ou melhor. E há uma necessidade muito grande de reconquistarmos essas nossas características. Isto vai levar muito tempo, mas Nossa Senhora nos aponta o caminho do diálogo, assim como ela, ‘em aparecendo’ do rio, mostrou uma comunhão, uma unidade entre o corpo e a cabeça, assim também esta comunhão deve nascer do diálogo; temos que ousar dialogar, temos que demonstrar as diferenças, mas nunca temer buscarmos realmente o melhor para o Brasil e os brasileiros".   
(CM)

Papa: o cristão está sempre a caminho, fazendo o bem

O Papa celebrou a missa matutina na capela da Casa Santa Marta nesta quinta-feira, (13/10). Em sua homilia, Francisco traçou o perfil do bom cristão que deve sempre sentir em si a benção do Senhor e caminhar adiante fazendo o bem.

“O cristão é abençoado pelo Pai, por Deus. É uma pessoa escolhida”, disse o Pontífice detendo-se nos traços desta bênção, partindo da Carta de São Paulo aos Efésios.
“Deus nos chamou um por um, não como uma multidão oceânica. Fomos escolhidos, esperados por Deus”, disse Francisco.
“Pensemos num casal quando espera um filho. Como será? Como será o seu sorriso? Como falará? Ouso dizer que também nós, cada um de nós, foi sonhado pelo Pai, como um pai e uma mãe sonham o filho que esperam. Isso nos dá uma segurança grande. O Pai quis cada um de nós, e não uma massa de gente, não! Cada um de nós. Este é o fundamento, é a base da nossa relação com Deus. Falamos com um Pai que nos quer bem, que nos escolheu, que nos deu um nome.”
Grande consolo
“Entende-se quando um cristão não se sente escolhido pelo Pai. Quando sente que pertence a uma comunidade é como um torcedor de futebol. O torcedor escolhe o time e pertence àquele time”, disse o Pontífice. 
“O cristão é um escolhido, é uma pessoa sonhada por Deus. Quando vivemos assim, sentimos no coração um grande consolo, não nos sentimos abandonados, não nos é dito: se vire como puder”, frisou. 
O segundo traço da bênção do cristão é o sentir-se perdoado. “Um homem ou uma mulher que não se sente perdoado, não é plenamente cristão.”
Perdão
“Todos nós fomos perdoados com o preço do sangue de Cristo. Mas do que eu fui perdoado? Lembre-se das coisas feias que fez, não as que fez o seu amigo, o seu vizinho, a sua vizinha: mas o que você fez. O que eu fiz de mal na vida? O Senhor perdoou estas coisas. Sou abençoado, sou cristão. O primeiro traço: sou escolhido, sonhado por Deus, com um nome que Deus me deu, amado por Deus. O segundo: sou perdoado por Deus.”
O Papa falou então sobre a terceira característica do cristão. "É um homem e uma mulher rumo à plenitude, ao encontro com Cristo que nos redimiu”.
“Não se pode entender um cristão parado. O cristão sempre deve ir adiante, deve caminhar. O cristão parado é aquele homem que recebeu um talento e por causa do medo da vida, medo de perdê-lo, medo do patrão, medo ou comodismo, o enterrou e deixou o talento ali, e ele fica tranquilo e passa a vida sem caminhar. O cristão é um homem a caminho, uma mulher a caminho, que sempre faz o bem, procura fazer o bem, caminha adiante.”
“Esta é a identidade cristã. Abençoados, porque escolhidos, perdoados e a caminho”. Nós não somos anônimos, não somos soberbos a ponto de não precisar do perdão. Não somos pessoas paradas”, disse o Papa. 
“Que o Senhor nos acompanhe com esta graça da benção que nos deu, a benção de nossa identidade cristã”, concluiu. 
(MJ)