quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Mons. Viganò: Papa convida a abrir espirais de esperança

O olhar de quem relata é central, porque a realidade não tem um significado unívoco. Assim se expressou o prefeito da Secretaria para a Comunicação, Mons. Dario Edoardo Viganò, que apresentou na manhã desta terça-feira (24/01) na Sala de Imprensa da Santa Sé, no Vaticano, a Mensagem do Papa para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Substancialmente, Francisco pede uma comunicação construtiva, a lógica da boa notícia, que não significa contar o mundo de Heidi, explica o prelado, mas abrir espirais de esperança. Eis o que disse Mons. Viganò em entrevista concedida à Rádio Vaticano:
Mons. Dario Edoardo Viganò:- “Romper a espiral de uma comunicação negativa, que leva também ao anestesiamento da consciência, significa que, é claro, a história é feita de cinza, de preto por vezes, mas que mantém sempre espirais que se abrem num horizonte de esperança, de proximidade. É isso que somos chamados a fazer: procurar fazer de modo que o mal jamais seja o protagonista vencedor.”
RV: Mesmo tragédias como terremotos, avalanches, catástrofes naturais podem ser, de certo modo, cenário de algumas boas notícias?
Mons. Dario Edoardo Viganò:- “Isso não significa ceder à ingenuidade irenista de um relato inexistente da realidade, mas, por exemplo, contar o mundo de bem que floresce de uma situação tão trágica: penso no fato que homens e mulheres concretamente e pessoalmente se façam próximos dessa situação. É como dizer: ‘Olhe que a situação é difícil, porém, faço com você um trecho do caminho’.”
RV: Todos conhecemos o poder de propagação das más notícias, especialmente nas mídias sociais, e também a dificuldade de desmentir quando estas são falsas. Francisco pede aos comunicadores que sejam canais vivos da Boa Notícia. Como a mídia vaticana pode realizar isso?
Mons. Dario Edoardo Viganò:- “A mídia vaticana pode ajudar a mídia internacional sobretudo mostrando os processos e os contextos nos quais se situam e se colocam os anúncios e as mensagens do Santo Padre, porque muitas vezes são descontextualizadas e, por conseguinte, perdem também aquela força própria, aquela pertinência que, ao invés, elas têm.”
RV: Como se pode fazer isso? Oferecendo também um olhar sobre a história, ajudando a entender a realidade?
Mons. Dario Edoardo Viganò:- “Absolutamente sim, porque todo pronunciamento de um Pontífice jamais é um partir novamente do zero, mas é um inserir-se numa sucessão apostólica que – não nos esqueçamos – é sempre uma história do Espírito Santo: quando primeiro Bento XVI e agora o Papa Francisco convidam a um critério para ler o que tange à Igreja, é o critério de uma hermenêutica espiritual.”
RV: Na Mensagem se ressalta que as imagens e metáforas, mais do que os conceitos, são o caminho privilegiado para comunicar “a vida nova” em Cristo. Isso responde propriamente ao estilo do Papa Francisco: a sua comunicação é espiritual e não sociológica. Isso porque uma linguagem que comunica com os gestos é mais inclusiva?
Mons. Dario Edoardo Viganò:- “Aquilo que é espiritual não é inconsistente. O espiritual tem a ver com a história, com a densidade da argila da qual a vicissitude do homem é permeada, e o homem é feito de uma comunicação que sabe usar muito bem não somente o aspecto argumentativo-conceitual, mas também os gestos e a proximidade. E os gestos e a proximidade expressam o calor, o inclusivo. Portanto, creio que o Papa Francisco é um mestre nisso, provavelmente por tradição cultural, por formação própria. Mas creio, que a ideia de uma comunicação tão metafórica – que é parábola, relato – diz também como é possível ter comunicações que sejam relações, relações também de proximidade.”
Esta terça-feira, 24 de janeiro, dia em que a Igreja recorda São Francisco de Sales, Patrono dos jornalistas, Mons. Dario Edoardo Viganò presidiu à santa missa na capela do Palácio Pio – sede da Rádio Vaticano.
“Peçamos que o nosso trabalho seja sempre um instrumento de construção”, disse, “que saiba repelir a tentação de fomentar o confronto”, mas favoreça “a cultura do encontro”. (DD – RL)

Francisco propõe estilo "aberto e criativo" para comunicar esperança

“Comunicar esperança e confiança no nosso tempo” é o título da Mensagem do Papa Francisco para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado no dia 28 de maio, Ascensão do Senhor.
A mensagem é divulgada tradicionalmente no dia 24 de janeiro, Festa de S. Francisco de Sales, padroeiro dos comunicadores.
O protagonista da notícia, escreve Francisco, não pode ser o mal - que nos leva à apatia, ao desespero e a anestesiar a consciência –, mas a solução aos problemas, com um estilo comunicador aberto e criativo.
A realidade não tem um significado unívoco, afirma o Papa: tudo depende do olhar com que a enxergamos, dos “óculos” que decidimos pôr para ver: mudando as lentes, também a realidade aparece diferente. Portanto, o ponto de partida bom para ler a realidade é a Boa Notícia por excelência, ou seja, o Evangelho de Jesus Cristo.
Esta boa notícia, explica, não é boa porque nela não se encontra sofrimento, mas porque o próprio sofrimento é vivido num quadro mais amplo, como parte integrante do amor de Cristo ao Pai e à humanidade. Em Cristo, Deus fez-Se solidário com toda a situação humana, revelando-nos que não estamos sozinhos, porque temos um Pai que nunca pode esquecer os seus filhos.
Boa notícia
“Visto sob esta luz, acrescenta o Pontífice, qualquer novo drama que aconteça na história do mundo torna-se cenário possível também duma boa notícia, uma vez que o amor consegue sempre encontrar o caminho da proximidade e suscitar corações capazes de se comover, rostos capazes de não se abater, mãos prontas a construir.”
A esperança fundada na boa notícia que é Jesus, afirma ainda o Papa, nos faz erguer os olhos e contemplá-Lo no quadro litúrgico da Festa da Ascensão. “Aparentemente, o Senhor afasta-Se de nós, quando na realidade são os horizontes da esperança que se alargam.” Para Francisco, esta esperança não pode deixar de moldar também o nosso modo de comunicar, com a persuasão de que é possível enxergar e iluminar a boa notícia presente na realidade de cada história e no rosto de cada pessoa.
“A esperança é a mais humilde das virtudes, porque permanece escondida nas pregas da vida, mas é semelhante ao fermento que faz levedar toda a massa.” Quem se deixa conduzir pela Boa Notícia no meio do drama da história, conclui o Pontífice, torna-se farol na escuridão deste mundo, ilumina a rota e abre novas sendas de confiança e esperança.

Papa: "Confiar em Deus; Ele sabe o que é melhor para nós"

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 7 mil pessoas participaram do encontro semanal com o Papa nesta quarta-feira (25/01) na Sala Paulo VI.
Após saudar os participantes, Francisco deu início à audiência com uma catequese sobre Judite, a grande heroína de Israel que encorajou os chefes e o povo de Betúlia a esperarem incondicionalmente no Senhor e assim fazendo, libertou a cidade da morte.
A narração conta que o exército de Nabucodonosor, comandado pelo general Holofernes, assediou Betúlia cortando o fornecimento de água e enfraquecendo assim a resistência da população. A situação ficou dramática ao ponto que os moradores pedem aos anciãos que se rendam aos inimigos. O fim é inevitável, a capacidade de confiar em Deus exaurida, e para fugir da morte, não resta que se entregar.
O Pontífice continuou o relato:
“Diante de tanto desespero, os chefes do povo propõem-lhe esperar ainda cinco dias, para ver se Deus os socorreria. É aqui que entra Judite: ‘Agora, colocais o Senhor todo-poderoso à prova! Mesmo que Ele não queira enviar-nos auxílio durante estes cinco dias, tem poder para nos proteger dos nossos inimigos, em qualquer outro momento que seja do seu agrado. Esperemos pela sua libertação!’”
Francisco ressaltou a figura de Judite naquela situação e revelou aos presentes:
“Esta mulher, viúva, arrisca até fazer um papelão diante dos outros... mas é corajosa, vai adiante. Esta é uma minha opinião pessoal: as mulheres são mais corajosas que os homens”.
Com a força de um profeta, aquela mulher convida a sua gente a manter viva a esperança no Senhor. E aquela esperança foi premiada: Deus salvou Betúlia pela mão de Judite. A este ponto, o Papa refletiu e pediu aos fiéis:
“Com ela, aprendamos a não impor condições a Deus. Confiar Nele significa entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusivamente que a sua salvação e o seu auxílio nos cheguem de modo diferente de nossas expetativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, amizade, felicidade… E é justo que o façamos; mas na certeza que Deus sabe tirar vida até da morte, que se pode sentir paz mesmo na doença, serenidade mesmo na solidão e felicidade mesmo no pranto. Não podemos ensinar a Deus aquilo que Ele deve fazer, nem aquilo de que temos necessidade. Ele sabe isso melhor do que nós; devemos confiar, porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos.  
E outra vez, antes de concluir, o Papa mencionou o papel das mulheres e avós:
“Quantas vezes ouvimos palavras corajosas de mulheres humildes... que pensamos, sem desprezá-las, que são ignorantes... mas são as palavras da sabedoria de Deus, as palavras das avós que tantas vezes sabem dizer a coisa certa... palavras de esperança. Elas têm experiência de vida, sofreram tanto. Confiaram em Deus, que lhes deu este dom”.
“Esta é a oração da sabedoria, da confiança e da esperança”, terminou o Papa, concedendo em seguida a bênção apostólica.

Papa: a revolução cristã é deixar de viver para nós mesmos

No final da tarde desta quarta-feira (25), na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, o Papa Francisco presidiu a cerimônia das vésperas que recorda a conversão de S. Paulo.
A celebração marcou o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que teve tema inspirado no quinto capítulo da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: “Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele”. A mensagem do Papa na homilia foi motivada pelo mesmo caminho e empenho ecumênico do diálogo através dos “embaixadores da reconciliação”, “unidos no sofrimento pelo nome de Jesus”.
Francisco começou sua exortação lembrando o encontro de Paulo com Jesus, na estrada para Damasco, que transformou radicalmente a vida do apóstolo ao aderir ao “amor gratuito e imerecido de Deus, a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado”. Uma feliz notícia, a da “reconciliação do homem com Deus”, que Paulo não poderia guardar para si mesmo e foi impelido a proclamar.
"O amor de Cristo": não se trata do nosso amor por Cristo, mas do amor que Cristo tem por nós. Da mesma forma, a reconciliação para a qual somos impelidos não é simplesmente uma iniciativa nossa: é primariamente a reconciliação que Deus nos oferece em Cristo. Antes de ser esforço humano de crentes que procuram superar as suas divisões, é um dom gratuito de Deus. Como resultado desse dom, a pessoa perdoada e amada é chamada, por sua vez, a proclamar o evangelho da reconciliação em palavras e obras, a viver e dar testemunho de uma existência reconciliada.
Nessa perspectiva, “podemos hoje nos perguntar”, disse Francisco, “como é possível proclamar esse evangelho de reconciliação depois de séculos de divisões?”. O caminho vem do próprio Paulo que enfatiza que “a reconciliação em Cristo não se pode realizar sem sacrifício”.
Jesus deu a sua vida morrendo por todos. De modo semelhante os embaixadores de reconciliação, em seu nome, são chamados a dar a vida, a não viver mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles (cf. 2 Cor 5, 14-15). É a revolução que Paulo viveu, mas é também a revolução cristã de sempre: deixar de viver para nós mesmos, buscando os nossos interesses e a promoção da nossa imagem, mas reproduzir a imagem de Cristo, vivendo para Ele e de acordo com Ele, com o seu amor e no seu amor.
Para a Igreja e para cada confissão cristã, disse o Papa, “é um convite a não se basear em programas, cálculos e benefícios, a não se abandonar a oportunidades e modas passageiras, mas a procurar o caminho com o olhar sempre fixo na cruz do Senhor: lá está o nosso programa de vida”.
É um convite também a sair de todo o isolamento, a superar a tentação da autorreferência, que impede de identificar aquilo que o Espírito Santo realiza fora do nosso próprio espaço. Poderá se realizar uma autêntica reconciliação entre os cristãos quando soubermos reconhecer os dons uns dos outros e formos capazes, com humildade e docilidade, de aprender uns dos outros, sem esperar que primeiro sejam os outros a aprender de nós.
“Se vivermos esse morrer para nós mesmos por amor de Jesus”, disse o Papa, o nosso velho estilo de vida é relegado ao passado. Um passado que é útil e necessário para purificar a memória, mas que “pode paralisar e impedir de viver o presente”.
A Palavra de Deus nos encoraja a tirar força da memória, a recordar o bem recebido do Senhor; mas também nos pede que deixemos o passado para trás a fim de seguir Jesus no presente e, n’Ele, viver uma vida nova. Àquele que renova todas as coisas (cf. Ap 21, 5), consintamos que nos oriente para um futuro novo, aberto à esperança que não decepciona, um futuro onde será possível superar as divisões e os crentes, renovados no amor, que irão se encontrar plena e visivelmente unidos.
O Papa Francisco finalizou a homilia saudando os representantes de outras confissões cristãs e comunidades eclesiais presentes na cerimônia e recordando o caminho da unidade, em modo particular o quinto centenário da Reforma Protestante.
O fato de, hoje, católicos e luteranos poderem recordar, juntos, um evento que dividiu os cristãos e de o fazerem com a esperança posta sobretudo em Jesus e na sua obra de reconciliação, constitui um marco significativo, alcançado – graças a Deus e à oração – através de cinquenta anos de mútuo conhecimento e de diálogo ecumênico. (AC)

Família Vicentina celebra 400 anos de fundação

A Família Vicentina celebra, este ano, o quarto centenário do nascimento de seu carisma de serviço aos pobres.
O ano de 1617 é importante na vocação de São Vicente de Paulo por dois motivos: 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo, o Santo pregou o primeiro sermão da missão, em Folleville, na França, depois de ouvir a confissão de um agricultor em fim de vida que lhe fez entender o abandono espiritual em que viviam os pobres das áreas rurais. 
Em agosto daquele ano, em sua experiência de pároco em Châtillon, se encontra face a face com a pobreza e a miséria que transformará a vida do Santo da Caridade. 
Vicente de Paulo percebe que era necessário educar as pessoas, torná-las conscientes de sua dignidade, elevá-las como seres humanos e ensiná-las a verdade do desígnio de Deus. 
Os acontecimentos de Folleville e Châtillon marcaram, em 1617, o início do carisma vicentino que prossegue hoje um caminho de 400 anos de serviço aos pobres, seguindo o exemplo de seu fundador São Vicente de Paulo, padroeiro universal das Obras de caridade.
A Família Vicentina está presente nos cinco continentes com uma grande variedade de ministérios: missões, obras de assistência médica, atenção aos sem-teto, refugiados, crianças abandonadas, mães que sustentam suas famílias, e a favor da educação, formação, promoção e desenvolvimento das obras. 
Atualmente, a Família Vicentina possui 225 ramos de várias comunidades de vida consagrada e associações laicais em mais de 80 países do mundo. Dentre os ramos mais importantes e conhecidos estão a Associação Internacional da Caridade (AIC), a Congregação da Missão, as Filhas da Caridade (fundadas por Santa Luísa de Marillac), a Sociedade de São Vicente de Paulo (fundada pelo Beato Frederico Ozanam), a Associação da Medalha Milagrosa, a Juventude Vicentina Mariana (JMV), os seculares Lazaristas (MISEVI), as Irmãs Missionárias da Caridade de Santa Joana Anthida Touret e outros ramos. 
O Superior Geral da Congregação da Missão e da Companhia das Filhas da Caridade, Pe. Tomaž Mavrič, incentivou a viver este ano jubilar, partilhando a experiência de quatro projetos comuns: 
- A peregrinação da relíquia do coração de São Vicente de Paulo que teve início nesta quarta-feira (25/01), em Folleville, na França, e visitará todos os países onde a Família Vicentina está presente.
- A implementação de um projeto mirado a envolver todos os ramos da Família Vicentina em favor dos estrangeiros, refugiados, sem-teto e migrantes deslocados. 
- Um simpósio internacional sobre a atualidade do carisma da missão e caridade, que se realizará, em Roma, de 13 a 15 de outubro deste ano. Após o encontro a Família Vicentina será recebida pelo Papa Francisco. 
- O International Film Festival, concurso internacional focalizado na vida de São Vicente de Paulo.