quinta-feira, 29 de setembro de 2016

O Papa dialoga com os membros do Conselho judaico mundial - No sinal da proximidade e da amizade

O diálogo e a amizade entre judeus e católicos, mas também com os muçulmanos; o acolhimento dos migrantes, não obstante os temores relacionados com o fundamentalismo terrorista; a memória do shoah: eis os principais temas abordados pelo Papa Francisco durante o diálogo com os membros do Conselho judaico mundial recebidos na tarde de segunda-feira 26 de setembro em Santa Marta. Sete intervenções – uma introdução e seis perguntas em diversas línguas, inglês, italiano, espanhol – ritmaram o diálogo, no qual o Pontífice participou respondendo em italiano. O encontro realizou-se na vigília da festa do Fim de ano judaico, o Rosh haShana, que se celebra domingo.

Papa: rezar com força para vencer a desolação espiritual

Cidade do Vaticano (RV) - O que acontece em nosso coração quando somos tomados por uma ‘desolação espiritual?’ Foi a pergunta feita por Francisco na missa desta manhã na Casa Santa Marta, centralizada no personagem de Jó. O Papa acentuou a importância do silêncio e da oração para vencer os momentos mais sombrios. Neste dia de São Vicente de Paulo, o Papa ofereceu sua missa às Irmãs Vicentinas, as Filhas da Caridade, que trabalham na Casa Santa Marta.
“Jó estava com problemas: havia perdido tudo”. A partir desta leitura, que apresenta Jó despojado de todos os seus bens, inclusive seus filhos, o Papa desenvolveu a homilia. “Jó se sente perdido, mas não maldiz o Senhor”.

Todos, cedo ou tarde, vivemos uma grande desolação espiritual

Jó vive uma grande ‘desolação espiritual’ e desafoga com Deus. É o desabafo de ‘um filho diante de seu pai’. O mesmo o faz o profeta Jeremias, que desabafa com o Senhor, mas sem blasfemar:

“A desolação espiritual é uma coisa que acontece com todos nós: pode ser mais forte ou mais fraca... mas é uma condição da alma obscura, sem esperança, desconfiada, sem vontade de viver, que não vê a luz no fim do túnel, que tem agitação no coração e nas ideias... A desolação espiritual nos faz sentir como se nossa alma fosse ‘achatada’: quando não consegue, não quer viver: ‘A morte é melhor!’ desabafa Jó. Melhor morrer do que viver assim'. E nós devemos entender quando nosso espírito está neste estado de tristeza geral, quando ficamos quase sem respiro. Acontece com todos nós, e temos que compreender o que se passa em nosso coração”.

Esta, acrescentou o Papa, “é a pergunta que devemos nos por: ‘O que se deve fazer quando vivemos estes momentos escuros, por uma tragédia familiar, por uma doença, por alguma coisa que me leva ‘prá baixo’. Alguns pensam em engolir um comprimido para dormir e tomar distância dos fatos, ou beber ‘dois, três, quatro’ golinhos’... “Isto não ajuda. A liturgia de hoje nos mostra como lidar com a desolação espiritual, quando ficamos mornos, prá baixo, sem esperança”.

Quando nos sentimos perdidos, rezar com insistência

No Salmo responsorial 87 está a resposta: “Chegue a ti a minha prece, Senhor”. É preciso rezar – disse o Papa – rezar com força, como disse Jó: gritar dia e noite até que Deus escute:

“É uma oração de bater na porta, mas com força! “Senhor, eu estou cheio de desventuras. A minha vida está à beira do inferno. Estou entre aqueles que descem à fossa, sou como um homem sem forças’. Quantas vezes nós sentimos assim, sem forças... E esta é a oração.  O Senhor mesmo nos ensina como rezar nestes momentos difíceis. 'Senhor, me lançaste na fossa mais profunda. Pesa sobre mim a Tua cólera. Chegue a Ti a minha oração’. Esta é a oração: assim devemos rezar nos piores momentos, nos momentos mais escuros, mais desolados, mais esmagados, que nos esmagam mesmo. Isto é a rezar com autenticidade. E também desabafar como desabafou Jó com os filhos. Como um filho”.

O Livro de Jó, em seguida, fala do silêncio dos amigos. Diante de uma pessoa que sofre, disse o Papa, “as palavras podem ferir”. O que conta é estar perto, fazer sentir a proximidade, “mas não fazer discursos”.

Silêncio, oração e presença, por isso realmente ajuda aqueles que sofrem

“Quando uma pessoa sofre, quando uma pessoa se encontra na desolação espiritual – continuou o Papa -, você tem que falar o mínimo possível e você tem que ajudar com o silêncio, a proximidade, as carícias, com a sua oração diante do Pai":

“Em primeiro lugar, reconhecer em nós os momentos de desolação espiritual, quando estamos no escuro, sem esperança, e nos perguntar por quê? Em segundo lugar, rezar ao Senhor, como na liturgia de hoje, com este Salmo 87 que nos ensina a rezar, no momento de escuridão. 'Chegue a Ti a minha oração, Senhor'. E em terceiro lugar, quando me aproximo de uma pessoa que sofre, seja por doenças, seja por qualquer sofrimento, mas que está na desolação completa, silêncio; mas silêncio com tanto amor, proximidade, ternura. E não fazer discursos que, depois, não ajudam e, também, lhe fazer mal”.

"Rezemos ao Senhor - concluiu Francisco –, para que nos conceda essas três graças: a graça de reconhecer a desolação espiritual, a graça de rezar quando estivermos submetidos a este estado de desolação espiritual, e também a graça de saber acolher as pessoas que passam por momentos difíceis de tristeza e de desolação espiritual”. (SP)

Audiência: "A Igreja é de todos; é tempo de misericórdia!"

Cidade do Vaticano (RV) – “O perdão na Cruz” foi o tema da audiência geral desta quarta-feira (28/09). O Papa Francisco começou o encontro com os fiéis na Praça São Pedro com as palavras proferidas por Jesus “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, e desenvolveu uma reflexão baseada no relato do evangelista Lucas sobre os dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigiram a ele, cada um de um modo.

Desesperado, o primeiro o insulta: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”. Seu grito era angustiado, diante do mistério da morte, ele sabia que somente Deus podia dar uma resposta de salvação.

Jubileu, tempo de graça para bons e maus

Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, cumpre-se a sua doação de amor e nos salvamos para sempre. Fica demonstrado que a salvação de Deus pode chegar a todos, em qualquer condição, mesmo a mais dolorosa. “Por isso, prosseguiu o Papa, o Jubileu é tempo de graça e misericórdia para todos, bons e maus, estejam em saúde ou na doença. Nada nos pode separar do amor de Cristo!”.

“A quem está crucificado numa cama do hospital, a quem vive recluso num cárcere, a quem está encurralado pelas guerras, eu digo: Levantai os olhos para o Crucificado. Deus está convosco, permanece convosco na cruz e a todos se oferece como Salvador”.

O bom ladrão que respeita Deus

O segundo malfeitor era o chamado ‘bom ladrão’. Suas palavras foram um modelo maravilhoso de arrependimento. Primeiro, ele se dirige a seu companheiro: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena?”, uma expressão que evidencia o temor de Deus – não o medo de Deus – mas o respeito que lhe é devido.

Continuando, o Papa explicou que “o bom ladrão se dirige diretamente a Jesus, confessa abertamente a própria culpa, invoca sua ajuda, o chama por nome, pede a Jesus que se lembre dele: é a necessidade do homem de não ser abandonado. Assim, o condenado à morte se torna modelo do cristão que se entrega a Jesus.

Perdão em gestos concretos

A promessa feita ao bom ladrão – “Hoje estarás comigo no Paraíso” - revela o pleno cumprimento da missão que o trouxe à terra. Desde o início até ao fim, Jesus se revelou como Misericórdia; Ele é verdadeiramente o rosto da misericórdia do Pai: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». E não se trata apenas de palavras, mas de gestos concretos como no perdão oferecido ao bom ladrão.

Concluindo, o Papa convidou todos a deixarem que a força do Evangelho penetre em nossos coração e nos console, nos dê esperança e a certeza íntima de que ninguém está excluído do seu perdão.

(CM)

(from Vatican Radio)

Greg Burke: Papa no Cáucaso com uma mensagem de paz

Sexta-feira, 30 de setembro, o Papa Francisco deixa Roma de partida para a sua 16ª viagem internacional, “levando consigo o forte valor da paz”. É o que adianta o Director da Sala de Imprensa do Vaticano, o americano Greg Burke. Recebendo os jornalistas, ele acentuou a dimensão ecuménica da etapa na Geórgia e a inter-religiosa no Azerbaijão.

 “É evidentemente uma viagem de paz: o Papa levará uma mensagem de reconciliação a toda a região. Será a primeira vez que uma delegação na Geórgia participa da Missa do Papa, e também o Patriarca estará no aeroporto a aguardar Francisco”.

Enquanto na Geórgia o destaque serão os encontros do Pontífice com a comunidade ortodoxa local, no Azerbaijão a dimensão do diálogo inter-religioso será a predominante. Segundo o programa, os principais eventos na etapa em Baku serão a visita à mesquita e o encontro com o xeque dos muçulmanos no Cáucaso.

Durante a viagem – na qual o Papa vai fazer 10 discursos – haverá também um momento de proximidade com a população síria e iraquiana, sofridas pela guerra. Francisco vai fazer uma oração pela paz, rezando pela ‘Igreja-mártir’ na Síria, no templo católico caldeu de São Simone Bar Sabbae.

Geórgia, Azerbaijão e Arménia são três países soberanos na região do Cáucaso, os únicos cuja independência é reconhecida internacionalmente.

A viagem do Pontífice à Geórgia e Azerbaijão completa a sua ‘missão caucasiana’ iniciada com a visita à Arménia, em junho passado.

(BS/CM)

(from Vatican Radio)

Papa exalta herança de Peres, homem de paz

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa está “profundamente entristecido” pela morte do ex-Presidente israelense Shimon Peres.

Em um telegrama endereçado ao atual Chefe de Estado israelense, Reuven Rivlin, Francisco expressa as suas “mais sentidas condolências” a todo o povo israelense, recordando com afeto o tempo passado com Peres no Vaticano e renovando o seu “grande apreço” pelos seus “esforços incansáveis” em favor da paz.

O Pontífice expressa o desejo de que a memória de Shimon Peres inspire todos “a trabalhar com sempre maior urgência pela paz e a reconciliação entre os povos. Deste modo, a sua herança será realmente honrada e o bem comum pelo qual trabalhou com tanta diligência encontrará novas expressões”, enquanto “a humanidade se esforça para avançar no caminho de uma paz duradoura”.

O Papa conclui a mensagem de pesar assegurando as suas orações “por todos que estão em luto, sobretudo a família Peres” e invoca “as bênçãos divinas de consolação e força sobre a nação”.

Shimon Peres, o último dos pais fundadores de Israel, faleceu na noite de terça-feira (27/09) aos 93 anos, depois de duas semanas de internação devido a um AVC.

Entrou para a história como um dos artífices do Acordo de Oslo em 1993, recebendo o Prêmio Nobel da Paz.

Os funerais terão lugar em Jerusalém. Peres será sepultado entre os Grandes da Nação no cemitério do Monte Herz, em Jerusalém.

(JE)

Divulgado o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais

Cidade do Vaticano (RV) -  Foi divulgado nesta quinta-feira, pelo Vaticano, o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais 2017: “«Não tenhas medo, que Eu estou contigo» (Is 43,5). Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”. Trata-se do 51º dia dedicado pela Igreja aos meios de comunicação que será celebrado em 28 de maio próximo.

Num comunicado sobre o tema, a Secretaria para a Comunicação observa que “anestesiar a consciência ou deixar-se levar pelo desespero são duas doenças possíveis às quais o sistema de comunicação atual pode levar. É possível que a consciência se cauterize, como recorda o Papa Francisco na Laudato si’, pelo fato de muitas vezes profissionais, comentaristas e meios de comunicação trabalhar em áreas urbanas distantes dos lugares de pobreza e necessidades, vivendo uma distância física que muitas vezes leva a ignorar a complexidade dos problemas de homens e mulheres”.

Confiança e esperança

“É possível o desespero quando a comunicação se torna às vezes estratégia de construção de perigos e medos iminentes. Mas no meio deste murmúrio se houve um sussurro: Não tenhas medo, que Eu estou contigo. Em seu Filho, Deus se solidarizou com toda a situação humana e revelou que não estamos sozinhos, porque temos um Pai que não se esquece dos próprios filhos. Quem vive unido a Cristo, descobre que as trevas e a morte se tornam lugar de comunhão com a luz e a vida. Em todo acontecimento busca descobrir o que acontece entre Deus e a humanidade, para reconhecer como Ele, através do cenário dramático deste mundo, está escrevendo a história de salvação.”

“Nós cristãos temos uma boa notícia para contar, porque contemplamos com confiança o horizonte do Reino. O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais é um convite a contar a história do mundo e as histórias de homens e mulheres, segundo a lógica da Boa Nova que recorda que Deus nunca renuncia a ser Pai, em nenhuma situação e em relação a toda pessoa. Aprendamos a comunicar confiança e esperança na história”, conclui o comunicado da Secretaria para a Comunicação.

Decreto Inter Mirifica

Com a finalidade de levar adiante a atenção-ação nesse importante setor da comunicação, e lembrando o reconhecimento que o decreto Inter Mirifica (do Concílio Vaticano II) externara sobre a importância da comunicação, o Papa Paulo VI, criou, em 1964, através do documento In fructibus multis, a Pontifícia Comissão para as Comunicações Sociais, hoje faz parte da Secretaria para a Comunicação com a finalidade de coordenar e estimular a realização das propostas dos Padres Conciliares.

Assim, em 1966, foi criado o Dia Mundial das Comunicações Sociais, com a aprovação do Sumo Pontífice. E no dia 7 de maio de 1967 celebrou-se pela primeira vez, no mundo inteiro, o dia Mundial das Comunicações Sociais.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais será celebrado no domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes.

A mensagem do Papa para este dia é publicada na véspera da festa litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas (24 de janeiro). (SP/MJ)



(from Vatican Radio)