quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Mons. Oder: Wojtyla e Bergoglio, Papas do povo

Mons. Oder: Wojtyla e Bergoglio, Papas do povo

Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja celebra nesta quinta-feira (22/10), a memória litúrgica de São João Paulo II, canonizado pelo Papa Francisco em 27 de abril do ano passado, junto com São João XXIII.

Desde o início desta manhã, vários fieis estão visitando o túmulo de São João Paulo II, na Basílica de São Pedro. Dentre os pontífices mais amados da história, Karol Wojtyla foi em particular o “Papa da família”, como recordou o Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (21/10), e dos jovens, que o recordarão no próximo ano na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Cracóvia, sua terra natal.

Foi grande a sua devoção à Divina Misericórdia, aspecto que o liga a Jorge Mario Bergoglio. Sobre a atualidade da pessoa e do Magistério de João Paulo II e a ligação com o Papa Francisco, a Rádio Vaticano conversou com o postulador da causa de canonização, Mons. Slawomir Oder.

“Não tenham medo, abram as portas a Cristo” é um pouco a síntese de toda a vida de Karol Wojtyla. O que diz aos homens de nosso tempo a pessoa de João Paulo II?

Mons. Oder: “De fato ‘Não tenham medo’ é uma palavra quase de entrega e do testamento que ele nos deixou. Durante o processo de canonização e depois sucessivamente em vários encontros que tinham como finalidade a memória, a recordação de João Paulo II, nos meus encontros com as pessoas, esta frase retorna como uma coisa que permaneceu em seus corações. É uma palavra que, mais uma vez, nos ajuda a viver o momento presente como um momento para sair e viver com generosidade a nossa vida, e não se contentar com a mediocridade, mas ter a coragem de fazer escolhas exigentes, conscientes de que o Senhor está conosco e nos sustenta em nosso caminho.”

Daqui a pouco terá início o Jubileu da Misericórdia. Esta é uma das coisas que mais liga o Papa Francisco e São João Paulo II?

Mons. Oder: “Certamente, existe uma continuidade nesta realidade. Sem dúvida, a experiência que os levou a considerar a realidade da Misericórdia passa pela experiência pessoal de cada um, única e irrepetível. Porém, o coração da mensagem é este: o homem precisa do Senhor, precisa da Misericórdia.”

Outro aspecto característico dos dois é o amor pelo povo

Mons. Oder: “Absolutamente sim. Estou convencido de que esta consciência da necessidade da Misericórdia de Deus, que nasceu através de vias diferentes em cada um deles, provém do contato com o Povo de Deus, com as pessoas. São os ‘Papas do Povo’, Papas amados, não são populares no sentido do amor que os circunda, mas pela presença física e moral junto ao povo que precisa sentir a proximidade cheia de afeto, de amor do pastor que não somente com palavras, mas como uma presença paterna está junto ao Povo de Deus.”

No próximo ano se realizará a JMJ em Cracóvia, muito esperada. Francisco que visita a terra de João Paulo II e encontra os jovens

Mons. Oder: “A coisa maravilhosa nesta entrega entre os pontífices que se realizou de João Paulo II a Bento XVI, e de Bento XVI a Francisco, é o fato de que nos sentimos ligados à figura de Karol Wojtyla, Bento XVI e Papa Francisco. Mas a coisa mais importante, e isso eu experimentei pessoalmente e através de meu contato com as pessoas, é que através desses pontífices, Pedro representa Cristo nos fala e nos guia. É uma experiência extraordinária, fantástica, viver esta continuidade da fé, do amor e da experiência na consciência de ser Igreja.” (MJ)

(from Vatican Radio)

Coletiva de imprensa: o Sínodo é uma viagem que continuará

Coletiva de imprensa: o Sínodo é uma viagem que continuará

Cidade do Vaticano (RV) - Quinta-feira, antepenúltimo dia de atividades do Sínodo sobre a família, nesta última fase em que se trabalha a redação do Relatório final, preparado pela Comissão de dez membros, para tal nomeada pelo Papa. Na parte da tarde, na Assembleia, a apresentação do esboço do documento aos Padres sinodais.

Conduzida pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, a coletiva do dia teve como convidados o arcebispo de Bombay (Índia) e membro da Comissão, Cardeal Oswald Gracias; o bispo de Tonga (Oceania), Cardeal Patita Mafi; e o arcebispo de Los Angeles (EUA), Dom José Horacio Gómez.

“A Comissão trabalhou intensamente para completar o seu trabalho”: com essas palavras, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Lombardi, abriu a coletiva desta quinta-feira, seguido do Cardeal Gracias, o qual disse que o Sínodo foi uma experiência espiritual para entender como ajudar as famílias a tornar-se melhor e a encontrar soluções às suas dificuldades, graças ao cotejamento entre opiniões, pontos de vista e diferentes situações culturais.

Nessa ótica, o purpurado indiano deteve-se sobre o tema da “salutar descentralização”, explicando que esta implica que os bispos devem ser formados a nível teológico, moral e canônico, para compreender as diferentes abordagens necessárias para enfrentar os problemas específicos de cada país.

“O Santo Padre veio agradecer-nos pelo nosso trabalho na Comissão, não ficou para a discussão, mas nos falou sobre a importância da família” – acrescentou o purpurado.

Em seguida, o arcebispo de Bombay se deteve sobre o método de trabalho da Comissão: os especialistas fazem uma avaliação das mais de 700 emendas apresentadas para o documento final, buscando escolher as mais representativas, e depois a Comissão decide quais delas inserir no texto final, de modo que dele possa sair uma mensagem coerente.

Neste momento, ainda na fase de esboço, afirmou o Cardeal Gracias, o Relatório consta de aproximadamente cem páginas, aprovadas por unanimidade pela Comissão. Na abertura, talvez, seja inserido um preâmbulo, a pedido de alguns Círculos menores.

Na parte da tarde desta quinta-feira, a apresentação do esboço do documento aos Padres sinodais, a ser discutido na manhã de sexta-feira. As modificações solicitadas deverão ser feitas até as 14h desta sexta-feira, de forma escrita.

Ainda na sexta-feira à tarde a Comissão reelaborará o texto, baseado nas modificações. No sábado pela manhã o mesmo será lido na Sala do Sínodo em sua forma definitiva; já na parte da tarde o texto será votado parágrafo por parágrafo. Depois, caberá ao Papa estabelecer se publicá-lo ou não.

Por sua vez, o Cardeal Mafi ressaltou: hoje, o mundo globalizado deve ser visto em todas as suas interdependências e esse aspecto deve ser avaliado atentamente.

Trabalhamos no Sínodo com coração aberto, sempre buscando fazer com que se sentisse o apoio da Igreja à família. Em todo caso, o Sínodo é uma viagem que continuará.

Quanto aos desafios dos núcleos familiares em seu país (Reino de Tonga), o purpurado evidenciou a dificuldade dos Estados insulares, ainda desprovidos de instituições fortes, e as transformações que o individualismo, de matriz ocidental, estão levando para a família alargada. A globalização é uma bênção, disse, mas também um desafio, ponderou.

Já o arcebispo de Los Angeles, Dom Gómez, deteve-se sobre o tema da migração, muito presente no Sínodo: nos EUA existem 11 milhões de imigrados irregulares, explicou, e se trata de pessoas que fazem parte da nossa família e que devem ser ajudadas.

O prelado destacou como sendo central também o tema da unidade: nos EUA é uma questão muito presente, e o Sínodo deve lançar uma mensagem sobre isso para demonstrar que a família é o instituto com o qual se pode sempre contar.

A discussão sinodal tratou também da importância do respeito pela mulher e da paridade de direitos e responsabilidades, porque – afirmou o arcebispo – “todos fomos criados iguais e somos todos filhos de Deus”. Dom Gómez fez votos de que o Sínodo possa ajudar as pessoas a viver a fé de modo mais profundo.

Por fim, respondendo a uma pergunta da imprensa sobre a falsa notícia de uma doença do Papa, os Padres sinodais presentes na coletiva afirmaram: ela não teve nenhum efeito sobre a nossa atividade, continuamos trabalhando em espírito de sinodalidade. (RL)

Sínodo: apresentação do relatório final

Sínodo: apresentação do relatório final

Cidade do Vaticano (RV) – Os padres sinodais têm a manhã livre esta quinta-feira (22/10) para, à tarde, em plenário, ouvirem a apresentação do relatório final, como confirma o Arcebispo de São Paulo, Card. Odilo Pedro Scherer:

“Nesta etapa do Sínodo, tenta-se recolher pouco a pouco os resultados das reflexões feitas sobre o tema da vocação e missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo. Hoje à tarde, será apresentado o relatório elaborado pela Comissão de Redação, a partir de todas as contribuições recebidas em plenário e nos círculos menores. Depois, teremos ainda a sexta-feira para mais um momento de reflexão em plenário sobre o próprio relatório, antes que se parta para a votação ponto por ponto no sábado.”

RV:- Existe a expectativa de que algo mude em relação aos divorciados recasados?

Cardeal Odilo:- “Foi motivo de reflexão, com muitas contribuições, onde nem todos têm a mesma linha de pensamento. Mas não em termos de polêmica. Foi motivo de reflexão sobretudo na terceira parte do Instrumento de Trabalho, onde o assunto propriamente entra. E as reflexões sobre isso são na linha do trato pastoral, não na linha doutrinal. Quer dizer, primeiramente fica descartada a possibilidade de pensar que a Igreja vai aprovar o divórcio. Já foi feito o motu próprio sobre a agilização dos processos de reconhecimento da nulidade matrimonial, mas isto vai na linha da nulidade, não da anulação, ou seja, do divórcio. Onde houver a possibilidade de reconhecer a nulidade, então haverá também a possibilidade de um casamento verdadeiro. Mas o divórcio não entra. A Igreja não o aprova, isto está fora de cogitação. Por outro lado, se os recasados, os que vivem em segunda união, poderão comungar normalmente, a linha das reflexões é pela não generalização de uma solução. Não haverá uma solução genérica, dizendo ‘Sim, podem todos ir à comunhão’. Mas está se refletindo sobre uma atenção personalizada aos casos, caso por caso, situação por situação, porque sempre são muito diversificadas as situações. Há sugestões para que se possibilite o acesso à comunhão eucarística para certas situações, certas circunstâncias. Há também aqueles que acham que não se deva mudar a atual disposição.”

(SP/BF)

Papa Francisco anuncia a instituição de um novo Dicastério

Papa Francisco anuncia a instituição de um novo Dicastério

Cidade do Vaticano (RV) - Esta quinta-feira, no início da Congregação Geral do Sínodo, na parte da tarde, o Santo Padre tomou a palavra e fez o seguinte anúncio:

“Decidi instituir um novo Dicastério com competência acerca dos leigos, a família e a vida, que substituirá o Pontifício Conselho para os Leigos e o Pontifício Conselho para a Família, e ao qual será anexada a Pontifícia Academia para a Vida.”

“A esse propósito, constitui um comissão para tal que providenciará redigir um texto que determine canonicamente as competências do novo Dicastério, e que será submetido à discussão do Conselho de Cardeais, que se realizará no mês de dezembro próximo.”

(from Vatican Radio)

Papa Francisco: não retroceder diante das tentações

Papa Francisco: não retroceder diante das tentações

Cidade do Vaticano (RV) - “O esforço do cristão é propenso a abrir a porta do coração ao Espírito Santo.” Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta quinta-feira (22/10), na Casa Santa Marta.

O pontífice sublinhou que a conversão, para o cristão, “é uma tarefa, é um trabalho de todos os dias”, que nos leva ao encontro com Jesus. Como exemplo disso, Francisco contou a história de uma mãe doente de câncer que fez de tudo para combater a doença.

O Papa se baseou na Carta de São Paulo aos Romanos para sublinhar que, para passar do serviço da iniquidade à santidade, devemos nos esforçar cotidianamente.

Não somos faquires

“São Paulo usa a imagem do atleta, pessoa que treina para se preparar para a jogo, e faz um esforço enorme”, disse o pontífice. “Mas se essa pessoa faz todo esse esforço para vencer um jogo, nós que devemos obter aquela vitória grande do Céu, o que devemos fazer?”. São Paulo nos exorta a prosseguir neste esforço”:

“Padre, podemos pensar que a santidade vem do esforço que eu faço, assim como a vitória do atleta vem por causa do treinamento? Não. O esforço que nós fazemos, este trabalho cotidiano de servir ao Senhor com a nossa alma, com o nosso coração, com o nosso corpo, com toda a nossa vida somente abre a porta ao Espírito Santo. É Ele quem entra em nós e nos salva! Ele é o dom em Jesus Cristo”. Caso contrário, nos assemelharemos aos faquires: não, nós não somos faquires. Nós, com o nosso esforço, abrimos a porta.”

Não retroceder diante das tentações

Uma tarefa difícil, reconheceu o Papa, “porque a nossa fraqueza, o pecado original e o diabo sempre nos levam para trás”. O autor da Carta aos Hebreus, acrescentou, “nos adverte contra esta tentação de retroceder”, de “regredir, de ceder”. É preciso “ir avante – exortou – sempre: um pouco a cada dia” mesmo “quando existe uma grande dificuldade”:

“Alguns meses atrás, encontrei uma mulher. Jovem, mãe de família – uma bela família – que tinha um câncer. Um câncer feio. Mas ela vivia com felicidade, agia como se estivesse saudável. E falando desta atitude, me disse: ‘Padre, faço de tudo para vencer o câncer!’. Assim deve ser o cristão. Nós que recebemos este dom em Jesus Cristo e passamos do pecado, da vida de injustiça à vida do dom em Cristo, no Espirito Santo, devemos fazer o mesmo. Um passo a cada dia. Um passo a cada dia”.

Treinamento da vida

O Papa indicou algumas tentações, como a “vontade de falar mal” de alguém. E naquele caso, disse, é preciso se esforçar para calar. Ou quando ficamos com preguiça de rezar, mas depois acabamos rezando um pouco. Partir das pequenas coisas, reiterou Francisco:

“Nos ajudam a não ceder, a não retroceder, a não voltar para a injustiça, mas a ir avante rumo a este dom, esta promessa de Jesus Cristo, que será propriamente o encontro com Ele. Peçamos ao Senhor esta graça: de sermos bons, de sermos bons neste treinamento da vida rumo ao encontro, porque recebemos o dom da justificação, o dom da graça, o dom do Espírito em  Cristo Jesus”.

(MJ/BF)

Insatisfeitas, mas esperançosas ... Irmãs Reparadores em Achada-Lém

Insatisfeitas, mas esperançosas ... Irmãs Reparadores em Achada-Lém

á vai fazer 50 anos que a Irmã Lídia Gomes Freire deixou a casa dos pais para aderir à Congregação das Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus, Congregação nascida em Portugal em 1931 para reparar as ofensas da Guerra ao Coração de Jesus e restaurar a fé nas pessoas através da catequese a todos os níveis. Ela fazia parte do primeiro grupo de cabo-verdianas que optaram por esta Congregação. Actualmente é coordenadora da Casa que a Congregação abriu há um ano em Achada-Lém, interior de Santiago, zona rural, pobre e com falta de padres. Com ela estão outras duas irmãs, uma das quais é a Irmã Maria da Luz Araújo. 

No encontro com elas em Junho passado, no âmbito de uma série de reportagens sobre as religiosas em Cabo Verde, no Ano da Vida Consagrada, manifestaram uma certa insatisfação e tristeza, por não disporem de meios para ajudar espiritual e materialmente a população, sobretudo na área da educação e saúde. Com efeito, a sua única fonte de sustentamento e de acção é a pequena pensão da Irmã Lídia, que durante muitos anos trabalhou como educadora de infância, área que ainda a apaixona e em que gostaria de deixar algo à Igreja, à sociedade cabo-verdiana.

A sua opção pela vida religiosa e a alegria de pôr os seus talentos ao serviço do irmão não estão absolutamente em questão, mas consideram que não ter meios para fazer isso é uma preocupação, um pecado mesmo. No entanto, mantêm viva a esperança de ver mudar para melhor essa localidade pela qual se vão, aos poucos, apaixonando. 

Esperam poder ter a ajuda do Governo e da Igreja para poder fazer algo: ter um jardim de infância, um centro para mulheres, um carro para se deslocarem para as zonas mais afastadas, etc. Mas não está a ser fácil. A Irmã Maria do Carmo da Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Maria que nos acompanhou fez notar que o Governo ajuda através da Diocese, a qual não dispõe, todavia, de meios suficientes para dar resposta a todas as necessidades. A este respeito, o Cardeal Arlindo Furtado nos diria mais tarde que “vão partilhando o que têm”, mas é claro que é pouco para tantas necessidades e a Diocese não pode dar subsídios a Institutos Religiosos nem a padres.

Por isso, neste Ano da Vida Consagrada, as irmãs agradecem ao Papa pelo reconhecimento do trabalho dos consagrados e lançam um grito para que as Congregações sejam ajudadas directamente, por forma a poderem levar avante as suas acções a favor dos necessitados.

RV promove jornada de solidariedade aos imigrantes

RV promove jornada de solidariedade aos imigrantes

Cidade do Vaticano (RV) – A Rádio Vaticano é sede esta quarta-feira (21/10) de uma jornada de solidariedade sobre o tema: “A imigração como ato e fator de cultura: pensar para melhor agir”.

O evento é organizado pelo “CRA2000”, Centro de reflexão dos jornalistas africanos da Rádio Vaticano, com a colaboração de várias associações.

A finalidade é refletir sobre a responsabilidade africana na gestão e no governo do fenômeno migratório na era da globalização.

Na ocasião, será apresentado o DVD sobre o tema “Eu também tenho nome e sobrenome” e o livro “Da mediocridade à excelência. Reflexões filosóficas de um imigrante africano”, escrito pelo colega do Programa Português/África da RV, Filomeno Lopes:

“A manifestação tem como objetivo aproveitar esta ocasião do Sínodo para manifestarmos a nossa solidariedade com um tema que é fundamental: a questão dos migrantes e refugiados. Sabemos que mais de 80% dos refugiados, aqueles que morrem atualmente, são africanos. Fala-se muito da questão sobretudo aqui na Itália, mas poucas vezes há a ocasião de ouvir o que os africanos pensam sobre esta matéria. Já que o Papa tem falado muito disto, ouve-se muito pouco a voz dos bispos africanos, que são os nossos pastores. Então, aproveitamos desta ocasião para fazer esta manifestação, que quer ser um ato de solidariedade, mas também de reflexão.” (BF)

(from Vatican Radio)

África: a contribuição das Igrejas na luta contra a SIDA

África: a contribuição das Igrejas na luta contra a SIDA

As estruturas e dispensários das Igrejas e outras confissões religiosas em África são os melhores Centros para o rastreio e tratamento da SIDA nas mulheres grávidas que vivem em áreas remotas da África subsaariana. É o que emerge de um estudo realizado na Nigéria pela Lancet Global Health, uma organização não governamental americana com sede em Boston.

A colaboração das Igrejas contribui na redução do contágio
A pesquisa, publicada pelo jornal nigeriano Daily Trust, revela que na Nigéria, as mulheres das zonas rurais têm uma probabilidade de passar por testes pré-natais contra a malária, a SIDA e sífilis onze vezes maior que numa estrutura pública. Segundo os professores Benjamin Chi e Elizabeth Stringer da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, estes resultados representam um "modelo" concreto da maneira em que as igrejas e Centros de saúde podem colaborar para produzir resultados eficazes. Essa colaboração poderia contribuir significativamente para reduzir ou mesmo eliminar o vírus do HIV nas crianças da África subsaariana. Os dois médicos - citados pela agência APIC - observaram de facto que na região, mesmo onde não existem Centros de saúde acessíveis, a maioria das comunidades locais tem uma estrutura religiosa à qual recorrer para tratamentos contra a SIDA: "Os resultados do estudo mostram que programas de prevenção e cura simples como a “Iniciativa para um Começo Saudável” (Healthy Beginning Intiative), promovida na Nigéria, contribuem  para diminuir entre as mulheres grávidas o risco de transmissão do vírus”.

90% das crianças infectadas pela SIDA vivem na África subsaariana
Embora haja disponibilidade de medicamentos baratos e eficazes para preveni-la, a transmissão mãe-filho continua a crescer, um terço das mulheres infectadas pela SIDA não inicia o tratamento durante a gravidez, com a consequência que todos os anos se registam  210 mil novos casos de infecções de crianças no mundo. 87% das mulheres grávidas infectadas com SIDA e 90% das crianças vivem na África subsaariana. (BS)



(from Vatican Radio)

Encíclica Laudato si será apresentada na FAO

Encíclica Laudato si será apresentada na FAO

Cidade do Vaticano (RV) – A Encíclica do Papa Francisco Laudato si’ será apresentada oficialmente na sede da Organização das Nações para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no próximo dia 26 de outubro.

A iniciativa se insere numa série de diálogos promovidos pela FAO sobre o tema: “Comunicar para promover a mudança”.

A apresentação da Encíclica foi promovida e organizada pela FAO e pela Missão permanente da Santa Sé na Organização, que tem sede em Roma. O tema do diálogo será: “Os desafios da Encíclica Laudato si’ à luz do programa de desenvolvimento pós-2015”

Entre os participantes, estão o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, e os Cardeais Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, e Peter K. A. Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz.

(BF)

Padre Lombardi: notícias infundadas sobre a saúde do Papa

Padre Lombardi: notícias infundadas sobre a saúde do Papa

A difusão de notíicas infundadas é gravemente irresponsável e não é digna de atenção. Foi assim que o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, reagiu à notícia publicada e replicada por diversos orgãos de comunicação social sobre uma hipotética patologia que teria atingido o Papa Francisco. O Santo Padre - sublinha o padre Lombardi - está a desenvolver como sempre a sua atividade intensíssima.

Dom Auza na Onu: Estados membros tenham influência equitativa

Dom Auza na Onu: Estados membros tenham influência equitativa

Nova Iorque (RV) - É preciso um autêntico desenvolvimento sustentável que não trate as pessoas como meios de produção. Foi o que afirmou o observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, Dom Bernadito Auza, numa passagem de seu pronunciamento na 70ª sessão da Assembleia Geral da Onu. O representante vaticano pronunciou-se também sobre a reforma das Nações Unidas e sobre a emergência de uma jurisdição internacional eficaz.

“Por muito tempo viu-se o desenvolvimento somente em termos de crescimento econômico e de acumulação das riquezas”, ressaltou Dom Auza, chamando a atenção para a necessidade de mudar este “modelo de desenvolvimento” que se mostra “insustentável, vez que reduz os seres humanos a meios de produção” e ameaça a terra mediante uma exploração insustentável de seus recursos.

Mudar atual modelo de desenvolvimento sustentável

Retomando a ‘Laudato si’ (Carta encíclica do Papa Francisco), o prelado pediu que seja mudado este “insustentável processo de desenvolvimento que pertence ao passado” e chamou a atenção para o fato que “com este, nem as pessoas nem o planeta poderá viver por muito tempo”.

O arcebispo filipino denunciou a “cultura do descarte” e a consequente “crise ecológica” que recai de modo desproporcional sobre os pobres. E pediu que se passe de uma cultura do desperdício a uma cultura de solidariedade que integre as dimensões econômica, social e ambiental.

Mais transparência e equidade nas Nações Unidas

Dom Auza pronunciou-se também sobre o método de trabalho da Onu e, em particular, no Conselho de Segurança. O diplomata vaticano pediu que todos os Estados membros tenham “uma parte equitativa de influência, especialmente no Conselho de Segurança”.

O representante da Santa Sé evidenciou a urgência de “debates abertos” em que todas as vozes sejam consideradas, de modo que o Conselho amplie a sua “legitimidade”. O prelado pediu, ainda, que os organismos das Nações Unidas aumentem a sua transparência.

“A responsabilidade de proteger todas as pessoas” de atrocidades e “crimes contra a humanidade” é, hoje, por todos reconhecida, mesmo se “nem sempre facilmente aplicável”, prosseguiu. Todavia, advertiu, “os inaceitáveis custos humanos da inércia” tornam a aplicação deste princípio uma das mais urgentes prioridades da Nações Unidas.

Por fim, em outro pronunciamento na Onu, Dom Auza exortou a comunidade internacional a dotar-se de uma efetiva jurisdição universal para contrastar os crimes contra a humanidade. (RL)

(from Vatican Radio)

Papa: "Deus não fica parado, Ele sai e nos dá amor desmedido"

Papa: "Deus não fica parado, Ele sai e nos dá amor desmedido"

Cidade do Vaticano (RV) - Deus doa sempre com generosidade a sua graça aos homens, que têm o hábito de “medir as situações”: entender a abundância do amor divino é sempre fruto de uma graça. Este foi o teor da homilia que o Papa desenvolveu durante a Missa da manhã, celebrada, como cotidianamente, na Casa Santa Marta.

Abundante: o amor de Deus pelos homens é assim. Com uma generosidade que o homem desconhece, porque é acostumado a dar migalhas quando decide doar alguma coisa. O Papa Francisco leu o trecho de São Paulo nesta chave. A salvação trazida por Jesus, que supera a queda de Adão, é uma demonstração desta doação com abundância. E a salvação, explica, “é a amizade entre nós e Ele”:

Um Deus que sai

“Como Deus dá, no caso da amizade, a nossa salvação? Dá como diz que dará a nós quando fazemos uma boa ação: nos dará uma medida boa, cheia, transbordante... Mas isto faz pensar na abundância e esta palavra é repetida três vezes neste trecho. Deus dá na abundância até o ponto de dizer a Paulo: ‘onde avultou o pecado, superabundou a graça’. Este é o amor de Deus: sem medida”.

Sem medidas, como o pai da parábola evangélica, que todos os dias observa o horizonte para ver se seu filho decidiu voltar. “O coração de Deus – afirma Francisco – não é fechado, é sempre aberto. E quando nós chegamos, como aquele filho, ele nos abraça e beija. É Deus que festeja”:

“Deus não é mesquinho: Ele não conhece a mesquinhez. Ele dá tudo. Deus não fica parado: Ele olha e espera que nós nos convertamos. Deus é um Deus que sai: sai para procurar, busca cada um de nós. Todos os dias Ele nos procura, está nos procurando. Como já fez e já diz, na Parábola da ovelha perdida ou da dracma perdida: procura. É sempre assim”.

Abraço sem medida

No céu, reitera ainda o Papa, “se faz mais festa” para um pecador que se converte do que para cem que permanecem justos. E todavia não é fácil, com nossos critérios humanos, pequenos e limitados, entender o amor de Deus. Entende-se por uma ‘graça’, como o compreendeu – recorda Francisco – a freira de 84 anos conhecida em sua diocese que andava pelos corredores do hospital falando, com um sorriso, sobre o amor de Deus aos doentes. Ela, conclui o Papa, teve o ‘dom de entender este mistério', esta superabundância do amor de Deus, que muitos não conseguem entender:

“É verdade, nós sempre temos o costume de medir as situações, as coisas, com medidas que possuímos, mas são medidas pequenas. Por isso, nos faria bem pedir ao Espírito Santo a graça de aproximarmo-nos pelo menos um pouco, para entendermos este amor e termos vontade de ser abraçados e beijados com a medida sem limites”.

(CM)

(from Vatican Radio)

Papa Francisco: Pe. Matteo Ricci, homem zeloso da Igreja

Papa Francisco: Pe. Matteo Ricci, homem zeloso da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) - O Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, enviou um telegrama, em nome do Papa Francisco, aos participantes do encontro internacional “Novas perspectivas nos estudos sobre o Pe. Matteo Ricci”.

O evento, promovido pela Universidade e pelo Instituto Confúcio de Macerata, teve início nesta quarta-feira (21/10) e prossegue até o próximo dia 23. Participam do encontro pesquisadores provenientes da China, Estados Unidos e Europa. Em 2010, foram celebrados os quatrocentos anos da morte desse missionário jesuíta proveniente desta cidade italiana.

Esses momentos de aprofundamento sobre o Pe. Matteo Ricci foram desejados pela vice-ministra da educação chinesa, Xu Lin, diretora-geral do Instituto Confúcio de Hanban, que lançou a ideia durante sua visita ao Instituto Confúcio de Macerata, em 2013.

“Por ocasião do encontro internacional promovido pela Universidade de Macerata e pelo Instituto Confúcio sobre o religioso jesuíta Pe. Matteo Ricci, o Papa Francisco manifesta o seu apreço pela iniciativa que deseja aprofundar a obra missionária e a atividade cultural desse religioso, amigo do querido povo chinês”, destaca o telegrama.

“O Papa Francisco espera que a recordação desse homem zeloso da Igreja, atento às mudanças sociais e comprometido a tecer relações entre a cultura europeia e a chinesa, reafirme a importância do diálogo entre culturas e religiões no respeito mútuo e em vista do bem comum”, frisa ainda a nota.

“Com tais sentimentos, o Papa deseja um bom êxito dos trabalhos do congresso e envia a sua bênção aos organizadores, relatores e participantes.” (MJ)

(from Vatican Radio)

Sínodo: Cardeal Marx, Igreja permanece junto com quem faliu

Sínodo: Cardeal Marx, Igreja permanece junto com quem faliu

Cidade do Vaticano (RV) - O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, abriu a coletiva sobre o sínodo, desta quarta-feira (21/10), desmentindo a notícia infundada sobre a saúde do Papa Francisco, difundida por um órgão de imprensa italiano.

Falou-se na coletiva sobre as contribuições apresentadas pelos vários Círculos Menores à Secretaria do Sínodo para o trabalho de integração dessas contribuições que são mais de quinhentas. “Tem muito trabalho a ser feito nesta terceira parte”, disse o jesuíta.

A seguir, Pe. Lombardi passou a palavra ao Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Reinhard Marx, ao Arcebispo de Montevidéu, Uruguai, Cardeal Daniel Fernando Sturla Berhouet, e ao Presidente da Conferência Episcopal Irlandesa, Dom Eamon Martin, que participaram da coletiva.

O Cardeal Marx disse na coletiva que se há um falimento no matrimônio, a Igreja permanece junto com quem faliu. O purpurado reiterou que “a Doutrina da Igreja se baseia na família fundada por um homem e uma mulher que dizem sim, que querem estar juntos para sempre, que possuem filhos”. “Mas a Igreja”, acrescentou, “deve estar pronta também diante dos falimentos”: 

“The church says: be faithful with…

“A Igreja diz: devemos ser fieis aos nossos sonhos. Certamente. É vital que a Igreja reafirme a importância desta doutrina. O que acontece quando há um insucesso, um problema? O que a Igreja faz? A Igreja deveria dizer: estamos com você mesmo na falência. Este é um pouco o centro do debate.”

Deve ser sublinhado o “permanecer junto” com a Igreja, a pertença a ela, não obstante os erros cometidos. Para o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o Santo Padre quis enfatizar a família porque ela é o centro da Igreja e da sociedade, “também com o propósito de evangelização e humanização do mundo”, explicou. 

O Cardeal Marx reiterou o ‘não’ sobre a discriminação contra a mulher. A propósito daquelas ideologias “que procuram fazer com que o gênero seja algo que podemos escolher” o purpurado afirmou que elas não podem ser aceitas.

Respondendo às perguntas dos jornalistas acerca das batalhas em andamento no Sínodo evocadas pela imprensa francesa, o Cardeal Marx disse que na assembleia sinodal não existem batalhas: “Ratzinger não está contra Kasper”, disse ele.

Em relação ao tema dos divorciados recasados o purpurado comunicou que o grupo de língua alemã fez uma proposta para “ir além, para acompanhar o seu percurso e chegar a uma reconciliação com a Igreja”. Neste sentido, o Cardeal Sturla Berhouet convidou a Igreja a ser “companheira de caminhada”:

“La Iglesia nunca puede ser un club de perfectos…

“A Igreja não pode ser um clube de pessoas perfeitas. É uma casa com as portas abertas, que acolhe todos aqueles que estão em dificuldade.”

Por sua vez, Dom Eamon Martin fez um convite a caminhar junto com as famílias: 

“We need, in the coming weeks, months…

“Nas próximas semanas, nos próximos meses e anos, precisamos nos perguntar sobre o que fazemos em nossas pastorais, em nossos países, para dar um apoio às vocações das famílias.” (MJ)

(from Vatican Radio)

Francisco celebrará Guadalupe no Vaticano

Francisco celebrará Guadalupe no Vaticano

Cidade do Vaticano (RV) – Também neste ano, em 12 de dezembro, o Papa Francisco presidirá à solene Celebração Eucarística na Basílica de São Pedro por ocasião da Festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

Durante a celebração, o Pontífice confiará a Virgem o Ano da Misericórdia e todas as igrejas e povos do México, país que deverá visitar nos primeiros meses de 2016. Foi o que antecipou em uma entrevista o Secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán Carriquiry Lecour. Ele também confirmou a transmissão da celebração para todo o mundo.

Ao celebrar novamente Guadalupe no Vaticano, o Papa Francisco dará continuidade a uma tradição iniciada por Bento XVI que, pela primeira vez, em 12 de dezembro de 2011, celebrou a Missa na Basílica de São Pedro por ocasião da Festividade da Virgem de Guadalupe, muito amada na América Latina e cujo Santuário atrai milhares de fieis de todo continente americano a cada ano. Na ocasião, Bento XVI anunciou a viagem a Cuba e México em 2012.

Em 2014, o Papa Francisco celebrou a Missa na Basílica e alguns dos cantos litúrgicos executados pertenciam à conhecida “Missa Criolla”, composta pelo argentino Ariel Ramírez (1921-2010) e que, justamente naqueles meses, recordava o 50º aniversário da primeira execução pública da obra, que também já foi gravada por Mercedes Sosa.

Em 2013, a Missa não foi celebrada devido aos numerosos compromissos do Papa Francisco. No entanto, na Audiência Geral de 11 de dezembro, o Santo Padre dirigiu aos latino-americanos a seguinte mensagem:

“Amanhã celebra-se a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira de toda a América. Aproveito o ensejo para saudar os irmãos e irmãs daquele Continente, e faço-o pensando na Virgem de Tepeyac.

Quando apareceu a São Juan Diego, o seu rosto era mestiço e as suas vestes cheias de símbolos da cultura indígena. Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está ao lado dos seus filhos, acompanha o seu caminho como mãe atenciosa, partilha as alegrias e esperanças, os sofrimentos e as angústias do Povo de Deus, do qual todos os povos da Terra são chamados a fazer parte.

A aparição da imagem da Virgem na tilma [manto] de Juan Diego foi o sinal profético de um abraço, o abraço de Maria a todos os habitantes das vastas terras americanas, a quantos já estavam ali e aos que teriam chegado depois. Este abraço de Maria indicou a senda que sempre caracterizou a América: é uma terra onde podem conviver povos diversos, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as suas fases, desde o ventre materno até à velhice, capaz de acolher os emigrantes, os povos, os pobres e os marginalizados de todas as épocas. A América é uma terra generosa.

Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e esta é também a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do Continente americano a manter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura.

Caros irmãos e irmãs da América inteira, rezo por todos vós, mas também vós orai por mim! Que a alegria do Evangelho esteja sempre nos vossos corações! O Senhor vos abençoe e a Virgem vos acompanhe!” (JE/Il Sismografo)

(from Vatican Radio)

Sínodo: pausa à espera do texto final

Sínodo: pausa à espera do texto final

Cidade do Vaticano (RV) – Esta quarta-feira (21/10) é de pausa para os padres sinodais. Após a apresentação dos relatórios dos círculos menores, feita em plenário na terça-feira (20/10), a Comissão de Redação do Relatório Final está reunida para apresentar um novo texto aos participantes, que será feito na tarde de quinta-feira (22/10).

É o que explica o Arcebispo de São Paulo (SP), Card. Odilo Pedro Scherer:

“Hoje o dia todo é de pausa, porque ontem nós terminamos a avaliação e o exame das três partes do Instrumento de Trabalho. Houve muitas novas contribuições e sugestões que agora precisam ser trabalhadas pela Comissão de redação do texto final. Até amanhã, após o meio-dia, este texto deverá estar em condições de ser apresentado no plenário, para que se possa discutir o novo texto. Após a apresentação, então haverá uma nova discussão. E isto naturalmente envolve novas reflexões, com possibilidade de novas emendas e assim por diante. Haverá uma pausa para uma reflexão pormenorizada e enfim se procederá à votação no sábado, parágrafo por parágrafo. E vai se ver como está o consenso dos participantes do Sínodo em torno de cada questão ali proposta. Teremos uma ideia de como as várias questões apresentadas no Sínodo estão sendo acolhidas, percebidas, se há ou não concordância. E vão aparecer as questões sobre as quais se espera uma palavra do Papa.”

Na entrevista a Silvonei José, Card. Odilo fala ainda de uma das questões mais discutidas, que foi a preparação ao matrimônio. Clique acima para ouvir.

(SP/BF)

(from Vatican Radio)

Relatórios dos Círculos Menores sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris

Relatórios dos Círculos Menores sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris

Cidade do Vaticano (RV)  - No Sínodo dos Bispos sobre a Família, trabalha-se nesta quarta-feira na preparação do Relatório final que será apresentado e votado na Sala do Sínodo no próximo sábado. Caberá ao Papa, após, decidir torna-lo público ou não. Na tarde de terça-feira (20), por sua vez, os treze Círculos Menores apresentaram seus Relatórios sobre a terceira parte do Instrumentum laboris, dedicada ao tema “A missão da família hoje”.

O Sínodo está ainda a caminho

Existe ainda muita estrada a ser feita e os caminhos a serem percorridos são muitos. Assim, em síntese, se pode resumir o que emerge da terceira rodada de Relatórios dos Círculos Menores. Duas, em particular, as temáticas mais debatidas, em torno das quais existem abordagens diferentes. De um lado, a questão dos divorciados recasados e de seu acesso aos Sacramentos. Por outro lado, a questão das pessoas com tendência homossexual.

Divorciados recasados: acompanhamento, mas segundo abordagens diferentes

No primeiro caso, no geral, há um consenso sobre a necessidade de acompanhar e acolher as famílias feridas, de acordo com uma “pedagogia da misericórdia” que evite atitudes sectárias e conjugue a pastoral com a doutrina, sem “abrandá-la”. Restam porém abertas tantas possibilidades sobre como colocar em prática tal atitude: há quem sugira a análise de cada caso, confiado à responsabilidade do Bispo ou das Conferências Episcopais, na ótica da descentralização e segundo um oportuno discernimento; há quem reitere que a questão é doutrinal, e portanto, de competência de um Concílio e não de um Sínodo; há também quem hipotize um Foro interno específico; há quem olhe aos processos de nulidade matrimonial – tornados mais breves pelo Motu proprio do Papa Francisco “Mites Iudex” – como exemplo de uma eficaz proximidade às pessoas em dificuldade, que permite de não anular a doutrina”.

Auspiciada intervenção do Papa, para dar  “uma solução brilhante” às famílias feridas

Outras propostas para os divorciados recasados apontam para a comunhão espiritual e para a assim chamada “via penitencial”, ainda que alguns prefiram chamá-la de “via da reconciliação” ou também “itinerário de caridade”. Conscientes da complexidade da questão, os Padres Sinodais reiteram a função consultiva e não deliberativa da Assembleia. Disto, o desejo de uma intervenção específica do Papa, também em vista do Jubileu da Misericórdia, para que – sublinhou em particular um dos Círculos - o Pontífice crie uma apropriada Comissão encarregada de aprofundar este tema, dando assim “solução brilhante” às famílias feridas. Os Círculos Menores, outrossim, reiteram que o Sínodo não trata apenas do tema dos divorciados recasados.

As pessoas com tendência homossexual: tema do Sínodo ou não?

Também sobre o tema das pessoas com tendências homossexuais são verificadas abordagens diversas. O que permanece é a necessidade de acolher tais pessoas sem discriminá-las. Alguns sublinharam que tal questão não entra na temática do Sínodo e que portanto seria tratada – sugere um dos Círculos – em um encontro sinodal separado. Em todo o caso, comum é a posição dos Círculos em rejeitar a adoção de crianças por casais homossexuais e a equiparação entre o matrimônio e as uniões gay.

Família, sujeito de evangelização. Maior preparação ao matrimônio

Estas, portanto, as temáticas mais discutidas. Por outro lado, estão aquelas sobre as quais os treze Círculos Menores são concordes: a primeira diz respeito à capacidade da família de ser sujeito e não somente objeto de evangelização, e portanto, a necessidade de que a Igreja relance e apoie mais esta dimensão. Depois, o tema da preparação ao matrimônio: todos os Relatório reiteram a necessidade de percursos formativos cuidadosos, focados na Palavra de Deus e subdivididos em três fases temporais: remoto, próximo e imediatamente perto do casamento.

Igreja renove sua linguagem, sem desnaturar seus ensinamentos

Outro ponto evidenciado pela maior parte dos Relatórios foi o da linguagem: a Igreja deve renová-la – dizem os Círculos – transformá-la de estática em dinâmica, para tornar os seus ensinamentos mais acessíveis a todos, sem desnaturá-los, e abrir assim um novo diálogo com as famílias. Por exemplo: para os divorciados recasados, não se fala mais de “exclusão” do Sacramento Eucarístico, mas sim de “abstenção”. E ainda: os treze Relatórios reiteram a importância em ressaltar a beleza e a alegria da sexualidade e da corporeidade dentro da vida conjugal, assim como recordar os ensinamentos da Encíclica “Humanae Vitae” de Paulo VI, a propósito da generatividade e da castidade. A este propósito, em particular, é sublinhada a necessidade de aprofundar os temas da paternidade responsável e da educação dos filhos.

Matrimônios mistos, uma oportunidade de diálogo inter-religioso

Outro tema muito presente nos diversos Relatórios diz respeito às adoções, com a sugestão de dar maior valorização a elas e de ressaltar a tutela das crianças. E ainda: muitos Círculos menores trataram dos matrimônios mistos, sugerindo que sejam ressaltados seus aspectos positivos, como a abertura ao diálogo inter-religioso, enquanto outros manifestaram a necessidade de uma maior atenção às temáticas familiares ligadas ao drama da doença e da morte. Já em relação aos casais que convivem de fato ou são casados apenas no civil, os Padres sinodais reiteram a irregularidade deles, sugerindo, no entanto, a necessidade de se olhar para os aspectos positivos que podem levá-los ao matrimônio sacramental.

Atenção aos padres separados, frequentemente vítimas da pobreza

Dignas de nota, também, algumas propostas singulares: dar maior atenção aos pais separados ou divorciados, frequentemente novas vítimas da pobreza; enaltecer a coragem das mulheres vítimas de violência que decidem dar à luz a seus filhos, não obstante os preconceitos sociais de que, frequentemente, são vítimas; dar voz a quem é obrigado ao incesto ou cai presa do tráfico de seres humanos; não esquecer as famílias dos refugiados, de migrantes ou de quem vive entre guerras e conflitos.

Instrumentum laboris necessita de uma maior organicidade

Por fim, os Círculos menores definem a terceira parte do Instrumentum laboris como excessivamente não-orgânica, sugerindo, em parte, a sua reorganização e em parte que seja reescrita, em vista do Relatório final a ser entregue ao Papa. (JE)



(from Vatican Radio)

"A identidade familiar se baseia na promessa de fidelidade"

"A identidade familiar se baseia na promessa de fidelidade"

Cidade do Vaticano (RV) – Na audiência geral desta quarta-feira (21/10), o Papa dissertou sobre ‘as promessas’ feitas nas famílias, começando pela promessa de amor e fidelidade feita por marido e esposa no momento do matrimônio. 

Diante de cerca de 30 mil pessoas, na Praça São Pedro, o Pontífice disse que “ela comporta o compromisso de acolher e educar os filhos; cuidar dos pais idosos, proteger e acudir os membros mais frágeis da família, ajudar-se mutuamente para realizar suas qualidades e aceitar seus limites. Uma família que se fecha em si mesma é uma contradição, uma mortificação da promessa que a fez nascer e a faz viver".

Fidelidade com liberdade

Além da fidelidade, Francisco ressaltou o valor da liberdade: “Ninguém quer ser amado somente por seus bens ou por ‘obrigação’. Assim como a amizade, o amor deve sua força e sua beleza ao fato que gera uma relação sem privá-la da liberdade. Sem liberdade não existe amor e não existe matrimônio”, afirmou, concluindo que “liberdade e fidelidade não se opõem, mas se sustentam reciprocamente”. 

Para o Papa, “a fidelidade às promessas do matrimônio é uma verdadeira ‘obra de arte’ da humanidade, um ‘milagre’, já que sua força e persuasão nunca cessam de nos encantar e surpreender. 

A este ponto, o Papa improvisou lembrando-se do passado, quando para nossos avós, valia ‘dar a palavra e apertar as mãos’:

Cumprir as promessas

“Ah... naqueles tempos... quando se fazia um acordo, apertar a mão era suficiente... era um fato social, existia a ‘fidelidade’ às promessas...”

A honra à palavra, assim como a fidelidade da promessa, não se pode comprar nem vender; não se pode obrigar com a força e nem custodiar sem sacrifício. Se a família não ensinar esta verdade do amor, nenhuma outra escola o poderá fazer. Sendo assim, Francisco defendeu que “é necessário restituir honra social à fidelidade do amor”. 

O ensinamento desta catequese, a poucos dias do encerramento do Sínodo sobre a Família em andamento no Vaticano, é que “a Igreja encontra na família uma bênção a ser resguardada, da qual sempre se aprende, antes de ensiná-la e discipliná-la”:

“O amor pela família humana, na boa e na má sorte, é um ponto de honra para a Igreja. Que Deus nos conceda de estarmos à altura desta promessa!”. Terminando, Francisco pediu a todos que rezem pelos Padres Sinodais, que o Senhor abençoe seu trabalho, realizado com fidelidade criativa, confiantes de que Ele, o Senhor, é o primeiro a ser fiel em suas promessas”.

Oração pelo êxito do Sínodo

Após estas palavras, o Pontífice saudou os diferentes grupos de turistas e peregrinos presentes na audiência. Dirigindo-se aos de fala portuguesa, agradeceu a delegação da Comunidade Hebraica de São Paulo, acompanhada pelo Cardeal Odilo Scherer. “Que esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos”, disse, concedendo a todos a sua bênção apostólica.



(from Vatican Radio)

No Sínodo escuta e votação

No Sínodo escuta e votação

O trabalho dos círculos menores chegou à conclusão e, na décima terceira congregação geral que se realizou na tarde de 20 de Outubro, foram lidos os treze relatórios concernentes à terceira parte do Instrumentum laboris.

Estavam presentes 256 padres sinodais; presidente de turno foi o cardeal Wilfrid Fox Napier. Depois da oração do Adsumus guiada pelo Papa Francisco, tomou a palavra o metropolita Hilarion que transmitiu ao Pontífice e à assembleia a saudação do patriarca Cirilo. Na sua intervenção o metropolita de Volokolamsk frisou que a sociedade contemporânea se caracteriza por uma crise preocupante dos valores tradicionais e que a estabilidade das famílias cristãs está ameaçada também pelos numerosos conflitos que levam a migrações de massa e portanto à fragilização dos vínculos e à possibilidade aumentada de matrimónios mistos. Portanto – disse – é preciso um trabalho comum na Igreja em defesa da família e do seu ser fundamento sólido da sociedade.

Depois do metropolita falaram os treze relatores, em ordem: o arcebispo Chaput, o arcebispo Martin, o cardeal Lacunza Maestrojuán, o cardeal Piacenza, o bispo Brambilla, o arcebispo Porras Cardozo, o arcebispo Coleridge, o arcebispo Durocher, o arcebispo Ulrich, o arcebispo Kurtz, o arcebispo Koch, o padre Dumortier e o padre Arroba Conde.

No encerramento da congregação teve lugar a primeira votação para a eleição do Conselho de secretaria do sínodo. Estavam presentes 261 padres. Uma segunda votação será realizada na quinta-feira 22 e levará à eleição de doze membros: três para a África, três para as Américas, três para a Europa e três para a Ásia e a Oceânia. A eles acrescentar-se-ão três membros de nomeação pontifícia e o secretário-geral com o subsecretário do sínodo que são membros ex officio.