segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma mulher instruída deixa de ser humilhada e escrava

Há 50 anos atrás, Chiara Lubich, a italiana que fundou o Movimento dos Focolares, deslocava-se aos Camarões em ajuda ao povo Bangua na zona florestal do sudeste do país, que estava a braços com um tremendo surto da doença do sono, correndo o risco de desaparecer.

Não obstante as dificuldades iniciais, o Rei ou Fon de Lebialem, em Fontem, e Chiara entraram em sintonia. Com a ajuda do Movimento, foram para lá médicos e construíram-se hospitais e escolas, dando origem a uma bela cooperação, que perdura ainda hoje.

A colaboração acabou por estender-se a outros reinos daquela região camaronesa e, na semana passada, um grupo de reis e rainhas (Fons e Máfuas, respectivamente) da nova geração, veio a Roma para celebrar o Jubileu e para visitar os lugares de nascimento e vida de Chiara Lubich, Trento, onde ela nasceu, no norte do país, Florença no centro e Rocca di Papa, perto de Roma, onde desenvolveu a sua obra socio-espiritual, que se espalhou por várias partes do mundo.

Depois de participar na audiência geral a semana passada, oito Fons e Máfuas, participaram numa conferência de imprensa em que se detiveram sobre a história e a importância dessa cooperação agradecendo profundamente a Chiara Lubich e o Movimento.

No final conversamos com duas das participantes. Uma delas é Djengué Paulette, esposa dum dos chefes da região do litoral dos Camarões, onde os chefes não são chamado Fons, como em Fontem, mas sim Majestades. Ela é protestante e é vice-Presidente da União das Mulheres Baptistas dos Camarões, União que reúne umas seis mil mulheres e se ocupa da educação de meninas:

“Educamos as meninas, tomamos conta de todas as meninas com dificuldades escolares e procuramos orientá-las, mas a nossa primeira missão é dar a conhecer a Palavra de Deus às mulheres porque estamos convencidas de que com a Palavra de Deus a mulher se forma e quando temos mulheres bem formadas, tem-se uma sociedade de pé. Portanto, ensinamos a Palavra de Deus e a pô-la em prática; através da educação cristã, de cânticos, ensinamos às que têm dificuldades, a ser autónomas, porque quando se é capaz de resolver os próprios problemas deixa-se de ser uma pessoa humilhada, uma pessoa escrava. Eis a missão da União das Mulheres Baptistas dos Camarões.”

Chiara Lubich costumava contar que quando falou ao Fon Defang de Fontem do Movimento que ela tinha fundado, ele perguntou-lhe como fazia para reger tudo isso uma vez que era mulher e as mulheres não valem nada. Chiara respondeu que visto que as mulheres não valem nada, então acima dela havia, certamente,  alguém mais potente que fazia tudo, isto é Deus.

Esta versão de que a mulher não valia nada foi amplamente sublinhada na conferencia de imprensa pela Máfua Christine Essong, filha do Fon Defang. No final perguntamos-lhe se realmente na tradição camaronesa a mulher não valia nada:

“Isto era o que os homens diziam. E as mulheres aceitavam isso, porque não sabiam. Foi através da emancipação e dos ensinamentos de Chiara, através do amor, que todas agora iniciaram a ver que ah… nós mulheres somos alguma coisa e somos complementares aos homens, e isso é o desígnio de Deus”.

Insistimos, perguntando se na cultura tradicional a mulher não valia mesmo nada e a Máfua Christine replicou:

“Na minha tríbu diziam que a mulher não valia nada. Diziam sempre isso, até que o meu pai deu início a uma campanha a favor da educação das meninas. Ele dizia sempre: mandem também as meninas para a escola, porque não sabeis quem é que vai suster a família. E quando as pessoas começaram a ver que o Rei mandava as princesas para a escola e que aprendiam muito, começaram a enviar as filhas para a escola e viram como elas têm sucesso e essa enão essa crença de que a mulher não vale nada, desapareceu”.

A opinião de Djengué Paulette sobre o valor ou não da mulher na tradição camaronesa é um pouco mais atenuada da da Máfua Chiristine Essong:

“A mulher tinha o seu lugar e homem também tinha o seu. Hoje a mulher é um elemento positivo para o desenvolvimento  do País e, portanto, homem e mulher caminham juntos”.

À nossa observação de que se deu a entender na conferência de imprensa de que foi com a chegada de Chiara Lubich que a emancipação da mulher nos Camarões, pelo menos entre o povo Bangwa, começou, Paulette reage:

“Não, a cultura tinha dado à mulher o seu lugar. Não se deve confundir a emancipação com a cultura. Não posso tomar a dianteira ao meu marido, mesmo em 2016. Fico atrás dele. É a minha cultura, porque o homem é o chefe de família no meu código civil”.

Mas isso quer dizer que a mulher não vale nada?

“A Mulher, como lhe disse, caminha com o homem e é um elemento de desenvolvimento e, portanto, sem mulheres não há uma sociedade de pé e a minha cultura aplica o código civil e por isso nós mulheres, somos parceiras”.

Então não é correcto dizer que a mulher não vale nada?

“Não é, e nunca foi na minha cultura, porque é a mulher que dá a vida e não se pode dar vida se não se vale nada. E é a mulher que rege a sociedade africana”.

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Oiça aqui as palavras de Benjamim Ferreira, português, focolarino, adido da impresna do Movimento. Ela fala destes 50 anos de relação entre o Povo Bangwa e o Movimento Focolar, traçando um balanço positivo e indicando perspectivas.

NASA no Vaticano para técnica de conservação de manuscritos

Cidade do Vaticano (RV) – Há cinco anos a Biblioteca Apostólica Vaticana colabora intensamente com o mundo da física e da astrofísica espacial e com o IAU (International Astronomical Union) no âmbito da conservação digital de documentos a longo prazo.

Esta segunda-feira (26/09), às 17 horas, a Sala Barberini da Biblioteca Vaticana teve a honra – explica uma nota – de receber os responsáveis das Agências Espaciais  de todas as partes do mundo, dos Centros de Observação Terrestre e da NASA, para um encontro que debateu a escolha a ser utilizada na conservação digital a longo prazo em formato F.I.T.S (Flexible Image Transport System) também para o patrimônio das coleções manuscritas da Biblioteca Apostólica Vaticana.

(JE)

Homilia do Papa Francisco na Eucaristia por ocasião do Jubileu dos Catequistas neste Ano Santo da Misericórdia:

Homilia do Papa Francisco na Eucaristia por ocasião do Jubileu dos Catequistas neste Ano Santo da Misericórdia:

“Na segunda Leitura, o apóstolo Paulo dirige a Timóteo – e a nós também – algumas recomendações que tinha a peito. Entre elas, pede que «guarde o mandamento, sem mancha nem culpa» (1 Tm 6, 14). Fala apenas de um mandamento, parecendo querer fazer com que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial na fé. De facto, São Paulo não recomenda uma multidão de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da fé. Este centro à volta do qual tudo gira, este coração pulsante que a tudo dá vida é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus ama-te, por ti deu a sua vida; ressuscitado e vivo, está ao teu lado e interessa-Se por ti todos os dias. Isto, nunca o devemos esquecer. Neste Jubileu dos Catequistas, pede-se-nos para não nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou. Não há conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Cada conteúdo da fé torna-se perfeito, se se mantiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se se isolar, perde sentido e força. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: «Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és. Dá-Lhe lugar: apesar das deceções e feridas da vida, deixa-Lhe a possibilidade de te amar. Não te dececionará».”

“O mandamento de que fala São Paulo faz-nos pensar também no mandamento novo de Jesus: «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15, 12). É amando que se anuncia Deus-Amor: não à força de convencer, nunca impondo a verdade nem mesmo obstinando-se em torno de alguma obrigação religiosa ou moral. Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem comunica-se através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer bonitos sermões. O Deus da esperança anuncia-Se vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de anúncio.”

“O Evangelho deste domingo ajuda-nos a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na parábola, há um homem rico que não se dá conta de Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão» (Lc 16, 20). Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar deste estar «coberto de chagas» (ibid.): este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. Não vê mais além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma. A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu. Então só se veem as aparências e não nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamento «estrábicos»: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.”

“Mas o Senhor olha para quem é transcurado e rejeitado pelo mundo. Lázaro é o único personagem, em todas as parábolas de Jesus, a ser designado pelo nome. O seu nome significa «Deus ajuda». Deus não o esquece… Acolhê-lo-á no banquete do seu Reino, juntamente com Abraão, numa rica comunhão de afetos. Ao contrário, na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre.”

“E há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: nele, carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao contrário, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição: como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes e lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”

“Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor pede-nos isto: face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudar-te-ei amanhã». O tempo gasto a socorrer é tempo dado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra.”

“Concluindo, que o Senhor nos dê a graça de sermos renovados cada dia pela alegria do primeiro anúncio: Jesus ama-nos pessoalmente! Que Ele nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de nós.”

(from Vatican Radio)

Angelus: rezar pelo México para que cesse a violência

No final da Eucaristia o Papa Francisco recitou na Praça de S. Pedro, como habitualmente aos domingos, a oração mariana do Angelus.

Na sua mensagem o Santo Padre recordou o padre Engelmar Unzeitig sacerdote alemão da Congregação do Missionários de Mariannhill que foi beatificado, neste sábado dia 24 de setembro em Würzburg, na Alemanha e que foi morto no campo de extermínio de Dachau.

Destaque para as palavras do Papa Francisco dirigidas ao México para “apoiar os esforços da Igreja e da sociedade civil em favor da família e da vida, que neste momento exigem uma atenção pastoral e cultural especial em todo o mundo” – disse o Santo Padre.

“E também asseguro a minha oração pelo amado povo mexicano, a fim de que cesse a violência que nos últimos dias atingiu também alguns sacerdotes” – declarou Francisco.

Antes da oração do Angelus o Papa dirigiu uma saudação especial às dezenas de milhares de catequistas presentes na Praça de S. Pedro:

“Queridos catequistas! Obrigado pelo vosso trabalho na Igreja ao serviço da evangelização. Que Maria vos ajude a perseverar no caminho da fé e a testemunhar com a vida aquilo que vós ensinais nas catequeses” – afirmou o Papa Francisco.

(RS)

(from Vatican Radio)

Papa aos catequistas: anunciar Deus encontrando as pessoas

Papa aos catequistas: anunciar Deus encontrando as pessoas

Domingo, 25 de setembro, Jubileu dos Catequistas com o Papa Francisco na Praça de S. Pedro neste Ano da Santo da Misericórdia. Na sua homilia o Santo Padre começou por lançar a sua atenção para a segunda leitura deste domingo retirada da Epístola de S. Paulo a Timóteo onde S. Paulo “não recomenda uma multidão de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da fé. Este centro à volta do qual tudo gira, este coração pulsante que a tudo dá vida é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou” – disse Francisco que sublinhou o novo mandamento no qual nos faz pensar Paulo: «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei». E é só “amando que se anuncia Deus-Amor”.

“Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem comunica-se através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer bonitos sermões. O Deus da esperança anuncia-Se vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de anúncio.”

Neste momento da sua homilia o Papa Francisco referiu a parábola que o Evangelho de S. Lucas nos conta neste domingo, na qual um homem rico não repara em Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão». “Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau” – disse o Santo Padre – “e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar deste estar «coberto de chagas» : este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. Não vê mais além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece lá fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma. A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu” – observou o Papa.

Aparência e indiferença, são razões para a “grave cegueira” de quem “olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor” – declarou Francisco.

Mas Deus não esquece Lázaro e acolhe-o “no banquete do seu Reino, juntamente com Abraão, numa rica comunhão de afetos” –disse o Papa que, falando para os catequistas, sublinhou que “como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes e lastimosos”. “Não sejamos profetas da desgraça” – afirmou:

“Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”

“Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades” – declarou Francisco, que no final da sua homilia sublinhou que “face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudar-te-ei amanhã». O tempo gasto a socorrer é tempo dado a Jesus, é amor que permanece”.

(RS)

(from Vatican Radio)