sábado, 30 de janeiro de 2016

Papa: "Acostumar-se ao pecado sem pedir perdão nos torna corruptos"

Cidade do Vaticano (RV) – Rezemos a Deus para que a fraqueza que nos leva a pecar nunca se transforme em corrupção. A este tema, já abordado no passado, o Papa dedicou a homilia da missa da manhã desta sexta-feira (29/01), celebrada na Casa Santa Marta. Francisco narrou a história bíblica de Davi e Betsabé, sublinhando que o demônio induz os corruptos a não sentir – como os outros pecadores – a necessidade do perdão de Deus.

Pode-se pecar em muitos modos e por tudo se pode pedir sinceramente perdão a Deus e saber que sem dúvidas, o perdão será obtido. O problema nasce com os corruptos. O pior dos corruptos – reafirmou o Papa – é que “ele não precisa pedir perdão”, porque lhe é suficiente o poder no qual se sustenta a sua corrupção.

Não preciso de Deus

É o comportamento que o rei Davi assume quando se apaixona por Betsabé, esposa do oficial Uria, que está combatendo longe. O Papa ilustrou, citando alguns trechos, o episódio narrado na Bíblia. Depois de seduzir a mulher e saber que está grávida, Davi arquiteta um plano para encobrir o adultério. Manda chamar Uria e lhe propõe ir descansar em casa. Homem leal, Uria não aceita ir enquanto seus homens morrem na batalha. Então, Davi tenta de novo, levando-o à embriaguez, mas nem isso funciona:

“Isto colocou Davi em dificuldade, mas Uria disse: ‘Não, não posso...’ E escreveu uma carta, como ouvimos: “Façam Uria ser capitão, coloquem-no à frente da batalha mais difícil e depois, retirem-se, para que seja atingido e morra”. Uma condenação à morte. Este homem, fiel – fiel à lei, fiel a seu povo, fiel a seu rei – recebeu uma sentença de morte”.

A “segurança” da corrupção

“Davi é santo, mas também pecador”. Cede à luxuria mas, apesar disso, considerou Francisco, Deus “gostava tanto” dele. Mesmo assim, observa, “o grande, o nobre Davi” sente-se tão "seguro" – ‘porque o reino era forte’ – que, depois de cometer adultério, move todas as alavancas à sua disposição para ajeitar as coisas, também de um modo mentiroso, até conspirar e ordenar o assassinato de um homem leal, fazendo-o passar por um infortúnio de guerra:

“Este é um momento na vida de Davi que nos faz ver um momento pelo qual todos nós podemos passar em nossa vida: é a passagem do pecado à corrupção. Aqui Davi começa, dá o primeiro passo em direção à corrupção. Detém o poder e a força. E por isso, a corrupção é um pecado mais fácil para todos nós que temos um poder qualquer, seja poder eclesiástico, religioso, econômico, politico... Porque o diabo nos faz sentir seguros: ‘Eu posso’”.

“Pecadores sim, corrompidos jamais”

A corrupção arruinou o coração daquele “rapaz corajoso” que havia enfrentado o filisteu com uma atiradeira e cinco pedras. “Hoje gostaria de destacar somente isso”, concluiu Francisco: há “um momento em que a rotina do pecado, um momento em que a nossa situação é tão segura e somos bem vistos e temos tanto poder” que o pecado deixa “de ser pecado” e passa a ser “corrupção”. E “uma das piores coisas que há na corrupção é que o corrupto não sente necessidade de pedir perdão”:

“Façamos hoje uma oração pela Igreja, começando por nós, pelo Papa, pelos bispos, pelos sacerdotes, pelos consagrados, pelos fiéis leigos: ‘Mas, Senhor, salvai-nos, salvai-nos da corrupção. Pecadores sim, Senhor, somos todos, mas corrompidos, jamais’. Peçamos esta graça”. (CM/RB)

(from Vatican Radio)

Agenda do Papa Francisco no mês de fevereiro

O mês de Fevereiro apresenta uma agenda bem preenchida de compromissos para o Papa Francisco. Em destaque a Visita ao México de 12 a 18, naquela que será a sua 12ª Viagem Apostólica. No dia 5 de Fevereiro está prevista uma apresentação pormenorizada dessa mesma viagem. Para já publicamos as outras atividades em destaque neste mês:

No dia 1 o Papa Francisco terá um encontro com todos os consagrados presentes em Roma para a conclusão do Ano da Vida Consagrada. Neste mesmo âmbito, no dia seguinte, dia 2, preside a uma missa na Basílica de S. Pedro, celebrando assim o Jubileu da Vida Consagrada.

Quarta-feira, dia 3, será a habitual audiência geral na Praça S. Pedro.

Sábado, dia 6, celebra-se o Jubileu dos grupos de oração de Padre Pio e da Casa de Alívio do Sofrimento em Itália. O Santo Padre presidirá ao encontro,.

Domingo, dia 7, a oração do Angelus com o Papa Francisco na Praça de S. Pedro.

Para os dias 8 e 9, estão agendadas reuniões do Conselho de Cardeais. O C9 reúne-se pela 13ª vez.

Quarta-feira de Cinzas, dia 10, pela manhã, está confirmada a audiência geral, na Praça S. Pedro; e à tarde, o Papa Francisco preside à missa, benção e imposição das Cinzas e também ao solene envio dos Missionários da Misericórdia, na Basílica Vaticana.

No dia 11 quinta-feira serão recebidos os párocos de Roma como tradicionalmente todos os anos.

Finalmente, na segunda, dia 22 de fevereiro, na Solenidade da Cátedra de S. Pedro, o Papa fará uma catequese para os seus colaboradores, no âmbito do Jubileu da Cúria Romana e de todas as instituições ligadas à Santa Sé. Haverá também uma missa, na parte da manhã, na Basílica Vaticana.

(RS)

(from Vatican Radio)

Papa: rezar pelos defuntos e consolar os aflitos

Nas saudações em italiano nesta audiência jubilar o Papa Francisco pediu aos fiéis para rezarem pelos defuntos e para consolarem os aflitos. Em particular invocou a memória de uma funcionária da Casa Santa Marta, que é a residência do Papa, e que faleceu nesta sexta-feira dia 29:

“Quero dizer-vos que o Papa está um pouco triste porque ontem faleceu uma senhora que nos ajuda tanto, há anos, e também o seu marido aqui trabalha connosco nesta casa. Depois de uma longa doença, o Senhor chamou-a para si. Chama-se Elvira. Eu convido-vos a fazer duas obras de misericórdia, rezar pelos defuntos e consolar os aflitos.”

O Santo Padre pediu aos fieis para com ele rezarem uma Avé-Maria.

(RS)

(from Vatican Radio)

Renovar a fé e redescobrir as obras de Misericórdia - Papa à Doutrina da Fé

O Papa centrou o discurso que lhes dirigiu no Ano Santo da Misericórdia, exprimindo o desejo de que seja uma ocasião para “todos os membros da Igreja renovarem a sua fé em Jesus Cristo que é o rosto da misericórdia do Pai, a via que une Deus e o homem”.

O Papa exprimiu igualmente o desejo de que “pastores e fiéis” redescubram ao longo deste Ano Santo “As obras de misericórdia corporais e espirituais” pois, quando no fim da vida terrena de cada um de nós nos será perguntado não apenas se demos de comer e beber a quem tinha sede e fome, mas também  se ajudamos as pessoas a “sair da dúvida” , se acolhemos os pecadores, admoestando-os e corrigindo-os e se fomos capazes de combater a ignorância, sobretudo relativamente à fé cristã e a uma vida correcta.

Francisco continuou dizendo que “na fé e na caridade se dá uma relação cognitiva e unificante com o mistério do Amor, que é o próprio Deus”. Deus que, embora permanecendo um mistério, tornou efectiva e afectiva a sua misericórdia, através de Jesus feito homem para a nossa salvação. E é nisto  - disse o Papa - que está a razão de ser da Congregação para a Doutrina da fé:

“Com efeito, a fé cristã não é apenas conhecimento a ser conservado na memória, mas verdade a ser vivida no amor. Por isso, juntamente com a doutrina da fé, é necessário conservar também a integridade dos costumes, de modo particular nos âmbitos mais delicados da vida. A adesão da fé à pessoa de Cristo implica tanto o acto da razão como a resposta moral ao seu dom. A este respeito, agradeço-vos por todo o empenho e a responsabilidade que exercitais ao tratar os casos de abuso de menores da parte de clérigos”.

O Papa chamou mais uma vez a atenção para a delicadeza que a tarefa de proteger a integridade da fé comporta, dizendo que isto requer um “empenho colegial”. Nesta linha agradeceu os Consultores e Comissário que colaboram com o Dicastério para Doutrina da Fé, encorajando-o a continuar e a intensificar  estas colaborações e a promover a nível eclesial  “a justa sinodalidade”. A este respeito citou como positiva a reunião realizada no ano passado com as Comissões doutrinais das Conferências Episcopais europeias, frisando que sem “uma abertura à dimensão transcendental da vida (…)  a Europa corre o risco de perder aquele espírito humanístico que, no entanto, ama e defende”.

Para o Papa Francisco, renovação da vida eclesial significa estudar a “complementaridade entre os dons hierárquicos e carismáticos” , dons que “são chamados a colaborar em sinergia para o bem da Igreja e do mundo”:

“O testemunho desta complementaridade é hoje, mais do que nunca, urgente e representa uma expressão eloquente daquela ordenada pluriformidade que caracteriza o tecido eclesial, reflexo da harmoniosa comunhão que vive no coração do Deus Uno e Trino”.

A relação entre estes dons – hierárquicos e carismáticos – remete para “a sua raiz trinitária na ligação entre Logos divino incarnado e o Espírito Santo que é sempre dom do Pai e do Filho”, raiz que, se reconhecida e aceite com humildade, permite à Igreja renovar-se em todos os tempos.

“Unidade e Pluriformidade são os sigilos de uma Igreja que, movida pelo Espírito, sabe caminhar, com passos seguros e fieis em direcção à meta que o Senhor Ressuscitado lhe indica ao longo da História.”

E o Papa concluiu enaltecendo mais uma vez a dinâmica sinodal que – disse - “se entendida correctamente” nasce da comunhão e conduz à comunhão”.

(DA)

Misericórdia e missão estão intimamente ligadas, diz o Papa na Audiência Jubilar

Cidade do Vaticano (RV) – Teve início, na manhã deste sábado (30/01), na Praça São Pedro, no Vaticano, a nova série de audiências jubilares, que o Santo Padre concederá aos peregrinos e fiéis, um sábado por mês, durante o Ano Santo da Misericórdia.



Em sua catequese de hoje, Francisco disse que “entramos cada vez mais no vivo da celebração do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia:

“Com a sua graça, o Senhor guia os nossos passos enquanto atravessamos a Porta Santa e nos vem ao encontro para permanecer sempre conosco, apesar das nossas faltas e contradições. Não nos cansemos, jamais, de sentir necessidade do seu perdão, porque, quando nos sentimos fracos, a sua presença nos torna fortes e nos permite viver a nossa fé com maior alegria”.

Assim, o Santo Padre indicou aos fiéis, presentes na Praça São Pedro, a íntima ligação existente entre a misericórdia e a missão. De fato, como cristãos temos a responsabilidade de ser missionários do Evangelho:

“Quando recebemos uma bela notícia ou quando vivemos uma bela experiência, sentimos a exigência natural de transmiti-la também aos outros. Sentimos que não podemos guardar a alegria que recebemos, só para nós e, assim, a comunicamos aos demais, por ser tão grande!”.

A mesma coisa deveria ser, - explicou o Papa – quando encontramos o Senhor. O sinal concreto de tê-lo encontrado é a alegria de comunicá-lo aos irmãos. Ao lermos o Evangelho, vemos que é esta a experiência dos primeiros discípulos, depois do primeiro encontro com Jesus:

“Encontrar Jesus equivale a encontrar-se com o seu amor; um amor que nos transforma e nos torna capazes de transmitir aos outros a força que nos dá. Assim sendo, poderíamos dizer que, no Batismo, recebemos outro nome, além daquele que nossos pais nos dão. O novo nome é ‘Cristóforo’, que significa ‘portador de Cristo'. Todo cristão deve ser portador de Cristo.Todos somos 'Cristóforo'!”.


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Enfim, Francisco recordou que “a misericórdia que recebemos do Pai, não nos é dada como consolação pessoal, mas nos torna instrumentos, para que os outros possam receber o mesmo dom”. Há uma maravilhosa interligação entre misericórdia e missão. A misericórdia nos torna missionários da própria misericórdia. Ser missionários nos permite crescer sempre na misericórdia de Deus.

Por fim, o Papa exortou os peregrinos, presentes nesta primeira audiência jubilar. a levar a sério a nossa vida cristã e a esforçar-nos para viver como fiéis, porque somente o Evangelho pode tocar o coração das pessoas e abri-lo à graça do amor.

Depois da sua catequese, nesta primeira audiência jubilar, o Santo Padre passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos presentes, em suas respectivas línguas. Eis a saudação que dirigiu aos fiéis de língua portuguesa:

“De coração, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa. Sejam bem-vindos! Neste Ano Santo da Misericórdia, somos chamados a reconhecer que necessitamos do perdão que Deus nos oferece gratuitamente, pois quando somos humildes, o Senhor nos torna mais fortes e alegres na nossa fé cristã. Desça, generosa, pela intercessão da Virgem Maria, a Bênção de Deus sobre cada um de vocês e suas famílias”.

No final da audiência, na Praça São Pedro, falando espontaneamente em italiano, Francisco disse: “Alguém, entre vocês, certamente, se perguntou ‘como é a casa do Papa, onde ele mora’. E respondeu: “O Papa mora ali atrás, na Casa Santa Marta. É uma casa grande, onde moram também uns quarenta sacerdotes e alguns Bispos, que trabalham na Cúria Romana; mas há ainda alguns hóspedes de passagem, como Cardeais, Bispos e leigos, que vêm para encontros dos diversos organismos vaticanos.

Além destas pessoas, - disse ainda Francisco, - há um grupo de homens e mulheres, que se dedicam aos trabalhos domésticos. Eles formam uma família, aliás, fazem parte da nossa família. Neste sentido, o Papa acrescentou: “Queria dizer que estou um pouco triste, porque, ontem, faleceu uma senhora que nos ajudava muito, há anos! Seu marido também trabalha conosco”.

“Depois de uma longa enfermidade, - concluiu o Santo Padre, - o Senhor a chamou para a Casa do Pai. Ela se chama Elvira. Por isso, hoje, convido-lhes a fazer duas obras de misericórdia: rezar pelos defuntos e consolar os aflitos. Agora, vamos rezar então uma Ave Maria pela paz e a alegria eterna de dona Elvira, para que o Senhor console seu esposo e seus filhos. (MT)

(from Vatican Radio)