sábado, 19 de setembro de 2015

Dom Auza: visita do Papa Francisco à Onu deixará marcas profundas

Dom Auza: visita do Papa Francisco à Onu deixará marcas profundas

Cidade do Vaticano (RV) - “Uma viagem histórica que deixará marcas profundas”: assim se expressa o observador permanente da Santa Sé na Onu, Dom Bernardito Auza, sobre a visita do Papa na próxima sexta-feira, dia 25, à sede das Nações Unidas.

Esta semana foi inaugurada a 70ª Assembleia Geral da ONU, que até os primeiros dias de outubro estabelecerá o programa dos trabalhos dos próximos 15 anos. Francisco, quarto Papa na Onu, será o primeiro Pontífice a fazer um pronunciamento no contexto da programação da agenda das Nações Unidas.

Para nos falar sobre o assunto a Rádio Vaticano entrevistou o próprio Dom Bernardito. Eis o que nos disse o arcebispo:

Dom Bernardito Auza:- “A visita do Papa é histórica. Será feita com a participação de muitos chefes de Estado e de governo e ministros provenientes do mundo inteiro, que vieram para o Encontro de cúpula para o desenvolvimento sustentável pós-2015, durante o qual será adotado o documento contendo 17 Objetivos de desenvolvimento sustentável. Será a primeira vez que as delegações oficiais dos 193 membros da Onu e dos observadores permanentes, capitaneadas pelas máximas autoridades nacionais, estarão sentadas na sala da Assembleia Geral para ouvir o Papa Francisco.”

RV: Como a Assembleia das Nações Unidas se preparou para este evento?

Dom Bernardito Auza:- “Para permitir a visita pontifícia a Assembleia Geral teve que mudar o horário de abertura do Encontro de cúpula, transferindo-o das 9 para as 11h.  Muitas outras coisas administrativas e logísticas foram mudadas pela Assembleia Geral e por toda a Onu para facilitar a visita fortemente auspiciada pelo secretário geral Ban Ki-moon. Podemos dizer que nesse sentido todo o programa geral foi redesenhado em função da visita do Santo Padre. Houve grandes e intensos preparativos para esta visita do Papa. É uma visita complicada, por assim dizer, dada a presença de um alto número de chefes de Estado e de governo e somos gratos à Assembleia Geral por essa disponibilidade a organizar a visita do Santo Padre.”

RV: A visita do Papa se insere entre dois Sínodos sobre a família. Várias vezes Francisco reiterou a centralidade dessa célula fundamental da sociedade...

Dom Bernardito Auza:- “De fato, a Igreja católica e algumas outras religiões explicitamente consideram a família o coração da sociedade. Além disso, sempre insistimos que a família é também um protagonista, um agente do desenvolvimento, sobretudo do desenvolvimento integral: ou seja, não somente material mas também do desenvolvimento humano, do amadurecimento humano. E esse aspecto foi retomado especialmente nestes três últimos anos de debates sobre a agenda pós-2015, a agenda para o desenvolvimento. Porém, também as Nações Unidas reconhecem a família como agente principal do desenvolvimento.”

RV: Porém, a Onu é muito dividida sobre a definição da família...

Dom Bernardito Auza:- “Vimos isso inclusive no voto para aquela resolução apresentada ao Conselho para os direitos humanos. Vê-se, ainda, que essa divisão é muito presente. Há um forte grupo em que a União Europeia desempenha um papel de primeiro plano que refuta o termo ‘família’ porque, afirmam, se refere somente à família tradicional, formada por um esposo e uma esposa, com os filhos. E insistem sobre o termo ‘todos os tipos de famílias’ ou ‘todas as formas de famílias’ para compreender todos os tipos de união, as uniões entre pessoas do mesmo gênero. Portanto, digamos que os países que pensam como nós têm uma grande expectativa de que o Papa Francisco reitere a centralidade da família e o seu significado.”

RV: Os pobres e os sofredores estão no coração do Papa. Que espaço essas realidades têm ordinariamente no debate nas Nações Unidas?

Dom Bernardito Auza:- “É um tema predominante, sobretudo nestes últimos oito meses, em que se trabalhou sobre esse grande documento para o desenvolvimento sustentável. Há um consenso universal sobre a prioridade a ser dada no combate à pobreza. Nesse sentido, os pronunciamentos na Assembleia dos países pobres foram ouvidos. E isso foi importante não somente porque se apresentou uma realidade, mas para insistir, propor e buscar nivelar a pobreza. Este é um ano de grandes conferências: a conferência sobre o financiamento para o desenvolvimento que se realizou na Etiópia, depois temos esse Encontro de cúpula sobre o desenvolvimento e, depois ainda, em dezembro, sobre as mudanças climáticas. São todos temas que giram em torno da questão da pobreza e das ajudas que podem chegar dos países mais desenvolvidos e tecnicamente evoluídos.”

RV: Olhando também para a Conferência que se realizará em dezembro em Paris, entre os desafios lançados pelo Papa encontram-se o de uma economia que não prevaleça sobre o homem e, em sua última encíclica, a ‘Laudato si’, o respeito pela Criação. Qual foi a repercussão que essas palavras do Papa tiveram na Onu?

Dom Bernardito Auza:- “A encíclica ‘Laudato si’ teve uma repercussão muito forte aqui na Onu. Desde o secretário geral até as muitas delegações, sobretudo em vista da Conferência de Paris – marcada para dezembro próximo –, todos evidenciaram fortemente o cerne desse documento, que mais do que sobre as mudanças climáticas, é um documento sobre a justiça social. Por exemplo, um grande facilitador dessas negociações na Onu abriu os últimos pronunciamentos da negociação utilizando a ‘Laudato si’, convidando todos, católicos e não-cristãos, a ler o documento, dizendo: ‘tudo aquilo que tratamos aqui se encontra na ‘Laudato si’’. Portanto, nesse sentido o efeito é grande.”

RV: Pessoalmente, quais são seus votos para essa viagem do Papa?

Dom Bernardito Auza:- “Seguramente, que deixe pegadas profundas no seio da Onu sobre as grandes questões de hoje, sobretudo na questão da segurança internacional. Basta pensar na Síria, no Iraque, todas essas pessoas em movimento através dos desertos, os mares perigosos... Esse é o cerne da questão. A expectativa da Assembleia é também de que deixe marcas profundas sobre a questão das relações entre pobreza, justiça social e ambiente, coração da ‘Laudato si‘." (RL)

(from Vatican Radio)

A viagem do Papa Francisco à América foi precedida pelo diálogo televisivo com os jovens cubanos e norte-americanos - Pontes de amizade

A viagem do Papa Francisco à América foi precedida pelo diálogo televisivo com os jovens cubanos e norte-americanos - Pontes de amizade

Estava presente também uma família síria hospedada pela paróquia de Santa Ana no Vaticano para desejar ao Papa «boa viagem» pouco antes da partida para a décima viagem internacional do Pontificado, cuja meta será Cuba e os Estados Unidos da América. Acompanhados pelo arcebispo esmoler Konrad Krajewski, os refugiados originários de Damasco na manhã de sábado 19, chegaram à residência de Santa Marta para saudar Francisco e agradecer-lhe o acolhimento. Antes de subir a bordo da viatura com a qual foi ao aeroporto de Fiumicino, o Papa recebeu a saudação também dos monsenhores Peter Bryan Wells e José Avelino Bettencourt, respectivamente assessor e chefe de Protocolo da Secretaria de Estado.

Anteriormente, no final da tarde de sexta-feira 18, como já é tradição na véspera de cada partida, Francisco foi à basílica romana de Santa Maria Maior para confiar à Virgem a sua viagem apostólica à América. Acolhido pelo cabido liberiano e pelo cardeal arcipreste Santos Abril y Castelló, o Pontífice colocou diante da imagem da Salus populi Romani um maço de flores e deteve-se em oração. Poucas horas mais tarde – quando na Itália já era noite – a rede televisiva norte-americana Cnn transmitiu uma entrevista por vídeo durante a qual o Papa, dialogando com dez estudantes convidados por Scholas occurentes – cinco cubanos e cinco norte-americanos – enfrentou diversos temas, desde a protecção do meio ambiente ao diálogo entre os povos, da instrução dos jovens à busca da paz. «Construir pontes e desbloquear, para que haja comunicação, para que a comunicação incentive a amizade». Este é um dos objectivos que Francisco colocou entre as prioridades da agenda da viagem, cujo itinerário simboliza precisamente uma ponte ideal entre dois países que por muito tempo se olharam com desconfiança. «Uma das coisas mais bonitas – disse aliás aos jovens de Cuba e dos Estados Unidos – é a amizade social. Precisamente isto gostaria que vós obtivésseis: a amizade social». Encorajando-os também a tomar iniciativa acrescentou: «O medo paralisa. Movimentai-vos. Há muito a fazer. O futuro está nas vossas mãos. Está ali. Levai-o em frente».

Por fim, foi significativo o gesto realizado no conclusão da mensagem vídeo: o Papa falando das consequências dos conflitos sobre a vida das crianças, frisou que elas têm «direito a brincar. Direito à alegria» e benzeu uma oliveira em cuja terra foi posta, como sinal de esperança pela paz, uma bala que lhe tinha sido entregue por um jovem de um país em guerra.

Papa chega a Cuba: abertura é “vitória da cultura do encontro”

Papa chega a Cuba: abertura é “vitória da cultura do encontro”

Havana (RV) – Após um voo de quase 12 horas, o Papa chegou a Havana na tarde de sábado (19/9), por volta das 15h50. Francisco foi recebido pelo Presidente Raúl Castro a quem fez um pedido:

“Queria pedir-lhe, Senhor Presidente, para transmitir os meus sentimentos de especial consideração e respeito ao seu irmão Fidel”.

Raúl, por sua vez, disse que o embargo econômico é "cruel, ilegal e imoral" e que a base de Guantánamo deve ser devolvida a Cuba.

Durante sua permanência em Havana, Francisco irá até a casa de Fidel Castro, antecipou o responsável pela organização da viagem papal, Alberto Gasbarri.

A seguir, o Papa recordou que neste ano o estabelecimento das relações diplomáticas entre a Santa Sé e Cuba completa 80 anos. Lembrou também das visitas a Cuba de São João Paulo II, em 1998 e de Bento XVI, em 2012.

“Sei que essas lembranças despertam gratidão e afeto no povo e nas autoridades de Cuba. Hoje renovamos estes laços de cooperação e amizade, para que a Igreja continue a acompanhar e encorajar o povo cubano nas suas esperanças e preocupações, com liberdade e com os meios e espaços necessários para levar o anúncio do Reino até às periferias existenciais da sociedade”.

Padroeira de Cuba

Francisco destacou ainda que a sua Viagem Apostólica coincide com os 100 anos da declaração de Nossa Senhora da Caridade do Cobre como Padroeira de Cuba.

“Foram os veteranos da Guerra da Independência que, movidos por sentimentos de fé e patriotismo, pediram que a Virgem mambisa [cubana] fosse a padroeira de Cuba enquanto nação livre e soberana. Desde então, Ela acompanhou a história do povo cubano, sustentando a esperança que preserva a dignidade das pessoas nas situações mais difíceis e defendendo a promoção de tudo o que dignifica o ser humano. A sua devoção crescente é um testemunho visível da presença da Virgem Maria na alma do povo cubano”.

E acrescentou:

“Durante estes dias, terei oportunidade de ir ao Santuário do Cobre, como filho e peregrino, rezar à nossa Mãe por todos os seus filhos cubanos e por esta amada nação, para que caminhe por sendas de justiça, paz, liberdade e reconciliação”.

Posição estratégica

Ao citar a posição geográfica estratégica de Cuba, Francisco considerou que o arquipélago “abre para todas as rotas, possuindo um valor extraordinário de ‘chave’ entre norte e sul, entre leste e oeste. A sua vocação natural é ser ponto de encontro para que todos os povos se reúnam na amizade”, destacou o Pontífice.

Aqui, o Papa recordou a recente retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. “É um sinal da vitória da cultura do encontro, do diálogo, do ‘sistema da valorização universal (…) sobre o sistema, morto para sempre, de dinastia e de grupos’, afirmou o Papa ao citar o poeta cubano José Martí.

E concluiu:

“Encorajo os responsáveis políticos a prosseguir por este caminho e a desenvolver todas as suas potencialidades, como prova do alto serviço que são chamados a prestar em favor da paz e do bem-estar dos seus povos, de toda a América, e como exemplo de reconciliação para o mundo inteiro”.

Veja o resumo da chegada do Papa em nosso canal no YouTube

(RB)

(from Vatican Radio)

Papa parte para Cuba e EUA como "Missionário da misericórdia"

Papa parte para Cuba e EUA como "Missionário da misericórdia"

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco se encontra em viagem rumo a Cuba, primeira etapa da sua 10ª Viagem Apostólica, que o levará também aos Estados Unidos.

O Santo Padre deixou a Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano, às 9h45 da manhã deste sábado e se dirigiu, de carro, ao aeroporto romano de Fiumicino.

Antes de deixar o Vaticano, uma família de refugiados sírios, hospedada pela paróquia vaticana Santa Ana, quis agradecer ao Papa pela acolhida e desejar-lhe boa viagem!

O avião papal decolou às 10h15 locais (05h15 de Brasília), com destino a Havana, capital de Cuba. A chegada ao aeroporto internacional José Martí, em Havana, está prevista para às 16h00, hora local, 17h00 de Brasília, após ter percorrido quase 8.700 km. em 11h45.

O Aeroporto Internacional de Cuba José Martí, situado a 18 km da capital, Havana, recebeu o nome José Martí para honrar o patriota e poeta cubano. É o principal aeroporto para voos internacionais e domésticos em Cuba.

O Bispo de Roma será recebido, no aeroporto da capital cubana, pelos autoridades civis e religiosas, entre as quais Dom Giorgio Lingua, Núncio Apostólico em Cuba.

O Papa receberá as boas-vindas do Presidente da República de Cuba, Raul Castro, e do Cardeal-arcebispo de São Cristóvão de Havana, Dom Jaime Lucas Ortega y Alamino.

Após a saudação do Presidente cubano, o Santo Padre pronunciará seu primeiro discurso em terras cubanas. E, a seguir, ambos manterão um breve encontro privado no Salão Nobre do aeroporto. No final, o Pontífice se transferirá, de papamóvel, à Nunciatura Apostólica, que dista cerca de 10 km., onde pernoitará.

Amanhã, domingo (20/9), o ponto alto das suas atividades em Havana, será a solene celebração eucarística, que Francisco presidirá, de manhã, na Praça da Revolução da capital cubana.

Como acontece sempre, antes das suas viagens internacionais, o Bispo de Roma se dirigiu, na tarde desta sexta-feira, à Basílica pontifícia de Santa Maria Maior, no centro de Roma, para uma breve visita, em forma privada, para pedir a proteção materna de Nossa Senhora pelo bom êxito desta sua 10ª Viagem Apostólica a Cuba e Estados Unidos.

No entanto, como de costume, o Santo Padre enviou telegramas aos Chefes de Estado dos países sobrevoados durante toda a sua viagem a Cuba: Itália, França, Espanha, Portugal, Estados Unidos e Bahamas, na América Central.

O Papa Francisco é o terceiro Pontífice a visitar a Ilha caribenha depois de São João Paulo II (1998) e Bento XVI (1912).

O lema que Francisco escolheu para esta sua viagem é “Missionário da Misericórdia”, com clara referência ao próximo Ano Santo da Misericórdia, que terá início no dia 8 de dezembro deste ano, dia da Imaculada Conceição.

Assim, o Santo Padre realiza sua 10ª Viagem Apostólica do seu Pontificado, que durará 9 dias.

A Rádio Vaticana transmite ao vivo a chegada do Papa a Havana a partir das 16h50, hora de Brasília, com a crônica em português. (MT)

(from Vatican Radio)