Sínodo apela: paz para famílias de O. Médio, Ucrânia e África
Cidade do Vaticano (RV) – No último dia do Sínodo dos Bispos, os participantes aprovaram e publicaram um apelo a ser divulgado publicamente sobre a situação das famílias do Oriente Médio, da Ucrânia e da África:
Mensagem unânime
“Reunidos ao redor do Santo Padre Francisco, Sucessor de Pedro, nós, Padres Sinodais, com os Delegados fraternos, Auditores e Auditoras participantes da XIV Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, dirigimos o nosso pensamento a todas as famílias do Oriente Médio. Há anos, por causa de sangrentos conflitos, elas são vítimas de violências inauditas. Suas condições de vida se agravaram ulteriormente nestes últimos meses e semanas”.
“O uso de armas de destruição de massa, assassínios indiscriminados, decapitações, sequestro de seres humanos, tráfico de mulheres, recrutamento de crianças, perseguições por motivos de crença ou etnia, a devastação de lugares de culto e a destruição do patrimônio cultural e inúmeras atrocidades obrigaram milhares de famílias a fugir de suas casas e buscar refúgio em outros lugares, quase sempre em condições de pobreza extrema”. É o que afirmam o Papa e os 270 padres sinodais.
Famílias que não podem voltar às suas casas
“Atualmente são impedidas de retornar e exercer seu direito de viver com dignidade e segurança em suas terras e de contribuir na reconstrução e no bem-estar material e espiritual de seus países. Neste dramático contexto, são continuamente violados os princípios fundamentais da dignidade humana e da convivência, pacífica e harmônica, entre pessoas e povos, os direitos mais elementares, como a vida e a liberdade religiosa, além do direito humanitário internacional”.
“Recordamos as palavras do Papa Francisco a “todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão: Respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs! Aprendamos a compreender a dor do outro! Ninguém instrumentalize, para a violência, o nome de Deus! Trabalhemos juntos em prol da justiça e da paz!” (Discurso do Santo Padre no Edifício do Grã-Conselho na Esplanada das Mesquitas, Jerusalém, 26 de maio de 2014).
“Estamos convencidos de que a paz é possível e é possível deter as violências que na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa atingem a cada dia mais famílias e civis inocentes e agravam a crise humanitária. A reconciliação é fruto da fraternidade, da justiça, do respeito e do perdão” – prossegue o documento assinado unanimemente por todos os participantes.
Não a decisões impostas
“A paz no Oriente Médio não pode ser alcançada com decisões impostas à força, mas com decisões políticas que respeitem as particularidades culturais e religiosas de cada nação e das várias realidades que as compõem”.
“Nosso único desejo, como pessoas de boa vontade que fazem parte da grande família humana, é que se possa viver em paz. Que judeus, cristãos e muçulmanos encontrem em seu próximo um irmão a ser respeitado e amado, oferecendo, em suas terras antes de tudo, um belo testemunho da serenidade e da convivência entre os filhos de Abrão” – afirmam ainda os padres sinodais, citando a Exortação Apostólica de Bento XVI ‘Ecclesia in Medio Oriente’.
Preocupação com África e Ucrânia
“Nosso pensamento e nossa prece se estendem, com igual preocupação, solicitude e amor, a todas as famílias que se encontram em situações análogas em outras partes do mundo, especialmente na África e na Ucrânia. Elas, como as famílias do Oriente Médio, estiveram muito presentes durante os trabalhos desta Assembleia Sinodal, e para elas também desejamos uma vida digna e tranquila”.
O documento se encerra com uma exortação: “Confiramos à Santa Família de Jesus, Maria e José, que tanto sofreu, as nossas intenções para que o mundo se torne em breve uma única família de irmãos e irmãs!”.
(CM)
(from Vatican Radio)
sábado, 24 de outubro de 2015
Publicado Relatório final do Sínodo
Publicado Relatório final do Sínodo
Cidade do Vaticano (RV) – “Satisfação da assembleia no seu conjunto”: assim o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, resumiu o voto realizado na tarde deste sábado (24/10) do Documento final do Sínodo dos Bispos.
A pedido do Papa Francisco, o texto foi publicado à imprensa, com versão disponível até o momento em italiano.
O Relatório final tem 94 pontos, todos aprovados pela maioria necessária de 2/3 dos participantes. Os padres sinodais presentes na votação eram 265. Neste caso, era considerada maioria a aprovação a partir de 177 votos.
Como no ano passado, com o Sínodo extraordinário, o Relatório final foi publicado com a porcentagem de votos de cada parágrafo. Os pontos que dizem respeito à pastoral das famílias feridas, que incluem temas como as convivências ou os divorciados recasados, obtiveram menor consenso, mas sempre a maioria absoluta. Estes pontos se encontram no terceiro capítulo da terceira parte.
Diante deste resultado, afirmou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, houve “satisfação geral da Assembleia no seu conjunto”.
Cidade do Vaticano (RV) – “Satisfação da assembleia no seu conjunto”: assim o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, resumiu o voto realizado na tarde deste sábado (24/10) do Documento final do Sínodo dos Bispos.
A pedido do Papa Francisco, o texto foi publicado à imprensa, com versão disponível até o momento em italiano.
O Relatório final tem 94 pontos, todos aprovados pela maioria necessária de 2/3 dos participantes. Os padres sinodais presentes na votação eram 265. Neste caso, era considerada maioria a aprovação a partir de 177 votos.
Como no ano passado, com o Sínodo extraordinário, o Relatório final foi publicado com a porcentagem de votos de cada parágrafo. Os pontos que dizem respeito à pastoral das famílias feridas, que incluem temas como as convivências ou os divorciados recasados, obtiveram menor consenso, mas sempre a maioria absoluta. Estes pontos se encontram no terceiro capítulo da terceira parte.
Diante deste resultado, afirmou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, houve “satisfação geral da Assembleia no seu conjunto”.
Sinodo: a Mensagem Final do Papa Francisco -texto integral
Sinodo: a Mensagem Final do Papa Francisco -texto integral
Concluíram-se os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Na sessão final o Papa Francisco dirigiu-se aos padres sinodais sublinhando que encerrar o Sínodo significa voltar realmente a "caminhar juntos" para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus.
Publicamos aqui o texto integral do Santo Padre:
Amadas Beatitudes, Eminências, Excelências, Queridos irmãos e irmãs!
Quero, antes de mais, agradecer ao Senhor por ter guiado o nosso caminho sinodal nestes anos através do Espírito Santo, que nunca deixa faltar à Igreja o seu apoio.
Agradeço de todo o coração ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo, a D. Fabio Fabene, Subsecretário e, juntamente com eles, agradeço ao Relator, o Cardeal Peter Erdö, e ao Secretário Especial, D. Bruno Forte, aos presidentes delegados, aos secretários, consultores, tradutores e todos aqueles que trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja: um cordial obrigado!
Agradeço a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditores, auditoras e conselheiros, párocos e famílias pela vossa activa e frutuosa participação.
Agradeço ainda a todas as pessoas que se empenharam, de forma anónima e em silêncio, prestando a sua generosa contribuição para os trabalhos deste Sínodo.
Estai certos de que a todos recordo na minha oração ao Senhor para que vos recompense com a abundância dos seus dons e graças!
Enquanto acompanhava os trabalhos do Sínodo, pus-me esta pergunta: Que há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?
Certamente não significa que esgotámos todos os temas inerentes à família, mas que procurámos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse.
Seguramente não significa que encontrámos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocámos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinámo-las cuidadosamente, abordámo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia.
Significa que solicitámos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimónio entre homem e mulher, fundado sobre a unidade e a indissolubilidade e a apreciá-la como base fundamental da sociedade e da vida humana.
Significa que escutámos e fizemos escutar as vozes das famílias e dos pastores da Igreja que vieram a Roma carregando sobre os ombros os fardos e as esperanças, as riquezas e os desafios das famílias do mundo inteiro.
Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família.
Significa que procurámos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades, de hoje com os olhos de Deus, para acender e iluminar, com a chama da fé, os corações dos homens, num período histórico de desânimo e de crise social, económica, moral e de prevalecente negatividade.
Significa que testemunhámos a todos que o Evangelho continua a ser, para a Igreja, a fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros.
Significa também que espoliámos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.
Significa que afirmámos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores.
Significa que procurámos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível.
No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.1
E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado.2 O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas».3 A inculturação não debilita os valores verdadeiros, mas demonstra a sua verdadeira força e a sua autenticidade, já que eles adaptam-se sem se alterar, antes transformam pacífica e gradualmente as várias culturas.
4Vimos, inclusive através da riqueza da nossa diversidade, que o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas.
E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, procurámos abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2, 4), para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja está chamada a viver.
Amados irmãos!
A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o
homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 37-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27).
Neste sentido, o necessário arrependimento, as obras e os esforços humanos ganham um sentido mais profundo, não como preço da Salvação – que não se pode adquirir – realizada por Cristo gratuitamente na Cruz, mas como resposta Àquele que nos amou primeiro e salvou com o preço do seu sangue inocente, quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 6).
O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50).
Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (...). Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (...). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera… Ele – se tal se pode dizer – será feliz no dia em que regressarmos e Lhe dissermos: Senhor, na vossa bondade, perdoai-me. Vemos, assim, o nosso arrependimento tornar-se a alegria de Deus».5
Por sua vez São João Paulo II afirmava que «a Igreja vive uma vida autêntica, quando professa e proclama a misericórdia, (...) e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador das quais ela é depositária e dispensadora».6
Também o Papa Bento XVI disse: «Na realidade, a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus (...). Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10)».7
Sob esta luz e graça, neste tempo de graça que a Igreja viveu dialogando e discutindo sobre a família, sentimo-nos enriquecidos mutuamente; e muitos de nós experimentaram a acção do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo. Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.8
Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!
Obrigado!
(from Vatican Radio)
Concluíram-se os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Na sessão final o Papa Francisco dirigiu-se aos padres sinodais sublinhando que encerrar o Sínodo significa voltar realmente a "caminhar juntos" para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus.
Publicamos aqui o texto integral do Santo Padre:
Amadas Beatitudes, Eminências, Excelências, Queridos irmãos e irmãs!
Quero, antes de mais, agradecer ao Senhor por ter guiado o nosso caminho sinodal nestes anos através do Espírito Santo, que nunca deixa faltar à Igreja o seu apoio.
Agradeço de todo o coração ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo, a D. Fabio Fabene, Subsecretário e, juntamente com eles, agradeço ao Relator, o Cardeal Peter Erdö, e ao Secretário Especial, D. Bruno Forte, aos presidentes delegados, aos secretários, consultores, tradutores e todos aqueles que trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja: um cordial obrigado!
Agradeço a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditores, auditoras e conselheiros, párocos e famílias pela vossa activa e frutuosa participação.
Agradeço ainda a todas as pessoas que se empenharam, de forma anónima e em silêncio, prestando a sua generosa contribuição para os trabalhos deste Sínodo.
Estai certos de que a todos recordo na minha oração ao Senhor para que vos recompense com a abundância dos seus dons e graças!
Enquanto acompanhava os trabalhos do Sínodo, pus-me esta pergunta: Que há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?
Certamente não significa que esgotámos todos os temas inerentes à família, mas que procurámos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse.
Seguramente não significa que encontrámos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocámos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinámo-las cuidadosamente, abordámo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia.
Significa que solicitámos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimónio entre homem e mulher, fundado sobre a unidade e a indissolubilidade e a apreciá-la como base fundamental da sociedade e da vida humana.
Significa que escutámos e fizemos escutar as vozes das famílias e dos pastores da Igreja que vieram a Roma carregando sobre os ombros os fardos e as esperanças, as riquezas e os desafios das famílias do mundo inteiro.
Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família.
Significa que procurámos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades, de hoje com os olhos de Deus, para acender e iluminar, com a chama da fé, os corações dos homens, num período histórico de desânimo e de crise social, económica, moral e de prevalecente negatividade.
Significa que testemunhámos a todos que o Evangelho continua a ser, para a Igreja, a fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros.
Significa também que espoliámos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.
Significa que afirmámos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores.
Significa que procurámos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível.
No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.1
E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado.2 O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas».3 A inculturação não debilita os valores verdadeiros, mas demonstra a sua verdadeira força e a sua autenticidade, já que eles adaptam-se sem se alterar, antes transformam pacífica e gradualmente as várias culturas.
4Vimos, inclusive através da riqueza da nossa diversidade, que o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas.
E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, procurámos abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2, 4), para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja está chamada a viver.
Amados irmãos!
A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o
homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 37-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27).
Neste sentido, o necessário arrependimento, as obras e os esforços humanos ganham um sentido mais profundo, não como preço da Salvação – que não se pode adquirir – realizada por Cristo gratuitamente na Cruz, mas como resposta Àquele que nos amou primeiro e salvou com o preço do seu sangue inocente, quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 6).
O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50).
Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (...). Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (...). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera… Ele – se tal se pode dizer – será feliz no dia em que regressarmos e Lhe dissermos: Senhor, na vossa bondade, perdoai-me. Vemos, assim, o nosso arrependimento tornar-se a alegria de Deus».5
Por sua vez São João Paulo II afirmava que «a Igreja vive uma vida autêntica, quando professa e proclama a misericórdia, (...) e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador das quais ela é depositária e dispensadora».6
Também o Papa Bento XVI disse: «Na realidade, a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus (...). Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10)».7
Sob esta luz e graça, neste tempo de graça que a Igreja viveu dialogando e discutindo sobre a família, sentimo-nos enriquecidos mutuamente; e muitos de nós experimentaram a acção do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo. Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.8
Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!
Obrigado!
(from Vatican Radio)
Enquanto o sínodo se prepara para votar o relatório final os padres lançam um apelo em prol do Médio Oriente, da África e da Ucrânia - Basta à violência ao terrorismo e às perseguições
Enquanto o sínodo se prepara para votar o relatório final os padres lançam um apelo em prol do Médio Oriente, da África e da Ucrânia - Basta à violência ao terrorismo e às perseguições
Enquanto o sínodo se prepara para votar o relatório final, os padres lançaram na manhã de sábado, 24 de Outubro, um apelo a favor do Médio Oriente, da África e da Ucrânia. Como o pensamento e a oração dirigidas a todas as famílias que estão envolvidas em situações de conflito, os participantes na assembleia aprovaram uma declaração na qual unem as suas vozes «ao grito dos numerosos inocentes: nunca mais violência, nunca mais terrorismo, nunca mais destruições, nunca mais perseguições». No documento pedem que «cessem imediatamente as hostilidades e o tráfico de armas» e, ao mesmo tempo, expressam «proximidade aos patriarcas, bispos, sacerdotes, consagrados e fiéis, assim como a todos os habitantes do Médio Oriente», auspiciando a libertação de «todas as pessoas sequestradas».
A declaração inspirou-se na constatação de que «já há anos» as famílias do Médio Oriente «são vítimas de atrocidades indescritíveis». Aliás, «as sua condições de vida agravaram-se ulteriormente». Testemunham-no «o uso de armas de destruição em massa, os assassinados indiscriminados, as decapitações, o sequestro de seres humanos, o tráfico das mulheres, o recrutamento de crianças, a perseguição por motivo do credo e da etnia, a devastação dos lugares de culto, a destruição do património cultural e outras inúmeras atrocidades», que «obrigaram milhares de famílias a fugir das próprias casas e a procurar refúgio alhures, muitas vezes em condições de precariedade extrema». Por conseguinte, actualmente elas «são impedidas de regressar e de exercer o seu direito de viver de forma digna e em segurança no próprio solo, contribuindo para a reconstrução e para o bem-estar material e espiritual dos respectivos países».
Por fim, os padres sinodais exprimem gratidão «à Jordânia, ao Líbano, à Turquia e a numerosos países europeus pelo acolhimento reservado aos refugiados», dirigindo «um novo apelo à Comunidade internacional a fim de que, ao pôr de lado os interesses particulares, se possa confiar, na busca de soluções, nos instrumentos da diplomacia, do diálogo, do direito internacional». Na convicção de «que a paz é possível e é também possível deter as violências na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa», assim como na África e na Ucrânia.
A leitura do documento foi acompanhada por uma salva de palmas da Aula, assim como tinha sido aplaudida a proposta do texto do relatório final do sínodo lido e entregue à assembleia que na tarde procederá à votação dos 94 pontos do documento.
Na manhã de domingo a missa conclusiva presidida pelo Pontífice na praça de São Pedro.
Enquanto o sínodo se prepara para votar o relatório final, os padres lançaram na manhã de sábado, 24 de Outubro, um apelo a favor do Médio Oriente, da África e da Ucrânia. Como o pensamento e a oração dirigidas a todas as famílias que estão envolvidas em situações de conflito, os participantes na assembleia aprovaram uma declaração na qual unem as suas vozes «ao grito dos numerosos inocentes: nunca mais violência, nunca mais terrorismo, nunca mais destruições, nunca mais perseguições». No documento pedem que «cessem imediatamente as hostilidades e o tráfico de armas» e, ao mesmo tempo, expressam «proximidade aos patriarcas, bispos, sacerdotes, consagrados e fiéis, assim como a todos os habitantes do Médio Oriente», auspiciando a libertação de «todas as pessoas sequestradas».
A declaração inspirou-se na constatação de que «já há anos» as famílias do Médio Oriente «são vítimas de atrocidades indescritíveis». Aliás, «as sua condições de vida agravaram-se ulteriormente». Testemunham-no «o uso de armas de destruição em massa, os assassinados indiscriminados, as decapitações, o sequestro de seres humanos, o tráfico das mulheres, o recrutamento de crianças, a perseguição por motivo do credo e da etnia, a devastação dos lugares de culto, a destruição do património cultural e outras inúmeras atrocidades», que «obrigaram milhares de famílias a fugir das próprias casas e a procurar refúgio alhures, muitas vezes em condições de precariedade extrema». Por conseguinte, actualmente elas «são impedidas de regressar e de exercer o seu direito de viver de forma digna e em segurança no próprio solo, contribuindo para a reconstrução e para o bem-estar material e espiritual dos respectivos países».
Por fim, os padres sinodais exprimem gratidão «à Jordânia, ao Líbano, à Turquia e a numerosos países europeus pelo acolhimento reservado aos refugiados», dirigindo «um novo apelo à Comunidade internacional a fim de que, ao pôr de lado os interesses particulares, se possa confiar, na busca de soluções, nos instrumentos da diplomacia, do diálogo, do direito internacional». Na convicção de «que a paz é possível e é também possível deter as violências na Síria, no Iraque, em Jerusalém e em toda a Terra Santa», assim como na África e na Ucrânia.
A leitura do documento foi acompanhada por uma salva de palmas da Aula, assim como tinha sido aplaudida a proposta do texto do relatório final do sínodo lido e entregue à assembleia que na tarde procederá à votação dos 94 pontos do documento.
Na manhã de domingo a missa conclusiva presidida pelo Pontífice na praça de São Pedro.
Card. Damasceno Assis preside conclusão do Sínodo
Card. Damasceno Assis preside conclusão do Sínodo
Cidade do Vaticano (RV) – A 17ª Congregação geral do Sínodo Ordinário sobre a Família reuniu-se na manhã deste sábado (24/10) para a última leitura do Relatório Final antes da votação. Às 9h (horário local), o Santo Padre dirigiu sua palavra aos participantes e todos rezaram a Hora Terceira e ouviram a homilia do bispo de Bilbao (Espanha), Dom Mario Iceta Gavicagogeascoa.
À tarde, no plenário, os padres sinodais vão optar por ‘placet’, ‘não placet’ ou ‘abstenção’ (aprovo, não aprovo ou me abstenho) na votação eletrônica dos 94 pontos do documento.
Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) é um dos Presidentes-delegados deste Sínodo e foi escolhido para presidir o último dia do encontro. Ouça-o, clicando acima.
“Para mim é uma grande satisfação e uma honra poder presidir a conclusão deste Sínodo dos Bispos sobre a Família. Neste dia, vamos votar o Relatório final dos nossos trabalhos, que organizados por uma comissão especial, e que agora é submetida à votação dos padres sinodais. Esta conclusão final será entregue ao Santo Padre para que ele possa fazer deste Relatório o que bem desejar. Ainda não sabemos se o Santo Padre o publicará ou se fará uma Exortação pós-sinodal. Ainda não temos informações concretas sobre isto, mas encerramos o nosso trabalho e podemos dizer que foi positivo. Tivemos um momento de escuta, um momento de diálogo sempre sobre a luz do Espírito Santo e ao mesmo tempo, chegamos a algumas conclusões”.
Resultados
“Creio que sai fortalecida a pastoral familiar, sai fortalecida a família como tal enquanto vocação dentro do desígnio de Deus sobre o matrimônio – uma vocação tão bela e tão sublime, que é a vocação fundada no amor uno, indissolúvel, aberto à vida, uma união fundada no amor de um homem e de uma mulher. Nós sabemos que ela é a base, o fundamento da sociedade e também da Igreja. Pela família passa também o futuro da humanidade e o futuro da Igreja também”.
(SP/CM)
(from Vatican Radio)
Cidade do Vaticano (RV) – A 17ª Congregação geral do Sínodo Ordinário sobre a Família reuniu-se na manhã deste sábado (24/10) para a última leitura do Relatório Final antes da votação. Às 9h (horário local), o Santo Padre dirigiu sua palavra aos participantes e todos rezaram a Hora Terceira e ouviram a homilia do bispo de Bilbao (Espanha), Dom Mario Iceta Gavicagogeascoa.
À tarde, no plenário, os padres sinodais vão optar por ‘placet’, ‘não placet’ ou ‘abstenção’ (aprovo, não aprovo ou me abstenho) na votação eletrônica dos 94 pontos do documento.
Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) é um dos Presidentes-delegados deste Sínodo e foi escolhido para presidir o último dia do encontro. Ouça-o, clicando acima.
“Para mim é uma grande satisfação e uma honra poder presidir a conclusão deste Sínodo dos Bispos sobre a Família. Neste dia, vamos votar o Relatório final dos nossos trabalhos, que organizados por uma comissão especial, e que agora é submetida à votação dos padres sinodais. Esta conclusão final será entregue ao Santo Padre para que ele possa fazer deste Relatório o que bem desejar. Ainda não sabemos se o Santo Padre o publicará ou se fará uma Exortação pós-sinodal. Ainda não temos informações concretas sobre isto, mas encerramos o nosso trabalho e podemos dizer que foi positivo. Tivemos um momento de escuta, um momento de diálogo sempre sobre a luz do Espírito Santo e ao mesmo tempo, chegamos a algumas conclusões”.
Resultados
“Creio que sai fortalecida a pastoral familiar, sai fortalecida a família como tal enquanto vocação dentro do desígnio de Deus sobre o matrimônio – uma vocação tão bela e tão sublime, que é a vocação fundada no amor uno, indissolúvel, aberto à vida, uma união fundada no amor de um homem e de uma mulher. Nós sabemos que ela é a base, o fundamento da sociedade e também da Igreja. Pela família passa também o futuro da humanidade e o futuro da Igreja também”.
(SP/CM)
(from Vatican Radio)
"Sínodo trará convite a discernir e compreender, sem julgar"
"Sínodo trará convite a discernir e compreender, sem julgar"
Cidade do Vaticano (RV) – O texto final do Sínodo dos Bispos “foi aprovado por unanimidade pela Comissão dos Dez chamada a verificar que tudo se realizasse na máxima transparência para apresentá-lo à Assembleia”: foi o que adiantou Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, na coletiva concedida aos jornalistas no final da manhã de sábado (24/10). O texto foi lido inteiramente na Sala e será votado, ponto por ponto, na parte da tarde.
Comunhão aos divorciados e discernimento
Sobre a hipótese de readmitir à comunhão os divorciados recasados, “o Relatório final não contém um ‘sim’ ou um ‘não’, mas um convite ao discernimento” das situações concretas, antecipou, na coletiva, o Cardeal Christoph Schoenborn, arcebispo de Viena. O documento vai propor critérios para o acompanhamento pastoral, não só para a comunhão, mas para todas as questões”.
“A palavra-chave é discernimento. Convido todos a pensar na palavra de São João Paulo II na ‘Familiaris consortio’, onde se fala da obrigação de exercer o discernimento porque as situações são diferentes e o Papa Francisco, com bom jesuíta, a aprendeu quando era jovem: neste caso, discernimento significa tentar entender a situação de uma pessoa ou de um casal”.
Homossexualidade
A respeito da homossexualidade, o arcebispo de Viena adiantou que “não consta muito no texto e alguns ficarão desiludidos”.
“Constatamos duas coisas. O tema tocado neste documento é tratado sob o aspecto da família na qual existe a experiência de um irmão, uma irmã ou um tio homossexual. Como cristãos, como lidar com estas situações? Muitos disseram que por razões culturais ou políticas, o tema é delicado demais. No entanto, deixar este tema fora do documento não quer dizer que na Europa ou na América do Norte não seja um tema de Igreja, mas em nível de universalidade temos que respeitar a diversidade das situações políticas e culturais”.
Em síntese, para o Cardeal Schoenborn, a mensagem principal é o próprio tema do Sínodo: Um grande ‘sim’ à família. “O êxito do Sínodo é justamente este: a família não é um modelo superado, passado; é a realidade mais fundamental da sociedade. Não há uma ‘rede’ mais segura em tempos difíceis do que a família, inclusive as feridas e recompostas”.
Dom Raymundo preside sessão conclusiva
Também estava presente na coletiva de imprensa o Cardeal Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, um dos Presidentes-delegados do Sínodo. Dom Raymundo salientou a necessidade de os governos oferecerem políticas públicas às famílias: “A família sozinha pode fazer pouco”, declarou.
Na expectativa da publicação do Relatório final, previsto para as 18h, ficou claro que em todas as situações, dos divorciados recasados aos jovens que têm receio de contrair o sacramento do matrimônio, as indicações são “atenção às famílias feridas; não julgar, discernir e compreender”.
(CM)
Cidade do Vaticano (RV) – O texto final do Sínodo dos Bispos “foi aprovado por unanimidade pela Comissão dos Dez chamada a verificar que tudo se realizasse na máxima transparência para apresentá-lo à Assembleia”: foi o que adiantou Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, na coletiva concedida aos jornalistas no final da manhã de sábado (24/10). O texto foi lido inteiramente na Sala e será votado, ponto por ponto, na parte da tarde.
Comunhão aos divorciados e discernimento
Sobre a hipótese de readmitir à comunhão os divorciados recasados, “o Relatório final não contém um ‘sim’ ou um ‘não’, mas um convite ao discernimento” das situações concretas, antecipou, na coletiva, o Cardeal Christoph Schoenborn, arcebispo de Viena. O documento vai propor critérios para o acompanhamento pastoral, não só para a comunhão, mas para todas as questões”.
“A palavra-chave é discernimento. Convido todos a pensar na palavra de São João Paulo II na ‘Familiaris consortio’, onde se fala da obrigação de exercer o discernimento porque as situações são diferentes e o Papa Francisco, com bom jesuíta, a aprendeu quando era jovem: neste caso, discernimento significa tentar entender a situação de uma pessoa ou de um casal”.
Homossexualidade
A respeito da homossexualidade, o arcebispo de Viena adiantou que “não consta muito no texto e alguns ficarão desiludidos”.
“Constatamos duas coisas. O tema tocado neste documento é tratado sob o aspecto da família na qual existe a experiência de um irmão, uma irmã ou um tio homossexual. Como cristãos, como lidar com estas situações? Muitos disseram que por razões culturais ou políticas, o tema é delicado demais. No entanto, deixar este tema fora do documento não quer dizer que na Europa ou na América do Norte não seja um tema de Igreja, mas em nível de universalidade temos que respeitar a diversidade das situações políticas e culturais”.
Em síntese, para o Cardeal Schoenborn, a mensagem principal é o próprio tema do Sínodo: Um grande ‘sim’ à família. “O êxito do Sínodo é justamente este: a família não é um modelo superado, passado; é a realidade mais fundamental da sociedade. Não há uma ‘rede’ mais segura em tempos difíceis do que a família, inclusive as feridas e recompostas”.
Dom Raymundo preside sessão conclusiva
Também estava presente na coletiva de imprensa o Cardeal Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, um dos Presidentes-delegados do Sínodo. Dom Raymundo salientou a necessidade de os governos oferecerem políticas públicas às famílias: “A família sozinha pode fazer pouco”, declarou.
Na expectativa da publicação do Relatório final, previsto para as 18h, ficou claro que em todas as situações, dos divorciados recasados aos jovens que têm receio de contrair o sacramento do matrimônio, as indicações são “atenção às famílias feridas; não julgar, discernir e compreender”.
(CM)
Reflexão dominical: a cura do cego Bartimeu: "O caminho da fé"
Reflexão dominical: a cura do cego Bartimeu: "O caminho da fé"
Cidade do Vaticano (RV) - O Evangelho deste domingo nos relata a cura do cego Bartimeu. Ele se encontrava à beira do caminho dependendo da compaixão dos transeuntes. Em certa ocasião ouviu falar de Jesus, de suas palavras e ações e ficou atento. Um dia ao saber da aproximação do Senhor, começou a gritar implorando-lhe a cura. Os que passavam corrigiam-lhe para que se calasse. Ele não os escutou e gritava com voz mais forte. O Senhor o mandou chamar até onde estava. Ele, em uma atitude rápida, deixou seu manto e se aproximou de Jesus.
Vemos nesse relato, alguém que cansou de viver à margem da vida e soube que aquele que era a própria Vida estava passando e se avizinhava. Ele grita, coloca para fora de seu ser cansado o desejo de libertar-se dessa escravidão. Pessoas que lhe são próximas o mandam calar, pois julgam melhor que tudo continue como está, optam pela acomodação. Mas ele está decidido e quer ser liberto de tudo o que o marginaliza. Ele não se cala. Jesus, conhecendo tal opção, pede que as pessoas que estão ao lado, tragam-no até ele.
Os intermediários cumprem seu papel e dizem que o Senhor o chama. O cego larga o manto, ou seja, larga a vida de dependência – já que era no manto, estendido à sua frente, que as pessoas depositavam as esmolas - e salta para a vida nova, de liberdade.
Este episódio nos ajuda a purificar nossa vontade e nos dar aquela coragem de que tanto gostaríamos possuir. Reclamar, queixar-se, fazer corpo mole, colocar a responsabilidade na vida ou nos outros, é algo que deparamos dentro de nós. Sair do acomodamento, ter de fato uma vontade firme e decidida é algo custoso que nos mantém na escravidão e na dependência das pessoas.
Aprendamos com Bartimeu a dar um basta a tudo aquilo que nos marginaliza, nos diminui a dignidade, nos torna comodamente dependentes. Um cristão deve ser ágil em sua opção pela vida e por uma vida digna. O cego não teve dúvidas, gritou por Jesus e não deu atenção aos que o queriam calar.
Quais são as pessoas, situações ou sistemas que nos desejam manter na escravidão? Quais são as pessoas ou situações enviadas por Deus que nos levam à libertação, à independência? Examinemos quais são nossas dependências, nossas acomodações e tenhamos coragem para eliminá-las! (Reflexão do Padre César Augusto dos Santos para o XXX Domingo do Tempo Comum)
(from Vatican Radio)
Cidade do Vaticano (RV) - O Evangelho deste domingo nos relata a cura do cego Bartimeu. Ele se encontrava à beira do caminho dependendo da compaixão dos transeuntes. Em certa ocasião ouviu falar de Jesus, de suas palavras e ações e ficou atento. Um dia ao saber da aproximação do Senhor, começou a gritar implorando-lhe a cura. Os que passavam corrigiam-lhe para que se calasse. Ele não os escutou e gritava com voz mais forte. O Senhor o mandou chamar até onde estava. Ele, em uma atitude rápida, deixou seu manto e se aproximou de Jesus.
Vemos nesse relato, alguém que cansou de viver à margem da vida e soube que aquele que era a própria Vida estava passando e se avizinhava. Ele grita, coloca para fora de seu ser cansado o desejo de libertar-se dessa escravidão. Pessoas que lhe são próximas o mandam calar, pois julgam melhor que tudo continue como está, optam pela acomodação. Mas ele está decidido e quer ser liberto de tudo o que o marginaliza. Ele não se cala. Jesus, conhecendo tal opção, pede que as pessoas que estão ao lado, tragam-no até ele.
Os intermediários cumprem seu papel e dizem que o Senhor o chama. O cego larga o manto, ou seja, larga a vida de dependência – já que era no manto, estendido à sua frente, que as pessoas depositavam as esmolas - e salta para a vida nova, de liberdade.
Este episódio nos ajuda a purificar nossa vontade e nos dar aquela coragem de que tanto gostaríamos possuir. Reclamar, queixar-se, fazer corpo mole, colocar a responsabilidade na vida ou nos outros, é algo que deparamos dentro de nós. Sair do acomodamento, ter de fato uma vontade firme e decidida é algo custoso que nos mantém na escravidão e na dependência das pessoas.
Aprendamos com Bartimeu a dar um basta a tudo aquilo que nos marginaliza, nos diminui a dignidade, nos torna comodamente dependentes. Um cristão deve ser ágil em sua opção pela vida e por uma vida digna. O cego não teve dúvidas, gritou por Jesus e não deu atenção aos que o queriam calar.
Quais são as pessoas, situações ou sistemas que nos desejam manter na escravidão? Quais são as pessoas ou situações enviadas por Deus que nos levam à libertação, à independência? Examinemos quais são nossas dependências, nossas acomodações e tenhamos coragem para eliminá-las! (Reflexão do Padre César Augusto dos Santos para o XXX Domingo do Tempo Comum)
(from Vatican Radio)
Papa: entender os sinais dos tempos com silêncio, oração e reflexão
Papa: entender os sinais dos tempos com silêncio, oração e reflexão
Sexta-feira, 23 de Outubro – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco exortou os cristãos a fazerem silêncio, reflexão e oração para entender os sinais dos tempos. “Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé – afirmou o Papa Francisco:
“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.
O Santo Padre reconhece que não é algo “fácil”, são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um cómodo "não fazer". Contudo, o Papa aponta um método essencial: silêncio, oração e reflexão – “somente assim poderemos entender os sinais dos tempos – que é o que nos quer dizer Jesus.”
Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural ou intelectual, pois Jesus – recordou o Santo Padre – fala aos camponeses que “na sua simplicidade” sabem “distinguir o trigo do joio”:
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve mover-se continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”.
(RS)
(from Vatican Radio)
Sexta-feira, 23 de Outubro – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco exortou os cristãos a fazerem silêncio, reflexão e oração para entender os sinais dos tempos. “Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé – afirmou o Papa Francisco:
“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.
O Santo Padre reconhece que não é algo “fácil”, são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um cómodo "não fazer". Contudo, o Papa aponta um método essencial: silêncio, oração e reflexão – “somente assim poderemos entender os sinais dos tempos – que é o que nos quer dizer Jesus.”
Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural ou intelectual, pois Jesus – recordou o Santo Padre – fala aos camponeses que “na sua simplicidade” sabem “distinguir o trigo do joio”:
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve mover-se continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”.
(RS)
(from Vatican Radio)
Card. Scherer: "Aprofundar a identidade do matrimônio"
Card. Scherer: "Aprofundar a identidade do matrimônio"
Cidade do Vaticano (RV) – Nosso hóspede durante todo o Sínodo dos Bispos, o Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, nos apresenta este sábado (24/10) as suas conclusões finais sobre a Assembleia.
Em relação à possibilidade de readmitir os divorciados recasados ao sacramento da comunhão, Dom Odilo confirma que não existem soluções gerais ou generalizadas, mas é preciso aprofundar o caminho do discernimento, palavra-chave deste encontro. Nós lhe perguntamos quais serão os critérios usados para este discernimento.
Ainda segundo o cardeal, a votação do Relatório final deverá refletir a mesma unanimidade constatada nos votos dos Círculos Menores, principalmente sobre os temas mais delicados.
“Eu acho que vai haver unanimidade. Os círculos menores, de fato, trabalharam autonomamente. Realmente foi admirável como houve uma confluência de percepções, de indicações, sem grandes contrastes sobre as indicações. Acho que isto vai se repetir hoje no grande plenário; tenho a impressão que alguns poucos parágrafos trazem assuntos mais delicados, onde há menos consenso, mas em geral vai haver grande consenso”.
Divorciados e recasados
“Parece que, de fato, as coisas vão numa linha de uma solução que apele à a consciência, que envolva o confessor e eventualmente o bispo local em dar alguma diretriz específica de modo que as pessoas em determinadas situações, sendo acompanhadas, possam eventualmente receber uma indicação específica, mas não haverá uma ‘solução’ universalmente válida. Isto porque no sacramento do matrimônio existem coisas que são da legislação eclesiástica, relativas à disciplina eclesiástica, existem coisas que fazem parte do conteúdo da fé, da doutrina sobre o matrimônio e também sobre a Igreja. No sacramento do matrimônio, temos esta implicação e o Sínodo refletiu bastante sobre isto e não se encontrou uma via em que fosse fácil harmonizar todas as situações”.
Atenção depois do Sínodo
“Acredito que depois do Sínodo haverá ulteriores estudos para aprofundar a questão da identidade do sacramento do matrimônio, da indissolubilidade, da sua relação com a Igreja, a relação do matrimônio com a comunhão eucarística. Esta é uma questão que provavelmente vai continuar a receber a atenção depois do Sínodo”.
(CM)
Cidade do Vaticano (RV) – Nosso hóspede durante todo o Sínodo dos Bispos, o Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, nos apresenta este sábado (24/10) as suas conclusões finais sobre a Assembleia.
Em relação à possibilidade de readmitir os divorciados recasados ao sacramento da comunhão, Dom Odilo confirma que não existem soluções gerais ou generalizadas, mas é preciso aprofundar o caminho do discernimento, palavra-chave deste encontro. Nós lhe perguntamos quais serão os critérios usados para este discernimento.
Ainda segundo o cardeal, a votação do Relatório final deverá refletir a mesma unanimidade constatada nos votos dos Círculos Menores, principalmente sobre os temas mais delicados.
“Eu acho que vai haver unanimidade. Os círculos menores, de fato, trabalharam autonomamente. Realmente foi admirável como houve uma confluência de percepções, de indicações, sem grandes contrastes sobre as indicações. Acho que isto vai se repetir hoje no grande plenário; tenho a impressão que alguns poucos parágrafos trazem assuntos mais delicados, onde há menos consenso, mas em geral vai haver grande consenso”.
Divorciados e recasados
“Parece que, de fato, as coisas vão numa linha de uma solução que apele à a consciência, que envolva o confessor e eventualmente o bispo local em dar alguma diretriz específica de modo que as pessoas em determinadas situações, sendo acompanhadas, possam eventualmente receber uma indicação específica, mas não haverá uma ‘solução’ universalmente válida. Isto porque no sacramento do matrimônio existem coisas que são da legislação eclesiástica, relativas à disciplina eclesiástica, existem coisas que fazem parte do conteúdo da fé, da doutrina sobre o matrimônio e também sobre a Igreja. No sacramento do matrimônio, temos esta implicação e o Sínodo refletiu bastante sobre isto e não se encontrou uma via em que fosse fácil harmonizar todas as situações”.
Atenção depois do Sínodo
“Acredito que depois do Sínodo haverá ulteriores estudos para aprofundar a questão da identidade do sacramento do matrimônio, da indissolubilidade, da sua relação com a Igreja, a relação do matrimônio com a comunhão eucarística. Esta é uma questão que provavelmente vai continuar a receber a atenção depois do Sínodo”.
(CM)
Papa: Silêncio, reflexão e oração para entender sinais dos tempos
Papa: Silêncio, reflexão e oração para entender sinais dos tempos
Cidade do Vaticano (RV) - “Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé. Foi o que afirmou o Papa na homilia da missa desta sexta-feira (23/10) celebrada na Casa Santa Marta. Francisco refletiu sobre o discernimento que a Igreja deve atuar, observando os ‘sinais dos tempos’, sem ceder à comodidade do conformismo, mas deixando-se inspirar pela oração.
Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer aquilo que Cristo quer: avaliar os tempos e mudar com ele, permanecendo ‘firmes da verdade do Evangelho’. O que não se admite é o tranquilo conformismo que, na prática, nos deixa imóveis.
Sabedoria cristã
O Papa se inspira no trecho da Carta aos Romanos de São Paulo, na qual ele prega ‘com muita força a liberdade que nos salvou do pecado’. No Evangelho do dia, Jesus fala ‘do sinal dos tempos’, definindo hipócritas aqueles que sabem compreender o tempo, mas não fazem o mesmo com o tempo do Filho do Homem. Deus nos criou livres e para ter esta liberdade – afirma o Papa – devemos nos abrir à força do Espírito Santo e entender bem o que acontece dentro de nós e fora de nós”, usando o ‘discernimento’.
“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.
Silêncio, reflexão e oração
Francisco reconhece que não é algo “fácil”, são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um mais cômodo "não fazer":
“Este é um trabalho que, com frequência, não fazemos: nos conformamos, nos tranquilizamos com ‘me disseram, ouvi, as pessoas dizem, eu li...’. Assim estamos tranquilos... Mas qual é a verdade? Qual é a mensagem que o Senhor quer me passar com este sinal dos tempos? Para entender os sinais dos tempos, antes de tudo é preciso o silêncio: silenciar e observar. E, em seguida, refletir dentro de nós. Um exemplo: porque existem tantas guerras hoje? Porque aconteceu algo? E rezar... Silêncio, reflexão e oração. Somente assim poderemos entender os sinais dos tempos, o que quer nos dizer Jesus”.
Livres na verdade do Evangelh
Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural. Jesus, recordar, não diz “vejam como fazem os universitários, como fazem os doutores, os intelectuais...”. Jesus, destaca o Papa, fala aos camponeses que “em sua simplicidade” sabem “distinguir o joio do trigo”:
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve se mover continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”. (CM/RB)
(from Vatican Radio)
Cidade do Vaticano (RV) - “Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé. Foi o que afirmou o Papa na homilia da missa desta sexta-feira (23/10) celebrada na Casa Santa Marta. Francisco refletiu sobre o discernimento que a Igreja deve atuar, observando os ‘sinais dos tempos’, sem ceder à comodidade do conformismo, mas deixando-se inspirar pela oração.
Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer aquilo que Cristo quer: avaliar os tempos e mudar com ele, permanecendo ‘firmes da verdade do Evangelho’. O que não se admite é o tranquilo conformismo que, na prática, nos deixa imóveis.
Sabedoria cristã
O Papa se inspira no trecho da Carta aos Romanos de São Paulo, na qual ele prega ‘com muita força a liberdade que nos salvou do pecado’. No Evangelho do dia, Jesus fala ‘do sinal dos tempos’, definindo hipócritas aqueles que sabem compreender o tempo, mas não fazem o mesmo com o tempo do Filho do Homem. Deus nos criou livres e para ter esta liberdade – afirma o Papa – devemos nos abrir à força do Espírito Santo e entender bem o que acontece dentro de nós e fora de nós”, usando o ‘discernimento’.
“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.
Silêncio, reflexão e oração
Francisco reconhece que não é algo “fácil”, são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um mais cômodo "não fazer":
“Este é um trabalho que, com frequência, não fazemos: nos conformamos, nos tranquilizamos com ‘me disseram, ouvi, as pessoas dizem, eu li...’. Assim estamos tranquilos... Mas qual é a verdade? Qual é a mensagem que o Senhor quer me passar com este sinal dos tempos? Para entender os sinais dos tempos, antes de tudo é preciso o silêncio: silenciar e observar. E, em seguida, refletir dentro de nós. Um exemplo: porque existem tantas guerras hoje? Porque aconteceu algo? E rezar... Silêncio, reflexão e oração. Somente assim poderemos entender os sinais dos tempos, o que quer nos dizer Jesus”.
Livres na verdade do Evangelh
Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural. Jesus, recordar, não diz “vejam como fazem os universitários, como fazem os doutores, os intelectuais...”. Jesus, destaca o Papa, fala aos camponeses que “em sua simplicidade” sabem “distinguir o joio do trigo”:
“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve se mover continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”. (CM/RB)
(from Vatican Radio)
Padre Lombardi preside à penúltima coletiva sobre o Sínodo
Padre Lombardi preside à penúltima coletiva sobre o Sínodo
Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, presidiu, na tarde desta sexta-feira (23/10), no Vaticano, à penúltima coletiva de imprensa sobre os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família, que se concluirão, amanhã, com um Relatório final.
Seguindo o esquema das coletivas precedentes, Padre Lombardi fez um resumo dos trabalhos da tarde desta quinta-feira (22/10), que foram iniciados com uma intervenção do Papa, que anunciou sua decisão de instituir um novo Organismo vaticano, que terá competência sobre “os Leigos, a Família e a Vida”, que substituirá os Pontifícios Conselhos para os Leigos e para a Família, que será anexada à Pontifícia Academia para a Vida.
O Papa comunicou ainda de ter encarregado uma Comissão, composta de pessoas de sua confiança, para providenciar a redação de um texto que determine canonicamente as competências do novo Organismo, que será submetido ao Conselho de Cardeais, que se realizará em dezembro próximo, antes da sua atuação oficial.
Ontem foi completado o elenco dos membros do Conselho da Secretaria do Sínodo, que será confirmado depois, quando o Papa nomear os outros membros dos diversos Continentes.
Por sua vez, o Relator Geral do Sínodo, cardeal Peter Erdö, apresentou o esboço do Relatório Final, que será votado amanhã, na conclusão do Sínodo. Trata-se de uma introdução de caráter geral, sob o espírito sinodal, sem entrar nos conteúdos, mas fez apenas uma síntese do documento.
A seguir, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, explicou a metodologia de como se chegou à elaboração do documento, ou seja, ilustrou o modo de como se chegou à versão das três partes do Relatório Final.
Enfim, na tarde de ontem à tarde, foi apresentada e lida aos Padres Sinodais o esboço de uma Declaração sobre as Famílias, ou seja, sobre a situação das famílias no Oriente Médio, que será publicada amanhã, ao término dos trabalhos Sinodais.
Depois, Padre Lombardi passou a comentar os trabalhos da Congregação Geral desta manhã, dedicados às reações e intervenções livres dos Padres Sinodais em vista do Relatório Final. Tais observações são consideradas “propostas” de emendas ou de melhoras do texto.
Tais propostas escritas foram entregues à Secretaria do Sínodo para serem avaliadas e eventualmente integradas no texto final, que será apresentado amanhã, em forma definitiva, e votado na parte da tarde.
No entanto, na manhã desta sexta-feira, foram feitas 51 intervenções breves e variadas, de cerca de três minutos, concernentes ao texto provisório do documento. De modo geral, a assembleia expressou sua satisfação, mas também gratidão e admiração pela redação do trabalho, bastante crível.
As diversas intervenções da manhã de hoje, - acrescentou Padre Lombardi, - abrangeram diversos aspectos: referências bíblicas, questão dos imigrantes, formação dos agentes de pastoral, acompanhamento da espiritualidade familiar, sofrimentos do núcleo familiar, entre outros. Algumas intervenções se concentraram em temas bastante complexos, como a relação entre a consciência e a lei moral.
Padre Lombardi encerrou a coletiva de imprensa passando a palavra aos ilustres hóspedes do Sínodo, que falaram das suas experiências sobre estes dias de trabalhos sinodais: o cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, representante do Continente africano; o cardeal Gérald Cyprien Lacroix, arcebispo de Québec, Canadá; Dom Lucas Van Looy, salesiano, bispo de Gent, Bélgica. (MT)
(from Vatican Radio)
Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, presidiu, na tarde desta sexta-feira (23/10), no Vaticano, à penúltima coletiva de imprensa sobre os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família, que se concluirão, amanhã, com um Relatório final.
Seguindo o esquema das coletivas precedentes, Padre Lombardi fez um resumo dos trabalhos da tarde desta quinta-feira (22/10), que foram iniciados com uma intervenção do Papa, que anunciou sua decisão de instituir um novo Organismo vaticano, que terá competência sobre “os Leigos, a Família e a Vida”, que substituirá os Pontifícios Conselhos para os Leigos e para a Família, que será anexada à Pontifícia Academia para a Vida.
O Papa comunicou ainda de ter encarregado uma Comissão, composta de pessoas de sua confiança, para providenciar a redação de um texto que determine canonicamente as competências do novo Organismo, que será submetido ao Conselho de Cardeais, que se realizará em dezembro próximo, antes da sua atuação oficial.
Ontem foi completado o elenco dos membros do Conselho da Secretaria do Sínodo, que será confirmado depois, quando o Papa nomear os outros membros dos diversos Continentes.
Por sua vez, o Relator Geral do Sínodo, cardeal Peter Erdö, apresentou o esboço do Relatório Final, que será votado amanhã, na conclusão do Sínodo. Trata-se de uma introdução de caráter geral, sob o espírito sinodal, sem entrar nos conteúdos, mas fez apenas uma síntese do documento.
A seguir, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, explicou a metodologia de como se chegou à elaboração do documento, ou seja, ilustrou o modo de como se chegou à versão das três partes do Relatório Final.
Enfim, na tarde de ontem à tarde, foi apresentada e lida aos Padres Sinodais o esboço de uma Declaração sobre as Famílias, ou seja, sobre a situação das famílias no Oriente Médio, que será publicada amanhã, ao término dos trabalhos Sinodais.
Depois, Padre Lombardi passou a comentar os trabalhos da Congregação Geral desta manhã, dedicados às reações e intervenções livres dos Padres Sinodais em vista do Relatório Final. Tais observações são consideradas “propostas” de emendas ou de melhoras do texto.
Tais propostas escritas foram entregues à Secretaria do Sínodo para serem avaliadas e eventualmente integradas no texto final, que será apresentado amanhã, em forma definitiva, e votado na parte da tarde.
No entanto, na manhã desta sexta-feira, foram feitas 51 intervenções breves e variadas, de cerca de três minutos, concernentes ao texto provisório do documento. De modo geral, a assembleia expressou sua satisfação, mas também gratidão e admiração pela redação do trabalho, bastante crível.
As diversas intervenções da manhã de hoje, - acrescentou Padre Lombardi, - abrangeram diversos aspectos: referências bíblicas, questão dos imigrantes, formação dos agentes de pastoral, acompanhamento da espiritualidade familiar, sofrimentos do núcleo familiar, entre outros. Algumas intervenções se concentraram em temas bastante complexos, como a relação entre a consciência e a lei moral.
Padre Lombardi encerrou a coletiva de imprensa passando a palavra aos ilustres hóspedes do Sínodo, que falaram das suas experiências sobre estes dias de trabalhos sinodais: o cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, representante do Continente africano; o cardeal Gérald Cyprien Lacroix, arcebispo de Québec, Canadá; Dom Lucas Van Looy, salesiano, bispo de Gent, Bélgica. (MT)
(from Vatican Radio)
Acidente em França: as condolências do Papa
Acidente em França: as condolências do Papa
Na manhã deste sábado dia 24 de Outubro o Papa Francisco enviou um telegrama de condolências pelas vítimas do trágico acidente de viação acontecido nesta sexta-feira na zona de Bordéus em França onde morreram pelos menos 42 pessoas, sobretudo idosas, e outras 5 ficaram feridas.
A mensagem do Papa Francisco foi enviada através do Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin e dirigida ao arcebispo de Bordéus, D. Jean Pierre Ricard.
O Santo Padre une-se à oração e dor das famílias enlutadas e entrega as vítimas à misericórdia de Deus, por forma a que as acolha na sua luz. O Papa exprime a sua proximidade espiritual a todos os feridos e aos seus familiares. Também uma palavra do Santo Padre para os socorristas. A todos o Papa envia a sua bênção apostólica.
O Presidente francês Hollande decretou luto nacional e afirmou que “o governo francês está totalmente mobilizado para esta tragédia”.
(RS)
(from Vatican Radio)
Na manhã deste sábado dia 24 de Outubro o Papa Francisco enviou um telegrama de condolências pelas vítimas do trágico acidente de viação acontecido nesta sexta-feira na zona de Bordéus em França onde morreram pelos menos 42 pessoas, sobretudo idosas, e outras 5 ficaram feridas.
A mensagem do Papa Francisco foi enviada através do Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin e dirigida ao arcebispo de Bordéus, D. Jean Pierre Ricard.
O Santo Padre une-se à oração e dor das famílias enlutadas e entrega as vítimas à misericórdia de Deus, por forma a que as acolha na sua luz. O Papa exprime a sua proximidade espiritual a todos os feridos e aos seus familiares. Também uma palavra do Santo Padre para os socorristas. A todos o Papa envia a sua bênção apostólica.
O Presidente francês Hollande decretou luto nacional e afirmou que “o governo francês está totalmente mobilizado para esta tragédia”.
(RS)
(from Vatican Radio)
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