sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Deus vive nas nossas cidades e nos dá um rosto, disse o Papa

Deus vive nas nossas cidades e nos dá um rosto, disse o Papa

Nova Iorque (RV) – “Deus vive nas nossas cidades, a Igreja vive nas nossas cidades e quer ser fermento na massa, quer misturar-se com todos, acompanhando a todos, anunciando as maravilhas d’Aquele que é Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz”.

O Papa Francisco concluiu o quarto dia de sua visita aos Estados Unidos presidindo a celebração da Santa Missa pela paz e a justiça no Madison Square Garden, “lugar emblemático desta cidade, sede de importantes encontros desportivos, artísticos, musicais, que congregam pessoas de diferentes partes, e não só desta cidade, mas do mundo inteiro. Neste lugar, que representa as diferentes faces da vida dos cidadãos que se reúnem por interesses comuns”.

A homilia proferida em espanhol, inteiramente inspirada na passagem do Profeta Isaías “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz”, foi ambientada em um contexto urbano atual, onde “o povo que caminhava, o povo no meio das suas atividades, das suas ocupações diárias; o povo que caminhava carregando seus sucessos e erros, seus medos e oportunidades, viu uma grande luz. O povo que caminhava com as suas alegrias e esperanças, com as suas decepções e amarguras, viu uma grande luz”. “E o povo de Deus – afirmou Francisco - é chamado, em cada época, a contemplar esta luz...que quer chegar a cada canto desta cidade, aos nossos concidadãos, em cada espaço da nossa vida”.

O Papa reconhece a complexidade da vida nas cidades, marcadas por “um contexto multicultural, com grandes desafios não fáceis de resolver”. “As grandes cidades – continuou - tornam-se pólos que parecem apresentar a pluralidade das formas que nós, seres humanos, encontramos para responder ao sentido da vida nas circunstâncias em que nos achávamos”. Por outro lado – fez a ressalva - “as grandes cidades também escondem o rosto de muitos que parecem não ter cidadania ou ser cidadãos de segunda categoria”:

“Nas grandes cidades, sob o ruído do tráfego, sob o «ritmo das mudanças», permanecem silenciadas as vozes de tantos rostos que não têm «direito» à cidadania, não têm direito a fazer parte da cidade – os estrangeiros, os seus filhos (e não só) que não conseguem a escolaridade, as pessoas privadas de assistência médica, os sem-abrigo, os idosos sozinhos – postos à margem das nossas estradas, nos nossos passeios num anonimato ensurdecedor. Entram a fazer parte duma paisagem urbana que lentamente se torna natural aos nossos olhos e, especialmente, no nosso coração”.

Neste contexto, a certeza da presença de Jesus que continua a envolver-se e envolvendo as pessoas numa única história de salvação, nos enche de esperança, disse Francisco:

“Uma esperança que nos liberta daquela força que nos impele a isolar-nos, a ignorar a vida dos outros, a vida da nossa cidade. Uma esperança que nos liberta de «ligações» vazias, das análises abstratas ou da necessidade de sensações fortes. Uma esperança que não tem medo de inserir-se, agindo como fermento, nos lugares onde nos toca viver e atuar. Uma esperança que nos chama a entrever, no meio do «smog», a presença de Deus que continua a caminhar na nossa cidade”.

Para “aprendermos a ver” a “luz que passa pelas nossas estradas”, “Deus que vive conosco no meio do «smog» das nossas cidades” e “encontrar-nos com Jesus vivo e operante no hoje das nossas cidades multiculturais”, o Pontífice propõe o Profeta Isaías como guia, pois ele apresenta-nos Jesus como «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz». Assim, nos introduz na vida do Filho, para que seja a nossa vida também”.

«Conselheiro admirável»: O Papa explica que “o primeiro movimento que Jesus gera com a sua resposta é propor, incitar, motivar. Sempre propõe aos seus discípulos que partam, que saiam. Impele-os a ir ao encontro dos outros, onde realmente estão e não onde gostaríamos que estivessem. Ide uma, duas, três vezes, ide sem medo, sem repugnância, ide e anunciai esta alegria que é para todo o povo”.

Como «Deus forte», Jesus é aquele que “se misturou com as nossas coisas, nas nossas casas, com as nossas «panelas», como gostava de dizer Santa Teresa de Jesus”. Como “Pai eterno”, “nada e ninguém poderá separar-nos do seu Amor. Pai que, no seu abraço, é boa notícia para os pobres, alívio para os aflitos, liberdade para os oprimidos, consolação para os tristes”.

Por fim, como «Príncipe da paz», Jesus nos impele a “ir ter com os outros para partilhar a boa notícia de que Deus é nosso Pai”:

“Ele caminha ao nosso lado, liberta-nos do anonimato, duma vida sem rostos, vazia, e introduz-nos na escola do encontro. Liberta-nos da guerra da competição, da auto-referencialidade, para nos abrirmos ao caminho da paz. Aquela paz que nasce do reconhecimento do outro, aquela paz que surge no coração ao ver, de modo especial o mais necessitado, como um irmão”.

Ao final da celebração, o Cardeal Arcebispo de Nova Iorque Dolan fez um caloroso agradecimento ao Santo Padre por estar cumprindo “o mais importante e poderoso ato que nós podemos fazer: o Sacrifício da Santa Missa”. (JE)

(from Vatican Radio)

Papa em Nova Iorque: gratidão e labor, pilares da vida espiritual

Papa em Nova Iorque: gratidão e labor, pilares da vida espiritual


O Papa Francisco já está em Nova Iorque e celebrou Vésperas com o clero, os consagrados e consagradas na Catedral de S. Patrício no coração de Manhattan no final da tarde do dia 24, onde foi acolhido por milhares de fiéis e pelo Cardeal Timothy Dolan, arcebispo daquela cidade.

Gratidão e labor, agradecer e trabalhar – são estes os pilares da vida espiritual – afirmou o Santo Padre na sua homilia. O Papa Francisco, falando em espanhol, começou por referir o sacrifício de todos os que edificaram a Igreja em Nova Iorque, tendo citado os nomes de “Santa Elizabeth Ann Seton, que fundou na América a primeira escola católica gratuita para meninas” e também “S. João Neumann, fundador do primeiro sistema de educação católica nos Estados Unidos.”

Com o objetivo de ajudar os nova-iorquinos a prosseguirem “no caminho da fidelidade a Jesus Cristo” o Santo Padre apresentou duas breves reflexões: os dois pilares da vida espiritual. Em primeiro lugar a gratidão:

“A primeira diz respeito ao espírito de gratidão. A alegria de homens e mulheres que amam a Deus atrai a outros; sacerdotes e consagrados chamados a sentir e irradiar uma satisfação permanente com a sua vocação. A alegria brota dum coração agradecido.”

A “memória do primeiro chamamento”, a “memória do caminho percorrido” e sobretudo “a memória do encontro com Jesus Cristo” são momentos de bênção que devemos agradecer – realçou o Papa que de imediato valorizou o trabalho, o labor como um vetor do caminho de serviço:

“Um segundo aspeto é o espírito de labor. Um coração agradecido é, espontaneamente, impelido a servir o Senhor e a abraçar um estilo de vida de trabalho intenso. No momento em que nos damos conta de tudo aquilo que Deus nos deu, o caminho da renúncia a si mesmo a fim de trabalhar para Ele e para os outros torna-se um caminho privilegiado para responder ao seu grande amor.”

O espírito de trabalho generoso pode, contudo, ser “sufocado” se nos deixarmos influenciar pelos critérios da “eficiência” e da “comodidade”, perigos que o Santo Padre apresentou como sendo da “espiritualidade mundana” que “nos enfraquece no nosso caminho de serviço e degrada o enlevo do primeiro encontro com Jesus Cristo” – sublinhou o Papa.

Afirmando os pilares da gratidão e do labor nas orações, atividades e sacrifícios dos que trabalham no apostolado, o Papa Francisco assumiu um elogio público às religiosas dos Estados Unidos da América:

“Queria de maneira especial, expressar a minha admiração e gratidão às religiosas dos Estados Unidos. Que seria desta Igreja sem vós? Mulheres fortes, lutadoras; com aquele espírito de coragem que vos coloca na linha da frente do anúncio do Evangelho. A vós consagradas, irmãs e mães deste povo, quero dizer “obrigado”, um “obrigado” muito grande… e dizer também que gosto muito de vós.”

No final da sua homilia o Papa Francisco exortou os presentes a não perderem a paz e a responderem na provação como Jesus Cristo que “deu graças ao Pai, tomou a sua cruz e seguiu em frente”.

(RS)

(from Vatican Radio)

Na sala do Congresso- Sob o olhar de Moisés

Na sala do Congresso- Sob o olhar de Moisés

Uma standing ovation, com aplausos e aclamações, acompanhou na manhã de quinta-feira 24 de Setembro, o ingresso do Papa na sala do Congresso dos Estados Unidos. 

Anunciado como The Pope of the Holy See, Francisco recebeu um acolhimento caloroso, numa circunstância solene, para a primeira visita do Pontífice àquela instituição. Um calor testemunhado não só pela saudação de boas-vindas, mas também pelas trinta e seis interrupções do discurso do Pontífice devidas aos aplausos que sublinharam alguns trechos – sinal de atenção e de partilha, não obstante às vezes não unânime, em relação aos temas tratados – acompanhados com frequência por outras ovações. A partir da primeira, quando no início do pronunciamento agradeceu o convite a dirigir-se à assembleia plenária do Congresso na «terra dos livres e casa dos valorosos». Uma atenção manifestada também por milhares de pessoas que ouviram o discurso através dos ecrãs gigantes montados no pórtico ocidental, que desde os tempos do presidente Ronald Reagan é usado para a cerimónia de posse do chefe de Estado, onde foi realizada uma tribuna para os convidados.

De acordo com o protocolo, o único que falou foi o Pontífice, que pronunciou o discurso em inglês, tendo diante de si o medalhão com Moisés, representado entre os grandes legisladores, o único personagem entre os retratos na sala que fita directamente quem fala da tribuna. E precisamente a Moisés o Papa fez referência no início da intervenção, frisando que a sua figura é uma síntese do trabalho que cabe aos políticos, chamados a defender o homem através dos instrumentos da lei. 

Papa: Banir os nossos sentimentos de ódio, vingança e rancor

Papa: Banir os nossos sentimentos de ódio, vingança e rancor

Nova Iorque (RV) - O Papa Francisco visitou o Memorial Ground Zero, em Nova Iorque, nesta sexta-feira (25/09), onde houve o Encontro Ecumênico e Inter-religioso.

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“Vários sentimentos e emoções despertam em mim a presença aqui no Ground Zero, onde milhares de vidas foram arrancadas num ato insensato de destruição. Aqui, a dor é palpável. A água, que vemos correr para este centro vazio, lembra-nos todas aquelas vidas que estavam sob o poder daqueles que creem que a destruição seja o único modo de resolver os conflitos. É o grito silencioso de quantos sofreram na sua carne a lógica da violência, do ódio, da vingança”, disse o pontífice.

“Uma lógica, disse o Papa, que só pode produzir angústia, sofrimento, destruição e lágrimas. A água que desce é símbolo também das nossas lágrimas; lágrimas pela destruição de ontem, que se unem às lágrimas por tantas destruições de hoje. Este é um lugar onde choramos; choramos a angústia provocada por nos sentirmos impotentes perante a injustiça, perante o fratricídio, perante a incapacidade de resolver as nossas diferenças dialogando. Neste lugar choramos pela perda injusta e gratuita de inocentes, por não poder encontrar soluções para o bem comum. É água que nos recorda o pranto de ontem e o pranto de hoje.”

Angústia

O Santo Padre disse que minutos antes tinha se encontrado com algumas famílias dos primeiros socorristas caídos em serviço. “No encontro, pude constatar uma vez mais como a destruição nunca é impessoal, abstrata ou apenas de coisas; mas antes de tudo tem um rosto e uma história, é concreta, tem nomes. Nos familiares, pode-se ver o rosto da angústia; uma angústia que nos deixa atônitos e brada ao céu. Mas eles, por sua vez, souberam mostrar-me a outra face deste atentado, a outra face da sua angústia: a força do amor e da recordação. Uma recordação que não nos deixa vazios. Os nomes de tantas pessoas queridas encontram-se escritos aqui, onde estavam as bases das torres; e, assim, podemos vê-los, tocá-los e nunca mais esquecê-los”, disse Francisco.

“Aqui, no meio duma angústia lancinante, podemos palpar a bondade heroica de que também é capaz o ser humano, a força escondida a que sempre devemos recorrer”, disse o Papa acrescentando: 

“No momento de maior angústia, sofrimento, fostes testemunhas dos maiores atos de dedicação e de ajuda. Mãos estendidas, vidas oferecidas. Numa metrópole que pode parecer impessoal, anônima, de grandes solidões, fostes capazes de mostrar a poderosa solidariedade da ajuda mútua, do amor e do sacrifício pessoal. Naquele momento, não era uma questão de sangue, de origem, de bairro, de religião ou de opção política; era questão de solidariedade, de emergência, de fraternidade. Era questão de humanidade. Os bombeiros de Nova Iorque entraram nas torres que estavam a ruir sem dar muita atenção à sua própria vida. Muitos caíram em serviço e, com o seu sacrifício, salvaram a vida de muitos outros.”

Vida

O Santo Padre disse que “este lugar de morte transforma-se também num lugar de vida, de vidas salvas, numa canção que nos leva a afirmar que a vida está destinada sempre a triunfar sobre os profetas da destruição, sobre a morte, que o bem prevalece sempre sobre o mal, que a reconciliação e a unidade sairão vencedores sobre o ódio e a divisão”.

“Enche-me de esperança, neste lugar de angústia e recordação, a oportunidade de me associar aos líderes que representam as numerosas religiões que enriquecem a vida desta cidade. Espero que a nossa presença aqui seja um sinal vigoroso das nossas vontades de compartilhar e reiterar o desejo de sermos forças de reconciliação, forças de paz e justiça nesta comunidade e em todo o mundo. Apesar das diferenças, das discrepâncias, é possível viver num mundo de paz. Perante qualquer tentativa de uniformizar, é possível e necessário que nos reunamos, das diferentes línguas, culturas, religiões, para dar voz a tudo aquilo que o quer impedir. Juntos, hoje, somos convidados a dizer «não» a qualquer tentativa de uniformização e «sim» a uma diferença acolhida e reconciliada.”

Banir ódio

O pontífice disse ainda que “com tal finalidade, precisamos banir os nossos sentimentos de ódio, vingança, rancor. Mas sabemos que isto só é possível como dom do Céu. Aqui, neste lugar da memória, proponho a cada um de vós que faça, à sua maneira, mas juntos, um momento de silêncio e oração. Peçamos ao Céu o dom de nos comprometermos pela causa da paz. Paz nas nossas casas, nas nossas famílias, nas nossas escolas, nas nossas comunidades. Paz naqueles lugares onde a guerra parece não ter fim. Paz naqueles rostos que nada mais conheceram senão angústia. Paz neste vasto mundo que Deus nos deu como casa de todos e para todos. Somente, paz”.

“Assim, a vida de nossos entes queridos não será uma vida que vai acabar no esquecimento, mas estará presente todas as vezes que lutarmos por ser profetas de reconstrução, profetas de reconciliação, profetas de paz”, concluiu o Papa Francisco. (MJ)



(from Vatican Radio)

Papa às crianças no Harlem: “É bom ter sonhos e lutar por eles”

Papa às crianças no Harlem: “É bom ter sonhos e lutar por eles”

Nova Iorque (RV) – Francisco visitou na tarde desta sexta-feira (25/9), a escola Nossa Senhora Rainha dos Anjos, no bairro do Harlem, em Nova Iorque. Quase 300 crianças receberam o Papa Francisco, que fez um breve discurso. Ao chegar, o Papa brincou: “peço desculpas se ‘roubo’ alguns minutos da aula”.

Na escola, a maioria dos alunos é de filhos de imigrantes latino-americanos e de afro-americanos. “Explicaram-me que uma das bonitas características desta escola - e deste trabalho - é que alguns alunos vieram de outros lugares, até mesmo de outros países”, disse Francisco ao incentivar a vida da grande família que se forma na escola.

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Ao refletir sobre o desafio dos migrantes que se veem diante de um nova realidade, o Papa destacou o papel da escola em formar uma comunidade em que todos não se "sintam estrangeiros, estranhos, mas em casa".

“Tenho um sonho”

Ao recordar o reverendo Martin Luther King, cujo nome identifica uma rua próxima à escola, o Papa lembrou da frase imortalizada pelo pastor evangélico: “Eu tenho um sonho”.

Ele, destacou Francisco, “sonhou que muitas crianças, muitas pessoas haveriam de ter igualdade de oportunidades. Sonhou que muitas crianças como vocês haveriam de ter acesso à educação. É bom ter sonhos e lutar por eles”. "Onde há sonhos, há alegria, aí sempre está Jesus, sempre", concluiu o Papa.

(from Vatican Radio)

Francisco no Ground Zero: vida vence destruição e morte

Francisco no Ground Zero: vida vence destruição e morte

Ao fim da manhã desta sexta-feira (25/09) o Papa Francisco participou no Encontro inter-religioso, no Memorial do Ground Zero de Manhattan, em Nova Iorque no qual estiveram também presentes vários representantes das Comunidades religiosas da Cidade.
Depois das palavras de boas vindas do arcebispo de Nova Iorque, Card. Timothy Dolan e as reflexões apresentadas pelo Rabino Eliot Cosgrove e o Imama Khalid Latif sobre a tragédia dos ataques de 11 de setembro, o Santo Padre fez a oração da memória, da qual destacamos o seguinte:
“Deus da paz, concede a Tua paz ao nosso mundo violento:
paz nos corações de todos os homens e mulheres
e paz entre as nações da terra.
Conduz pelo teu caminho de amor
aqueles que têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.
… Faz com que aqueles cujas vidas foram poupadas
possam viver de modo que as vidas perdidas aqui
não tenham sido perdidas em vão”.
Após a oração do Papa várias meditações de representantes das comunidades Hindu, Budista, Sikh, cristã, muçulmana se seguiram sobre o tema da paz, e também uma oração hebraica  em honra dos defuntos.
Na sua reflexão o Papa Francisco exprimiu antes de tudo os sentimentos e emoções que nele desperta a presença no Ground Zero, onde milhares de vidas foram destruídas:
“Aqui, a dor é palpável. A água, que vemos correr para este centro vazio, lembra-nos todas aquelas vidas que estavam sob o poder daqueles que crêem que a destruição seja o único modo de resolver os conflitos”
Este é o lugar – continuou o Papa - onde choramos a angústia provocada por nos sentirmos impotentes perante a injustiça, perante o fratricídio, perante a incapacidade de resolver as nossas diferenças dialogando, choramos pela perda injusta e gratuita de inocentes, por não poder encontrar soluções para o bem comum.
O Papa citou em seguida os primeiros socorristas e os bombeiros caídos em serviço para reafirmar que a destruição não é abstracta e impessoal, mas tem um rosto e uma história, é concreta e tem nomes:
“Numa metrópole que pode parecer impessoal, anónima, de grandes solidões, fostes capazes de mostrar a poderosa solidariedade da ajuda mútua, do amor e do sacrifício pessoal”.
Deste modo, este lugar de morte se transforma em  lugar de vida que está destinada a triunfar sobre a destruição, sobre a morte, sobre as forças do mal, disse o Papa, reiterando que a reconciliação e a unidade vencerão sobre o ódio e as divisões.
E o Papa manifestou a esperança de que este lugar de dor se torne sinal do empenho para reconciliação, paz e justiça, neste lugar e em todo o mundo, sinal de que é possível viver em paz entre gente de diferentes línguas, culturas e religiões, para dizer "não" a tudo aquilo que só quer uniformidade e dizer "sim" a uma diferença acolhida e reconciliada.
E Francisco terminou o seu discurso com um convite à oração silenciosa para pedir ao Céu, disse, o dom do empenho para a causa da paz: paz nas nossas casas, nas nossas famílias, nas nossas escolas, nas nossas comunidades; paz nos lugares onde a guerra parece não ter fim, paz neste vasto mundo que Deus nos deu como casa de todos e para todos – concluiu Francisco (BS)

Discurso do Papa na sede das Nações Unidas

Discurso do Papa na sede das Nações Unidas

Nova Iorque (RV) - Leia o discurso na íntegra do Papa Francisco na sede das Nações Unidas, pronunciado em 25 de setembro. 
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores!
Mais uma vez, seguindo uma tradição de que me sinto honrado, o Secretário-Geral das Nações Unidas convidou o Papa para falar a esta distinta assembleia das nações. Em meu nome e em nome de toda a comunidade católica, Senhor Ban Ki-moon, desejo manifestar-lhe a gratidão mais sincera e cordial; agradeço-lhe também as suas amáveis palavras. Saúdo ainda os chefes de Estado e de Governo aqui presentes, os embaixadores, os diplomatas e os funcionários políticos e técnicos que os acompanham, o pessoal das Nações Unidas empenhado nesta LXX Sessão da Assembleia Geral, o pessoal de todos os programas e agências da família da ONU e todos aqueles que, por um título ou outro, participam nesta reunião. Por vosso intermédio, saúdo também os cidadãos de todas as nações representadas neste encontro. Obrigado pelos esforços de todos e cada um em prol do bem da humanidade.
Esta é a quinta vez que um Papa visita as Nações Unidas. Fizeram-no os meus antecessores Paulo VI em 1965, João Paulo II em 1979 e 1995 e o meu imediato antecessor, hoje Papa emérito Bento XVI, em 2008. Nenhum deles poupou expressões de reconhecido apreço pela Organização, considerando-a a resposta jurídica e política adequada para o momento histórico, caracterizado pela superação das distâncias e das fronteiras graças à tecnologia e, aparentemente, superação de qualquer limite natural à afirmação do poder. Uma resposta imprescindível, dado que o poder tecnológico, nas mãos de ideologias nacionalistas ou falsamente universalistas, é capaz de produzir atrocidades tremendas. Não posso deixar de me associar ao apreçamento dos meus antecessores, reiterando a importância que a Igreja Católica reconhece a esta instituição e as esperanças que coloca nas suas actividades.
A história da comunidade organizada dos Estados, representada pelas Nações Unidas, que festeja nestes dias o seu septuagésimo aniversário, é uma história de importantes sucessos comuns, num período de inusual aceleração dos acontecimentos. Sem pretender ser exaustivo, pode-se mencionar a codificação e o desenvolvimento do direito internacional, a construção da normativa internacional dos direitos humanos, o aperfeiçoamento do direito humanitário, a solução de muitos conflitos e operações de paz e reconciliação, e muitas outras aquisições em todos os sectores da projecção internacional das actividades humanas. Todas estas realizações são luzes que contrastam a obscuridade da desordem causada por ambições descontroladas e egoísmos colectivos. Apesar de serem muitos os problemas graves por resolver, todavia é seguro e evidente que, se faltasse toda esta actividade internacional, a humanidade poderia não ter sobrevivido ao uso descontrolado das suas próprias potencialidades. Cada um destes avanços políticos, jurídicos e técnicos representa um percurso de concretização do ideal da fraternidade humana e um meio para a sua maior realização.
Por isso, presto homenagem a todos os homens e mulheres que serviram, com lealdade e sacrifício, a humanidade inteira nestes setenta anos. Em particular, desejo hoje recordar aqueles que deram a sua vida pela paz e a reconciliação dos povos, desde Dag Hammarskjöld até aos inúmeros funcionários, de qualquer grau, caídos nas missões humanitárias de paz e reconciliação.
A experiência destes setenta anos demonstra que, para além de tudo o que se conseguiu, há constante necessidade de reforma e adaptação aos tempos, avançando rumo ao objectivo final que é conceder a todos os países, sem excepção, uma participação e uma incidência reais e equitativas nas decisões. Esta necessidade duma maior equidade é especialmente verdadeira nos órgãos com capacidade executiva real, como o Conselho de Segurança, os organismos financeiros e os grupos ou mecanismos criados especificamente para enfrentar as crises económicas. Isto ajudará a limitar qualquer espécie de abuso ou usura especialmente sobre países em vias de desenvolvimento. Os Organismos Financeiros Internacionais devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países, evitando uma sujeição sufocante desses países a sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência.
A tarefa das Nações Unidas, com base nos postulados do Preâmbulo e dos primeiros artigos da sua Carta constitucional, pode ser vista como o desenvolvimento e a promoção da soberania do direito, sabendo que a justiça é um requisito indispensável para se realizar o ideal da fraternidade universal. Neste contexto, convém recordar que a limitação do poder é uma ideia implícita no conceito de direito. Dar a cada um o que lhe é devido, segundo a definição clássica de justiça, significa que nenhum indivíduo ou grupo humano se pode considerar omnipotente, autorizado a pisar a dignidade e os direitos dos outros indivíduos ou dos grupos sociais. A efectiva distribuição do poder (político, económico, militar, tecnológico, etc.) entre uma pluralidade de sujeitos e a criação dum sistema jurídico de regulação das reivindicações e dos interesses realiza a limitação do poder. Mas, hoje, o panorama mundial apresenta-nos muitos direitos falsos e, ao mesmo tempo, amplos sectores sem protecção, vítimas inclusivamente dum mau exercício do poder: o ambiente natural e o vasto mundo de mulheres e homens excluídos são dois sectores intimamente unidos entre si, que as relações políticas e económicas preponderantes transformaram em partes frágeis da realidade. Por isso, é necessário afirmar vigorosamente os seus direitos, consolidando a protecção do meio ambiente e pondo fim à exclusão.
Antes de mais nada, é preciso afirmar a existência dum verdadeiro «direito do ambiente», por duas razões. Em primeiro lugar, porque como seres humanos fazemos parte do ambiente. Vivemos em comunhão com ele, porque o próprio ambiente comporta limites éticos que a acção humana deve reconhecer e respeitar. O homem, apesar de dotado de «capacidades originais [que] manifestam uma singularidade que transcende o âmbito físico e biológico» (Enc. Laudato si’, 81), não deixa ao mesmo tempo de ser uma porção deste ambiente. Possui um corpo formado por elementos físicos, químicos e biológicos, e só pode sobreviver e desenvolver-se se o ambiente ecológico lhe for favorável. Por conseguinte, qualquer dano ao meio ambiente é um dano à humanidade. Em segundo lugar, porque cada uma das criaturas, especialmente seres vivos, possui em si mesma um valor de existência, de vida, de beleza e de interdependência com outras criaturas. Nós cristãos, juntamente com as outras religiões monoteístas, acreditamos que o universo provém duma decisão de amor do Criador, que permite ao homem servir-se respeitosamente da criação para o bem dos seus semelhantes e para a glória do Criador, mas sem abusar dela e muito menos sentir-se autorizado a destruí-la. E, para todas as crenças religiosas, o ambiente é um bem fundamental (cf. ibid., 81).
O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados, simultaneamente, com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis como a excluir os fracos e os menos hábeis, seja pelo facto de terem habilidades diferentes (deficientes), seja porque lhes faltam conhecimentos e instrumentos técnicos adequados ou possuem uma capacidade insuficiente de decisão política. A exclusão económica e social é uma negação total da fraternidade humana e um atentado gravíssimo aos direitos humanos e ao ambiente. Os mais pobres são aqueles que mais sofrem esses ataques por um triplo e grave motivo: são descartados pela sociedade, ao mesmo tempo são obrigados a viver de desperdícios, e devem sofrer injustamente as consequências do abuso do ambiente. Estes fenómenos constituem, hoje, a «cultura do descarte» tão difundida e inconscientemente consolidada.
O carácter dramático de toda esta situação de exclusão e desigualdade, com as suas consequências claras, leva-me, juntamente com todo o povo cristão e muitos outros, a tomar consciência também da minha grave responsabilidade a este respeito, pelo que levanto a minha voz, em conjunto com a de todos aqueles que aspiram por soluções urgentes e eficazes. A adopção da «Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável», durante a Cimeira Mundial que hoje mesmo começa, é um sinal importante de esperança. Estou confiado também que a Conferência de Paris sobre as alterações climáticas alcance acordos fundamentais e efectivos.
Todavia não são suficientes os compromissos solenemente assumidos, mesmo se constituem um passo necessário para a solução dos problemas. A definição clássica de justiça, a que antes me referi, contém como elemento essencial uma vontade constante e perpétua: Iustitia est constans et perpetua voluntas ius suum cuique tribuendi. O mundo pede vivamente a todos os governantes uma vontade efectiva, prática, constante, feita de passos concretos e medidas imediatas, para preservar e melhorar o ambiente natural e superar o mais rapidamente possível o fenómeno da exclusão social e económica, com suas tristes consequências de tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos e tecidos humanos, exploração sexual de meninos e meninas, trabalho escravo, incluindo a prostituição, tráfico de drogas e de armas, terrorismo e criminalidade internacional organizada. Tal é a magnitude destas situações e o número de vidas inocentes envolvidas que devemos evitar qualquer tentação de cair num nominalismo declamatório com efeito tranquilizador sobre as consciências. Devemos ter cuidado com as nossas instituições para que sejam realmente eficazes na luta contra estes flagelos.
A multiplicidade e complexidade dos problemas exigem servir-se de instrumentos técnicos de medição. Isto, porém, esconde um duplo perigo: limitar-se ao exercício burocrático de redigir longas enumerações de bons propósitos – metas, objectivos e indicadores estatísticos –, ou julgar que uma solução teórica única e apriorística dará resposta a todos os desafios. É preciso não perder de vista, em momento algum, que a acção política e económica só é eficaz quando é concebida como uma actividade prudencial, guiada por um conceito perene de justiça e que tem sempre presente que, antes e para além de planos e programas, existem mulheres e homens concretos, iguais aos governantes, que vivem, lutam e sofrem e que muitas vezes se vêem obrigados a viver miseravelmente, privados de qualquer direito.
Para que estes homens e mulheres concretos possam subtrair-se à pobreza extrema, é preciso permitir-lhes que sejam actores dignos do seu próprio destino. O desenvolvimento humano integral e o pleno exercício da dignidade humana não podem ser impostos; devem ser construídos e realizados por cada um, por cada família, em comunhão com os outros seres humanos e num relacionamento correcto com todos os ambientes onde se desenvolve a sociabilidade humana – amigos, comunidades, aldeias e vilas, escolas, empresas e sindicatos, províncias, países, etc. Isto supõe e exige o direito à educação – mesmo para as meninas (excluídas em alguns lugares) –, que é assegurado antes de mais nada respeitando e reforçando o direito primário das famílias a educar e o direito das Igrejas e de agregações sociais a apoiar e colaborar com as famílias na educação das suas filhas e dos seus filhos. A educação, assim entendida, é a base para a realização da Agenda 2030 e para a recuperação do ambiente.
Ao mesmo tempo, os governantes devem fazer o máximo possível por que todos possam dispor da base mínima material e espiritual para tornar efectiva a sua dignidade e para formar e manter uma família, que é a célula primária de qualquer desenvolvimento social. A nível material, este mínimo absoluto tem três nomes: casa, trabalho e terra. E, a nível espiritual, um nome: liberdade do espírito, que inclui a liberdade religiosa, o direito à educação e os outros direitos civis.
Por todas estas razões, a medida e o indicador mais simples e adequado do cumprimento da nova Agenda para o desenvolvimento será o acesso efectivo, prático e imediato, para todos, aos bens materiais e espirituais indispensáveis: habitação própria, trabalho digno e devidamente remunerado, alimentação adequada e água potável; liberdade religiosa e, mais em geral, liberdade do espírito e educação. Ao mesmo tempo, estes pilares do desenvolvimento humano integral têm um fundamento comum, que é o direito à vida, e, em sentido ainda mais amplo, aquilo a que poderemos chamar o direito à existência da própria natureza humana.
A crise ecológica, juntamente com a destruição de grande parte da biodiversidade, pode pôr em perigo a própria existência da espécie humana. As nefastas consequências duma irresponsável má-gestão da economia mundial, guiada unicamente pela ambição de lucro e poder, devem constituir um apelo a esta severa reflexão sobre o homem: «O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza» (BENTO XVI, Discurso ao Parlamento da República Federal da Alemanha, 22 de Setembro de 2011; citado na Enc. Laudato si’, 6). A criação vê-se prejudicada «onde nós mesmos somos a última instância (…). E o desperdício da criação começa onde já não reconhecemos qualquer instância acima de nós, mas vemo-nos unicamente a nós mesmos» (BENTO XVI, Discurso ao clero da Diocese de Bolzano-Bressanone, 6 de Agosto de 2008; citado na Enc. Laudato si’, 6). Por isso, a defesa do ambiente e a luta contra a exclusão exigem o reconhecimento duma lei moral inscrita na própria natureza humana, que inclui a distinção natural entre homem e mulher (cf. Enc. Laudato si’, 155) e o respeito absoluto da vida em todas as suas fases e dimensões (cf. ibid., 123; 136).
Sem o reconhecimento de alguns limites éticos naturais inultrapassáveis e sem a imediata actuação dos referidos pilares do desenvolvimento humano integral, o ideal de «preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra» (Carta das Nações Unidas, Preâmbulo) e «promover o progresso social e um padrão mais elevado de viver em maior liberdade» (ibid.) corre o risco de se tornar uma miragem inatingível ou, pior ainda, palavras vazias que servem como desculpa para qualquer abuso e corrupção ou para promover uma colonização ideológica através da imposição de modelos e estilos de vida anormais, alheios à identidade dos povos e, em última análise, irresponsáveis.
A guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. Se se quiser um desenvolvimento humano integral autêntico para todos, é preciso continuar incansavelmente no esforço de evitar a guerra entre as nações e entre os povos.
Para isso, é preciso garantir o domínio incontrastado do direito e o recurso incansável às negociações, aos mediadores e à arbitragem, como é proposto pela Carta das Nações Unidas, verdadeira norma jurídica fundamental. A experiência destes setenta anos de existência das Nações Unidas, em geral, e, de modo particular, a experiência dos primeiros quinze anos do terceiro milénio mostram tanto a eficácia da plena aplicação das normas internacionais como a ineficácia da sua inobservância. Se se respeita e aplica a Carta das Nações Unidas, com transparência e sinceridade, sem segundos fins, como um ponto de referência obrigatório de justiça e não como um instrumento para mascarar intenções ambíguas, obtém-se resultados de paz. Quando, pelo contrário, se confunde a norma com um simples instrumento que se usa quando resulta favorável e se contorna quando não o é, abre-se uma verdadeira caixa de Pandora com forças incontroláveis, que prejudicam seriamente as populações inermes, o ambiente cultural e também o ambiente biológico.
O Preâmbulo e o primeiro artigo da Carta das Nações Unidas indicam as bases da construção jurídica internacional: a paz, a solução pacífica das controvérsias e o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. Contrasta fortemente com estas afirmações – e nega-as na prática – a tendência sempre presente para a proliferação das armas, especialmente as de destruição em massa, como o podem ser as armas nucleares. Uma ética e um direito baseados sobre a ameaça da destruição recíproca – e, potencialmente, de toda a humanidade – são contraditórios e constituem um dolo em toda a construção das Nações Unidas, que se tornariam «Nações Unidas pelo medo e a desconfiança». É preciso trabalhar por um mundo sem armas nucleares, aplicando plenamente, na letra e no espírito, o Tratado de Não-Proliferação para se chegar a uma proibição total destes instrumentos.
O recente acordo sobre a questão nuclear, numa região sensível da Ásia e do Médio Oriente, é uma prova das possibilidades da boa vontade política e do direito, cultivados com sinceridade, paciência e constância. Faço votos de que este acordo seja duradouro e eficaz e, com a colaboração de todas as partes envolvidas, produza os frutos esperados.
Nesta linha, não faltam provas graves das consequências negativas de intervenções políticas e militares não coordenadas entre os membros da comunidade internacional. Por isso, embora desejasse não ter necessidade de o fazer, não posso deixar de reiterar os meus apelos que venho repetidamente fazendo em relação à dolorosa situação de todo o Médio Oriente, do Norte de África e de outros países africanos, onde os cristãos, juntamente com outros grupos culturais ou étnicos e também com aquela parte dos membros da religião maioritária que não quer deixar-se envolver pelo ódio e a loucura, foram obrigados a ser testemunhas da destruição dos seus lugares de culto, do seu património cultural e religioso, das suas casas e haveres, e foram postos perante a alternativa de escapar ou pagar a adesão ao bem e à paz com a sua própria vida ou com a escravidão.
Estas realidades devem constituir um sério apelo a um exame de consciência por parte daqueles que têm a responsabilidade pela condução dos assuntos internacionais. Não só nos casos de perseguição religiosa ou cultural, mas em toda a situação de conflito, como na Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia, Sudão do Sul e na região dos Grandes Lagos, antes dos interesses de parte, mesmo legítimos, existem rostos concretos. Nas guerras e conflitos, existem pessoas, nossos irmãos e irmãs, homens e mulheres, jovens e idosos, meninos e meninas que choram, sofrem e morrem. Seres humanos que se tornam material de descarte, enquanto nada mais se faz senão enumerar problemas, estratégias e discussões.
Como pedi ao Secretário-Geral das Nações Unidas, na minha carta de 9 de Agosto de 2014, «a mais elementar compreensão da dignidade humana obriga a comunidade internacional, em particular através das regras e dos mecanismos do direito internacional, a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para impedir e prevenir ulteriores violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas» e para proteger as populações inocentes.
Nesta mesma linha, quero citar outro tipo de conflitualidade, nem sempre assim explicitada, mas que inclui silenciosamente a morte de milhões de pessoas. Muitas das nossas sociedades vivem um tipo diferente de guerra com o fenómeno do narcotráfico. Uma guerra «suportada» e pobremente combatida. O narcotráfico, por sua própria natureza, é acompanhado pelo tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, exploração infantil e outras formas de corrupção. Corrupção, que penetrou nos diferentes níveis da vida social, política, militar, artística e religiosa, gerando, em muitos casos, uma estrutura paralela que põe em perigo a credibilidade das nossas instituições.
Comecei a minha intervenção recordando as visitas dos meus antecessores. Agora quereria, em particular, que as minhas palavras fossem como que uma continuação das palavras finais do discurso de Paulo VI, pronunciadas quase há cinquenta anos, mas de valor perene. «Eis chegada a hora em que se impõe uma pausa, um momento de recolhimento, de reflexão, quase de oração: pensar de novo na nossa comum origem, na nossa história, no nosso destino comum. Nunca, como hoje, (…) foi tão necessário o apelo à consciência moral do homem. Porque o perigo não vem nem do progresso nem da ciência, que, bem utilizados, poderão, pelo contrário, resolver um grande número dos graves problemas que assaltam a humanidade» (Discurso aos Representantes dos Estados, 4 de Outubro de 1965, n. 7). Sem dúvida que a genialidade humana, bem aplicada, ajudará a resolver, entre outras coisas, os graves desafios da degradação ecológica e da exclusão. E continuo com as palavras de Paulo VI: «O verdadeiro perigo está no homem, que dispõe de instrumentos sempre cada vez mais poderosos, aptos tanto para a ruína como para as mais elevadas conquistas» (ibid.).
A casa comum de todos os homens deve continuar a erguer-se sobre uma recta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito pela sacralidade de cada vida humana, de cada homem e de cada mulher; dos pobres, dos idosos, das crianças, dos doentes, dos nascituros, dos desempregados, dos abandonados, daqueles que são vistos como descartáveis porque considerados meramente como números desta ou daquela estatística. A casa comum de todos os homens deve edificar-se também sobre a compreensão duma certa sacralidade da natureza criada.
Tal compreensão e respeito exigem um grau superior de sabedoria, que aceite a transcendência, renuncie à construção duma elite omnipotente e entenda que o sentido pleno da vida individual e colectiva está no serviço desinteressado aos outros e no uso prudente e respeitoso da criação para o bem comum. Repetindo palavras de Paulo VI, «o edifício da civilização moderna deve construir-se sobre princípios espirituais, os únicos capazes não apenas de o sustentar, mas também de o iluminar e de o animar» (ibid.).
O Gaúcho Martín Fierro, um clássico da literatura da minha terra natal, canta: «Os irmãos estejam unidos, porque esta é a primeira lei. Tenham união verdadeira em qualquer tempo que seja, porque se litigam entre si, devorá-los-ão os de fora».
O mundo contemporâneo, aparentemente interligado, experimenta uma crescente, consistente e contínua fragmentação social que põe em perigo «todo o fundamento da vida social» e assim «acaba por colocar-nos uns contra os outros na defesa dos próprios interesses» (Enc. Laudato si’, 229).
O tempo presente convida-nos a privilegiar acções que possam gerar novos dinamismos na sociedade e frutifiquem em acontecimentos históricos importantes e positivos (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 223).
Não podemos permitir-nos o adiamento de «algumas agendas» para o futuro. O futuro exige-nos decisões críticas e globais face aos conflitos mundiais que aumentam o número dos excluídos e necessitados.
A louvável construção jurídica internacional da Organização das Nações Unidas e de todas as suas realizações – melhorável como qualquer outra obra humana e, ao mesmo tempo, necessária – pode ser penhor dum futuro seguro e feliz para as gerações futuras. Sê-lo-á se os representantes dos Estados souberem pôr de lado interesses sectoriais e ideologias e procurarem sinceramente o serviço do bem comum. Peço a Deus omnipotente que assim seja, assegurando-vos o meu apoio, a minha oração, bem como o apoio e as orações de todos os fiéis da Igreja Católica, para que esta Instituição, com todos os seus Estados-Membros e cada um dos seus funcionários, preste sempre um serviço eficaz à humanidade, um serviço respeitoso da diversidade e que saiba potenciar, para o bem comum, o melhor de cada nação e de cada cidadão.
A bênção do Altíssimo, a paz e a prosperidade para todos vós e para todos os vossos povos. Obrigado!

Satisfação da Igreja por anúncio de acordo de paz na Colômbia

Satisfação da Igreja por anúncio de acordo de paz na Colômbia

Havana (RV) - A Conferência Episcopal da Colômbia expressa satisfação pelo anúncio, por parte do governo local, de um acordo fundamental no processo de paz do país.

De fato, num histórico encontro realizado em Cuba o presidente colombiano Juan Manul Santos e o líder das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) Rogrigo Londoño assumiram o compromisso de criar um tribunal especial para julgar os delitos perpetrados em décadas de conflito, um ponto entre os principais obstáculos para as negociações de paz já de há muito iniciadas.

O presidente colombiano assegurou também um tempo breve – cerca de seis meses – para o alcance de um acordo de paz definitivo.

A guerra, experiência terrível. Necessário construir a paz

“A guerra é uma experiência terrível. Porém, devemos tirar dela algo de bom e esse encontro possibilitará que se possa alcançar o objetivo  que estamos buscando, ou seja, a paz”, afirmou o vice-presidente da Conferência Episcopal Colombiana, Dom Oscar Urbina Ortega.

“O Papa – ressaltou o arcebispo – disse que a paz deve ser construída no âmbito do sistema jurídico, nacional e internacional e, portanto, ambas as partes em causa devem considerar essa recomendação e buscar aquilo que todos os colombianos esperam, ou seja, a reconciliação.”

Sem confiança no outro, não há diálogo nem reconciliação

Naturalmente, a reconstrução da paz na Colômbia “implica um processo muito longo, porque o conflito se arrasta há mais de sessenta anos”, evidenciou Dom Urbina Ortega. Por isso, “o que conta nos processos de paz é a confiança entre as partes”.

“Devemos aprender a confiar um no outro porque, do contrário, não podemos construir nada”, considerado que “um dos custos principais da guerra é a desconfiança”. Ao invés, “é preciso crer no outro para construir, do contrário, não haverá nem diálogo nem edificação de uma comunidade”.

A Igreja sempre próxima às vítimas do conflito

Por fim, Dom Urbina Ortega evidenciou os três elementos almejados pela Igreja, ou seja, “perdão, reconciliação e paz”, reiterando que ela “continuará acompanhando as vítimas do conflito em todas as regiões do país”. (RL)

(from Vatican Radio)

Papa na ONU: educação para superar crise ambiental e social

Papa na ONU: educação para superar crise ambiental e social

Nova Iorque (RV) – Depois do histórico pronunciamento no Congresso dos Estados Unidos, em Washington, esta sexta-feira o Papa Francisco cumpriu mais uma etapa marcante desta sua viagem apostólica ao discursar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Clique para ler o discurso na íntegra

Diante de mais de 170 chefes de Estado e de governo, do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, o Pontífice definiu a sua visita como uma continuação daquelas realizadas por seus predecessores: Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

Francisco reconheceu o esforço das Nações Unidas em dar uma resposta jurídica e política às complexas situações mundiais. “Apesar de serem muitos os problemas graves por resolver, todavia é seguro e evidente que, se faltasse toda esta atividade internacional, a humanidade poderia não ter sobrevivido ao uso descontrolado das suas próprias potencialidades”, constatou o Papa.

O Pontífice falou ainda dos órgãos com capacidade executiva real, como o Conselho de Segurança e Organismos Financeiros Internacionais. Estes, todavia, devem velar pelo desenvolvimento sustentável dos países, e não sufocá-los com sistemas de crédito que levam as populações a maior pobreza, exclusão e dependência.

“Dar a cada um o que lhe é devido, segundo a definição clássica de justiça, significa que nenhum indivíduo ou grupo humano se pode considerar omnipotente, autorizado a pisar a dignidade e os direitos dos outros indivíduos ou dos grupos sociais.”

Laudato si

Todo o pronunciamento de Francisco foi inspirado nas reflexões propostas em sua Encíclica Laudato si. O Papa reforçou dois direitos: o direito à existência da natureza e os direitos da pessoa humana.

“Qualquer dano ao meio ambiente é um dano à humanidade. (...) O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis, como a excluir os fracos e os menos hábeis. A exclusão econômica e social é uma negação total da fraternidade humana e um atentado gravíssimo aos direitos humanos e ao ambiente.”

Cultura do descarte

O Pontífice recordou que os mais pobres são aqueles que mais sofrem esses ataques: são descartados pela sociedade, obrigados a viver de desperdícios e sofrer injustamente as consequências do abuso do ambiente.

Como sinais de esperança, o Papa citou a adoção da «Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável», que a Assembleia Geral começa a debater esta sexta-feira, e a Conferência de Paris sobre as alterações climáticas.

Todavia, advertiu, os compromissos solenemente assumidos não são suficientes. A vontade política, segundo Francisco, deve ser efetiva, prática e constante para preservar o meio ambiente e superar fenômenos como tráfico de seres humanos, drogas e armas, exploração sexual de meninos e meninas, trabalho escravo e terrorismo.

Já as vítimas devem se encontrar em condição de serem protagonistas do seu próprio destino. E a chave para fazê-lo é a educação de meninos e meninas, que são excluídas em alguns lugares.

Francisco ofereceu ainda os indicadores mínimos para que todos vivam com dignidade. Em nível material, são casa, trabalho e terra. Em nível espiritual, é a liberdade do espírito, que inclui a liberdade religiosa, o direito à educação e os outros direitos civis.

Conflitos

A guerra, acrescentou o Pontífice, é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. A experiência destes setenta anos de existência das Nações Unidas mostram tanto a eficácia da plena aplicação das normas internacionais, como a ineficácia da sua inobservância. Se respeitada, a Carta das Nações Unidas produz paz. Mas se aplicada quando convém, abre-se uma verdadeira “caixa de Pandora” com forças incontroláveis, que prejudicam seriamente as populações inermes, o ambiente cultural e também o ambiente biológico.

Francisco condenou a proliferação das armas, especialmente as de destruição em massa e as armas nucleares, por contradizer o princípio pacificador da ONU. A corrida armamentista levaria a instituição a se chamar “Nações Unidas pelo medo e a desconfiança”. “É preciso trabalhar por um mundo sem armas nucleares, aplicando plenamente, na letra e no espírito, o Tratado de Não-Proliferação para se chegar a uma proibição total destes instrumentos.”

O Papa renovou seu apelo por uma solução pacífica dos conflitos, principalmente em Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia, Sudão do Sul e na região dos Grandes Lagos. “Antes dos interesses de parte, existem rostos concretos. Nas guerras e conflitos, existem pessoas, nossos irmãos e irmãs, que choram, sofrem e morrem. Seres humanos que se tornam material de descarte, enquanto nada mais se faz senão enumerar problemas, estratégias e discussões.”

Narcotráfico

Francisco denunciou ainda a morte silenciosa de milhões de pessoas provocada pelo narcotráfico. “Uma guerra financiada e pobremente combatida. O narcotráfico, por sua própria natureza, é acompanhado pelo tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, exploração infantil e outras formas de corrupção. Corrupção que penetrou nos diferentes níveis da vida social, política, militar, artística e religiosa, gerando, em muitos casos, uma estrutura paralela que põe em perigo a credibilidade das nossas instituições.”

Futuro

Para concluir o seu discurso, o Papa citou Paulo VI, para que as suas palavras sejam uma continuação do que foi dito na Assembleia 50 anos atrás: “Eis chegada a hora em que se impõe uma pausa, um momento de recolhimento, de reflexão, quase de oração: pensar de novo na nossa comum origem, na nossa história, no nosso destino comum”.

E deixou o seu apelo às lideranças mundiais: “O tempo presente convida-nos a privilegiar acões que possam gerar novos dinamismos na sociedade e frutifiquem em acontecimentos históricos importantes e positivos. Não podemos permitir-nos o adiamento de ‘algumas agendas’ para o futuro. O futuro exige-nos decisões críticas e globais face aos conflitos mundiais que aumentam o número dos excluídos e necessitados”. (BF)

(from Vatican Radio)

Papa em Nova Iorque: gratidão e labor, pilares da vida espiritual

Papa em Nova Iorque: gratidão e labor, pilares da vida espiritual

O Papa Francisco já está em Nova Iorque e celebrou Vésperas com o clero, os consagrados e consagradas na Catedral de S. Patrício no coração de Manhattan no final da tarde do dia 24, onde foi acolhido por milhares de fiéis e pelo Cardeal Timothy Dolan, arcebispo daquela cidade.

Gratidão e labor, agradecer e trabalhar – são estes os pilares da vida espiritual – afirmou o Santo Padre na sua homilia. O Papa Francisco, falando em espanhol, começou por referir o sacrifício de todos os que edificaram a Igreja em Nova Iorque, tendo citado os nomes de “Santa Elizabeth Ann Seton, que fundou na América a primeira escola católica gratuita para meninas” e também “S. João Neumann, fundador do primeiro sistema de educação católica nos Estados Unidos.”

Com o objetivo de ajudar os nova-iorquinos a prosseguirem “no caminho da fidelidade a Jesus Cristo” o Santo Padre apresentou duas breves reflexões: os dois pilares da vida espiritual. Em primeiro lugar a gratidão:

“A primeira diz respeito ao espírito de gratidão. A alegria de homens e mulheres que amam a Deus atrai a outros; sacerdotes e consagrados chamados a sentir e irradiar uma satisfação permanente com a sua vocação. A alegria brota dum coração agradecido.”

A “memória do primeiro chamamento”, a “memória do caminho percorrido” e sobretudo “a memória do encontro com Jesus Cristo” são momentos de bênção que devemos agradecer – realçou o Papa que de imediato valorizou o trabalho, o labor como um vetor do caminho de serviço:

“Um segundo aspeto é o espírito de labor. Um coração agradecido é, espontaneamente, impelido a servir o Senhor e a abraçar um estilo de vida de trabalho intenso. No momento em que nos damos conta de tudo aquilo que Deus nos deu, o caminho da renúncia a si mesmo a fim de trabalhar para Ele e para os outros torna-se um caminho privilegiado para responder ao seu grande amor.”

O espírito de trabalho generoso pode, contudo, ser “sufocado” se nos deixarmos influenciar pelos critérios da “eficiência” e da “comodidade”, perigos que o Santo Padre apresentou como sendo da “espiritualidade mundana” que “nos enfraquece no nosso caminho de serviço e degrada o enlevo do primeiro encontro com Jesus Cristo” – sublinhou o Papa.

Afirmando os pilares da gratidão e do labor nas orações, atividades e sacrifícios dos que trabalham no apostolado, o Papa Francisco assumiu um elogio público às religiosas dos Estados Unidos da América:

“Queria de maneira especial, expressar a minha admiração e gratidão às religiosas dos Estados Unidos. Que seria desta Igreja sem vós? Mulheres fortes, lutadoras; com aquele espírito de coragem que vos coloca na linha da frente do anúncio do Evangelho. A vós consagradas, irmãs e mães deste povo, quero dizer “obrigado”, um “obrigado” muito grande… e dizer também que gosto muito de vós.”

No final da sua homilia o Papa Francisco exortou os presentes a não perderem a paz e a responderem na provação como Jesus Cristo que “deu graças ao Pai, tomou a sua cruz e seguiu em frente”.

(RS)

(from Vatican Radio)

Papa expressou proximidade às vítimas da tragédia de Meca

Papa expressou proximidade às vítimas da tragédia de Meca

Nas Vésperas na Catedral de S. Patrício e antes da sua homilia o Papa Francisco saudou os irmãos islâmicos pela celebração do Dia do Sacrifício.

No entanto, o Santo Padre sublinhou não poder fazer esta saudação em modo mais caloroso, devido à tragédia ocorrida em Meca para qual expressou toda a sua proximidade para com os irmãos islâmicos.

“Neste momento de oração” – afirmou o Papa Francisco – “unimo-nos rezando a Deus Nosso Pai Todo-Poderoso e Misericordioso”.

(RS)

(from Vatican Radio)

Trabalhar pela paz e em paz: Francisco saúda funcionários da ONU

Trabalhar pela paz e em paz: Francisco saúda funcionários da ONU

Nova Iorque (RV) – Trabalhar pela paz, mas também em paz: esta foi a mensagem que Francisco deixou aos funcionários da Organizações das Nações Unidas (ONU), ao visitar a sede da instituição esta sexta-feira, em Nova Iorque.

O Papa foi acolhido pelo Secretário-Geral, Ban Ki-moon, no ingresso do Secretariado, com um piquete de honra e por duas crianças, filhas de funcionários da ONU mortos em serviço, que lhe ofereceram flores.

Após o encontro a portas fechadas com Ban Ki-moon e da troca de presentes, o Pontífice fez uma breve saudação aos funcionários da entidade, agradecendo-lhes por tudo que fizeram na preparação desta visita.

O Papa falou da importância do empenho silencioso, mas eficaz, que os funcionários realizam nos bastidores – um trabalho fundamental para o êxito das iniciativas diplomáticas, culturais, econômicas e políticas das Nações Unidas, para responder às necessidades e às expectativas da família humana.

“Hoje, e todos os dias, gostaria de pedir a cada um de vocês para, segundo as próprias capacidades, cuidar um do outro: ser solidários uns com os outros, respeitar uns aos outros, de modo a encarnar em vocês mesmos o ideal desta Organização, ou seja, uma família humana unida, que vive em harmonia, que trabalha não só pela paz, mas em paz; que age não só pela justiça, mas num espírito de justiça.”

Depois da saudação, Francisco depositou flores diante da placa em memória de funcionários da ONU que morreram em serviço.

(BF)

(from Vatican Radio)