sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Papa: cristãos devem superar mentalidade egoísta

Cidade do Vaticano (RV) – Vencer a mentalidade egoísta dos doutores da lei, que condena sempre. Esta é a advertência de Francisco na Missa matutina na Casa Santa Marta (20/01).
Inspirando-se na Primeira Leitura, extraída da Carta aos Hebreus, o Papa destacou que a nova aliança que Deus faz conosco em Jesus Cristo nos renova o coração e nos muda a mentalidade.
Deus renova tudo “na raiz, não somente na aparência”, disse o Papa, afirmando que esta nova aliança tem as suas características. A primeira: “a lei do Senhor não é um modo de agir externo”, entra no coração e “nos muda a mentalidade”. Na nova aliança, afirmou, “há uma mudança de mentalidade, há uma mudança de coração, uma mudança no sentir, no modo de agir”, “um modo diferente de ver as coisas”.
Superar e mentalidade egoísta
Francisco cita como exemplo uma obra à qual um arquiteto pode olhar com frieza, com inveja ou, pelo contrário, com uma atitude de alegria e “benevolência”:
“A nova aliança nos muda o coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da lei que perseguiam Jesus. Eles faziam tudo, tudo o que estava prescrito pela lei, tinham o direito em mãos, tudo, tudo, tudo. Mas sua mentalidade era uma mentalidade distante de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada sobre si mesmos: o coração deles era um coração que condenava, sempre condenando. A nova aliança nos muda o coração e nos muda a mente. Há uma mudança de mentalidade”.
Deus perdoa os nossos pecados; a nova aliança muda a nossa vida
O Senhor, acrescentou o Papa, vai avante e nos garante que perdoará as iniquidades e não se recordará mais dos nossos pecados. Às vezes, comentou, “gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: “O Senhor não tem boa memória”... É a fraqueza de Deus, explicou, que, quando perdoa, esquece:
“Ele esquece porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor... mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Eis a verdadeira recriação do Senhor”.
Enfim,  o Papa voltou a atenção ao terceiro ponto, a “mudança de pertença”. “Nós pertencemos a Deus, os outros deuses não existem”, “são bobeiras”.  
O Senhor muda o nosso coração para mudar a nossa mentalidade
“Mudança de mentalidade, mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. “Esta é a recriação que o Senhor faz melhor que a primeira criação”. “Peçamos ao Senhor para ir adiante nesta aliança de ser fiéis”, disse o Papa acrescentando:
“O sigilo desta aliança, desta fidelidade. Ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer à mundanidade, ao espírito do mundo, às coisas efêmeras do mundo, mas somente ao Senhor”.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Voltar à autenticidade dos textos conciliares

Cidade do Vaticano (RV) -  No nosso espaço Memória histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos tratar no programa de hoje sobre a importância de voltar à autenticidade dos textos conciliares.
As mudanças sociais e culturais no século XX e XXI, assim como a velocidade com que acontecem, apresentam um desafio para a Igreja e sua Missão no mundo. Se por um lado surgem vozes que defendem a realização de um novo Concílio, por outro, a maioria defende a total concretização das decisões do Concílio Vaticano II, ainda não implementadas.
Neste sentido, retornar aos Documentos conciliares é de particular atualidade: eles nos proporcionam instrumentos exatos para enfrentar os problemas de hoje. Somos chamados a reconstruir a Igreja, não apesar do, mas graças ao Concilio Vaticano II. Padre Gerson Schmidt:
"Quando havia passado 10 nos do Concilio Vaticano II, o Cardeal Ratzinger fazia a seguinte declaração: “Em primeiro lugar, é impossível para um católico tomar posição a favor do Concílio Vaticano II contra Trento e o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, assim como ele se expressou claramente na letra, e entendeu-lhe o espírito, afirma ao mesmo tempo a ininterrupta tradição da Igreja, em particular os dois Concílios precedentes. E isso deve valer para o chamado ‘progressismo’, pelo menos em suas formas extremas.
Segundo: do mesmo modo é impossível decidir-se por Trento e do Vaticano I contra o Vaticano II. Quem nega o Vaticano II nega a autoridade que sustenta os dois Concílios, e, dessa forma, os separa de seu fundamento. E isso deve valer para o chamado ‘tradicionalismo’, também em suas formas extremas. Perante o Concílio Vaticano II, qualquer opção parcial destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode subsistir como uma unidade indivisível”.
No resgate histórico que aqui fazemos é importante termos presente o Sínodo de 1985, que teve também por objetivo a revisão do Concilio Vaticano II, passados então 20 anos. Esse sínodo fez um balanço do Concílio. João Paulo II teve três objetivos em 85, quando realizou o Sínodo dos bispos: queria, reviver, de alguma maneira a atmosfera de comunhão eclesial do Concilio; em segundo lugar, de troca de experiências sobre a aplicação do Concilio; e em terceiro lugar, favorecer um posterior aprofundamento do Concílio na vida da Igreja.
Segundo o Papa Bento XVI, enquanto ainda Cardeal, nos 20 anos pós-Concílio houve mais mudanças na Igreja do que dois séculos. Fez uma crítica de que devido a algumas más interpretações do Concílio se passou de uma atitude autocrítica para autodestruição, usando também palavras de Paulo VI.
Nesse contexto, o Cardeal Julius Döfner dizia que a Igreja pós-conciliar é uma grande obra de construção. Mas o espírito crítico acrescentou que é uma obra de construção onde se perdeu o projeto e cada um continua a fabricar de acordo com o seu próprio gosto¹ .
Por isso esses teólogos fazem um apelo a voltar aos autênticos textos do Concílio, o que aqui nesse espaço estamos procurando fazer para não deturpar a autêntica inspiração dos Padres conciliares. O Cardeal Ratzinger chegou a afirmar anos atrás, ainda antes de ser Papa: “é ao hoje da Igreja que devemos permanecer fiéis, não ao ontem, nem ao amanhã. E esse hoje da Igreja são os Documentos do Vaticano II em sua autenticidade. Sem reservas que os amputem. E sem arbítrios que os desfigurem”² .
Disse ainda mais, fazendo um diagnóstico pós-conciliar que estamos hoje descobrindo a função profética do Concílio. Palavras literais do Cardeal Ratzinger: “Alguns textos do Vaticano II pareciam adiantar-se aos tempos então vividos. Vieram a seguir revoluções culturais e terremotos sociais que os Padres conciliares nem podiam prever, mas que demonstravam como aquelas respostas – então antecipadas – eram as que, a seguir, se fariam necessárias. Portanto, retornar aos documentos é de particular atualidade: eles nos proporcionam instrumentos exatos para enfrentar os problemas de hoje. Somos chamados a reconstruir a Igreja, não apesar do, mas graças ao Concilio Vaticano II”³ .
Como Papa Bento XVI, em 10 de outubro de 2012, na tradicional Audiência Geral das quartas-feiras ,afirmou que os documentos do Concílio Vaticano II são "uma bússola que permitem que a nave da Igreja navegue em mar aberto, em meio a tempestades ou na calma com a certeza de chegar à meta". E ainda recordou que ele também participou como perito no Concílio, quando era professor de teologia fundamental da universidade de Bonn (Alemanha).  Ali, recordou assim: "pude ver uma Igreja viva – quase três mil Padres conciliares de todas as partes do mundo reunidos sob a orientação do Sucessor do Apóstolo Pedro – que se coloca na escola do Espírito Santo, o verdadeiro motor do Concílio".Recordou que a intenção da assembleia conciliar iniciada a 11 de outubro de 1962 era, para o Papa, “delinear de um modo novo a relação da Igreja com a idade moderna” (4) .
Bento repetia a mesma expressão utiliza já por João Paulo II ao término do Grande Jubileu do ano 2000, quando disse assim a respeito do Concílio: "À medida que passam os anos, aqueles textos não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da tradição da Igreja. Concluído o Jubileu, sinto ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que se beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa" (Novo millennio ineunte, 57).
________________
1 RATZINGER, J. / v.MESSORI. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se interroga, E.P.U., SP, 1985, p.17.
2 Idem, 18.
3 Idem,21.
4 http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/vaticano/vaticano-ii-concilio-e-bussola-da-igreja/

Terra Santa: Pizzaballa, existem sinais de morte física e ética em todo lugar

Jerusalém (RV) - “Existem sinais de morte em todo lugar e em todas as formas de violência das quais somos testemunhas. Não somente física, mas também ética. Conhecemos bem a violência que ceifa a vida nesta Terra, santa e difícil.”
Foi o que disse Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa, durante a missa celebrada nesta quarta-feira (18/01), na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, com a Coordenação dos Bispos da Terra Santa. 
Segundo a Agência Sir, o arcebispo convidou a combater a cultura de morte, confiando-se à Ressurreição de Cristo. Dom Pizzaballa reiterou que do Santo Sepulcro “os cristãos devem aprender a testemunhar a vida que é mais forte que toda forma de morte”. 
“A experiência do mal e do sofrimento é algo que permanece na vida, mas não têm mais a força de nos prender. Permaneçamos na esperança e voltemos para casa com humildade porque não existe desafio maior que caminhar na luz do Ressuscitado”, disse o prelado aos bispos. 
No final da missa, o moderador da Coordenação, Dom Declan Lang, agradeceu ao Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém e reiterou o compromisso de todos os bispos de trabalhar, em suas respectivas nações, pela Terra Santa e pelas pedras vivas que habitam ali.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Papa doa motorhome para crianças e idosos das periferias de Roma

Cidade do Vaticano (RV) – Antes da Audiência Geral desta quarta-feira (18), no pátio aos fundos da Aula Paulo VI no Vaticano, o Papa Francisco abençoou dois motorhomes que irão beneficiar as crianças e os idosos das periferias de Roma. A iniciativa é promovida pelo Vicariato, pelo Hospital Pediátrico Bambino Gesù e pela Cooperativa Operadores Sanitários Associados (Osa), com colaboração da Universidade Católica Sacro Cuore.
As duas unidades móveis serão usadas em favor das comunidades para levar informação, prevenção e assistência. O veículo para os idosos, doado pelo Papa graças aos recursos do Óbolo de São Pedro, começará a funcionar já na próxima semana, em 28 de janeiro, na Paróquia de San Filippo Neri. Já a outra unidade, que Francisco contribuiu com uma parte, já está em pleno serviço: do ano passado até hoje o motorhome já atendeu 983 crianças. (AC/l’Osservatore Romano)

Papa: os cristãos sejam corajosos e não estacionados

Cidade do Vaticano (RV) -  Sejam cristãos corajosos, ancorados na esperança e capazes de suportar momentos difíceis. Esta é a forte exortação do Papa na Missa matutina na Casa Santa Marta nesta terça-feira, (17/01). Os cristãos preguiçosos, ao invés, são parados, destacou Francisco, e para eles a Igreja é um belo estacionamento.

O Papa desenvolve a sua homilia partindo da Leitura da Carta aos Hebreus. O zelo de que fala, a coragem de ir avante deve ser a nossa atitude diante da vida, como os que treinavam no estádio para vencer. Mas a Leitura fala também da preguiça, que é o contrário da coragem. “Viver na geladeira”, sintetizou o Papa, “para que tudo permaneça assim”:

“Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles, a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis. Mas esses cristãos parados me fazem lembrar de uma coisa que nossos avós diziam quando éramos crianças: ‘Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper’”.
Ancorados na esperança
O que torna os cristãos corajosos é a esperança, enquanto “os cristãos preguiçosos” não têm esperança, estão “aposentados”, disse o Papa. É belo se aposentar depois de tantos anos de trabalho, mas – advertiu -, “passar toda a sua vida aposentado é ruim!”. Ao invés, a esperança é âncora à qual se agarrar para lutar inclusive nos momentos difíceis  :
“Esta é a mensagem de hoje: a esperança, aquela esperança que não desilude, que vai além. E diz: uma esperança que ‘é uma âncora segura e firme para a nossa vida’. A esperança é a âncora: nós a lançamos e ficamos agarrados na corda, mas ali, indo ali. Esta é a nossa esperança.  Não se deve pensar: ‘Sim, mas tem o céu, ah que belo, vou ficar aqui…’. Não. A esperança é lutar, agarrados na corda para chegar lá. Na luta de todos os dias, a esperança é uma virtude de horizontes, não de fechamentos! Talvez seja a virtude que menos se compreende, mas é a mais forte. A esperança: viver na esperança, viver de esperança, olhando sempre para frente com coragem. ‘Sim, padre –vocês podem me dizer -, mas existem momentos difíceis, o que devo fazer?’. Agarre-se à corda e suporte”.
Cristãos estacionados olham apenas a si mesmos, são egoístas
“A nenhum de nós a vida é presenteada”, observa Francisco, devemos ao invés ter a coragem de ir avante e aguentar. Cristãos corajosos, tantas vezes erram, mas “todos erram”, disse o Papa, “erra aquele que vai em frente”, enquanto “aquele que está parado parece não errar”. E quando “não se pode caminhar, porque tudo é escuro, tudo está fechado”, você tem que suportar, ter perseverança. Em conclusão, Francisco nos convida a nos perguntar se somos cristãos fechados ou de horizontes e se nos maus momentos somos capazes de suportar com a consciência de que a esperança não desilude: “porque eu sei - afirmou – que Deus não desilude”:
“Vamos nos fazer a pergunta: como sou eu? como é a minha vida de fé? é uma vida de horizontes, de esperança, de coragem, de ir para a frente ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os maus momentos?
E que o Senhor nos dê a graça, como pedimos na Oração da coleta, para superar os nossos egoísmos, porque os cristãos estacionados, os cristãos parados, são egoístas. Olhando somente para si mesmos, não sabem levantar a cabeça para olhar para Ele. Que o Senhor nos dê esta graça”.

Papa: "Comunhão, reconciliação e Unidade são possíveis"

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Cidade do Vaticano (RV) - Em sua saudação aos fiéis de língua alemã, o Papa Francisco lembrou esta quarta-feira (18/01) que se está iniciando (no Hemisfério Norte) a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
O Pontífice deu as boas-vindas à delegação do Itinerário Europeu Ecumênico e enalteceu sua visita a Roma, definindo-a “um importante sinal ecumênico que expressa a comunhão alcançada graças ao caminho do diálogo nas décadas passadas. O Evangelho de Cristo está no centro de nossa vida e une pessoas que falam línguas diferentes, moram em países diferentes e vivem a fé em comunidades diferentes”.
“Recordo com emoção a oração ecumênica em Lund, na Suécia, no dia 31 de outubro passado. No espírito daquela homenagem comum à Reforma, vemos mais  o que nos une do que o nos divide e continuamos juntos o caminho para aprofundar nossa comunhão e dar a ela uma forma cada vez mais visível”.
“Na Europa, esta comum fé em Cristo é como uma linha verde de esperança: pertencemos uns aos outros. Comunhão, reconciliação e unidade são possíveis. Como cristãos, temos a responsabilidade desta mensagem e devemos testemunhá-la com a nossa vida. Que Deus abençoe este desejo de união e vele por todas as pessoas que percorrem o caminho da unidade”.
No Brasil, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos se celebra entre Ascensão e Pentecostes.

"Diante da morte, a esperança da vida eterna", diz o Papa aos fiéis

Cidade do Vaticano (RV) – “Jonas, a esperança e a oração”: este foi o tema da catequese feita pelo Papa aos fiéis em seu encontro nesta quarta-feira (18/01), para a audiência geral.
Francisco se concentrou de modo mais concreto na nossa decisão de nos pormos em oração movidos pela esperança no perdão de Deus e mencionou a parábola do Profeta Jonas, em cuja vida esta relação ficou bem clara.
Jonas é um profeta ‘em saída’, ‘em fuga’, disse o Papa, um profeta que Deus enviou ‘à periferia’, em Nínive, para converter os moradores daquela grande cidade...  Mas o profeta não quis ir: Nínive fez demasiado mal ao seu povo, para Jonas conseguir desejar-lhe a salvação. Então o profeta toma uma nave, com o propósito de seguir na direção oposta de Nínive.
“Durante sua fuga, o profeta entra em contato com os pagãos, os marinheiros do navio, para se afastar de Deus e de sua missão. E é justamente o comportamento destes homens que nos faz hoje refletir sobre a esperança que, diante do perigo e da morte, se expressa em oração”.
Uma grande tempestade ameaça afundar a nave; sobre ela, desesperados, todos começam a rezar cada um ao seu próprio deus para que os salve. Todos não! Jonas dorme no porão. O comandante o acorda dizendo -lhe: “Invoca o teu Deus, a ver se por acaso se lembra de nós e nos livra da morte”.
Nestas palavras – explicou o Pontífice – transparece toda a esperança do ser humano na sua impotência face a um perigo mortal. É a esperança que se faz oração, uma súplica cheia de angústia que sobe dos lábios humanos em perigo iminente de morte.
O fato destas palavras saírem da boca de “pagãos”, como era o comandante da nave, só confirma como a necessidade de o fazer seja intuitiva e generalizada na alma humana. O pavor instintivo de morrer revela a necessidade de esperar no Deus da vida.
“Muitas vezes, facilmente, nós não nos dirigimos a Deus no momento da necessidade por considerarmos uma oração interesseira e imperfeita. Deus, no entanto, conhece as nossas fraquezas, sabe que nós nos recordamos Dele para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, responde positivamente”.

“Quando Jonas, reconhecendo as próprias responsabilidades, se joga no mar para salvar seus companheiros de travessia, a tempestade se calma. Aceitando sacrificar-se por eles, Jonas agora conduz os sobreviventes ao reconhecimento do verdadeiro Senhor”.
E a oração ditada pela esperança surtiu efeito, Deus realizou quanto esperavam e pediam: a nave foi salva, o profeta aprendeu a obedecer e Deus perdoou à cidade arrependida.
O Papa concluiu a reflexão afirmando que sob a misericórdia divina, e ainda mais, à luz do mistério pascal, a morte pode se tornar, como o foi para São Francisco de Assis, “nossa irmã morte” e representar, para cada homem e para cada um de nós, a surpreendente ocasião para conhecer a esperança e encontrar o Senhor.