sábado, 17 de outubro de 2015

Papa: prosseguir na sinodalidade escutando o Povo de Deus

Papa: prosseguir na sinodalidade escutando o Povo de Deus

Na manhã deste sábado dia 17 de outubro, teve lugar na Sala Paulo VI uma sessão comemorativa dos 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos. Mais precisamente foi a 15 de setembro de 1965 que o Papa Paulo VI fez a instituição permanente do Sínodo dos Bispos em resposta ao desejo dos Padres do Concílio Vaticano II de manter vivo o espírito positivo gerado pela experiência conciliar.

A comemoração dos 50 anos de Sínodo foi feita com a participação dos bispos presentes no Sínodo sobre a Família que agora conclui a sua segunda semana de trabalhos. Várias as comunicações produzidas representando os vários continentes e realidades específicas da Igreja

No discurso que proferiu o Papa Francisco afirmou que “Igreja e Sínodo são sinónimos” porque a “Igreja não é outra coisa que não seja caminhar juntos”.

Numa intervenção de importante síntese do sentido de rumo e percurso da Igreja, o Santo Padre afirmando ser a sinodalidade uma  das maiores preciosidades do Concílio Vaticano II, declarou que este é o caminho que Deus quer para a Igreja.

Confiar no Povo de Deus e ser Igreja de escuta – estas duas marcas essenciais do discurso do Papa que considerou que mais do que ouvir, a Igreja deve mesmo promover a escuta recíproca onde todos têm algo para aprender: os fiéis, o colégio episcopal e o bispo de Roma.

O Papa Francisco falou também de uma salutar descentralização de certas decisões para as conferências episcopais dos vários territórios onde a Igreja está presente. De sublinhar que, precisamente, por este motivo, o Papa Francisco citou S. João Paulo II reafirmando que “numa igreja sinodal, também o exercício petrino poderá receber maior luz”.

Finalmente, o Santo Padre afirmou ainda que uma igreja sinodal ajuda também a sociedade civil a “edificar-se na justiça e na fraternidade gerando um mundo mais belo e mais digno do homem para as gerações que virão depois de nós” – afirmou o Papa Francisco na conclusão do seu discurso na comemoração dos 50 anos da instituição dos Sínodo dos Bispos.

(RS)

(from Vatican Radio)

Dom Odilo Scherer: Sínodo, caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja

Dom Odilo Scherer: Sínodo, caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – Em 15 de outubro de 1965 o Papa Paulo VI, ao final do Concílio Vaticano II, instituiu o Sínodo dos Bispos. No Angelus de 22 de setembro de 1974, o próprio Paulo VI deu uma definição do Sínodo dos Bispos:  “É uma instituição eclesiástica, que nós, interrogando os sinais dos tempos, e mais do que isto, procurando interpretar em profundidade os desígnios divinos e a constituição da Igreja Católica, estabelecemos após o Concílio Vaticano II, para favorecer a união e a colaboração dos Bispos de todo o mundo com esta Sé Apostólica, mediante um estudo comum das condições da Igreja e a solução concorde das questões relativas à sua missão. Não é um Concílio, não é um Parlamento, mas um Sínodo de particular natureza”.

Os 50 anos da instituição do Sínodo estão sendo celebrados neste sábado na Sala Paulo VI, no Vaticano. Entre os presentes, está o Cardeal Odilo Pedro Scherer, participante do Sínodo dos Bispos em andamento, que falou à Rádio Vaticano sobre a importância deste organismo de colegialidade:

“A instituição do Sínodo no final do Concílio foi um desejo muito forte do próprio Concílio, dos participantes do Concílio, que chegando ao final do Concílio, desejaram, pediram ao Papa de que a experiência do Concílio não parasse por aí, pois foi uma grande experiência de comunhão, de participação, de colegialidade e de corresponsabilidade de todo o episcopado pela Igreja. E aí o Sínodo foi pedido para ser este organismo da Igreja, que não substituísse o Concílio, mas de alguma forma continuasse a experiência do Concílio, se reunisse com certa frequência  com o Papa, convocado pelo Papa, para retomar os grandes temas do Concílio e de tempos em tempos  atualizar a reflexão, dar novas orientações em relação aos grandes temas do Concílio que são os grandes temas da Igreja. Por outro lado, que através do Sínodo dos Bispos, se concretizasse aquilo que foi no Concílio colocado com tanta evidência, isto é, a Igreja é uma comunhão, a Igreja não depende só do Papa, um Papa com os Bispos, o Papa à frente, o Papa naturalmente com o carisma próprio dele, do sucessor de Pedro. Mas o Papa não é sozinho o encarregado da Igreja, é com os Bispos, daí a ideia da colegialidade, da corresponsabilidade,  que vem expressa então através da ideia justamente do Sínodo. Sínodo, a própria palavra quer dizer caminho juntos, ou seja, o Sínodo deveria ser este organismo  do episcopado, que junto com o Papa dá as direções à Igreja, um caminho de orientação, de comunhão juntos, não de dispersão, cada um pro seu lado, mas juntos, buscando as grandes linhas pastorais de orientação para a Igreja. E é isto que o Sínodo tem feito, através das 14 Assembleias Gerais Ordinárias até agora, nós estamos na 14ª, das 3 Assembleias Gerais Extraordinárias e das muitas outras Assembleias Regionais que houve, sobretudo na época da preparação do Grande Jubileu do terceiro milênio. O Sínodo, creio, foi uma feliz intuição, iniciativa do Papa Paulo VI e do Concílio e que está trazendo os seus frutos para dentro da igreja. O Sínodo, naturalmente, não é um organismo de decisão, como é o Concílio. É um organismo de consulta, mas é um organismo importante, porque cada vez que se reúne o Sínodo convocado pelo Papa, o Sínodo realmente apresenta a voz da Igreja e também, digamos assim, expressa um caminho de unidade pastoral para a vida de Igreja”. (JE)

(from Vatican Radio)

Prosseguem as congregações gerais- Muita gente reza pelo sínodo

Prosseguem as congregações gerais- Muita gente reza pelo sínodo

2015-10-15 L’Osservatore Romano
Muita gente reza pelo Sínodo e acompanha o seu desenvolvimento e os padres sinodais, afirmou o Papa Francisco na abertura – na tarde de quarta-feira, 14 de Outubro – da nona congregação geral do Sínodo dos bispos, explicando que recebeu estas confidências durante as saudações na audiência geral da manhã.

Durante os trabalhos, de várias partes, falou-se das experiências pastorais iniciadas, relativas aos numerosos cônjuges que necessitam de acompanhamento especial, como no caso dos divorciados recasados no civil. Foi significativa a instituição nalgumas dioceses de uma pastoral específica a eles dirigida. O objectivo é acompanhá-los espiritualmente e guiá-los rumo à plena compreensão da doutrina católica, mas compartilhando um caminho, vivendo ao seu lado para conhecer os problemas, amá-los e perdoá-los.

Na manhã de quinta-feira a décima congregação geral evidenciou que a Igreja nunca deve acrescentar-se à lista das instituições que estão tornando «invisíveis» as famílias, que no mundo sofrem pela falta de trabalho ou de casa, ou pela fome, a violência. Ao contrário, ela é chamada a responder à numerosas expectativas das pessoas, testemunhando com misericórdia a verdade de Cristo.

"Não" aos vigilantes da salvação. O amor de Deus é gratuito

"Não" aos vigilantes da salvação. O amor de Deus é gratuito

2015-10-15 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – A homilia da missa celebrada pelo Papa na manhã desta quinta-feira (15/10), na Casa Santa Marta, foi focada no mandamento do amor e na tentação de quem quer "controlar" a salvação. Francisco alertou: “Temos que nos proteger dos ‘doutores da lei’ que limitam os horizontes de Deus e minimizam o seu amor. Uma das coisas mais difíceis de se entender, para nós cristãos, é a gratuidade da salvação em Jesus Cristo”, iniciou o Pontífice.

Já São Paulo tinha grande dificuldade em explicar aos homens de seu tempo que a verdadeira doutrina era a "gratuidade da salvação". “Nós – salientou Francisco – estamos acostumados a ouvir que Jesus é o Filho de Deus que veio por amor para nos salvar e depois morreu por nós. Quando entramos no mistério de Deus ‘deste amor sem limites’ ficamos maravilhados e por vezes ‘preferimos não entendê-lo’”.

Não reduzir os horizontes de Deus. Seu amor não tem limites

Fazer o que Jesus nos diz – prosseguiu – é bom; "é a minha resposta à salvação, que é gratuita, vem do amor gratuito de Deus":

“Parece que Jesus também implica um pouco contra os doutores da lei, dizendo-lhes coisas fortes, muito duras: ‘Vocês levaram embora a chave do conhecimento, vocês não entraram, impediram quem queria entrar, levaram a chave’, ou seja, a chave da gratuidade da salvação, do conhecimento”.
Estes doutores da lei “pensavam que somente respeitando todos os mandamentos era possível se salvar, e que quem não o fizesse seria condenado”. Assim, “limitavam os horizontes de Deus e tornavam o seu amor pequenino, à medida de cada um de nós”. Esta, disse ainda, “é a luta que Jesus e Paulo fizeram para defender a doutrina”.

Os vigilantes da salvação

“Certo, observou, os mandamentos existem, mas a síntese de tudo é ‘amar a Deus e ao próximo’; e com esta ‘atitude de amor’, afirmou o Papa, ‘ficaremos à altura da gratuidade da salvação, porque o amor é gratuito”. “Se eu disser ‘eu te amo’, mas estiver interessado em outra coisa, advertiu, isto não será amor, mas interesse”.

“Por isso, Jesus diz: ‘O amor maior é este: amar Deus com toda a vida, com todo o coração, com toda a força... e ao próximo como a ti mesmo’, porque é o único mandamento à altura da gratuidade da salvação de Deus. E acrescenta: ‘Neste mandamento estão incluídos todos os outros; a fonte é o amor, o horizonte é o amor’. Se você fechar a porta e levar embora a chave do amor, não estará à altura da gratuidade da salvação que recebeu. A luta pelo controle da salvação não se encerrou com Jesus e Paulo”.

Francisco mencionou que este ano se recordam 500 anos do nascimento de Santa Teresa d’Ávila, comemorada hoje. “Uma mística a quem o Senhor deu a graça de compreender os horizontes do amor. Ela também foi julgada pelos doutores de sua época. Aqueles santos, salientou o Papa, foram perseguidos por defender o amor, a gratuidade da salvação, a doutrina. Muitos deles, como também Joana D’Arc.

Não se deixar enganar por quem quer limitar o amor de Deus

O Papa retomou a homilia lembrando que esta luta não termina, a carregamos dentro de nós. Seria bom se nos questionarmos: ‘Acredito que o Senhor me salvou gratuitamente?’ “Creio que não mereço a salvação? E se a mereço, é graças a Jesus Cristo e aquilo que Ele fez por mim?”

“Perguntemo-nos, porque somente assim seremos fiéis a este amor tão misericordioso: amor de pai e de mãe, porque Deus também diz que Ele é como uma mãe conosco; grandes horizontes, sem limites nem limitações. E não nos deixemos enganar pelo doutores que limitam este amor”.  (CM)

(from Vatican Radio)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Coletiva: Sínodo reflete também sobre tema do diaconato feminino

Cidade do Vaticano (RV) - “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”: este é o tema que norteia a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em andamento no Vaticano, cujos trabalhos se concentram, neste momento, nos Círculos menores.

Conduzida pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, a coletiva desta quinta-feira teve como convidados, na qualidade de relatores e membros dos Círculos menores, o arcebispo de Ancona-Osimo (Itália), Cardeal Edoardo Menichelli; o arcebispo de Acra (Gana), Dom Charles Palmer-Buckle; e o Patriarca de Antioquia dos Sírios, Dom Ignatius Youssif III Younan, o qual lançou um apelo: “O Ocidente não esqueça os cristãos do Oriente Médio”.

“Estamos realmente preocupados e alarmados com a situação das comunidades cristãs no Oriente Médio e, sobretudo, com as provações catastróficas a que as famílias são submetidas, divididas porque fazem de tudo para sair do inferno em que vivem na Síria e no Iraque.”

Foi o dramático apelo lançado pelo Patriarca Younan. “Deploramos o fato de não conseguirmos convencer as novas gerações a permanecer onde o cristianismo teve suas origens.”

E reiterou: “Temos centenas de pessoas reféns dos terroristas islâmicos, é um fenômeno catastrófico de longa duração.

O apelo é feito no sentido de trazer a voz dos perseguidos, sobretudo, para o Ocidente, porque – ressaltou o patriarca – “nos sentimos esquecidos e traídos pela Europa e EUA”. E concluiu: “Trazemos a nossa voz aos potentes a fim de que a situação mude”.

“Não estamos aqui para frear ninguém, mas para propor aquilo que sentimos acerca da família e para o bem da Igreja”, acrescentou, por sua vez, o arcebispo ganense, Dom Palmer-Buckle. Na África, explicou, “há um conceito alargado de família e nós queremos ver como manter vivos os valores e as alegrias de tal família alargada”.

“O futuro da família é a missão da Igreja”, reiterou o arcebispo de Acra, sobretudo no continente africano, onde a Igreja católica está crescendo muito rapidamente. Em seguida, o prelado assegurou: os temas do Sínodo não são somente europeus, mas da Igreja em sua universalidade.

Por sua vez, o Cardeal Menichelli observou que este Sínodo é um Sínodo do povo, fruto da contribuição das dioceses”, afirmando que na assembleia se refletiu também sobre o tema do diaconato feminino.

O purpurado fez uma análise sobre as modalidades de trabalho nos Círculos menores:

“O clima é muito aberto, não há personalismos. Há, propriamente, esse desejo de conhecer para oferecer indicações novas, para manifestar aquele amor para com as famílias e também aquela preocupação que a Igreja muitas vezes manifesta diante de fenômenos que gostariam – entre aspas – de não nobilizar a realidade familiar.”

Por fim, respondendo à pergunta de um jornalista sobre o pronunciamento do Papa aos padres sinodais, na terça-feira, dia 6, em particular, sobre a expressão “hermenêutica conspiradora” a ele atribuída, Pe. Lombardi explicou:

“Eu não referi essa expressão, como bem sabem, saiu de outra fonte. Evidentemente, o conceito é: não devemos pensar que existam complôs. Portanto, a visão que devemos ter do Sínodo é de um processo de intercâmbio, de comunicação, que se dá de modo sereno, sincero, e não deve ser considerado guiado por interesses particulares e por tentativas de manipular ou de conduzir diferentemente daquilo que, ao invés, é o processo de busca comum, no espírito que a comunidade eclesial deve fazer.” (RL)

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(from Vatican Radio)

A experiência do casal brasileiro no Sínodo

Cidade do Vaticano (RV) – Entre os casais que participam do Sínodo sobre a família como auditores, estão os brasileiros Ketty Abaroa de Rezende e Pedro Jusseieu de Rezende, ambos docentes da Universidade Estadual de Campinas. Além de seu empenho acadêmico, o casal faz pastoral familiar extra paroquial, acompanhando famílias através de seminários e palestras.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Ketty e Pedro falam da experiência de participar do Sínodo e do desafio da comunicação no matrimônio:

Ketty de Rezende: “É uma experiência extremamente enriquecedora, e mostra a colegialidade de todo o episcopado, a universalidade da nossa Igreja, e que nós podemos estar muito seguros. Estamos nas mãos do Papa, a doutrina não muda, mas mudam as formas de comunicar, de chegar às pessoas, chegar de uma forma mais efetiva, mais frutífera. O que a gente sente são exatamente as expressões do mundo inteiro, as formas em que as pessoas estão chegando às famílias, dentro das diferentes culturas. Então é muito enriquecedor e pedimos também a oração de todos no Brasil, para que o Espírito Santo seja realmente muito presente no coração e nas mentes de todos nós.

Pedro de Rezende fala por que foram convidados para o Sínodo e o trabalho com os casais:

“Nós recebemos o convite através da Nunciatura e a nossa atuação é extra paroquial, nós ministramos cursos, palestras, fazemos acompanhando de casais. É uma experiência acumulada de muitos anos e nós vemos os frutos disso em todas as partes onde já estivemos, em várias cidades do Brasil, e fora do Brasil: Montreal, Moscou, Estocolmo. E a experiência, como disse Ketty, é extremamente enriquecedora. O que se percebe é que a Igreja é tão rica, não existe divisão, há uma concordância de objetivos. Às vezes há algumas diferenças de visão, mas todas elas convergindo para que a família se fortaleça como resultado das recomendações que este Sínodo dará ao Santo Padre."

(BF)

(from Vatican Radio)

Papa vai destinar crucifixo de quase 3m à comunidade cristã

Florença (RV) – Um crucifixo de quase 3 metros de altura será doado ao Papa quando da sua visita a Florença, no próximo dia 10 de novembro. “Sinal de afeto e proximidade ao Papa Francisco”, a obra ficará exposta na capela de Santa Ana na Basílica de São Lourenço até a chegada do Papa à cidade, que a destinará então a uma comunidade cristã.

A obra, financiada pelas ofertas dos fiéis da paróquia de São Lourenço, foi realizada a partir da fusão de alumínio e patinada com peróxido de ferro sobre uma cruz de madeira graças à técnica da cera persa.

“Estamos muito felizes em poder oferecer este presente ao Papa” – explicou o pároco Marco Viola. “O crucifico também é fruto da conversão na fé de um fiel que pede para ficar no anonimato. É importante destacar ainda que o custo da obra tenha sido coberto pelas ofertas de nossos fiéis”, concluiu o pároco. (RB)

(from Vatican Radio)