segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cracóvia: encontro dos jovens com Jesus misericordioso

Cracóvia: encontro dos jovens com Jesus misericordioso

Cidade do Vaticano (RV) – “O encontro do Papa com os jovens em Cracóvia é o encontro com Jesus misericordioso”: assim o responsável pelo Setor Juventude do Pontifício Conselho para os Leigos, Pe. João Chagas, comenta a mensagem de Francisco para a Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia 2016 e os preparativos para o evento.

Nesta entrevista ao Programa Brasileiro, Pe. João Chagas relata que os contatos do Pontifício Conselho com Cracóvia são diários, as inscrições tem tido um interesse muito grande e que os desafios  não faltam.

Ao Programa Brasileiro, Pe. João fala também do convite que o Papa faz aos jovens na mensagem, de escolherem uma obra de misericórdia corporal e espiritual nos meses que antecedem a Jornada.

(BF)

(from Vatican Radio)

Dublin sediará Encontro Mundial das Famílias em 2018

Dublin sediará Encontro Mundial das Famílias em 2018

Filadélfia (RV) -  Dublin, na Irlanda, sediará o próximo Encontro Mundial das Famílias, em 2018. O anúncio foi feito pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, ao final da celebração conclusiva do encontro da Filadélfia.

"Eu tenho a alegria em anunciar que o Santo Padre decidiu que o próximo Encontro Mundial das Famílias será realizado em 2018 em Dublin, Irlanda".

Antes do anúncio, o Arcebispo Vincenzo Paglia ressaltou que  neste encontro “vemos claramente a fraternidade entre todos, aqui compreendemos melhor a terra como casa comum, o empenho em abrir as portas a todos. Na família nunca se é estrangeiro, na família não se fecham nunca as portas aos filhos, mesmo quando se afastaram”. “O milagre destes dias – enfatizou – somos chamados a vivê-lo todos os dias, particularmente neste ano da misericórdia que está para ser aberto. Obrigado Santo Padre, por este grande dom!”.

O Presidente do Pontifício Conselho para a Família antecipou que em 27 de dezembro próximo, Festa da Sagrada Família de Nazaré, será celebrado em todas as dioceses o Jubileu das Famílias. “Abrir-se-ão para as famílias cristãs as portas das catedrais e dos santuários”. E em resposta aos apelos do Papa Francisco em favor dos refugiados, Dom Paglia afirmou, que “de nosso lado, deverão abrir-se as portas das casas das famílias em todas as partes do mundo onde existem refugiados para acolhê-los". “Os acolheremos também nós. As portas de nossas casas, as portas de nosso coração estarão abertas. É uma profecia que as famílias cristãs são chamadas a viver e a testemunhar”.

Cinco famílias de cinco grandes cidades de diferentes continentes receberam do Papa Francisco um Evangelho para levarem às periferias de suas cidades: Havana, Kinshasa, Marselha, Hanói e Sydnei, às quais foi acrescentada uma família da Síria, que "deixaram atrás de si as bombas. Mas não permanecerão aqui, voltarão a Damasco para levar o Evangelho para que cure as feridas, conforte na dor e leve esperança". Uma coleta será destinada às vítimas do conflito na Síria. (JE)

(from Vatican Radio)

Pe. Lombardi: EUA admirado com humanidade do Papa Francisco

Pe. Lombardi: EUA admirado com humanidade do Papa Francisco

Cidade do Vaticano (RV) - Com a chegada às 10h da manhã desta segunda-feira ao aeroporto Ciampino de Roma, o Papa Francisco concluiu a 10ª Viagem Apostólica Internacional de seu Pontificado, cuja visita – tanto a Cuba quanto aos EUA – foi profundamente marcada pelo tema da família. Entrevistado pela Rádio Vaticano, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, atém-se aos momentos candentes da visita aos EUA.

Pe. Federico Lombardi:- “O Papa sempre destacou – desde Cuba – que a questão da família era, de certo modo, a temática que o levara a fazer essa viagem, que, de fato, se concluía em Filadélfia para o Encontro mundial. Francisco recordou o tema da família em cada um dos discursos importantes desta viagem: recordou-o falando diante do presidente Obama; diante do Congresso dos EUA, diante das Nações Unidas. O Papa falou sobre a gravidade das questões que dizem respeito à situação da família e do matrimônio no momento histórico atual. Portanto, mesmo se o clima – felizmente – era de muita festa, muita alegria, era de anúncio de uma palavra positiva do Evangelho, da família na sua perspectiva cristã, porém, estava muito presente a consciência da seriedade da situação das interrogações sobre o futuro da humanidade, inclusive no que tange ao modo em que se vive, tutela ou não a célula fundamental que é a família. Naturalmente, nas grandes concentrações houve todo o entusiasmo da população dos EUA – das três grandes cidades que foram visitadas – para ver o Papa, para ouvi-lo, para entrar em contato com ele. E se via que o Papa chegava encontrando um interesse, uma simpatia, uma disponibilidade excepcional do povo em geral, realmente muito, muito notável. E o que impressiona – ressaltou-o também o presidente Obama, o secretário-geral Ban Ki-moon, vários outros – é justamente, de certo modo, a humanidade deste Papa, a sua capacidade de estabelecer uma relação com as pessoas, que expressa proximidade, solidariedade. Existe essa atração – digamos – da sua figura humana, que lhe dá a possibilidade de dizer palavras, por vezes também incômodas, mas claras e orientadoras, para a humanidade de hoje. Os elementos deste entusiasmo e deste desejo do povo estadunidense eram muito evidentes e também a cobertura midiática dada a esta presença do Papa foi grandiosa.”

RV: Suas palavras recordam-me aquilo que o Papa Francisco disse aos organizadores despedindo-se no aeroporto de Filadélfia: “Sejam generosos. Continuem sendo entusiastas da mensagem do Evangelho, olhem sempre para os pobres nesta terra que foi abençoada por muitas oportunidades”...

Pe. Federico Lombardi:- “Sim, o Papa – também ele – foi ao povo estadunidense com uma grandíssima amizade, com uma enorme disponibilidade e benevolência, para colher seus valores, para entrar em diálogo com ele, compreendendo a grande história de liberdade, de democracia, de pluralismo, de construção de uma grande nação, a partir da imigração de tantas diferentes origens, mesmo tendo todas suas mensagens a dar de responsabilidade, de necessidade de compromisso e de mudança para o futuro, sob diferentes aspectos, quer no tocante ao acolhimento dos migrantes, quer no tocante ao cuidado do ambiente, as responsabilidade em nível internacional e assim por diante... Todas essas foram coisas que o Papa disse, mas soube dizê-las partindo de uma base, de uma premissa de compreensão repleta de respeito e de admiração pelos valores da história deste grande país.”

RV: Olhando de modo geral para essa décima viagem apostólica – a mais longa até então do Papa Francisco –, a título de impressão pessoal, o que, nesse primeiro momento, fica mais evidente para o senhor?

Pe. Federico Lombardi:- "Diria que do ponto de vista emotivo da experiência humana, ficou-me impressa a simpatia que se respirava na Sala do Congresso à espera do Papa... Era uma atmosfera realmente de festa. Inclusive pensando e sabendo que tipo de debates, de divisões e de tensões se realizam naquela sala, também neste período: o presidente da Câmara de Representantes do Congresso dos EUA renunciou no dia seguinte ao da visita do Papa, provavelmente devido a dificuldades da sua situação e de seu serviço. Porém, se via que todos os presentes estavam enormemente interessados e disponíveis a ouvir o que Papa  teria a dizer. Achei também muito emocionante o momento no Ground Zero, na cerimônia inter-religiosa, naquele lugar terrível de manifestação do mal e do ódio, o Papa pôde – de certo modo – dar uma mensagem que traz uma luz de esperança, justamente baseada no amor e na generosidade que acompanharam naqueles dias a terrível manifestação do mal, respondendo, ao invés, com um amor pronto ao sacrifício da vida generosamente para buscar salvar as vidas das pessoas atingidas, como todos os bombeiros e o pessoal da segurança. Certamente, o calor humano do encontro fica muito impresso na memória. Em particular, em Nova Iorque, esse entusiasmo se manifestou na Missa no Madison Square Garden, que sendo um ambiente fechado, mesmo sendo de grandes dimensões, se prestava muito a constituir aquela comunidade que se sentia unida em torno a seu pastor. Além disso, fiquei muito impressionado com o encontro com os detentos: num ambiente impressionante, em que toda a arquitetura expressa isolamento, fechamento, limite das possibilidades de expressão. Essa mensagem tão cordial, tão capaz de convidar a olhar para além e a olhar para a esperança que o Papa deu. Foi, particularmente, uma eficaz e profunda manifestação da proximidade aos últimos.” (RL)

(from Vatican Radio)

“Papa não é celebridade, é Servo dos servos de Deus”, diz Francisco aos jornalistas

“Papa não é celebridade, é Servo dos servos de Deus”, diz Francisco aos jornalistas


Cidade do Vaticano (RV) – Na tradicional conversa a bordo com os jornalistas realizada ao final das viagens, o Papa disse que não é uma “estrela” mas que o Pontífice é o “Servo dos servos de Deus”. Francisco ainda declarou-se surpreendido pela “calorosa” acolhida recebida nos Estados Unidos. Falou ainda que o maior desafio para a Igreja nos EUA é estar próxima das pessoas e que “foi duro” com os bispos acerca dos abusos sexuais.

Santo Padre, nos Estados Unidos, o senhor virou uma “star”. É bom para a Igreja que o Papa seja uma celebridade?

“O Papa deve… Sabes qual era o título que os Papas usavam e que se deve usar? Servo dos servos de Deus. É um pouco diferente de uma celebridade. As estrelas são bonitas de se ver, eu gosto de vê-las quando o céu está limpo no verão... Mas o Papa deve ser – deve ser! – o Servo dos servos de Deus. Sim, na imprensa se usa isso, mas há uma outra verdade: quantas estrelas vimos que depois se apagam e caem. É uma coisa passageira. Ao invés, ser ‘Servo dos servos de Deus’, isso é bonito! Não passa! Não sei… Assim, penso eu”

“Divórcio católico”

Sobre o seu recente Motu Proprio que facilitou o processo de nulidade matrimonial, o Papa reiterou que o “divórcio católico” não existe. “Ou não foi matrimônio – e esta é a nulidade, não existiu – e se existiu é indissolúvel. Isto é claro”.

China

Ao recordar que já se havia manifestado sobre seu desejo de ver estabelecidas relações diplomáticas entre Santa Sé e China, o Papa disse que “existem contatos e diálogo”. “Para mim, ter um país amigo como a China, que tem tanta cultura e tanta possibilidade de fazer bem, seria uma alegria”.

Colômbia

Sobre o acordo de paz na Colômbia, o Papa disse sentir-se parte não por ter uma atuação direta e sim porque “sempre desejou isso”. “Falei duas vezes com o presidente Juan Manuel Santos sobre o problema, e a Santa Sé – não somente eu – a Santa Sé está aberta a ajudar como puder”.

Objeção de consciência

No contexto de uma resposta sobre “funcionários do governo” que se rejeitam realizar o trabalho segundo a lei, o Papa disse que a objeção de consciência é um direito humano. “Se a uma pessoa não é permitido exercer a objeção de consciência, essa é a negação de um direito”.

“Sucesso” da viagem

Ao ser questionado se se “sentia mais forte” após o sucesso da viagem, Francisco afirmou que deve continuar no caminho do serviço porque sente que ainda não faz tudo o que deve fazer. “Este é o sentido que eu tenho de poder”, respondeu. “Não sei se tive sucesso ou não. Mas tenho medo de mim mesmo, porque se eu tenho medo de mim mesmo, me sinto sempre – não sei – frágil, no sentido de não ter poder, o poder é também uma coisa passageira: hoje existe, amanhã não... Jesus definiu o poder: o verdadeiro poder é servir”.

“Mulheres” sacerdotisas

Questionado sobre se, um dia, a Igreja católica terá mulheres sacerdotisas, o Papa afirmou que “isso não se pode fazer”. Contudo, admitiu: “Estamos um pouco atrasados no desenvolvimento de uma teologia da mulher. Devemos seguir adiante com essa teologia. Isso sim, é verdadeiro”. (RB)

Papa Francisco chega a Roma

Papa Francisco chega a Roma

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco chegou a Roma, ao aeroporto de Ciampino, na manhã desta segunda-feira (28/09), às 10h locais, concluindo sua 10ª Viagem Apostólica Internacional que o levou a Cuba e Estados Unidos.

Do aeroporto o pontífice se dirigiu diretamente à Basílica de Santa Maria Maior para um momento de oração e agradecimento a Nossa Senhora, Salus Populi Romani.

Antes de partir para Cuba e Estados, Francisco foi ao templo mariano, no último dia 18, para pedir à Mãe de Deus ajuda e proteção. É a 25ª vez que o Papa Francisco visita a Basílica de Santa Maria Maior.

Ao chegar à Cidade Eterna, Francisco tuitou: De coração vos agradeço. O amor de Cristo guie sempre o povo americano! (MJ)

(from Vatican Radio)

domingo, 27 de setembro de 2015

Diante da plateia do mundo

Diante da plateia do mundo

2015-09-26 L’Osservatore Romano
Quando o Papa Francisco chegou à sede das Nações Unidas em Nova Iorque, desfraldava também a bandeira da Santa Sé diante da entrada.

Escolha não casual num dia de grande solenidade para a organização internacional. E com solenidade e entusiasmo o Pontífice foi recebido na manhã de 25 de Setembro, ao entrar na sala da assembleia geral, que apreciou o seu discurso, interrompendo-o vinte e sete vezes e, no final, saudando-o por uma standing ovation. Uma intervenção esperada numa ocasião importante, para uma mensagem de confiança nas capacidades de incidir no futuro; mas sobretudo uma exortação ao compromisso de quantos têm o poder e a responsabilidade de melhorar o mundo, para o bem dos povos e do planeta.

Precisamente em virtude dos temas abordados e da prestigiosa plateia à qual se dirigiu — com dezenas de chefes de Estado e de Governo que assinarão o Programa para o Desenvolvimento 2015-2030 — este foi um dos momentos mais significativos da viagem do Papa Francisco, quarto Pontífice que proferiu um discurso no Palácio de Vidro. Antes dele, Paulo VI a 4 de Outubro de 1965, João Paulo II a 2 de Outubro de 1979 e a 5 de Outubro de 1995, e Bento XVI no dia 18 de Abril de 2008. E a sua intervenção coincidiu com o início da septuagésima assembleia geral.

Gaetano Vallini

No coração de Nova Iorque

No coração de Nova Iorque

2015-09-26 L’Osservatore Romano
Em Filadélfia, última etapa da terceira viagem americana de Bergoglio, o Papa conclui o encontro mundial das famílias. Com efeito o tema crucial da família, no centro das suas preocupações e do iminente sínodo, foi mencionado várias vezes neste itinerário cubano e norte-americano, durante o qual o Pontífice — como em cinquenta anos três dos seus predecessores (por quatro vezes) — falou à assembleia geral das Nações Unidas. Suscitou enorme interesse nos meios de comunicação internacionais o longo discurso aos representantes do mundo inteiro, mas igual impacto tiveram também os encontros papais no coração de Nova Iorque, encerrados por uma missa solene no Madison Square Garden.

Deus vive nas nossas cidades e é possível ver a sua luz caminhando nas trevas, segundo a imagem de Isaías. Trevas e nevoeiro que, na homilia conclusiva da visita à grande metrópole, o Papa actualizou com muita eficácia: «O povo que caminha, respira, vive no meio do smog, viu uma grande luz, experimentou um ar de vida». E saber que Jesus — conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz, segundo a descrição profética — caminha nesta única história de salvação enche de esperança: induzindo ao encontro com o próximo, mostrando-se presente na vida diária como intuiu Teresa de Ávila, misericordioso, doador da verdadeira paz.

Palavras que parecem ter ressoado e resumido o encontro, simples e enternecedor, do Pontífice com algumas famílias de imigrantes — sobretudo crianças e jovens ajudados pelas Charities católicas — numa paróquia de Harlem, um dos bairros nova-iorquinos mais desfavorecidos e difíceis: onde não há alegria, ali age o diabo porque, ao contrário, Jesus traz e quer a alegria, disse. Mas a presença de Deus é visível inclusive nas realidades mais trágicas, onde «a dor é palpável». Como no impressionante memorial de 11 de Setembro no Ground Zero, onde surgiam as Twin Towers e onde já Bento XVI tinha rezado no frio de uma cinzenta manhã de Abril.

Num lugar que agora a vontade e a memória dos nova-iorquinos souberam transformar de modo admirável, mostrando deste modo a ferida atroz infligida por quem cometeu a injustiça e o fratricídio. Aqui o Papa participou num comovedor testemunho de paz e de oração, com mulheres e homens de diferentes religiões — hindus, budistas, siques, cristãos, muçulmanos, judeus — que permanecerá um dos símbolos mais excelsos do pontificado, «sinal vigoroso das nossas vontades de compartilhar e de reiterar o desejo de sermos forças de reconciliação, forças de paz e de justiça nesta comunidade» e no mundo inteiro.

E à comunidade mundial — como Paulo VI pela primeira vez há cinquenta anos, a 4 de Outubro de 1965 — Francisco dirigiu-se directamente. Com um discurso às Nações Unidas, tanto abrangente quanto importante que, sem esconder os limites e os problemas abertos, ressoou como um apoio claro à instituição, a tal ponto que «se faltasse toda esta actividade internacional, a humanidade poderia não ter sobrevivido ao uso descontrolado das suas próprias potencialidades», disse o Papa no início da sua longa intervenção.

O meio ambiente, os excluídos, a guerra, as armas, o caminho da negociação e o narcotráfico foram os pontos principais desenvolvidos por Bergoglio que, concluindo, quis fazer suas as palavras finais do histórico discurso de Montini: «O perigo não vem nem do progresso nem da ciência que, bem utilizados, poderão, pelo contrário, resolver um grande número dos graves problemas que assaltam a humanidade. O verdadeiro perigo está no homem, que dispõe de instrumentos cada vez mais poderosos, aptos tanto para a ruína como para as mais elevadas conquistas. Em síntese, o edifício da civilização moderna deve construir-se sobre princípios espirituais, os únicos capazes não apenas de o sustentar, mas também de o iluminar e animar».