Cardeal Parolin recebe Ordem Europeia do Mérito e reforça apelo da Santa Sé pela paz
Durante cerimônia realizada no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, secretário de Estado do Vaticano destacou a necessidade de uma convivência baseada na dignidade humana e na harmonia entre os povos
Em um cenário internacional marcado pelo aumento dos conflitos e pela instabilidade em diversas regiões do mundo, o cardeal Pietro Parolin defendeu que a União Europeia renove seu compromisso histórico com a paz e a unidade dos povos. A declaração foi feita nesta terça-feira, 19 de maio, durante a cerimônia de entrega da Ordem Europeia do Mérito, realizada em Estrasburgo, na França.
O secretário de Estado da Santa Sé participou do evento por ocasião da sessão plenária do Parlamento Europeu e foi um dos homenageados com a distinção criada pela União Europeia para reconhecer personalidades que contribuíram significativamente para a integração do continente e para a promoção de seus valores fundamentais.
Um chamado à paz em meio aos conflitos
Ao discursar diante dos representantes europeus, o cardeal Parolin alertou para o atual contexto de tensões internacionais e recordou que a paz permanece ameaçada em diferentes partes do mundo, inclusive na Europa, ainda marcada pela guerra na Ucrânia.
Segundo ele, a União Europeia é chamada a assumir um papel ativo na construção da harmonia entre os povos, inspirando-se no ideal de “esforço criativo” defendido por Robert Schuman, um dos fundadores do projeto europeu e cujo processo de beatificação está em andamento.
Durante sua fala, o cardeal transmitiu também a saudação do Papa Leão XIV à assembleia parlamentar e ressaltou que a promoção da convivência pacífica continua sendo um compromisso permanente da Santa Sé.
Parolin afirmou que a harmonia entre os povos permanece como uma “promessa fundamental” da União Europeia e um “claro compromisso internacional” da Igreja.
A dignidade humana como fundamento
O secretário de Estado do Vaticano destacou ainda que os valores que sustentam a convivência civil europeia possuem raízes profundas na tradição cristã do continente.
Entre esses princípios, enfatizou especialmente a defesa da dignidade humana.
“Entre eles está, em primeiro lugar, a afirmação da dignidade humana, que é inviolável e deve ser sempre protegida em todas as fases da vida”.
Ao concluir seu pronunciamento, o cardeal renovou a disposição da Santa Sé em colaborar com as instituições europeias na promoção da paz e da fraternidade entre os povos.
Parolin declarou que a Igreja deseja caminhar ao lado das lideranças europeias para serem “juntos artífices da paz”.
Reconhecimento inédito da União Europeia
A Ordem Europeia do Mérito foi criada no contexto das comemorações pelos 75 anos da Declaração Schuman, considerada um marco fundador da integração europeia moderna.
A proposta apresentada por Robert Schuman em 1950 deu origem à Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, iniciativa que mais tarde evoluiu para a atual União Europeia.
O prêmio concedido ao cardeal Parolin é considerado o primeiro reconhecimento desse tipo promovido oficialmente por uma instituição da União Europeia.
Além do representante da Santa Sé, outras personalidades internacionais também foram homenageadas, entre elas:
Angela Merkel, ex-chanceler da Alemanha
Lech Wałęsa, ex-presidente da Polônia
Aníbal Cavaco Silva, ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal
O significado da homenagem para a Igreja
A presença do cardeal Parolin entre os homenageados evidencia o papel diplomático e humanitário desempenhado pela Santa Sé nas relações internacionais.
Em tempos de polarização, guerras e crises sociais, a Igreja continua reafirmando a necessidade do diálogo, da defesa da vida humana e da construção da paz baseada na justiça e na dignidade da pessoa.
O pronunciamento do secretário de Estado do Vaticano reforça também a visão da Santa Sé de que a política e as instituições internacionais devem estar a serviço da pessoa humana, especialmente dos mais vulneráveis.
Ao recordar as raízes cristãs da Europa, Parolin destacou que a verdadeira unidade não nasce apenas de interesses econômicos ou estratégicos, mas da capacidade de reconhecer o valor inviolável de cada vida humana.
Em meio aos desafios contemporâneos, a mensagem levada ao Parlamento Europeu ecoa como um convite à responsabilidade coletiva: construir uma cultura de paz que vá além dos discursos e se traduza em ações concretas de solidariedade, diálogo e defesa da dignidade humana.
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